segunda-feira, janeiro 28, 2008

=^auto-retrato^=

pretendo restabelecer minha reputação diante do nefasto episódio da perda da guarda do popularmente amado gato calvin. inúmeras têm sido as severas repreensões que venho sofrendo desde então. dedo na cara debaixo do meu próprio teto. esporrinhos na maciez do sofá da sala.

foi tudo muito rápido: uma viagem a trabalho no fim de novembro, calvin temporariamente hospedado na casa da minha avó e, de volta ao rio, um fatídico jogo de leva-e-traz envolvendo minha mãe e irmão, já indicando causa ganha à velha marisa.

em outras palavras, vovó travou o gato.

antes mesmo de minha chegada, ela já havia soprado à família a sugestão de que me arranjassem um novo felino. vejam bem: a mim, não a ela. nessa disputa, minhas chances estavam estancadas desde o começo. somando a chantagem emocional, que incluiu a solidão da viuvez, a melancolia da velhice e o proverbial amor de vovó por animais; mais o fator prático, que a permite fazer companhia ao carente calvin em tempo integral; vocês hão de concordar que meu único posicionamento moral seria ceder.

uma moça (ainda) jovem, alegre e saudável sempre estará em desvantagem frente a uma senhora idosa, solitária e astuta.

a boa nova é que pelo menos eles moram perto do escritório. a má é que é claro que eu sou convocada para a parte sacal da história, como levar calvin para tomar banho ou cumprir o calendário de vacinação.

sobrou um rombo no meu coração, isso é patente. sem calvin, a casa parecia ter dobrado de tamanho. estranhamente, séries sobre grandes felinos do animal planet começaram a exercer anormal atração sobre mim. lêmures de moçambique já não eram tão legais. enormes prazeres com a simples visão de um leão se espreguiçando na savana empoeirada e tigres mostrando os dentes.

constatei que não sou mais capaz de viver sem felinos. a presença de um deles no lar tornou-se um craving crasso (e olha que existe um gato pregado na minha geladeira e outro deitado na sala). para tipos como eu, o sul-coreano kim yong seong criou o yabo, vencedor do robot design competition 2007. além de parecer-se com um gato, yabo possui a permanente e doce disposição para responder a toques e vozes humanos por meio de uma série de movimentos de cabeça, luzes, sons e cores.

mas isso é deveras a.i. para mim. não vamos repetir a história. sem contar com os riscos de comportamentos tipo hal, do 2001. não, leitores. eu não sou tão digital assim. até que bebês sejam gerados em jarras de vidro, seguirei preferindo limpar caixas de areia a trocar as baterias de um robô de estimação.

e assim roubei stolichnaya do sítio do joão e adotei o intrépido petit gateau de rabo torto. mais uma nova geração de felinos na minha fita.


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Esta página contém um post de joana publicado em janeiro 28, 2008 9:20 AM.

emoticon evolucionista é a postagem anterior.

(rainbow brasil 2008) é a próxima postagem.

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