categoria ~ beau-t-fullook



segunda-feira, fevereiro 01, 2010

fashi.ono

a última edição da mag! - toda dedicada ao rio de janeiro, beijomeliga brasil! - traz um editorial de moda inspirado no casal mais incrível do universo (depois do amado e eu): john lennon e yoko ono. achei a homenagem de uma meiguice sem precedentes.

mas o ensaio não chegou a me emocionar tanto quanto a reportagem da fashion television sobre a primeira colaboração oficial da diva maior do narghee-la para as passarelas nova-iorquinas: em setembro do ano passado, yoko assinou a coleção primavera/verão da marca conceitual threeasfour em conjunto com seus designers originais. eu quase morri.



as manecas, quase todas asiáticas, desfilaram formas superarquitetônicas e estampas feitas a partir de desenhos inéditos de yoko - tudo digno de vestir björk, nossa outra musa essencial. num determinado ponto do desfile, uma das modelos, metida num vestido branco, entrega tesouras para outras e permanece parada enquanto seu modelito é cuidadosamente recortado - uma alusão a um dos happenings que yoko encenava nos anos 60.

a fashion tv fechou a reportagem com uma rápida entrevista com sean lennon, fiel escudeiro e produtor do último álbum da mãe. lá estava a mélange perfeita de meus dois grandes ídolos, a única certeza de que a vida continua após a morte, e eu chorei. é muita emoção pra um coraçãozinho que já não bate mais sozinho.



quarta-feira, janeiro 20, 2010

cinder.eu

tem esse filme "bernard & doris", que é uma das mais recentes perolazinhas da locadora. doris é doris duke, personagem real, que foi servida pelo mordomo bernard durante os últimos anos de sua vida. doris era trilhardária - uma magnata que administrava diversas instituições ligadas às artes, ciência, meio-ambiente, filantropia e educação, incluindo a celebrada duke university. num determinado ponto do filme, vemos doris assinando um cheque de cinco milhões de dólares para pagar a fiança de imelda marcos.

a primeira coisa que me veio à cabeça foi que o ato de solidariedade para com imelda tinha apenas, mas profundamente, a ver com sua notória loucura por sapatos (a ex primeira-dama filipina tinha cerca de três mil deles). o filme não esclarece a motivação de doris duke, mas em pesquisa pela net descobri que ambas eram amigas. "talvez a paixão por sapatos seja o denominador comum da amizade", insisti em racionalizar. ou talvez seja o meu denominador comum com imelda marcos, e eu esteja projetando sobre doris duke.

eu não sei qual é o lance que algumas de nós têm com sapatos. não dá pra explicar. o simples fato de que incrementam o andar e arte-finalizam um look, condenando-o ou fazendo-o vencedor, não basta. sapatos estão além da eloquência de um par de óculos ou do status de uma bolsa: mais que qualquer outro acessório - não raro mais que a própria roupa - ele diz a que você veio. e isso ainda não é o bastante.

eu não tenho tara por jóias - eu nem tenho jóias. não ligo a mínima para relógio, anel, pulseira, brinco; lingerie, perfume, automóvel, i-phone, itens de fetiche em geral: zero. mas eu preciso de coisas de vestir. compro tecido, mando fazer roupa. escolho bolsas com cuidado, posso levar meses para encontrar um calçado que preciso pra ontem. e são eles, mais que uma bolsa ou um vestido, aos quais me apego mais.

isso não é explicável pela boa impressão que um sapato causa. isso não é explicável, simplesmente.

e ainda assim eu não saio comprando todos os sapatos que existem no mundo, não faço questão de manolos e loubotins - pelo contrário. compro só o que se encaixa em mim e no meu orçamento. o princípio do sapatinho de cristal - aquele que apenas calça a cinderela - se aplica: posso morrer de amor por um modelo mas, numa loja, passo batida por ele caso não faça parte da minha auto-imagem em primeiro lugar.

