Não aceito nada menos que igualdade radical na prática de qualquer proposta ecológica ou socialista (no sentido apolítico do termo). Eu levo a coisa a sério, vocês sabem. Então fica explicado o choque que sofri nos quatro dias que durei no Chamado do Beija-Flor: não passou de uma metrópole neurótica de pau-a-pique, com todo tipo de discriminação, panelas de poder vertical borbulhando egos aviltantes, desprezo retrógrado pelas boas tecnologias e grande amadorismo no planejamento do básico do bem-estar.
Era pra ser um exemplo de ecovila auto-sustentável, mas os recursos clássicos deste tipo de organização não estavam a serviço dos participantes. Pior: escapou à filosofia que seres humanos devem ser os primeiros a ser ecologicamente geridos. No primeiro dia de encontro, muita gente já adoecia de staphilococus e bactérias gástricas; os organizadores rebatiam com palavrório tipo essas pessoas estão se purificando através da doença ou o staphilococus existe na sua cabeça.
Vão tomar no cu BIG TIME.
Ao invés de ser investido numa infra que realmente respeitasse as pessoas, a grana da entrada - que, em nome da inclusão, deveria ter sido abolida - foi para a gráfica, que cuspia babaquices como bolsinhas do Chamado e tíquetes de alimentação em consonância com o kin de cada dia. Enquanto isso, a cozinha oficial naufragava e os hare krishnas do Alimentos Para a Vida se despencavam de São Paulo para salvar o jantar, até então entregue às moscas - literalmente, as que voavam diariamente do lixão que existia a 10 quilômetros da área.
As palestras ou não aconteciam ou rolavam aleatoriamente. Era quase impossível saber o que, quando e onde estava sendo apresentado. Temas abordados com relativo sucesso foram a Carta da Terra e Agenda 21 - mas nada que não tivesse sido amplamente dissecado no último Fórum Social Mundial. Fontes confirmaram que, ao final do evento, a maior parte dos espaços temáticos não havia sequer sido erguida. O caso mais bizarro foi o Puxirum, do qual os índios dependeriam para se abrigar e realizar suas assembléias.
Todos eram discriminados em participantes, facilitadores ou voluntários e tinham diretos e tratamentos diferentes. Tal qual propriedades privadas, as áreas físicas eram demarcadas por barbantes e possuíam coordenadores com poderes deliberados de mando e desmando -coronelismo style.
O embate de egos era tão acirrado que o Jardim Elétrico precisava pedir desculpas aos não-adeptos da eletrônica para funcionar. Na maior parte das vezes malabaristas e percussionistas eram os únicos promotores da diversão noturna ao redor da fogueira.
Visitei encontros verdadeiramente radicais, sem células formais de regência, mínima movimentação de dinheiro e pessoas muito mais heterogêneas e numerosas e acreditei que o esquema não seria tão diferente - até porque apenas com bom nível de horizontalidade é possível criar unidade a partir das diferenças. Mas o que tivemos foi o totalitarismo de uma União Soviética em seus early days, onde uma minoria de experts julgava-se sabedora do que era melhor para a maioria restante e mantinha cabresto curto.
Desnecessário dizer que EU NÃO ME PRESTEI A ISSO.
Ao cabo do primeiro dia, eu era uma metralhadora giratória insuportável e me isolei integralmente das atividades, no melhor estilo lobo solitário. Driblava a badtrip tomando banho de rio com meus queridos e me refugiando no Moinho, o vilarejo nearby. À noite, voltava ao camping para gargalhar das mazelas locais com a galera e dormir.
No quarto dia comuniquei que estava indo embora para o povoado de São Jorge onde, ao longo dos oito dias restantes, vivenciei, inesperadamente, idílios secretamente acalentados por anos. Folopo, Carol e Vivian, também fartos da pantomima, decidiram vir comigo; Letstellar, Joana, Tainá e Letícia chegaram quatro dias depois.
Parti, mas não sem antes causar grande mal-estar junto aos imbecis espanhóis que coordenavam um Puxirum colonialista. O desfecho foi surpreendente e merece um post à parte.
quantas vezes te disse para nao se iludir com essa galera...eu ja sabia disso sem ir....e nao sou astrologo nem vidente....te admiro muito ....porem vai demorar alguns anos p entender metade do que quis trocar contigo....minha alma sempre tera vc dentro dela sua vida e arte.....beijos
caraca jojo...que decepção ler estas palavras.
já estava cheio de expectativa pelo big review encantado, empolgado, em modo hipertexto e recheado de experiências ultra-descritas...
é uma pena. fica pra próxima.
aquele abraço,
rodrigo
Jojo, You´re not the only one.. conte conosco pra futuros projetos. ;)
Vc escreve lindamente. "lindamente " é um resumo insuficiente pro modo interessante, cativante, verdadeiro, espontaneo da sua escrita. Fascinante.
beijos
Lucio K
HOWWWWWWW BIZZARREEEEEEE
é lamentável...
If you are a dreamer - i can say - you are not the only one.
"essas pessoas estão se purificando através da doença ou o staphilococus existe na sua cabeça" isso matou muito.
jojô arrasou. com sinceridade e elegância. só vc.
e os índios? JAMAIS foram vistos.
afffffff
Jojo, boto fé. O que eu vi foi um festival de egos inflados e imposição de valores goela abaixo da galera...
na moral, eu nao pretendo mudar o mundo dessa forma.
bjs e saudades tb...encontro namers, bora marcar!
He leído comentarios más serios y menos egoicos:
http://www.portaldorado.com/pags.php3?d=38b1e079a57cf6cb754f0c26692f5272O20O3797