sexta-feira, dezembro 26, 2008

michel onfray sobre...

... hedonismo e ideal ascético:

o meu - meu maior escândalo - é que existe na minha vizinhança, num círculo de dolorosa e quotidiana proximidade, um inferno no qual se mantém um certo número de homens, de mulheres e, de forma firme, de crianças, que são sacrificados dia após dia (...)

minha lógica permanece hedonista, ela não o deixa de ser, livro após livro. eu já esclareci com freqüência, mas não o bastante, que o imperativo categórico do hedonismo considera o gozar e o fazer gozar - esta segunda parte, inseparável, constitui a genealogia da política que proponho -, ela vale como modalidade de uma ética alternativa à do ideal ascético.

o inferno no qual estão inertes aqueles que nutrem a máquina social, ou que foram excluídos por ela, como as dejeções de um animal infecto, supõe por definição o local onde triunfa o ideal ascético em detrimento de todo e qualquer hedonismo. impossível gozar e fazer gozar dentro dessa cloaca, dessa latrina da civilização onde se estratificam as dejeções (...)

uma política hedonista exige antes de mais nada uma ética preocupada com a erradicação deste inferno sobre a terra, uma moral de combate contra essas fumaças fugidas do tártaro, um voluntarismo estético declarando guerra, de maneira radical e imperdoável, a essa política de terras e colheitas destruídas onde gemem somente aqueles que passam a sua vida a perdê-la.

oh onfray! é de se gozar com você!

a política do rebelde - tratado de resistência e insubmissão, michel onfray, 1997.

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Esta página contém um post de joana publicado em dezembro 26, 2008 9:16 AM.

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