este ano foram poucos - mas muito, muito luxos: presentes de aniversário.
um sofá vermelho, duas bertoias diamante, um anel cor-de-abóbora flúor de plástico dentro de uma caixinha enferrujada (conceitualíssimo), uma medida de tecido verde com sparkles, kit de desenho, pétalas de rosa (chorei) e um moleskine de meu amado eliseu.
está armado o drama do perfeccionismo utópico: falta-me coragem para usar meu moleskine. admito complexo de inferioridade diante de sua glória. nada do que eu escrever em suas estonteantes páginas vazias estarão à altura de seu legendário glamour. van gogh e picasso usavam moleskines para desenhar. hemingway fazia anotações nele.
não é a primeira vez que não me sinto à altura de um caderno, mas é certamente a mais grave. há anos comprei um caderno indiano com uma capa cintilante de durga e páginas de papel mesclado com fios dourados. uau, paralisei. não escrevia nada ali. então me esforcei e passei a anotar a teoria da música clássica indiana e suas lições básicas - escalas, ragas, talas. mas não consegui ir muito adiante. arranquei as páginas usadas, livrando o caderno de minhas intervenções idiossincráticas. hoje, folhas vazias, ele simplesmente enfeita o móvel da sala.
mas não um moleskine.
apesar de ser um ultraclássico pretinho básico, ele demanda conteúdo. seu histórico sugere surpresa e genialidade.
por um lado meu amado eliseu me homenageou ao me presentear com um; por outro, há toda aquela inquietação espiritual para fazer uso acertado dele.
i´m no genius. admitir facilita um bocado as coisas. provavelmente o meu melhor está aqui no narghee-la, em algumas matérias, algumas colagens e certamente em minhas amizades.
seguramente meu moleskine não servirá de reservatório para as frases prontas que minha cabecinha produz ao fechar um raciocínio aleatório. essas coisas me causam constrangimento no dia seguinte, é como ler os posts que você blogou há anos atrás.
portanto, imagens: um croqui para o próximo vestido que mandarei fazer. uma pequena colagem. um desenho com as lapiseiras novas. pequenas coisas para meus pequenos talentos.
no futuro, os detalhes pueris do presente serão as pedras preciosas da última encarnação.
