domingo, outubro 26, 2008

eu: um arroto eleitoral

dei-me conta de que era eleição quando abri as cortinas e constatei livres os dois sentidos da princesa isabel. alimentei os gatos, fiz um café e tirei o lixo. liguei a tevê e guardei uns recortes. e pus-me a ligar para a família, para saber até que horas dava pra votar.

repetidas tentativas e ninguém atendeu. chamei eliseu, meu mais que irmão, para dar-me a informação. expliquei que desde dois mil não comparecia às urnas e ignorava vastamente os trâmites dessa modalidade de cidadania.

tudo relativo a política me enoja. o processo democrático é uma das maiores histórias da carochinha que existe. sem contar com o ingrediente tirania da maioria inerente à democracia. há anos não votar é minha micropolítica, que é o que realmente importa para mim - uma forma de conservar alguma decência diante do lixo que se produz nos poderes, sem me sujeitar a voto em branco, nulo ou justificativa. quando precisei tirar passaporte, paguei seis reais relativos às ausências pendentes, e tudo certo.

enfim.

em maio comprei a rolling stone que trouxe gabeira na capa e a matéria me amaciou sobremaneira. mesmo assim não compareci ao primeiro turno, era claro que levariam gabeira ao segundo. e agora, apesar de toda minha má vontade com eleições em geral, resolvi dar aquela forcinha para o nosso ex-seqüestrador, ex-maconheiro e ex-sunguinha de crochê. este sim é o tipo de sujeito que eu gostaria que comandasse.

escavei minha gaveta de documentos, diplomas e manuais de eletrodomésticos na busca pelo meu título de eleitor. ali encontro os comprovantes das eleições de dois mil e dois. óquei, não oito, mas seis anos de repúdio.

caminhei os quilômetros que me separam de minha zona eleitoral - da época em que ainda vivia com a família. entrei no olímpico clube e perguntei se ali continuava sendo a décima oitava. "sim, mas qual é a sua sessão?". procurei meu título. esqueci em casa. esqueci em casa! definitivamente um golpe do inconsciente. não sou uma moça da democracia, não há saída.

passei de mesa em mesa informando meu nome. não estava em nenhuma. "fui excomungada pelo processo eleitoral", pensei. até que alguém me informou que havia mais de uma unidade da décima oitava zona eleitoral. ah.

atravessei a rua e experienciei o ar maravilhosamente condicionado do senac. depois de duas sessões sem mim, arrisquei a que me esperou nas eleições de dois mil e dois. tava lá. quarenta e três, sobe o ti-li-lim da urna eletrônica.

enquanto escrevo dá 51% de eduardo paes na boca de urna. talvez eu seja pé-frio, como quando de minha única vez em jogo do fluminense - dois a zero vasco em são januário.

que seja. sinceramente, prefeitura é o tipo de emprego para sujos como paes. embora seja cristalino que nós - vocês e eu - mereçamos muito melhor.

4 Comments

Assino embaixo praticamente cada palavra desse post, Joana. Foi bom ter lido isso hoje. Foi a primeira vez que apoiei um candidato para qualquer eleição, e o resultado transparece que o Rio ainda detém um forte provincianismo.

Ótimo texto!
poo, não sabi aq vc era pé frio , Jojo! ehehe brincadeira...
mas, acho q o resultado mostrou que ainda existe, além de provincianismo, uma alta dose de preconceito e ideias pré concebidas. afinal, gabeira perdeu na zona oeste, a área mais populosa, mas tb, a mais carente da cidade, onde é muito mais fácil influenciar.
Bjss!!

sim, gatona...

saudade de você! por onde andas???

beijãozão!

Ando trabalhando muuito, lindona! Graças a Deus né? nesses tempos de crise...
saudades tb!!!
marcaremos algo, breve plesae!

Este post

Esta página contém um post de joana publicado em outubro 26, 2008 4:41 PM.

matilha de robôs caçará humanos não-cooperativos é a postagem anterior.

k-deiradas é a próxima postagem.

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