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novembro 30, 2005

ela está atrasada, como sempre. não sei por que eu ainda me espanto, mas tudo bem, não é a morte. aliás, ela não é a morte. a morte é pontual. sempre pontual, não chega nem antes nem depois do que deve, não é o caso dela. posso contar o tempo pelas mordidas no lábio, pelas unhas roídas, pelas mensagens que eu busco no celular mesmo sabendo que não estão lá. meu relógio está desregulado. não posso ir ao banheiro, vai que ela chega, ainda que não. antes fosse ela a morte. em comum, as duas estão a caminho. só uma tem hora marcada, só uma é pontual. meu relógio está desregrado. os pequenos gestos me angustiam, os grandes me desesperam. tiro o olho do celular para ver se ele toca. tiro o olho do relógio para ver se ele muda. já não posso fechar os olhos, certos gestos me desmoronam. seria morte, ela não é a morte. ela está atrasada, merda. já dava pra ter morrido umas duas vezes.

Posted by sergiom at novembro 30, 2005 12:59 PM

Comments

Vou começar a fazer essa conta (de quantas vezes podia ter morrido) enquanto espero...Muito bom o texto!

Posted by: Pics at dezembro 6, 2005 12:41 AM

apesar dos pesares, o texto ficou muito afudê.

:)

Posted by: Gejfin at dezembro 2, 2005 8:49 PM

isso aí dá úlcera.

Posted by: mateus at dezembro 1, 2005 6:41 PM

podia ser pior...
o atraso podia não ser uma constante.

Posted by: alline at novembro 30, 2005 9:48 PM

ta aí, ó. a sombra dela tá crescendo.

Posted by: tiagón at novembro 30, 2005 4:36 PM

Cara, tô preocupada, que nervous. Você, enquanto peru tava mais light.
Vai um prozac aí?

Posted by: Fernanda at novembro 30, 2005 2:52 PM

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