categoria ~ anark!



sexta-feira, junho 19, 2009

with a little help from your pirate friends

ativistas democratas iranianos acabam de ganhar o apoio mais arrojado que eles poderiam sonhar:

anonymous iran is a collaboration between the pirate bay - operators of the world's largest torrent site, convicted in april of copyright infringement - and anonymous, the prankster collective dedicated to exposing "scientology's crimes."

quente, hein?

a junta rebelde elaborou um site que fornece dicas para furar o firewall providenciado pelo governo iraniano, fazer contato com outros ativistas no twitter e promover ataques a páginas pró-governo. considerando a imensa intimidade dos iranianos com a internetosphéra, é uma ação certeira.

a wired aproveita para fazer updates acerca das demais recentes atividades do the pirate bay...

this week, the pirate bay launched its virtual private network service that promises to mask users' indentities online. more than 180,000 people have already signed up. earlier this month, sweden's pirate party won a seat in the european union parliament, after outrage about the file-sharers conviction erupted.

... mas quase tudo isso você já leu aqui no narghee-la. ;)



terça-feira, junho 09, 2009

partido pirata arremata cadeira no parlamento europeu

outra coisa que costuma estreitar meus laços com a itália são as correspondências que recebo do consulado. em geral tem a ver com atualização de dados cadastrais, por causa da cidadania; mas da última vez, há duas semanas, foi a papelada relativa à eleição do parlamento europeu.

se (quase) nunca compareço às urnas no brasil, que dirá preencher uma cédula eleitoral em italiano e enviar de volta.

seria diferente se eu descendesse de suecos: acabo de saber que o partido pirata da suécia acaba de conseguir uma cadeira no parlamento europeu:

the party, formed to protest copyright law, took 7.1 percent of votes in sweden and one of that country's 18 seats in the european parliament. the party stands for radical reform of copyright legislation, abolition of the patent system and guaranteed online-privacy rights.


the party gained a renewed focus in sweden after the four founders of the pirate bay, the world's most notorious bittorrent tracker, were convicted of copyright infringement and ordered jailed for a year and fined millions.

narghee-la acompanhou todo o embroglio pirate bay: confira aqui, aqui e aqui.

activist christian engström, who will assume the pirate party seat this fall, told wired.com in a recent interview that copyright laws are becoming an affront to privacy.


"if politicians want to prevent ordinary citizens from sharing files, they will constantly have to expand their ability to monitor," engström said in a telephone interview. "it's necessary to reform the copyright legislation to ensure that citizens' right to privacy is respected."

esfuziante.

mais na wired.



terça-feira, maio 19, 2009

sous les pavés, la beauté

ao lado de la beauté est dans la rue (a beleza está nas ruas), sous les pavés, la plage! (sob as pedras da calçada, a praia!) é a máxima situacionista que mais aprecio. o artista português vhils se inspirou nela para batizar seu mais recente trabalho nas ruas de lisboa, "scratching the surface", que gerou um filminho-arte e um manifesto que fez crescer flores no meu peito sonhador. o original, em inglês, está aqui; abaixo, a tradução freestyle:

arranhando a superfície


"sous les pavés, la plage!" (debaixo das pedras da rua, a praia!) - graffiti anônimo, paris 1968.

paris, maio de 1968. quando os enragés começaram a arrancar os paralelepípedos do boulevard st. michel para usá-los como armas contra as forças da velha ordem, se depararam com a areia que existia debaixo deles. a terra. debaixo do concreto, a terra. debaixo do ambiente urbano, natureza. debaixo do artificial, vida.

por trás de todas essas paredes de tijolo e concreto, essas duras, cinzentas superfícies que condicionam nossa existência, por trás de todas essas cidades, existe vida. existem indivíduos, existe natureza. "arranhando a superfície" é um ato de criação tirado de formas sem vida. é a subversão das formas sem vida. o ato de gravar a idéia de vida num muro, de criar a imagem de um indivíduo, uma peça iconográfica de simbolismo representativo que vai durar. como se torná-lo eterno ao trazê-lo à vida onde a vida não poderia existir. ao extraí-lo daquilo que é natimorto por sua própria natureza, por seu design.

então até a concessão de todos os muros que separam, impõem, que condicionam, um sistema social que esmaga com o intuito de controlar e perpetuar as costuras existentes nas divisões existentes nessa eterna divisão e mantém os indivíduos em seus lugares, será mais e mais fácil esquecer quem nós somos, de onde viemos e do que se trata a natureza. como é fácil perder a noção do que se trata nossa própria natureza quando somos pegos nesse ambiente saturado e inorgânico.

ainda por cima amei o emprego do termo indivíduo no lugar de pessoas ou homem ou ser humano. muito michel onfray.

via wooster collective.



domingo, abril 12, 2009

michel onfray sobre...

