quarta-feira, julho 22, 2009

coisas que as próximas gerações não vão entender

futurologia é genial. ela não só nos sugere um amanhã excitante como nos faz lembrar que o presente é, de uma forma muito marcada, o passado.

o lado ruim é que ela insiste em nos lembrar que diversos aspectos da vida das crianças de hoje serão muito mais duros do que já são para nós - notadamente o meio ambiente (escassez de recursos naturais, catástrofes cada vez mais freqüentes) e a economia (empregos cada vez mais mal pagos e medíocres para indivíduos cada vez mais bem preparados - quando existentes).

eu não sou uma pessoa especialmente otimista. pelo contrário: os problemas tomaram proporções tão monstruosas que passei a acreditar que apenas a extinção de determinados sistemas, sejam eles econômicos, políticos ou sociais, permitiria uma reciclagem para algo melhor. infelizmente, nenhuma transformação é possível sem um drama humano. não dá pra fazer uma omelete sem quebrar os ovos.

exatamente por conta disso - e pode parecer engraçado para alguns de vocês - passei a ser mais feliz. se a paisagem está gradativamente se tornando mais cinzenta, de repente ficou impossível para mim ignorar o vermelho, o azul, o laranja, o amarelo, o violeta e, principalmente, o verde (que é a cor que eu mais gosto). sigo sendo uma realista, praticamente um sinônimo de pessimista; mas o degradê me livrou do niilismo. it´s the end of the world as we know it - thanks god! - and i feel fine.

talvez porque a destruição está sempre de mãos dadas com a criação, ainda teremos tempo de nos maravilhar com muitas descobertas e invenções que rapidamente substituirão elementos com os quais temos bastante intimidade no dia-a-dia. a wired fez uma lista de itens que as crianças nunca terão ouvido falar:

. lembrar do número de telefone de alguém
. não saber quem está ligando
. walkman (veja como algumas crianças reagem a ele)
. dinheiro. cheque.
. atlas e enciclopédias
. fios
. escutar estática entre estações de rádio
. joysticks
. contar em kilobytes
. privacidade
. receber envelopes com cartas dentro, muito menos escritas à mão
. operações bancárias apenas possíveis presencialmente em agências físicas
. comprar e revelar filmes fotográficos
. fax
. ir à locadora para alugar um filme
. ao que parece, comprar revistas

como se pode perceber, a lista é bastante família. a biotecnologia, o avanço da robótica e o transhumanismo nos sugere um quadro um pouco mais excêntrico.

2 Comments

Amei o texto do walkman.
Acrescento à lista a total inexistência de lojas de revelação de fotos. Quem revelá-las, ou melhor, imprimi-las, certamente não terá que pagar e muito menos esperar por isso, né?
Vc precisava ver a cara das crianças quando viram a máquina da bisavó, que não é digital. Ninguém se conformou de não se ver na mesma hora...
Beijinhos

hahahaha! divertidíssima a reação dos pequenos, né?
beijão querida!

Este post

Esta página contém um post de joana publicado em julho 22, 2009 9:46 AM.

meu destino é ser onça é a postagem anterior.

remembering k-deiradas é a próxima postagem.

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