categoria ~ anark!



segunda-feira, novembro 24, 2008

michel onfray sobre...

... o indivíduo no campo de concentração:

o artifício não vale nada quando a essência diz tudo e exprime a verdade absoluta da espécie. sobre a ss, robert anteme escreve: "ela pode matar um homem mas não pode transformá-lo em outra coisa". aí está a primeira verdade descoberta em um campo de concentração, ela é de natureza ontológica: a existência de uma única espécie, e a natureza essencial do homem dentro do homem, cavilhada ao corpo, visceralmente associada à carne, ao esqueleto, à pele e aos ossos, àquilo que resta de um ser, contanto que um suspiro, mesmo frágil, o anime ainda. a verdade de um ser é seu próprio corpo.


tolhido por furúnculos, esfolado por antrazes, as chagas carcomidas de vermes, a carne devorada pelos piolhos (...) - nesses extremos, o corpo de um homem triunfa no local inexpurgável de sua humanidade. (...) a essência é a existência, e vice-versa.

de modo que essa ontologia esclarecida por uma fisiologia, senão o inverso, impõe que se entenda o indivíduo como essencial, certamente não o sujeito, o homem ou a pessoa. (...) o que faz a irredutibilidade de ser um ser é sua individualidade, não sua subjetividade, sua humanidade ou sua personalidade. é o indivíduo que sofre, pena, sente frio e fome, vai morrer ou se salva, é ele, dentro de sua carne, portanto de sua alma, que é submetido aos golpes, sente progredirem os parasitas assim como a fraqueza, a morte ou o pior.

a política do rebelde - tratado de resistência e insubmissão, michel onfray, 1997.



segunda-feira, novembro 10, 2008

os sete pês da opressão (principais problemas)

parentes
padres
professores
polícia
políticos
proprietários
patriarcado



sexta-feira, novembro 07, 2008

michel onfray sobre...

... a descoberta dos grandes textos anarquistas:

eu soube então que fazia parte desse arquipélago. stirner e seu individualismo radical. bakunin e seu dionisismo libertário, jean grave e proudhon, depois outro, kropotkin e louise michel, todos os pensamentos revigorantes, dentre os quais alguns que não estavam assim tão distantes de nietzsche quanto se poderia crer. nem deus nem senhor, era isso que me parecia, e me parece ainda, de tremenda atualidade, e que se mostra bem próximo do nietzschiano: "para mim, é tão odioso seguir quanto guiar".


ao mesmo tempo que progredia pela vida libertária, eu só encontrava textos antigos, nenhuma referência recente, nada pós-maio de 68 que tivesse a densidade e a consistência dos clássicos do século passado, apenas cometas, tais como alain jouffroy ou marcel moreau. as publicações libertárias contemporâneas ainda estão cheias da poeira do século xix, tanto quanto as livrarias anarquistas parisienses que eu visitava de vez em quando após deixar minha província.

é por essas que eu o amo.

a política do rebelde - tratado de resistência e insubmissão, michel onfray, 1997.



quinta-feira, outubro 30, 2008

amor a michel onfray

onfray writes obscurely that there is no philosophy without psychoanalysis. he proclaims himself an adamant atheist (something more novel in france than elsewhere - indeed his book 'atheist manifesto' was briefly in the 'bestsellers' list in france) and he considers religion to be indefensible. he instead regards himself as being part of the tradition of individualist anarchism, a tradition that he claims is at work throughout the entire history of philosophy and that he is seeking to revive amidst modern schools of philosophy that he feels are cynical and epicurean. his writings celebrate hedonism, reason and atheism.

é um dos grandes verbete do wiki.



domingo, outubro 26, 2008

eu: um arroto eleitoral

dei-me conta de que era eleição quando abri as cortinas e constatei livres os dois sentidos da princesa isabel. alimentei os gatos, fiz um café e tirei o lixo. liguei a tevê e guardei uns recortes. e pus-me a ligar para a família, para saber até que horas dava pra votar.

repetidas tentativas e ninguém atendeu. chamei eliseu, meu mais que irmão, para dar-me a informação. expliquei que desde dois mil não comparecia às urnas e ignorava vastamente os trâmites dessa modalidade de cidadania.

tudo relativo a política me enoja. o processo democrático é uma das maiores histórias da carochinha que existe. sem contar com o ingrediente tirania da maioria inerente à democracia. há anos não votar é minha micropolítica, que é o que realmente importa para mim - uma forma de conservar alguma decência diante do lixo que se produz nos poderes, sem me sujeitar a voto em branco, nulo ou justificativa. quando precisei tirar passaporte, paguei seis reais relativos às ausências pendentes, e tudo certo.

enfim.

em maio comprei a rolling stone que trouxe gabeira na capa e a matéria me amaciou sobremaneira. mesmo assim não compareci ao primeiro turno, era claro que levariam gabeira ao segundo. e agora, apesar de toda minha má vontade com eleições em geral, resolvi dar aquela forcinha para o nosso ex-seqüestrador, ex-maconheiro e ex-sunguinha de crochê. este sim é o tipo de sujeito que eu gostaria que comandasse.

