a melhor coisa que foi dita sobre the dark knight saiu da cabeça de meu muito querido amigo paquistanês mohammed indees, 31 - o maior crânio que pude conhecer pessoalmente.
nos encontramos em 2004 na comunidade orkuteana do noam chomsky. na época ele estava nos emirados árabes e eu torcia daqui para ele conseguir visto para estudar na escócia. desde sempre teclamos freqüentemente e às vezes combinamos de conversar pelo telefone. ele veio ao rio em 2006, quando pude retribuir seu brilhantismo com uma rodada de narghee-la e algum sitar - minha forma de fazê-lo sentir-se em casa.
mohammed está na fase final de seu phd na universidade de strathclyde (glasgow, escócia), onde é bolsista, professor e ativista em política internacional. sua tese já tem proposta de publicação, claro. semana passada recebi o livro soil and soul, autografado pelo autor, que mohammed fez questão de me enviar. ele também é o fundador do fanonite.org, um puta site sobre política internacional de expressão mundial. é de lá que tirei a introdução:
today i went to see the much-hyped batman film, the dark knight. i find the whole idea of comic book superhero films a bit silly, but it is always the subtext that interests me. leaving the theatre i remarked to a friend that the film could very well have been written by neoconservative guru leo strauss. in this case it carried two key tenets of neoconservative ideology -- the 'noble lie' and unitary executive. the film could also be seen as apologia for bush's 'war-on-terror' -- batman uses surveillance, torture, kidnapping (rendition), and suppresses the truth lest the joker (aka the 'terrorist') wins.
having said that, the imax aerial shots of the city were breathtaking. the direction is slick, but most memorable of all -- worth the price of the ticket in itself -- is the turn by heath ledger as the joker. should he win an oscar, he would have earned it. but unfortunately isn't enough to rescue the film from its dross plot.
para mim o primeiro parágrafo basta. mas mohammed faz questão de repercutir o ótimo artigo de john pistelli, um estudante de mineápolis, sobre o filme.
segundo o texto, o coringa é uma espécie de hakim bey de gotham city. beautiful.
não deixem de procurar outros textos fantásticos do amigo em categories.
Grande Mohamed, muito bom.
não li na integra o artigo de Pistelli. hehe gostei e concordo com a interpretação dele da figura da mulher nos comix "sexist literary trope identified by feminist comic-book readers in which male authors kill, maim or de-power strong female characters as a woman-devaluing plot device.".o Pior é que a base para essa narrativa(eu acho neh) está nas histórias medievais e nas Damsel in distress (e aí Jojo, Misógina ou Machista essa figura?).
porém, ah porém, venho aqui para comentar como bom Geek Comic Fan hehe.
ainda não vi o filme (fuckin' job man) mas depois desse artigo confesso que essa parte das torturas me preocupa. é claro o Batman de Frank Miller é bem mais durão. mas ainda assim... po leke tortura?!...não um tapas avulsos, mas tortura tortura tensa mesmo?! Hollywood esplana cara. Sei lá me chame de antiquado mas algumas coisas ainda não consigo engolir (tipo Tropa de Elite).
tropa de elite foi o maior LIXO já produzido no cinema!
ah, e machismo é quase sempre misoginia.
Batman, depois da reeleitura do Miller, ganhou mais impetuosidade, sombra, e tragicidade. Muitos o consideram fascista (ou aristocrático).
O próprio Batman de Bob Kane matava bandidos com um revolver.
Depois de varias reeleituras, o Batman se tornou um justiceiro e protetor de Gotham que não mata seres humanos, mas é capaz de usar toda sua violência para resolver seus problemas.
O Batman, nesse ultimo filme, espanca o Coringa como em outras vezes nos quadrinhos.
Agora: imagine como "lerão" um filme do Lobo!!! rsrs
muito tempo jah se passou desde Bob Kane. mas sim, você tem razão. no entanto, uma das características principais do personagem em sua passagem pelos quadrinhos em geral é o respeito à vida.
mas calma, vou acabar me perdendo assim. repito que não vi o filme, falo apenas através da análise de Mohammed.
hehe filme do Lobo. é o Maioral é foda mesmo, mas duvido que no filme ele faria "his thing" (entendasse corromper anjos, quebrar deuses e lutar contra o sistema burocrático da outra vida hehe Bisley Forever!)
Sim,DeCuba! Como eu disse no meu primeiro post, o Batman não mata seres humanos(pois tem algum respeito mesmo a vida humana). Isso nesse último filme está mais explícito do que no primeiro. Mas o uso de tortura (ainda mais psicológica) tem sido usado por ele nesses últimos 20 anos.
Um Batman interessante desses ultimos anos foi o do argumentista e anarquista Alan Grant. Foi um época em que o ideal "Batman" foi confrontado com um ideal socialista e até anarquista. Até hoje gosto do anti-herói criado pelo Grant chamado Anarquia. Foi um dos inimigos do Batman mais valorosos.
bom, em literatura o batman é o primeiro herói pós-modernos da história. ele pode fazer tudo o que ele quiser! :D
certamente Jojo. nunca tinha pensado nele desse modo.
sim Max tortura psicológica é clássica de batman. aquelas cenas em que ele vai conversar por dois segundos(mesmo) com algum bandido que não quer falar e o cara volta tremendo e contando até a cor da calcinha da velha.
mas, repito, ainda não vi o filme e quando falam em tortura eu imediatamente penso nos relatos de tortura das ditaduras latino-americanas, eu sei que é viagem minha mas fazer o quê (fucking Unconscious mind). nesse aspecto...sei lah, não consigo imaginar o batman enfiando ratazanas famintas pelo reto dos torturados ou aplicando choques nos seus testículos... acho que não é "his thing" hehe
DeCuba: ja que você não viu o filme, não vou falar como foi a "tortura" que o Coringa sofreu do Batman, mas como ela é tão clássica que já vi ilustrada nos quadrinhos muitas vezes.
Ah... hoje o Verissimo escreveu sobre o Batman também. Mas foi carinhosamente...rs