em 28 de julho de 1945, um bombardeiro b25 da aviação americana colidiu com o 79° andar do empire state building. as chamas tomaram rapidamente conta dos túneis dos elevadores, destruindo os cabos e ameaçando cercar 50 pessoas retidas no 88° andar. na edição do dia seguinte, o «new york times» relatava: mesmo nesta terrível circunstância, o sistema sonoro continuou a emitir música gravada e os sons tranquilizantes de uma valsa ajudaram a que todos se controlassem. como exemplo extremo das virtudes da «música para elevadores», é dificil encontrar melhor. chame-se-lhe «easy listening», «moodsong», «música ambiente» ou «muzak», há que reconhecer que a sua história é algo mais ilustre e antiga do que, à primeira vista, se diria.
decerto. a história completa está aqui. outros trechos:
segundo uns, tudo teria nascido de uma conversa com henri matisse sobre a criação de uma forma de arte sem qualquer assunto nem objectivo, semelhante a uma cadeira de repouso. outros referem um jantar com ferdinand léger num restaurante em que a orquestra residente tocava tão alto que forçava os comensais a abandoná-lo. o episódio terá levado satie a reagir com um discurso inflamado em que defendia a existência de uma música que faça parte dos ruídos ambientes e os tenha em consideração. vejo-a melodiosa, dissimulando o som das facas e dos garfos, sem os abafar por completo. preencheria os silêncios embaraçosos que, por vezes, se intrometem na conversa. evitaria as banalidades habituais. mais do que isso, neutralizaria os ruídos da rua que, indiscretamente, perturbam o cenário. numa carta a jean cocteau iria mais longe, reclamando que ela estivesse sempre presente em bancos, escritórios de advogados e cerimónias de casamento. que ninguém entre em casa sem música ambiente. a 8 de março de 1920, na galerie barzanges, concretizaria o conceito num arranjo para piano, três clarinetes e trombone, executado nos intervalos de uma peça de max jacob. e irritou-se seriamente quando os presentes se decidiram a prestar-lhe imensa atenção em vez de conversarem, deambularem e fazerem ruído...
(...)
the karminsky experience foram pioneiros do «easycore revival»: numa pequena cave do soho, nos primeiros meses de 91, um grupo de boémios, frequentadores de clubes, international 'jet-setters' e modernistas japoneses encontraram-se para afastar a melancolia do inverno. o choque dos copos de tequilla ecoava no ar como percussões vudu. os djs james e martin karminsky exploravam um ritmo soprado de outra dimensão. o que eles fizeram foi substituir os vinis de «rare groove» que não tinham possibilidades de adquirir por exemplares de «easy listening» disponíveis, descobrindo uma mina de «novos sons».
interessante o texto, muito valido, varias coisas que nao sabia e vou pesquisar mais, mas ainda verde, como se mostrasse varias pecas do quebra-cabecas mas nao uma visao coesa do " todo": mistura algumas coisas, da umas referencias desencontradas, deixa de citar outras importantes.
Por exemplo: nos 50 apareceu uma musica que nao era nem classica nem pop, e tinha exotismos de " world music" da epoca. Logo comecaram a chamar ora de jet-set-music, ora de bachelor pad, ora de exotic lounge, ou simplesmente lounge music. ;)
Seria legal tambem relacionar essa cultura a cultura visual da epoca, como a das pin ups.
Aproveito e deixo a dica de um desenhista que vc ja deve conhecer, que se inspira totalmente nesse universo, o shag, adoro ele - http://www.shag.com/
bjos