segunda-feira, fevereiro 18, 2008

;retro.erotik´amant¨

foi muito difícil escolher o que levar para a fuga. lá dentro se passava um tempo mais antigo e todos eram velhos. precisava roubar-lhes coisas porque eu não pertencia ali e não tinha o que levar. precisava que não me notassem e me permitissem circular como se fosse o meu perfeito lugar, apesar da juventude. desci as ladeiras internas do edifício, cujas paredes eram todas de um tom tão antigo de verde, verde-deiramente adorável, adorável. no trajeto, cruzava com senhores que levavam suas senhoras em carrinhos de supermercado, mais abajures e roupas. passava por quartos já vazios, até que escolhi um, e desejei muito que seus habitantes já tivessem seguido caminho. havia um lustre de vidro fosco. havia duas camas, um guarda-roupa e estantes com poucos livros. abri um diário com todos os segredos sexuais de alguém, recortes burlescos de jornais amarelados e fui pra cama comigo. ninguém poderia entrar ali naquela hora. fortuita, encontrei outros dois livros eróticos e os senti pesadamente. um velho de veste entrou e precisei negociar suas leituras. era o que eu precisava para fugir também. uma velha ruiva de coque e batom vermelho me olhava com severidade. subi as ladeiras de volta e, já quase no último andar, não havia paredes e eu via a praia. ele me aguardava lá, com uma trouxa de roupas. juntei-me a ele e já pressentíamos a chegada da tempestade nas nuvens do céu. me disse que ali ficaríamos bem, que éramos jovens e que não havia necessidade de nos escondermos como os velhos. eu, por outro lado, sentia que poderíamos ficar ali porque confiava assombrosamente nele. o amor me protegeria de qualquer coisa.

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Esta página contém um post de joana publicado em fevereiro 18, 2008 9:49 AM.

vida interior de uma cética é a postagem anterior.

é a próxima postagem.

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