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<title>Miúdos</title>
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<language>pt</language>
<copyright>Copyright 2009</copyright>
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<title>Chinesas e alemãs</title>
<description><![CDATA[<p><strong>Chinesas e alemãs</strong></p>

<p><br />
São dois tipos, isso. Foi o que descobri.</p>

<p>Como descobri? Cultura televisiva. Para ser mais exato, tudo começou com a morte neste mundo de mais uma televisão - a minha. Nada de trágico, adianto: foram nove meses comigo, e mais provavelmente nove anos nas mãos dos meus predecessores. Estava vermelha, estertorando listras diagonais e paralelas.</p>

<p>Certificado de óbito na mão, fui-me para Green Lanes, rua próxima daqui, onde um senhor turco encastelava-se por detrás de uma parede de televisores, completos ou esquartejados, como queiram. Havia passado ali em frente e o cenário me chamara a atenção, mais que ele os splashes de papelão e suas cifras bem mais modestas que as de qualquer Argos ou Currys da vida. Nada novo sairia dali, claro, mas, tal qual a história do ateu no avião, a atmosfera capitalista londrina me fez crer na reencarnação.</p>

<p>Vi o modelo que queria - 70 libras. Armado de subterfúgios, adentrei o recinto - mais que nunca, senti que ali renasceria em mim uma lenda da barganha. Um mito. O Sovina das Green Lanes, seria esta minha alcunha. </p>

<p>A batalha foi árdua, mas saí de lá com o modelo que queria - 70 libras. But, lo: o controle remoto veio de graça. E com pilhas. O Sovina de Green Lanes, seria um dia minha alcunha. Nada como crer na reencarnação.</p>

<p>Mas e o interior do castelo televisivo? Restos mortais abundavam, bem como placas, setas e sinais. Aerials, remotes, cables, plasma, sets, pest control...</p>

<p>Yep, pest control. Eis que o turco encastelado era também globalizado. Foram vinte e cinco anos vendendo e consertando tevês até que ele decidisse ampliar sua atuação para este ramo tão afim, a dedetização. Cupins, formigas, ratos, baratas...</p>

<p>Baratas? - perguntei. Não há baratas em Londres. Em todos os meus anos nesta indústria vital, nunca me aconteceu de cruzar com uma mísera sequer. Já morei em apartamentos, casas; tive jardins, entrei em lixeiras; freqüentei espeluncas, andei pela beira do rio - nenhuma, sério.</p>

<p>Ha! - disse-me o senhor do castelo - you wish! E explicou-me que estavam lá, à espreita, aos borbotões. Convenceu-me de que não vê-las só tornava mais terrível a ameaça. Eram dois os tipos - as facções? Chinesas e alemãs. Uma é média, lenta e capaz de escalar a mais lisa das paredes. A outra, minúscula, rápida e fértil, anda apenas pelos cantos e arestas junto ao chão. As americanas - prosseguiu - nunca haviam chegado.</p>

<p>Ao contrário dos esquilos, estes agora mais americanizados do que nunca. Pois eis que a lista prosseguia - cupins, formigas, ratos, baratas, insetos [agh! um, um... INSETO!], esquilos. A desesquilização, esta sim, o must do momento.</p>

<p>Mas baratas - insisti -, não vem. Não há baratas em Londres.</p>

<p>Sua resposta foi silenciosa. Abriu o caderninho de chamados e me apontou para a data de uns seis dias antes. Um chamado proveniente de Newington Green. Estava tudo ali, na verdade da caneta Bic azul. Hora, endereço e o problema a ser sanado: cockroaches. E a verdade da caneta Bic azul, desequilizai-me se estiver mentindo, é a Palavra.</p>

<p>E ele era Deus. Aquele senhor turco, encastelado entre aerials, remotes, insects e um farto bigode, era Deus.</p>]]></description>
<link>http://www.verbeat.org/blogs/miudos/2008/04/chinesas_e_alem.html</link>
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<pubDate>Wed, 30 Apr 2008 10:10:03 -0300</pubDate>
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<item>
<title>Contra a tolerância</title>
<description><![CDATA[<p><b>Contra a Tolerância</b></p>

