é que os espartilhos eram tão apertados que as mulheres desmaiavam por falta de ar.
na época existia uma consciência muito maior sobre a característica mais atraente do corpo da mulher: a cintura fina. que também acentua a largura dos quadris. ambos os traços remetem ao tempo do humano-bicho, quando a mulher ideal era nulípara (sem filhos) e com ventre forte.
então vieram paul poiret e coco chanel e aposentaram a peça. a austríaca emile flöge, mulher de gustav klimt, fez isso um pouco antes mas ninguém comenta. que seja: foi um ato político, contemporâneo do sufrágio feminino e do cabelo à la garçon.
terrível - terrível mesmo - é que, no século xx, as funções práticas do espartilho clássico acabaram sendo providas por cintas de elastano verdadeiramente assustadoras.
a queda do espartilho trouxe muitas liberdades à mulher, mas deu espaço a outra ditadura: a de não poder usar espartilho no dia-a-dia contemporâneo, sob o risco de parecer excêntrica.