tudo isso para revelar que hoje cheguei perto, mas falhei em me desfazer do meu par queridinho. o par queridinho tem quase cinco anos e já passou do prazo de validade, mas eu insisto. ele jamais recebeu um elogio em especial, e isso é porque ninguém vê a beleza que eu vejo nele. ele tem um formato dianteiro que eu nunca vi em lugar nenhum. ele tem um salto sabrina, que é o salto mais lindo do universo, e seu interior é todo forrado de couro branco com estampa de cerejas. os dois últimos detalhes pirotescos: ele não foi comprado numa sapataria e sua cor original era rosa-goiaba.

era. porque com o tempo ele precisou de pintura e ficou vermelho. e hoje, entre jogá-lo fora e dar a ele uma sobrevida, fiquei com a segunda opção. o próprio sapateiro sacou minha fraqueza ao insistir na recauchutagem. teve pena de mim. prometeu passar a melhor tinta e recuperar 200% o saltinho.

em 2010, ainda encontramos anjos como antigamente.



quarta-feira, dezembro 30, 2009

gilles lipovetsky sobre...

... a dinâmica da moda:

comandada pela lógica da teatralidade, a moda é um sistema inseparável do excesso, da desmedida, do exagero. o destino da moda é ser inexoravelmente arrebatada pela escalada de acréscimos, de exagerações de volume, de amplificação de forma fazendo pouco do ridículo. nada pôde impedir os elegantes e as elegantes de "fazer mais do que é preciso", de aumentar um ponto em relação ao que "se faz", de rivalizar em excessos de ostentação formal e luxuosa (...)

contudo, a escalada das amplidões não é ilimitada: a partir de um certo momento, o processo brutalmente faz uma reviravolta, inverte-se, renega a tendência passada, mas é impulsionada pela mesma lógica do jogo, pelo mesmo movimento caprichoso. na moda, o mínimo e o máximo, o sóbrio e a lantejoula, a voga e a reação que provoca são da mesma essência, quaisquer que sejam os efeitos estéticos opostos que suscitem: sempre se trata do império do capricho, sustentado pela mesma paixão de novidade e de alarde. o reino da fantasia não significa apenas escalada aos extremos, mas também reviravolta e contrariedade: a voga da simplicidade e da natureza, que se estabelece por volta de 1780, não foi menos teatral, artificial, lúdica do que o luxo de refinamento precioso anterior.

se é verdade que as modificações da cultura e do espírito do tempo estão na base das variações de moda, não podem jamais por si só explicar o novo e a moda, seu aleatório irredutível, suas inúmeras metamorfoses sem razão nem necessidade. isso porque a moda não pode ser destacada da lógica da fantasia pura, do espírito de gratuidade e de jogo que acompanham inelutavelmente a promoção do individualimo mundano e o fim do universo imutável, prefixado, das formas da aparência tradicional.

"o império do efêmero - a moda e seus destinos nas sociedades modernas", companhia das letras.



terça-feira, dezembro 22, 2009

anos 00: excessos de (e da) moda

vamos admitir: se vestir foi mais divertido do que nunca nos anos 00. todo mundo entrou na dança - o termo "fashion" foi adotado até mesmo pelas classes baixas, virando bordão para looks produzidos. assim como há vinte e poucos anos atrás, o revisionismo oitentista que comandou esta década (e no momento culmina com a celebração dos ombros aumentados) caminhou de mãos dadas com flashes dos anos cinqüenta, desta vez freqüentemente traduzidos com a onda das pin-ups (cada vez mais tatuadas) e muito bem representados pela proliferação dos óculos wayfarer. ainda assim, o grande pano de fundo da moda dos anos 00 foi o rock n´roll: gostando ou não, os emos são um produto disso.