<p><br />
Quarenta anos passados, cabe tentar entender alguma coisa sobre o dia de hoje.</p>

<p>Não se trata de tolerância: esta palavra estava praticamente ausente dos discursos do homem. Ouvia-se justiça, igualdade; não tolerância. Pois tolerar é afirmar uma desigualdade, é um ato de blindagem. Depende, em seu mais básico, de uma distância a ser mantida, e a distância serve ao <em>status quo</em>.</p>

<p>As idéias não são minhas, e eu <a href="http://www.bu.edu/phpbin/buniverse/videos/view/?id=141">passo a bola</a> com prazer.</p>]]></description>
<link>http://www.verbeat.org/blogs/miudos/2008/04/contra_a_tolera.html</link>
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<category></category>
<pubDate>Fri, 04 Apr 2008 16:11:11 -0300</pubDate>
</item>

<item>
<title>Rs</title>
<description><![CDATA[<p><b>Rs</b></p>

<p><br />
À esquerda, só as vogais. Pro outro lado, todas as consoantes.</p>

<p>E você descobre que a língua portuguesa pouco mais é que a junção de um adolescente teclando madrugada adentro com um surfista emaconhado.</p>

<center>***</center>

<p>Não reclama. Pra quem acordou um ano mais velho, eu até que tô otimista.</strong></p>]]></description>
<link>http://www.verbeat.org/blogs/miudos/2008/03/rs.html</link>
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<pubDate>Mon, 03 Mar 2008 18:00:43 -0300</pubDate>
</item>

<item>
<title>dois de março</title>
<description><![CDATA[<p>... do alto de meu poder de observação, percebo que a quantidade de gente mais jovem no mundo está cada dia maior. De onde está vindo esse pessoal?</p>

<center>***</center>

<p>E o presente de Morpheus foi a imagem de um Corn Flakes sabor Vinho Branco & Aura de Atum. Vai saber, né? No mundo do 'e se?', vale tudo.</p>]]></description>
<link>http://www.verbeat.org/blogs/miudos/2008/03/dois_de_marco.html</link>
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<category></category>
<pubDate>Sun, 02 Mar 2008 10:45:26 -0300</pubDate>
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<item>
<title>Miúdo Dicionário de Bolso</title>
<description><![CDATA[<p><strong>Miúdo Dicionário de Bolso</strong><br />
ou<br />
<strong>Coisa que o Vlaha</strong><br />
em<br />
<strong>"Say AAA"</strong></p>

<p><br />
<u>Alfaiate</u> - Un digníssimo hombre, que entiende de tweed, gabardine, flanela y moletiño de algodón, conocido por hablar un castellano despacio y digníssimo. Digníssimo.</p>

<p><u>Alfafa</u> - Digníssimo alimento de las:</p>

<p><u>Alphacas</u> - Mamífero de los mas digníssimos, digníssimo. No confundir con la vicuña, lo taruga, lo guanaco y la llama, todos dignos, pero no digníssimos. Ni con la</p>

<p><u>Alfândega</u> - Digníssima. Absolutamente digníssima.</p>

<p><u>Ayayayay</u> - Una verguenza, donde ha ido parar la dignidad?<br />
</p>]]></description>
<link>http://www.verbeat.org/blogs/miudos/2008/01/miudo_dicionari.html</link>
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<pubDate>Fri, 25 Jan 2008 22:02:28 -0300</pubDate>
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<item>
<title>RODODEDUÇÕES</title>
<description><![CDATA[<p><em>Miúdos Produções apresenta:</em></p>

<p><big>RODODEDUÇÕES</big><br />
ou<br />
<em>Como aliar o tédio à quebra de privacidade especulativa no transporte coletivo</em></p>

<p><br />
Tudo começa com um par (dupla? casal? grosa?) de senhoras trocando figurinhas. Ou fotografias, para ser mais exato. Primeira fotografia, Tate Modern, escultura da Louise Bourgeois ali na entrada. </p>

<p>- Talvez não sejam turistas. O ângulo mostra algum interesse. São amantes das artes, pois sim.</p>

<p>Das artes mastozoológicas, só se for. Foto seguinte: hamster. Hamster, hamster, louise bourgeois, hamster... a relação começa a ficar difícil. 2º Festival Ítalo-Britânico de Roedores e Afins? Ou seria o hamster parte de um ritual de... opa, terceira foto.</p>

