o curioso de começar a envelhecer é que ainda estamos suficientemente jovens para nos lembrar exatamente como era ser totalmente jovem.
tudo bem que começamos a envelhecer quando nascemos. não é este o ponto. o ponto é quando os sinais da velhice começam se manifestar.
ao contrário do que se imagina, um ou outro fio de cabelo branco não é sinal de velhice: enquanto você tiver disposição para atravessar raves inteiras dançando, curar ressaca em tempo recorde e energia para gastar em círculos sociais duvidosos, você é jovem. meus cabelos brancos apenas se tornaram sinal inexorável de minha balzaquianice quando passei a ser conhecida como a pessoa mais socialmente furona que se tem notícia - ou por preguiça ou pelo inevitável foco nas responsabilidades profissionais que caracterizam meu atual estágio de vida adulta.
apesar de acreditar que ninguém é completamente maduro antes dos quarenta. ou mesmo depois.
hoje, a poucos dias de meus trinta e dois anos, meus prolíferos brancos são legítimos sinais de que o tempo passa (fato incompreensível para a maior parte dos menores de 29). mas ainda não quero pintá-los. porque a cor natural dos meus cabelos me é muito querida; e passar tinta por conta do pouco de cinza é eliminar minha maior parte de juventude por conta de (ainda) poucas marcas de velhice.
o principal, no entanto, mora numa equação muito mais atraente: para algumas de nós (sim, especialmente mulheres) o passar do tempo traz uma tranqüilidade interior que rejuvenece tanto quanto o creminho para rugas que passei a usar à noite.
é preciso duas, ao invés de uma semana, para queimar as gorduras localizadas extras de um feriado indulgente - mas o tesão está tão mais aflorado que seríamos capazes de ereções de rapazes pós-adolescentes, e no final das contas nos sentimos incríveis.
essas compensações são tão maiores que honestamente não, não penso em voltar no tempo, caso fosse possível. o ritmo natural do relógio traz recompensas rejuvenecedoras...
(uau, esse post foi muito trinta e poucos anos!)
"já fui novo sim
de novo não
Ser novo para mim é algo velho,
quero crescer
quero viver o que é novo, sim
O que eu quero assim,
é ser velho"
Letra da música LEMA (Carlos Rennó e Lokua Kanza), cantada por Ney, que aos 67 ainda faz tudo o que faz, com aquele corpinho de 30 e poucos.
Ah meus cabelos brancos. São tantos que no começo eu ficava estranhando as pessoas me olharem na rua por causa deles. Mas me acostumei. Ainda tenho 27, mas desde os 23 o fios brancos aparecem. Será que eles me servirao como uma caracteristica charmosa, ou apenas mostram que sou "velho" desde os 20? rsrsrs