como parte da tour de force empreendida por cientistas para divulgar aquela que está sendo considerada a mais recente oitava maravilha do mundo, nosso estimado history channel transmitiu um especial de uma hora e meia sobre ida, o mais antigo ancestral do homem.
ida é extraordinária não apenas por remeter a espécie humana ao tempo em que ainda vivíamos em árvores - cerca de 47 milhões de anos atrás. ela também é completíssima, com 95% dos ossos em perfeito estado. lucy, a australopitecus até então considerada a mais antiga ancestral do homem, é muito mais jovem e escassa, com cerca de 3.2 milhões de anos e apenas 40% de seu esqueleto.
outro fato notável sobre ida é que, ao contrário de lucy, ela não foi encontrada na tradicional áfrica, mas num sítio arqueológico alemão. está tão bem preservada que foi possível encontrar marcas da comida que estava em seu estômago quando morreu.
de cara os cientistas que se debruçaram sobre ida concluíram que se trata de um primata. mas isso não faz dela automaticamente um ancestral humano. primatas são divididos em duas categorias: os pró-símios, onde brincam alegremente os lêmures; e os antropóides, uma festa de miquinhos, gorilas, chimpanzés e humanos. ida se parece muito com um lêmure mas não possui traços fundamentais da espécie. na verdade, ela já guardava um ossinho que permitiria que os macacos se tornassem bípedes no futuro, o que a coloca definitvamente no segundo grupo. comemorando o bicentenário de darwin, seu nome científico é darwinius masillae.
as controvérsias, muito comuns quando de descobertas de tal magnitude, me parecem de má qualidade até agora.
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há um quesito, contudo, em que lucy supera ida: o nome. após descobrirem o gênero da célebre australopitecus, um pesquisador perguntou a outro como deveriam batizá-la. a resposta foi, "bem, com um nome de mulher. lucy, por exemplo... como lucy in the sky with diamons". amay!
já ida ganhou este nome em referência à filha do descobridor do fóssil. quando morreu, a ida ancestral tinha, em tempo humano, a mesma idade da menina: seis anos, ou seis meses de vida darwinius masillae.