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abril 29, 2005
Criticando os críticos dos críticos
Críticos dos críticos
Este post é mais ou menos como entrar num taxi e dizer:
- Siga aquele bonde!
Encontrei a (excelente) discussão via Olívia, mas ela parece ter começado aqui. Não vou linkar tudo não. A Olívia já se deu a este trabalho e isso é mais um bom motivo para visitar o ótimo blog dela.
O que está em jogo aqui é o esporte nacional de uma penca de artistas e escritores: criticar críticos. Por minha parte, não quero me meter a escrever nenhuma espécie de tratado sobre a função social da crítica. A discussão já é complexa os suficiente como é, e inevitavelmente leva a reflexos sobre a natureza da produção de sentido numa obra de arte. Vou tentar me limitar a comentar algumas idéias que foram debatidas ao longo da coisa:
Quem critica não sabe fazer.
Pode ser e pode não ser. Arte crítica são atividades diferentes, e pode acontecer de um bom artista ser também um bom crítico (ou um bom tenista, ou um bom cozinheiro…). Já citei o exemplo do Mel Bochner e do Dan Graham no campo da arte contemporânea, existem outros. Por outro lado, um bom artista também não é necessariamente um bom critico. Isso vale inclusive para o próprio trabalho. Uma vez produzido o trabalho, todo mundo – artista inclusive – passa para a posição de leitor. De leitor Barthesiano, por favor.
A função do crítico é ressaltar aspectos da obra normalmente inacessíveis ao grande público.
Não vou nem entrar em questões sobre elitismo e autoridade. Meu problema com este ponto de vista concerne diretamente, como eu vinha dizendo, à natureza da produção de sentido. O pressuposto aqui é que o autor, ao criar a obra, deposita uma série de significados nela, e que a função da crítica é tentar exaurir estes significados. Ao crítico, portanto, caberia um trabalho de exegese. É como se existisse uma “verdade” da obra. Não acredito nisso. Se a obra é uma entidade viva – o que me parece muito mais interessante -, então seu leque de sentidos é constantemente atualizado e enriquecido. Até porque ela só existe no ato, na performance da leitura. É neste momento que ela se debate com o fluxo de discursos de uma subjetividade, encontrando novas vias e esbarrando em resistências inéditas.
O bom crítico.
Existe? Não existe? Depende do que se considera a “boa crítica”. Se para você a crítica não vale nada, então não existem bons críticos. Para mim, o bom crítico nada tem a ver com julgamentos de gosto. A função dele é ar-ti-cu-lar. É levantar uma tese plausível e produtiva não sobre a qualidade da obra, mas sobre o que está acontecendo nela. Que discursos ela atualiza? Que paradigmas ela quebra? Que diferenças ela propõe? Onde ela se conforma, onde ela subverte? Como já me disse o David Cury, é uma questão de “pôr a obra em crise”.
A crítica aponta caminhos.
De certa forma, isto está implícito no ponto anterior. Mas alguns cuidados são essenciais. Se o sentido não está depositado na obra, é porque ele obviamente é um campo contestado. A crítica tenta apontar caminhos, mas não por zelar pelo bom andamento da autonomia da arte (como se isso existisse...). Um bom crítico defende ou ataca as escolhas de uma obra exatamente porque ele tomou uma posição em relação a ela. Por exemplo, um crítico preocupado com a questão feminista vai se deter em analisar até que ponto uma obra específica perpetua ou contesta modelos falocentristas, e com que eficácia. E vai fazer isso identificando as relações que a obra estabelece com a história cultural e com a trama social vigente.
O tempo dirá
Não, o tempo não dirá. Sem a crítica, o mais provável é que quem diga seja o mercado. Existem críticos competentes e incompetentes, críticos conservadores e progressistas, mas criticar faz parte da recepção de uma obra. Concordo também com o David quando ele diz que todo jornal deveria apresentar pelo menos duas críticas sobre um mesmo trabalho. Isso ajudaria a desmistificar a idéia da crítica como “interpretação autorizada”.
