
Botão de orquídea saiu da nuca do meu vestido igualmente fúcsia, deu a volta sobre o ombro e desabrochou monstra bem em frente da minha boca. Ninguém mais entendia o que eu dizia e logo também não teria mais importância, porque ao longo da linha superior da minha sobrancelha nasceram gotas viscosas do látex dos meus receios. Uma dentada e arranquei a pétala mais próxima, língua, saliva e lábios graxos trazendo-a para as mastigadas e, uh!, tem até um melado doce no final. O problema é que demais pétalas estavam longe do alcance da minha mandíbula e meus dedos tinham virado folhas. Qualquer articulação em ameaça de dobra quebraria como um caule - nem valia a tentativa, posto que muitas raízes já haviam fixado minha planta dos pés no tapete do salão. Todos foram embora; vegetativa, contemplei-me. Um gafanhoto alojou-se debaixo de minha axila. Uma abelha colheu néctar das minhas narinas. E uma lagarta começou a comer voraz a artéria saltada que levava à minha virilha, perfilando-se como uma premonição ao longo dela. Feels se aproximou, afastou a abelha e me beijou com cuidado. A orquídea balançou e polinizou meus olhos. Só vejo flores em você.
- colagem: iuri kothe e manon
Yeah!!!!!
lindo Jojo!
bjs iuri