<p>Terceira foto, todo mundo de branco. Felizes, olhando pra câmera, todo mundo de branco. Olha o passarinho, coisa e tal, especulemos.</p>

<p>- Universal Church of the Kingdom of God? Não, sem razão para tanto, pode ser que trabalhem para uma... farmacêutica, claro! Isso explicaria o hamster.</p>

<p>O hamster sim, a terceira foto, não. Criancinhas de branco. E de mãos juntas, diacho. Se ainda estivessem na gaiola, ou coisa assim, mas nem. </p>

<center>***</center>

<p>O que me lembra de que Faustão, again, liberou a marmota.</p>

<center>***</center>

<p>Querem sinais? Pois eis que estou zapeando nos canais de televenda britânicos, um pouco triste com o fato de não ter aqui um equivalente do leilão de gado, e me deparo com quem, quem? Papai Noel? Chico Recarey? Uri Geller?</p>

<p>Não, nada diss.... quer dizer, sim! Uri Geller.</p>

<p>Ou, mais precisamente, Uri Geller e sua fantástica linha de jóias. Incluindo o incrível relógio cujo ponteiro dos segundos é um símbolo do infinito. O interessante é o release dizendo que Uri (para o Clô) se inspirou e temas aspectos marcantes de sua vida como 'esferas, movimento e símbolos egípcios.'</p>

<p>Esferas. Movimento. Símbolos Egípcios.</p>

<p>E ele nem pra entortar o ponteiro dos segundos, catzo.</p>

<center>***</center>

<p>Afro-brasileiro num tá é sabendo de nada.</p>]]></description>
<link>http://www.verbeat.org/blogs/miudos/2008/01/rododeducoes.html</link>
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<category></category>
<pubDate>Tue, 22 Jan 2008 19:30:12 -0300</pubDate>
</item>

<item>
<title>É reveilão</title>
<description><![CDATA[<p><b>É Reveilão</b></p>

<p><br />
O começo do fim veio no sonho desta noite: Carnaval em Salvador. Sim, pesadelo do bom, no sonho eu conseguia uma passagem baratinha e um esquema de hospedagem arranjado, tudo para passar um perfeito... Carnaval em Salvador. O Nelson Piquet estava lá, e também não estava lá muito feliz. Eu dei um parecer negativo sobre um plano de construção de uma boate num mangue, menos por razões ecológicas que por achar que o empreendimento seria tão bem-sucedido quanto meu... Carnaval em Salvador.</p>

<p>Os últimos meses foram intensos. Alunos, trabalhos por corrigir, paper e texto a ser publicado em breve. E Natal em Turim. Lingüiça crua, salada de polvo, manteiga & sálvia, maionese caseira, vinhos do piemonte, bisteca, azeite trufado, o melhor sorvete de pistache do mundo, panna & marron glacé. Há ainda trabalhos por corrigir e uma versão em português para ser feita</p>

<div style="text-align: center;">(tornei-me um estrangeiro em minha língua)</div>

<div style="text-align: right;">em breve.</div>

<p>É Carnaval em Salvador. A marmota está livre. Vamos nóis.</p>]]></description>
<link>http://www.verbeat.org/blogs/miudos/2007/12/e_reveilao.html</link>
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<pubDate>Mon, 31 Dec 2007 14:18:23 -0300</pubDate>
</item>

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<title>Para entes e</title>
<description><![CDATA[<p><b>Para entes e...</b></p>

<p><br />
No inverno não há moscas. Sabe lá, chuto que elas migram pro sul (eu também migraria pro sul se tivesse menos de quarenta e oito horas de vida e emitisse uma taxa desprezível de CO2 por quilômetro voado). Tem moscas volantes, isso sim, que eu fico lacrimejando bastante. Isso afeta meu humor vítreo. Mas eu não vim aqui falar de moscas.</p>

<p>No inverno também não tem sol, e desse eu sei: migrou pro sul. Agora, por exemplo, são cinco e vinte da noite e o dia fica teimando em não acabar. E tem aquele arzinho que teima em entrar pela janela, que eu passo horas reduzindo a mão em torno do vidro pra entender por onde passa. Não passa nada, parece, mas nada. </p>

