hoje o gato calvin faz nove aninhos de idade. e como quinta-feira sempre guarda o potencial de um flashback, decidi celebrar com um post de meu finado blog o sorriso da mona lisa. ele se chama "calvin in the sky with diamonds" e fala sobre um inesquecível programa do animal planet que foi ao ar em 2005, mostrando vários bichos tentando alcançar estados alterados de consciência.
mas isso não é o melhor. o melhor é que encontrei trechos do programa no youtube! eles estão devidamente lincados no texto do post.
divirtam-se.
calvin in the sky with diamonds
no quarto episódio em que me arrisco a assistir televisão desde que desliguei a minha, há dois anos, eis que considero reanimá-la. ontem de tarde, testemunhei bateria ímpar de programas no animal planet.leitores, esse é o canal.
não tem como dar errado porque não tem seres humanos pra estragar tudo. enfim.
numa das mais indiscutíveis ousadias da tevê mundial, a emissora transmite um documentário sobre animais tendo viagens psicodélicas a partir de diversos agentes da natureza.
o primeiro bloco começa logo com uma serelepe meia-dúzia de gatinhos felpudos num jardim florido. os felinos sismam com uma qualidade não revelada de gramínea, comendo-a vorazmente e se esfregando nela. em pouco tempo o clima primaveril pende para o bizarro: os gatos começam a tropeçar nas próprias patas, contorcendo-se de forma insensata, espumando pela boca e exibindo estrabismo grotesco. as cenas eram realmente contundentes. o locutor não identifica nenhuma razão senão o próprio prazer hedonista para que os gatos, mesmo grogues, insistissem em roer o mato anônimo.
talvez isto explique o comportamento experimental que calvin mantém com relação aos vegetais ornamentais de nosso lar.
no bloco seguinte, uma rotunda centopéia vermelha é capturada por um lêmure. o mamífero começa a mordiscar a carapaça do inseto, enquanto este espirra fartos jatos de veneno sobre seu aparente predador. o lêmure esfrega ansioso o líquido sobre o pêlo, fazendo o locutor argumentar que se trata de uma forma de proteger a pelagem contra carrapatos e parasitas relacionados. todavia, somente muito tempo após parar de besuntar-se é que o lêmure, chapadaço, liberta a centopéia - grande parte do veneno foi parar nas papilas gustativas do bicho em transe.
o momento ultradireita da situação foi quando algumas abelhinhas, após embriagarem-se com néctar de limoeiro, chegam trocando as asas na porta da colméia e são barradas pelas abelhas-guardiãs. barradas! as guardiãs rolavam-nas para longe da colméia! elas tiveram que curar a ressaca ao relento!
outro junkie das selvas é nossa onça pintada, que vira e mexe descola um pedaço de trepadeira mágica - a mesma que, junto com o cipó, origina o ilustre chá da ayahuasca, base de algumas religiões roots nacionais. o locutor, conivente, lança aquele papo de que o cipó ajuda a curar a onça de indisposições gástricas, mas logo revela que a verdadeira intenção da onça é a mesma que a dos bichanos do primeiro bloco: é usuária com fins recreacionais.
na última parte, o programa ainda menciona a peculiar cadeia alimentar das renas, que as une aos cogumelos muscaria. sem papas na língua whatsoever, sugere, inclusive, aquela especulação folclórica entre os adeptos: a de que a lenda vermelho-e-branco de papai noel surgiu das preces dos xamãs nórdicos, que evocavam algo como a grande rena no auge da doideira.
ho-ho-ho!
após acompanhar a saga de um mosteiro tailandês em missão de preservação dos tigres locais, o animal planet nos regalou com uma variação de "dragões de komodo", o maior clássico dentre todos os programas de bichos: uma cientista francesa inteiramente frita fazendo amizade com os perigosos répteis.
é o não menos inebriante charme feminino.