... religião, humanismo e hedonismo:

o anúncio do deus morto proferido por nietzsche, o do falecimento do homem feito por foulcault, liberam o terreno para um novo nascimento no qual o humanismo e os direitos do homem desaparecem. (...) deus celebrado, o homem divinizado não produziram, realmente, senão a alienação e a servidão, o empobrecimento, o enfraquecimento dos indivíduos, seus sacrifícios aos leviatãs multiplicados.


após deus e o homem, o camelo e o leão nietzschianos, é preciso celebrar a criança e as virtudes da inocência coextensiva ao sobre-humano desejado por zaratustra. além do rosto de areia, pode-se traçar com um dedo febril o contorno de uma nova figura: o indivíduo soberano. a morte do homem e a superação do humanismo ganham seu sentido nessa perspectiva do reino da nova figura. primeiramente, deus dispõe de plenos poderes e o homem não conta em nada, uma coisa sendo a causa da outra - a religião triunfa; em seguida, o homem reina sozinho enquanto que o indivíduo soberano não tem existência nenhuma - o humanismo lança todos aos sufrágios; imaginemos então uma nova época, possibilitada pelas fraturas abertas em maio de 68, tendo, ao centro, o indivíduo soberano e o reino daquilo que chamarei o hedonismo, sem esquecer a lição de nietzsche para quem todo prazer busca a eternidade.

(...) feito para ser ultrapassado, dançando no vazio sobre uma corda estendida entre a animalidade e o sobre-humano, o homem se exercita volteando no espaço, por cima de uma praia cuja areia poderia muito bem acolher sua queda e abrir-se em forma de tumba. o pai de zaratustra afirma que a distância é tão grande entre o verme ou o macaco e o homem quanto entre o homem e o super-homem. o trabalho dos nietzscianos franceses após 68 consiste em avaliar, medir, considerar a distância entre o ponto do meio e aquele da extremidade, longe das origens, antes de empreender um outro percurso, aquele do segundo segmento. sobre esta linha, deus e religião se encontram no início, o homem e o humanismo no centro e o indivíduo soberano e o hedonismo no final.

a política do rebelde - tratado de resistência e insubmissão, michel onfray, 1997.



quinta-feira, março 26, 2009

polícia londrina teme dimensão dos protestos durante próximo g20

uk officials are calling the protests planned during meetings "unprecedented" as citizens react to the uk recession en masse. poverty, muslim and palestinian sympathizers, and climate and environmental groups plan to unite with civic action groups, peaceful demonstrators, and anarchists to disrupt the global summit and voice the people's will in the coming days.

tweeters londrinos estão em polvorosa:

kelly_iscool getting excited about the chaos predicted at the g20 this weekend. bankers are being told to go to work disguised as poor people!! 24 mar 2009 from mobile


blacklooks g20 event: convergence on the european climate exchange, hasilwood house, 62 bishopsgate, ec2n 4aw (street view) at 12:30 exactly. htt ... 24 mar 2009 from tweetdeck

evarley have a message for the g20? tweet @themegamouth. rt @paulcarr: who am i to say no to a good cause? http://www.actionaid.org.uk/megamouth 24 mar 2009 from tweetdeck


via breaking tweets.



terça-feira, março 17, 2009

crise abre debate sobre preços no mercado das artes plásticas

for years we´ve heard gallerists say, "i´d rather go out of business than cut my artist´s prices".

o ótimo wooster collective explica: baixar o valor das obras de um artista pode alienar quem acabou de adquirir uma peça a um preço mais alto, além de se correr o risco de passar a impressão de que o artista não está mais tão in.

but this year, with the galleries facing the real possibility of shutting their doors, the discussion of cutting prices has changed. many gallerists and artists are admiting that the prices for a lot of the work over the past few years has been far too high, rose far too quickly and now are completely impossible to sustain.

é o vulgo estourar da bolha.

espero que se prolifere por todo sistema capitalista e tudo vá pelos ares, para que possamos livrar as crianças da escravidão. hahaha!

by the way, os preços das cool.agens de narghee-la no araka desta noite estão razoáveis. ainda hoje post sobre o evento.



sexta-feira, dezembro 26, 2008

michel onfray sobre...