programas televisivos de canais fechados ensinaram às mulheres que sapato de salto e bico fino alonga a silhueta - o que não evitou que as sapatilhas dominassem a cena a partir de 2007. experts em moda gongaram as leggings, mas não adiantou, e muitos estilistas continuam lançando variações em desfiles internacionais. calças skinny, graças a deus, foram adotadas apenas pela limitadíssima fatia de antenados com shape para usá-las, e muita mulher se matou na academia para vestir microshorts. viseiras, munhequeiras, all stars converse, óculos enormes, balonés, cintura marcada, estampa camuflada, camiseta regata, calças cargo, esmaltes em cores cada vez mais berrantes e ainda em franca inclusão de verdes, azuis e amarelos: foi um mundo de luzes, cores e cristais swarovskys de beyoncé, e a chegada definitiva da estética independente ao mainstream.

mas os últimos dez anos também tiveram suas febres próprias: camisetas com estampas vintage, os controversos crocs, as horrendas botas pata-de-bode, geek chic, sandálias gladiador, rasteirinhas... sem contar que, aos poucos, modelos conceituais vão ganhando mais adeptos - em outras palavras, mais e mais gente anda desbravando mares antes apenas navegados por bjork (num vestido de cisne, é claro!) e outros poucos excêntricos. sai a obrigação datada da roupa como adequação social e entra a do estilo pela diversão de se produzir, encontrando nos hipsters sua autoridade suprema.

vimos gisele bündchen se tornar a modelo mais rica de todos os tempos e kate moss seguir impávida como ícone cult mesmo após cliques indiscretos e namorados trash; conhecemos todo o potencial oculto de gwyneth paltrow, que virou um mulherão depois de parir apple; adoramos a estranheza de chloe sevigny e agnes deyn, a androginia de tilda swinton, as fab four de sex & the city by patricia field, as centenas de vestidos carolina herrera de renée zelwegger e até mesmo a cara aguada de siena miller; odiamos o pink eterno de paris hilton, o jeca do loiro-sobre-pele-morena de britney spears e a permanente carranca de victoria beckham. recebemos, como nunca, imputs gráficos de toda uma legião de celebridades.

o volume de novas mídias de moda bateu com a cabeça no teto: revistas como vogue, l´officiel, elle e w procuraram buscar mais e mais leitores, alavancando a editora anna wintour para o status de celebridade mundial com direito a personagem em "o diabo veste prada". Aliás, desde "pret a porter", de robert altman, a moda não ganhava tanto foco no cinemão. mas os anos 00 também serão lembrados como a era em que as revistas passaram a competir com canais exclusivos de tevê (no brasil há o fashion tv) com ampla programação segmentada, incluindo reality shows como o aclamado "project runway"; e, de surpreendente impacto sobre a indústria formal, os blogs de estilo, com destaque para o the sartorialist.

no país, a saída de erika palomino da folha de s. paulo para focar em seu site e na house of palomino firmou-a como a mais nova papisa do jornalismo fashion, levando frescor a uma corte antes apenas estrelada por senhoras como constanza pascolato. paulo borges, idealizador do são paulo fashion week, resolveu dar um passo além e lançou a mag!, a melhor revista nacional de estilo. cursar moda passou a ser tão comum quanto administração, inflando o já fervido boom de novos estilistas e stylists brasileiros.

peça revival que também marcou os anos 00, a muito incompreendida calça saruel é um aceno de que, com o início dos anos 10, os idos 90 estão regressando (conforme previsto). foi de lá que veio a saruel - os clipes de mc hammer não mentem. aos poucos, muito timidamente, vemos um editorial sobre minimalismo andrógino, um anúncio da escada com christy turlington, um batom opaco. pelo jeito, daqui a dez anos a retrospectiva da década que daqui a pouco começa estará embalado em flanela grunge.

- especial para a edição de fim de década do grito.



terça-feira, dezembro 22, 2009

gilles lipovetsky sobre...