<p>E algo acontece que não sei mais escrever sem notas de rodapé, e não sei se isso existe aqui, mas se deixar aquela mosca volante paradinha ali no canto, faz as vezes. </p>

<p>Até mudar a linha, isso é. Notas de rodapé volantes são duvidosas, e até hoje me pergunto se as chagas que Tomé viu não seriam elas também moscas volantes, e todas as minhas se perderam nessa última vírgula, que o screensaver foi mais rápido que essas coisas.</p>

<p>Não é nada, eu não vim aqui falar d'essas coisas. Tinha escrito um final de antemão para deixar ali no fim,  pra alinhar na nota volante enquanto eu escrevo aqui em cima, mas esse meu screensaver é a morte dos finais em aberto. E finais em morte são o fim, queria mesmo era empilhar um final em cima do outro, até alcançar o início do texto. O título você finca lá em cima, e ponto final.</p>

<p>Porque tem coisas que às avessas não dão. As pessoas no hemisfério sul enrolam o macarrão no sentido contrário, e nem precisam ser canhotas pra isso. Outro problema dos finais-de-antemão é que eles não dão passagem, enrolam como safety-cars. By the way, safety-cars na antemão são uma contradição em termos. É não pôr termos.</p>

<p>(que o sol de inverno é ver para crer; passa que nem mosca volante)</p>

<p>Fecho para entes e queridos, que para um final dito de antemão, este anda um tanto anti-horário. Dá nos nervos, e desses tem um que é óptico, vizinho do vítreo, viu só que coisa?</p>

<p>Não que isso afete meu humor, mas eu não vim aqui falar de humores.</p>]]></description>
<link>http://www.verbeat.org/blogs/miudos/2007/11/para_entes_e.html</link>
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<category></category>
<pubDate>Mon, 26 Nov 2007 15:12:56 -0300</pubDate>
</item>

<item>
<title>Troféu Morosidade</title>
<description><![CDATA[<p><b>Troféu Morosidade</b></p>

<p>A pergunta é: e quem dá bola pra taça de bolinhas? Se o São Paulo quer ficar com ela, que fique. Afinal, foram nada menos que quinze anos até que um time conseguisse conquistar o segundo pentacampeonato brasileiro. Foi difícil, merece uma tacinha.</p>

<p>Dá até pra rebatizar a dita cuja, aliás: Taça dos Atrasados, ou quem sabe Troféu Morosidade 2007? Pra combinar melhor, só se eles bordarem quinze estrelinhas na camisa, uma pra cada ano de espera.</p>

<center>***</center>

<p>Este breve interlúdio não altera o estado de suspensão em que este blog se encontra até janeiro de 2008. Inté!</p>]]></description>
<link>http://www.verbeat.org/blogs/miudos/2007/11/trofeu_morosida.html</link>
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<category></category>
<pubDate>Fri, 02 Nov 2007 10:21:14 -0300</pubDate>
</item>

<item>
<title>TOPETE MAIA</title>
<description><![CDATA[<p><b>TOPETE MAIA</b><br />
ou<br />
<b>A SAGA DOS CABELEIREIROS APOCALÍPTICOS</b></p>

<p><i>Ato 2012 e único</i></p>

<p><br />
Entram CORTÉZ e seus HOMENS.</p>

<p>Cortéz: - Hombres! Vamos hacer barba, pelo y el bigodón!</p>

<p>Lombra GERAL.</p>

<p>FIM.</p>]]></description>
<link>http://www.verbeat.org/blogs/miudos/2007/08/topete_maia.html</link>
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<category>Be afraid</category>
<pubDate>Tue, 21 Aug 2007 20:17:55 -0300</pubDate>
</item>

<item>
<title>Eu ainda tinha uma desculpa</title>
<description><![CDATA[<p><b>Eu pelo menos tinha uma desculpa</b></p>

<p><img alt="DSC06970.JPG" src="http://www.verbeat.org/blogs/miudos/DSC06970.JPG" width="512" height="384" /></p>