... hedonismo e ideal ascético:

o meu - meu maior escândalo - é que existe na minha vizinhança, num círculo de dolorosa e quotidiana proximidade, um inferno no qual se mantém um certo número de homens, de mulheres e, de forma firme, de crianças, que são sacrificados dia após dia (...)

minha lógica permanece hedonista, ela não o deixa de ser, livro após livro. eu já esclareci com freqüência, mas não o bastante, que o imperativo categórico do hedonismo considera o gozar e o fazer gozar - esta segunda parte, inseparável, constitui a genealogia da política que proponho -, ela vale como modalidade de uma ética alternativa à do ideal ascético.

o inferno no qual estão inertes aqueles que nutrem a máquina social, ou que foram excluídos por ela, como as dejeções de um animal infecto, supõe por definição o local onde triunfa o ideal ascético em detrimento de todo e qualquer hedonismo. impossível gozar e fazer gozar dentro dessa cloaca, dessa latrina da civilização onde se estratificam as dejeções (...)

uma política hedonista exige antes de mais nada uma ética preocupada com a erradicação deste inferno sobre a terra, uma moral de combate contra essas fumaças fugidas do tártaro, um voluntarismo estético declarando guerra, de maneira radical e imperdoável, a essa política de terras e colheitas destruídas onde gemem somente aqueles que passam a sua vida a perdê-la.

oh onfray! é de se gozar com você!

a política do rebelde - tratado de resistência e insubmissão, michel onfray, 1997.



segunda-feira, novembro 24, 2008

michel onfray sobre...

... o indivíduo no campo de concentração:

o artifício não vale nada quando a essência diz tudo e exprime a verdade absoluta da espécie. sobre a ss, robert anteme escreve: "ela pode matar um homem mas não pode transformá-lo em outra coisa". aí está a primeira verdade descoberta em um campo de concentração, ela é de natureza ontológica: a existência de uma única espécie, e a natureza essencial do homem dentro do homem, cavilhada ao corpo, visceralmente associada à carne, ao esqueleto, à pele e aos ossos, àquilo que resta de um ser, contanto que um suspiro, mesmo frágil, o anime ainda. a verdade de um ser é seu próprio corpo.


tolhido por furúnculos, esfolado por antrazes, as chagas carcomidas de vermes, a carne devorada pelos piolhos (...) - nesses extremos, o corpo de um homem triunfa no local inexpurgável de sua humanidade. (...) a essência é a existência, e vice-versa.

de modo que essa ontologia esclarecida por uma fisiologia, senão o inverso, impõe que se entenda o indivíduo como essencial, certamente não o sujeito, o homem ou a pessoa. (...) o que faz a irredutibilidade de ser um ser é sua individualidade, não sua subjetividade, sua humanidade ou sua personalidade. é o indivíduo que sofre, pena, sente frio e fome, vai morrer ou se salva, é ele, dentro de sua carne, portanto de sua alma, que é submetido aos golpes, sente progredirem os parasitas assim como a fraqueza, a morte ou o pior.

a política do rebelde - tratado de resistência e insubmissão, michel onfray, 1997.



segunda-feira, novembro 10, 2008

os sete pês da opressão (principais problemas)

parentes
padres
professores
polícia
políticos
proprietários
patriarcado



sexta-feira, novembro 07, 2008

michel onfray sobre...

... a descoberta dos grandes textos anarquistas:

eu soube então que fazia parte desse arquipélago. stirner e seu individualismo radical. bakunin e seu dionisismo libertário, jean grave e proudhon, depois outro, kropotkin e louise michel, todos os pensamentos revigorantes, dentre os quais alguns que não estavam assim tão distantes de nietzsche quanto se poderia crer. nem deus nem senhor, era isso que me parecia, e me parece ainda, de tremenda atualidade, e que se mostra bem próximo do nietzschiano: "para mim, é tão odioso seguir quanto guiar".


ao mesmo tempo que progredia pela vida libertária, eu só encontrava textos antigos, nenhuma referência recente, nada pós-maio de 68 que tivesse a densidade e a consistência dos clássicos do século passado, apenas cometas, tais como alain jouffroy ou marcel moreau. as publicações libertárias contemporâneas ainda estão cheias da poeira do século xix, tanto quanto as livrarias anarquistas parisienses que eu visitava de vez em quando após deixar minha província.

é por essas que eu o amo.

a política do rebelde - tratado de resistência e insubmissão, michel onfray, 1997.

<< 1 2 3 4


Este arquivo

Esta página é um arquivo de posts recentes da categoria anark!.

amar.go é a categoria anterior.

arkitektura é a próxima categoria.

Posts recentes na página principal - ou vá aos arquivos pra ver outros posts.