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março 2, 2006

Já tive dias mais jovens

Já tive dias mais jovens
ou
Alguma coisa aconteceu nos últimos 29 anos
ou
Dá pra parar de fazer títulos de posts com opções?


nunca viu uma criança, porra?
antes


coelho.jpg
depois


Sim, algo aconteceu. Algo de muito errado, provavelmente. Porque não é à toa que você passa da categoria de criança mal-humorada habitante da década de setenta para coelho mal-humorado com viés setentista. Ao menos eu ainda mantenho minhas raízes de época.

Mas você vê que eu era um visionário: estava, já naquela época a questionar o poder da imagem, através de uma convicta resistência à minha redução ao estereótipo de criança fofinha sorridente. Mal sabia eu que tudo é recuperável pelo sistema: o fato é que crianças rabugentas podem ser ainda mais fofinhas aos olhos de certos adultos sádicos. Mas vai, quão feliz você ficaria se fosse compulsoriamente inserido numa reconstituição caseira de Titanic meets Carruagens de Fogo? Só faltava a Celine Dion solfejando aquele maldito tema do Vangelis.

Corta para 2006 (eu disse 2006? Hm). O filme mudou claro, agora estamos falando de Blasé Bunny & His Happy Friends Do Carnival, ao melhor estilo Arnoldão. E com o Tom Waits resmungando ao som de Burt Bacharach. Em tempos de Quincy Jones na Portela, tudo é possível.

De criança a coelho, de visionário a historiador, de velho a mais velho. Sim, Sergio, essa é sua vida, como contada seria num documentário iraniano pirateado via rua da Alfândega. Ok, se ele fosse realmente iraniano teríamos que incluir lá pelos oito anos algum drama existencial envolvendo a busca por um sapato perdido. Nah, me gustaria más ser filmado pelo Wes Anderson.

E olha, a verdade é que eu queria um tipo de grand finale pra esse post. Algo que envolvesse trombetas, louvação, um momento epifânico e virgens bêbadas. Mas é melhor esquecer, eu não sou o Gorpo e não há moral nenhuma nessa história (embora não seja de todo improvável que haja algum ser esquisito escondido em uma das fotos).

Mas até que, após filosofar e filosofar, há conclusões possíveis.

Em uma frase? Não é *nada* disso.

***

E o troféu de coadjuvante do dia vai para a Verbeat, que Sêo Síndico diz ser minha co-aniversariante.

***

update (porque eu perco os leitores, mas não perco a piada):

- Está na hora de apagar as velhinhas! - disse o gângster geronticida.

Posted by sergiom at março 2, 2006 9:53 AM

Comments

quem é o nenê agora?

Posted by: ju at março 13, 2006 12:13 PM

Esse cara é genial. Ag e CC vão por e-mail, ok?

PS. Se 2006 lombrou, porque os aniversários têm sido tão pontuais?

Posted by: Brenda at março 10, 2006 10:56 AM

Sensacional...há vida inteligente na internet...

Posted by: vv at março 7, 2006 1:20 PM

Ninguém reparou a garrafa de Bourgogne Côte Chalonnaise 1926 na estante ao fundo da segunda foto?!?! Selvagens!

Posted by: Zezé at março 4, 2006 10:36 PM

É. ok... apelou. ahaha

mas 2006 não existe. aniversário?

ei!

Posted by: Gejfin at março 4, 2006 12:28 AM

Hmmm, aniversários costumam deixar as pessoas pensativas e meditabundas.
Essas orelhas de coelhinho, sei não... prefiro o nadador olímpico.
O grand finale pode ser um retumbante Parabéns pra Você? Beijos, tudo de bom!

Posted by: Viva at março 2, 2006 8:31 PM

Protesto! Todo esse post pseudo-nostálgico não passa de uma desculpa para você colocar uma foto fofinha com carinha de bebê! picareta! humpf.

Posted by: nívea stelman at março 2, 2006 5:29 PM

Protesto! Todo esse post pseudo-nostálgico não passa de uma desculpa para você colocar uma foto fofinha com carinha de bebê! picareta! humpf.

Posted by: nívea stelman at março 2, 2006 5:28 PM

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