<p>Eu não conseguia ver o que estava fazendo.</p>]]></description>
<link>http://www.verbeat.org/blogs/miudos/2007/08/eu_ainda_tinha.html</link>
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<category>Desce mais uma</category>
<pubDate>Tue, 21 Aug 2007 13:01:42 -0300</pubDate>
</item>

<item>
<title>Estadão Novo</title>
<description><![CDATA[<p><b>Estadão Novo</b></p>

<p><br />
Começo remetendo a <a href="http://www.verbeat.org/blogs/bereteando/arquivos/012428.html" target="blank">este</a> post do Tiagón. É sobre a lebre que ele levanta e suas oportunas colocações que quero comentar.</p>

<center>***</center>

<p>De início, um pouco de análise semiológica da coisa toda. Sinteticamente:</p>

<p><i>O que está sendo dito</i>: que existem bizarrices de toda sorte espalhadas pela world wide web. Fair enough. Que nesta selva, portanto, é muito fácil comprar gato por lebre. Que a rubrica Estadão garante que no seu monitor só vai chegar informação de qualidade.</p>

<p><i>O que não está sendo dito:</i> que existem bizarrices de toda sorte espalhadas por páginas de jornal mundo afora. Que, implícito na argumentação da campanha está o conceito de que o leitor é um idiota, incapaz de avaliar por conta própria a informação que recebe. Que qualidade é um conceito pra lá de vago e que todo ato de seleção é também um exercício de poder: ou seja, que os critérios utilizados pelo Estadão ou por qualquer outro veículo podem atender mais a agendas políticas e econômicas específicas do que a critérios de qualidade objetivamente verificáveis.</p>

<center>***</center>

<p>O ponto que sustenta a viabilidade da campanha é a insegurança. Peguemos, por exemplo, o caso do malandro lendo o blog do macaco. O quadro rapidamente pintado é de que ele - o leitor, não o macaco - seria uma espécie de intelectual. Afinal, cada palavra num comercial de 30 ou 60 segundos é cuidadosamente escolhida, e não é à toa que a figurinha menciona que faz uma pós em economia. A mensagem, portanto, é de que não importa o quão preparado você seja, não há como se proteger de bancar o palhaço ao recorrer a informações independentes.</p>

<p>Bueno, desnecessário dizer que o mundo hoje não é exatamente um mar de tranquilidade e segurança. Pelo contrário, poucas coisas produzem mais ansiedade no sujeito contemporâneo do que o bombardeio de signos - faça, compre, seja - e a velocidade com a qual nós somos exortados a responder a estímulos. Em poucas palavras, o mediascape é a morada do Superego. E o que o humor presente na campanha faz é justamente dar uma forma socialmente aceitável a um ato de terrorismo. Algo como uma bomba invisível de ansiedade.</p>

<p>É aí que entra o Estadão. Por um lado, agindo como um farol no meio da tormenta. É necessário que todos sejamos otários em potencial para que algo como qualidade garantida de informação seja um bem inestimável. Por outro lado, o Estadão também garante uma eficiência industrial na manufatura de um eu inteligente. O trecho final do comercial, com a edição acelerada, conota muito bem isso: em contraposição à morosidade do pseudo-intelectual em tons de sépia, numa coisa assim meio Berlim Oriental, entra uma edição rápida em primeira pessoa, aliviando o espectador/leitor de uma possível identificação com o pateta em questão. Muito pelo contrário, no Estadão você não só vai na certa, como vai rápido. Com o Estadão, velocidade não é signo de ansiedade, pero de eficiência. Engulam essa, gurus de auto-ajuda.</p>

<center>***</center>

<p>O senso comum tem o péssimo hábito de ver a publicidade como um dado cuja qualidade varia do neutro ao natural. Em verdade, isso vale para outros componentes da paisagem ideológica que estruturam nosso dia-a-dia - meios de comunicação em geral, signos espalhados pela cidade, hábitos e costumes, expressões corriqueiras etc -, mas é surpreendente que até a publicidade, logo ela, consiga passar ilesa por nosso crivo diário. A publicidade nos chama atenção, sim, quando a tomamos como explicitamente ofensiva, ou seja, quando algo em seu conteúdo fere nossa sensibilidade. É dos poucos momentos em que percebemos a presença de algo nos endereçando permanentemente. Mas é um acontecimento em geral muito restrito, análogo a ler no jornal uma matéria sobre um assunto do qual entendemos: é dos poucos momentos em que notamos que as 'verdades' diárias que nos batem à porta são tão falíveis e parciais quanto as pessoas e sistemas por trás de sua escrita.</p>