A crítica é um índice da inserção de um trabalho na história. Para o historiador, a análise de um texto crítico é essencial para a compreensão do que se esperava de uma obra de arte em dado momento, e como uma obra pode ser posicionada em relação às forças culturais de sua época.
Ai, ai, eu tento, mas não consigo. Já falei demais...
Mas de que adianta tudo isso? Os sapos, minha gente, os sapos...
Posted by sergiom at 6:33 AM
abril 28, 2005
Os sapos...
Os sapos...
Os sapos estão explodindo. Aos MILHARES. Oh, hell, se isso não é um sinal, eu não sei mais o que é.
Não há tempo a perder. Preciso de uma velhinha pra ajudar a atravessar a rua, rápido!
EI! Você aí embaixo, de vermelho! Para de rir!
Posted by sergiom at 5:18 PM
abril 27, 2005
Antes tarde do que nunca
Antes tarde do que nunca
A menos que este seja o primeiro Verbeat blog que você lê - ah, hahaha -, nada do que eu vou dizer é novo.
Tem a ver com dois sujeitos que oscilam perigosamente entre o sensato e o subversivo, e com algo que foi produzido, felizmente, no meio desse caminho. Merece ser lido, elogiado, discutido, absorvido, xingado, contestado, reproduzido, aperfeiçoado, refletido, debatido, gritado, multiplicado, criticado, sussurrado, enfim, só não merece ser ignorado.
Tá aqui.
Repeat, please.
Posted by sergiom at 12:29 PM
abril 26, 2005
Summer term
Summer term
Ontem, oficialmente, teve início o summer term. Com 13 graus na cabeça e chuva fina. Barcelona, onde o tal do summer ainda estava longe, me honrou com mais horas de sol em uma semana do que eu creio que vou angariar por aqui em um mês.
Nerdices: consegui, não sei exatamente como, ir parar num grupo de Vampire. Além de mim, os integrantes são um geek altamente prolixo, sua mulher ploc e o DM, um doutorando de media studies que decidiu que a Rainha-Mãe - R.I.P. - é um vampiro desde de a década de 60.
Nerd com um pé na cozinha. Londres anda fazendo bem para minhas parcas habilidades culinárias. Ainda no beginners level, claro, mas já pulei da fase do misto-quente para o risoto. Em alguns dias, enfrento mais um inimigo de fase: o atum marinado.
Estou preparando com calma meu especial Portugal. Paciência, por favor.
Os Padres de Pelúcia™ atacam novamente. A quem interessar possa, Bento XVI® já está a venda. Puxando a cordinha uma vez, ele bate os calcanhares pro Senhor. Puxando duas, ele propõe a canonização de Torquemada. Só falta agora aceitar a proposta da Patrícia e lançar, com algum atraso, o modelo João Paulo II 'Cadaver Edition'®, que vem com caixão próprio e um milhão de fiezinhos de pelúcia. Sucesso de público e cúria, quer dizer, e crítica!
Posted by sergiom at 9:04 AM
abril 20, 2005
Si us plau
Si us plau
Voltei, mas não voltei. Não se volta de Barcelona assim. De repente na segunda, quando o choque de realidade do meu essay em cinco dias tiver passado.
Trouxinhas fritas de tâmara e bacon. Como é que eu não pensei nisso antes?
Putz, esse blog anda mais desfolhado que as plantas do meu quarto. Minhas férias são o ramadã delas.
Bento XVI é obra e graça de uma irmandade secreta de pais-de-santo, adivinhos e afins. Sem um papa decrépito à mão, quem é que a Mãe Dinah mataria em todo começo de ano?
Posted by sergiom at 9:41 AM
abril 6, 2005
Interlúdio
De cá, em Évora, posso afirmar: se ingerir mais uma partícula sequer de porco preto do Alentejo, explodo.
Ontem, a caminhar em Óbidos, lembrei: faz muito tempo que não tenho um terçol.
Posted by sergiom at 3:02 PM