Algo LAGOA AZUL aconteceu por glória do aniversário do João. Era uma esquerda de praia banhada por um rio que corria pro mar e o próprio mar ocupando todo o resto da praia.
Duas vezes por dia a maré recuava e enormes bancos de areia entregavam a efervecência de vida que se cria entre a terra e a água. Os grandes agentes eram os moluscos, cujos rastros desenhavam linhas tribais de areia em baixo-relevo na superfície das folhas secas submersas. Um deles, com mania de grandeza, instalou-se sobre uma concha vazia para fingir-se de pérola negra.

Menor sorte era a dos caranguejos, que sempre surgiam moribundos ou despedaçados. A esperança boiava no berçário de água doce, onde a floresta liquefazia-se num rico mangue para os filhotes.

Os caranguejos teriam mais chance se tivessem casquinhas tão duras quanto conchas, e ainda poderiam ornar a paz...

... do pessoal do chill-out, que se maravilhava com aquilo tudo. A festa foi morar na rua das boas memórias de cada um.
Ao mesmo tempo em que um índio guarani pintava os corpos do povo, eu me permitia cair em abandono natural - banho, só no rio e no mar...

... enquanto o fundo de areia fazia o ELETROCARDIOGRAMA do meu desbunde:

Desta vez meu cabelo quase ENDREDOU.
Das noites geladas pendiam muitas estrelas cadentes. A última que avistei terminou num bambolê de chamas cor-de-laranja. Acho que entrou na atmosfera para se juntar a nós.