<p>Mas como nenhum sistema roda bonitinho o tempo inteiro, até a publicidade tem seus momentos acidentais de subversividade. O que me remete a <a href="http://www.youtube.com/watch?v=xmbM8XGMZxI" target="blank">isso aqui</a>. De certa forma, a mensagem final é a mesma: nossa informação é mais confiável que a informação dos outros. Não vou analisar todas as diferenças entre as duas campanhas aqui, mas apenas focar em uma que me parece bastante crucial. A campanha da Folha posiciona o que eu vou chamar de 'ansiedade da informação' no mecanismo mais caro à ideologia do jornalismo: a informação livre, isenta e objetiva. Ele mostra que o mais tecnocrata dos jornais, ou seja, aquele que crê piamente nesta ideologia, é o mais falível. Que o erro está embutido no próprio sistema. O Estadão, ao contrário, projeta esta mesma ansiedade em cima do leitor. Se o leitor, como eu disse, é sempre um otário em potencial, o jornal fica livre para assumir a posição não apenas de entidade infalível, mas de instância terapêutica. Como publicidade - mídia de massa, lembremos -, infelizmente, é muito mais eficiente: apela ao sujeito em toda a sua complexidade.</p>

<center>***</center>

<p>Eficiente ou não, é, como o Tiago bem colocou, um tiro no pé. E o é porque nos obriga a parar e tomar uma postura crítica. De certa forma, a publicidade cumpre melhor seu papel quando passa despercebida. E o Estadão, melhor que ninguém, deveria saber que coisas assim geram celeuma na blogosfera.</p>

<p>Só me vejo obrigado a discordar do foco escolhido pelo Tiago para sua crítica. Vejo pouca necessidade de defender os blogs desse ataque, até porque isso é jogar segundo as regras que o próprio Estadão pôs sobre a mesa. É ficar na defensiva. Pode parecer que os blogs estão sob fogo cerrado, mas até o presente momento, o maior ataque quem sofreu foi o leitor. Ele é que foi chantageado e chamado de idiota. E obrigado a rir disso.</p>

<p>O que está em jogo aqui não é simplesmente a validade dos blogs, mas toda uma economia e uma ideologia da informação. Nessas horas, a melhor defesa é o ataque.</p>]]></description>
<link>http://www.verbeat.org/blogs/miudos/2007/08/comeco_remetend.html</link>
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<category>Os media, a linguagem, o pâncreas</category>
<pubDate>Sat, 11 Aug 2007 20:27:10 -0300</pubDate>
</item>

<item>
<title>Enquanto isso, na Itália</title>
<description><![CDATA[<p><b>Enquanto isso, na Itália</b></p>

<p><br />
- Senhor Michelangelo, seu jornal da manhã...</i><br />
- Obrigado, minha filha, quais serão as nov... AH, DEUS, O BERGMAN! QUEM SERÁ O PRÓXaaaaaargh...*</p>

<center>***</center>

<p>Que tosco, que tosco.</p>

<center>***</center>

<p>Te cuida, Godard, que tua sombra tá grande.</p>

<center>***</center>

<p>Mudando de assunto: e os saudosos réveillons do Bucanneros...</p>

<center>***</center>

<p>A Bravo! era mais legal antes de se mudar pra Editora Abril. Tá uma formulinha desgraçada, com temas tipo 'Os Simpsons é arte?' e 'Como João Moreira Salles filmou em meio a uma crise pessoal.' Se continuar no caminho, o próximo passo vai ser '68 dicas para enlouquecer um filósofo neopragmatista na cama.' Uma coisa assim meio Contigo intelectual. </p>

<p>Convosco, taí.</p>

<center>***</center>

<p>Papo casamento:</p>

<p>- O quê? <i>Fulano</i> pegou <i>Fulana</i>?</p>

<center>***</center>

<p>Chega de sofrimento: um novo conceito em sauna.</p>

<center>***</center>

<p>Alguém vai ficar chateado se eu <i>não</i> discutir hermafroditismo até o fim desse post?</p>