... a dignidade conceitual da moda:

o reino da moda generalizada leva a seu ponto culminante o enigma do ser em conjunto próprio à era democrática. trata-se de compreender como uma sociedade fundada na forma moda pode fazer coexistir os homens entre si. como pode ela instaurar um elo de sociedade quando não cessa de ampliar a esfera da autonomia subjetiva, de multiplicar as diferenças individuais, de esvaziar os rincípios sociais reguladores de sua substância transcendente, de dissolver a unidade dos modos de vida e das opiniões? (...)


para g. de tarde, a moda é essencialmente uma forma de relação entre os seres, um laço social caracterizado pela imitação dos contemporâneos e pelo amor das novidades estrangeiras. não há sociedade senão por um fundo de idéias e de desejos comuns; é a semelhança entre os seres que institui o elo de sociedade, a ponto de ele afirmar que "a sociedade é a imitação". a moda e o costume são as duas grandes formas de imitatividade que permitem a assimilação social das pessoas. quando a influência dos ancestrais cede o passo para a submissão às sugestões dos inovadores, as eras de costume dão lugar às eras de moda. (...)

a moda é uma lógica social independente dos conteúdos (...)

"o império do efêmero - a moda e seus destinos nas sociedades modernas", companhia das letras.



terça-feira, dezembro 15, 2009

"incongruências da moda" pheelings

o grito está organizando edição especial sobre os anos 00 e eu pedi pra ficar com moda. mas ao invés de fazer aquele textão corrido, estou partindo para um lance legendas.

much more fun!

delícia também selecionar os looks mais emblemáticos da década. bjork de vestido cisne no oscar e roisin murphy em overpowered estão ga-ran-ti-das!



terça-feira, dezembro 15, 2009

querido papai noel,

dzn_Barbie-by-Comme-des-Garcons-03

quero ganhar uma barbie assinada pela comme des garçons de natal. qualquer dúvida me liga, ok? beyjas.



terça-feira, dezembro 08, 2009

gilles lipovetsky sobre...

... mulher, moda e liberdade de reinventar-se:

fazer-se bela tornou-se um jogo do feminino com o arquétipo da feminilidade, uma frivolidade de segundo grau onde desejo de agradar e olhadelas distanciadas se tocam. o "glamour" se liberta do ritual cerimonial, põe-se em festa numa fantasia deliberada de referências e evocações múltiplas. através do enfeite e da maquiagem, a mulher brinca de vampe, de estrela, de egéria da moda, de "mulher-mulher"; reapropria-se, à vontade, dos estilos, dos ares, dos mitos, das épocas; a sedução se diverte consigo mesma e com o espetáculo que oferece, acreditando nele só parcialmente. a exemplo do destino das mensagens na sociedade de consumo, a moda e a sedução abandonaram sua gravidade anterior, funcionando doravante e em grande parte por humor, por prazer, por espetáculo lúdico.

"o império do efêmero - a moda e seus destinos nas sociedades modernas", companhia das letras.



sexta-feira, dezembro 04, 2009

leiturinha amiga para o final de semana

. have we forgotten not to forget? remembering not to remember in an age of unlimited memory

. o photoshop da discórdia: mais lenha no debate sobre o projeto de lei francês que obriga revistas a informar o uso de photoshop sobre fotos digitalmente alteradas

. quase uma crônica: a história da pink lady of malibu



quinta-feira, novembro 26, 2009

italians do it sooo much better

como se ter beirado um ataque cardíaco com a capa da vogue itália de novembro numa livraria não fosse o bastante, deparo-me com uma edição online inteiramente feita com bonecas barbie negras no site da revista.

46 black barbies. styled by vogue italia and photographed for vogue italia in the july 2009 barbie issue, will all be the protagonists of a charity auction hosted by christie´s for airc, italian association for cancer research, wich will take place in milan on november 23rd at palazzo clerici.

ou seja: corram. o leilão foi anteontem e há o risco da black barbie issue sair do ar em breve.

dentre as magníficas 73 páginas da revista em flash, narghee-la fez questão de mandar o print screen dos editoriais sobre chapéus, moda étnica, red carpet, pool party, penteados, boa forma, artigo sobre diana ross (cujo outfit muito se assemelha ao look final usado pela cantora no clipe de chain reaction, que muito inspirou a moda das minhas barbies nos anos 80) e um ensaio fetichista à la mulher gato.

ana wintour que me perdoe, mas franca sozzani é quem faz revista-arte.

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