saímos em pescaria após o peixe frito
posto que perguntara de onde eu vinha
respondi from rio
ele enxergou sereias na minha língua
e fez-se meu tutor na grã-bretanha
mas eu deitada sobre a rocha do curso d´água,
cabeça em seu colo rude,
meu tórax abrira ao meio como um sachimi desmanchado
eu era mermaid que nada
mermaid são mocinhas-bordão
pra mim bastava que ele deixasse
ver lá dentro do balde
suas bombinhas cilíndricas de escamas chumbo
ainda em agito mesmo que cortadas ao meio
vivas mas prontas para perder as tripas
abri em noventa graus uma delas
pra ver como ficaria na panela
naquela próxima noite
na hora do jantar
mas o rio ainda assuntava
com outros peixes para todos os hóspedes
eu deitada sentia o frio da água
via o d´ouro poente nas colinas
o quente da coxa na minha nuca
e sobre o penhasco ao lado
na borda do penhasco ao lado
precipitava a macieira pelada de adão
pendurados, só os frutos enormes, redondos e verdes
era um chandelier de pommes reéles
eram muito brilhantes
um claro ato aos quatro beatles
eram as maçãs da apple records
o anzol e a isca confirmam
o campo inglês
um dono irlandês
minha viagem ganhava instância.
nem o chapéu de veludo em bruxelas,
nem o fotógrafo tuareg do poço,
escolares ruivos de bochechas pink;
restaurante em paris de avental engomado.
a árvore pelada das massive green apples
foi o estupor de beleza que me há encontrado
Sereias na língua e na linguagem.
Bom ler você, Joana.
Beijos!
Você está tão mar que dá até gosto.
lindo!