<center>***</center>

<p>Em 2012, acaba o calendário maia. Be afraid.</p>

<p>Ou não. Se os maias fossem bons de prever o que quer que seja, não tinham acabado séculos antes do calendário deles.</p>

<center>***</center>

<p>Ademais, fé em calendário por fé em calendário, todo mecânico que se preze tem a sua.</p>

<center>***</center>

<p>Ecumenismo com graxa, por sinal, tem tudo para ser a nova coqueluche do verão.</p>

<center>***</center>

<p>As crianças estão invadindo, é sério. Quanto aos boatos de que os velhos estariam nos abandonando, sei não. Tem Copacabana.*</p>

<p>* <i>tese não-válida para cineastas</i></p>

<center>***</center>

<p>- E se a gente tocasse forró com sax?<br />
- Taí, acordeon usa ar, sax também...<br />
- Arrasta-Lounge! Bom nome, hein, por que não?</p>]]></description>
<link>http://www.verbeat.org/blogs/miudos/2007/07/enquanto_isso_n_5.html</link>
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<category>Aprenda brincando</category>
<pubDate>Tue, 31 Jul 2007 18:40:21 -0300</pubDate>
</item>

<item>
<title>Após o interlúdio</title>
<description><![CDATA[<p><b>Após o interlúdio</b></p>

<p><br />
Catar casa, mudança, falta de internet... motivos para o silêncio são vários. Mas quero deixar aqui registrado uma discussão curiosa e um tanto lamentável que marcou meus últimos dias de leitor do NoMínimo - sobre cuja ausência nem preciso dizer nada, né?</p>

<p><a href="http://ponteaerearj.nominimo.com.br/?p=1542" target="blank">Está aqui</a>, nos comentários deste post. Testemunho um tanto desesperançoso de uma mentalidade reinante.</p>

<center>***</center>

<p>No próximo post, prometo, otimismo incondicional.</p>]]></description>
<link>http://www.verbeat.org/blogs/miudos/2007/06/apos_o_interlud.html</link>
<guid>http://www.verbeat.org/blogs/miudos/2007/06/apos_o_interlud.html</guid>
<category>Passa o Sonrisal?</category>
<pubDate>Fri, 29 Jun 2007 15:23:30 -0300</pubDate>
</item>

<item>
<title>Multiculturalismo</title>
<description><![CDATA[<p><b>Multiculturalismo</b><br />
ou<br />
<b>dos meus encontros com orientais aqui em Londres</b></p>

<p><br />
<u>Cena 1: Oxford Street</u></p>

<p>Pois que me pára o sujeito, em frente à Selfridges - mind you: <i>parar</i> é um conceito semi-desconhecido e uma prática arriscada para o pedestre em Oxford Street:</p>

<p>- Hello! I fashion photographer from South Korea, making photos! You so unique! Can I take photo?<br />
<center></center></p>

<p><br />
<u>Cena 2: Karaoquê pra quê?</u></p>

<p>Home, sweet home. A paz e o sossego do lar, aquele silêncio milimetricamente controlado, concentração...</p>

<p><i>- And when she knoooows what / She wants from her ti-i-ime...</i></p>

<p>Daí pra baixo, full-time. O pior é a musiquinha que toca enquanto eles escolhem a próxima. Ou não.</p>

<p><i>- Uptown girl / She's my uptown giiiiiiiirl...</i> </p>

<p>Até que, após dias, minha housemate resolve tomar satisfações com os vizinhos:</p>

<p>- They're Chinese, and apparently, as one of their family has recently died, it is their custom to sing for days...</p>

<p>É isso. Karaokê como instrumento de luto. EU gostava do mundo.</p>]]></description>
<link>http://www.verbeat.org/blogs/miudos/2007/05/multiculturalis.html</link>
<guid>http://www.verbeat.org/blogs/miudos/2007/05/multiculturalis.html</guid>
<category>O mundo não é ótimo?</category>
<pubDate>Thu, 10 May 2007 07:57:00 -0300</pubDate>
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