escavei minha gaveta de documentos, diplomas e manuais de eletrodomésticos na busca pelo meu título de eleitor. ali encontro os comprovantes das eleições de dois mil e dois. óquei, não oito, mas seis anos de repúdio.

caminhei os quilômetros que me separam de minha zona eleitoral - da época em que ainda vivia com a família. entrei no olímpico clube e perguntei se ali continuava sendo a décima oitava. "sim, mas qual é a sua sessão?". procurei meu título. esqueci em casa. esqueci em casa! definitivamente um golpe do inconsciente. não sou uma moça da democracia, não há saída.

passei de mesa em mesa informando meu nome. não estava em nenhuma. "fui excomungada pelo processo eleitoral", pensei. até que alguém me informou que havia mais de uma unidade da décima oitava zona eleitoral. ah.

atravessei a rua e experienciei o ar maravilhosamente condicionado do senac. depois de duas sessões sem mim, arrisquei a que me esperou nas eleições de dois mil e dois. tava lá. quarenta e três, sobe o ti-li-lim da urna eletrônica.

enquanto escrevo dá 51% de eduardo paes na boca de urna. talvez eu seja pé-frio, como quando de minha única vez em jogo do fluminense - dois a zero vasco em são januário.

que seja. sinceramente, prefeitura é o tipo de emprego para sujos como paes. embora seja cristalino que nós - vocês e eu - mereçamos muito melhor.



quinta-feira, outubro 23, 2008

fuck the economy



segunda-feira, setembro 01, 2008

duas palavrinhas mais...

... sobre cheeh-eetices:

1. a tentativa de mudança através da democracia é ridícula. a democracia é a tirania da maioria - especialmente no caso estadunidense e seu processo eleitoral de primárias e idiotices do tipo, cheio de pesos e medidas (de qualquer forma torço inflamadamente por obama).

2. qualquer ianque deve se manifestar, quer seu governante o represente ou não. algumas pessoas não conseguem evitar o grito mesmo quando são representadas por um cara que dá voz a elas. não faz sentido esperar o moribundo corpo democrático solucionar problemas: é preciso agir de vontade própria, mesmo que isso signifique sabotar as leis. foda-se.



sexta-feira, agosto 29, 2008

por fim, o próprio powderly abre o verbo

"my understanding of the tibetan issue was not in depth," powderly told artnet magazine, saying that his activities involved a more general statement about freedom of speech, given what he felt was his own brush with censorship. "i understand it better now, having been in prison."


in the months leading up to the games, powderly did workshops with students for a free tibet (sft) members to show them how to use "throwies," which are individual, magnetic led lights that can be used to create "light graffiti," the subject of grl's earliest experiments (this technique was used for a "free tibet" light banner unfurled in front of the olympic stadium, a photo of which was widely disseminated to newspapers by sft). after deciding that he would also use his trip to china to participate in the "free tibet" actions, he began to brainstorm ideas for devices that he could contribute for what he describes as a "counter-spectacle" to the extravagant celebrations of chinese power.

aqui fica claro que powderly não chegou a executar a projeção: a polícia chinesa o prendeu antes. talvez tenha sido má interpretação desta foto da manifestação do pessoal do sft na abertura dos jogos associada à notícia da prisão de powderly. sorry for the misundestanding, i was just rebbloging.

mesmo assim, a história não perde nenhuma grama de excitement. powderly foi um bode espiatório. shame on the chinese cops! :D

grande borbulha de pormenores sobre o background de powderly, a perseguição dos ativistas e sua prisão no artnet.



terça-feira, agosto 26, 2008

ativista que foi preso com powderly resgata memórias do cárcere chinês

ontem à noite o animal ny falou com jeffrey goldin, outro ativista envolvido no terrorismo poético pró-tibete de james powderly:

after being taken to a basement of a hotel and interrogated one by one in conference rooms, the six [activists] were then put in vans and told they were going to be deported. however, the mini-caravan drove past the airport and continued on, straight to a prison. goldin described arriving at the giant gate brimming with barbed wire and the foreboding watchtowers teaming with guards armed with fully automatic rifles. it was intimidating to say the least.


"they told us we committed serious crimes against the chinese government," said goldin, and they placed them in separate cells. (...) the scariest part of the short, yet stressful stay were the interrogation rooms according to goldin. "there was a metal chair with a metal belt that they actually strapped you down to".

one of the most pressing questions the interrogators repeatedly asked them was "who is earth mouse?" goldin denied he knew anything about this person. apparently, 'earth mouse' was a "guy not inside china" who was helping coordinate and organize the students for a free tibet's actions via twitter (...) "it was driving authorities crazy," said goldin, since most of those being arrested had digital correspondences from this 'earth mouse' operative.

por um momento achei que earth mouse tinha a ver com a disneylândia.

continua no link da primeira linha.




segunda-feira, agosto 25, 2008

o fim da saga: powderly é libertado

lembra do terroristra poético james powderly, que foi preso semana passada pela polícia chinesa ao projetar stencil à laser pela causa tibetana na fachada de um edifício pequinês? após intervenção diplomática estadunidense, ele chegou ontem, são e salvo, ao aeroporto de los angeles.

a blogosfera garante further information sobre o desfecho. narghee-la repercutirá.

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