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fevereiro 27, 2005
Meu Querido Diário
Meu Querido Diário:
Sol em Londres. Já tinha esquecido como era isso. Nos últimos dias, vi pouco no ar além de neve. Mas, alto lá: não é aquela neve fofa, branquinha e abundante, de fazer bola e boneco, de especial de Natal do Charlie Brown. Não, a neve londrina reflete com absoluta precisão o tom acinzentado do inverno daqui. É só chuva gelada, nem branco deixa o chão; só escorregadio. De lama. Lama cinza.
Entrei pelo cano. No meu último experimento neurológico, me tacaram no tubo de ressonância magnética para ver como meu cérebro reagia a um bombardeio de imagens bizarras. Tenho certeza de que em algum momento vou recuperar minha memória e lembrar do resto do experimento: garras nas pálpebras, colírio e a Nona do divino Ludwig.
Não é sacanagem: o cara que comandava o experimento era um francês com sotaque de alemão. Cada vez que ele falava 'Good. We shall proceed now.', minha espinha - que até aquele momento ainda não havia sido removida cirurgicamente - gelava.
Próxima aquisição: Banco Imobiliário Londres. Só pra tirar onda e trocar minhas propriedades na Avenida Paulista por Chelsea.
Peguei uma sessãozinha especial do Entreatos na faculdade da Clarisse, com direito à graça do João Moreira Salles, também conhecido por grande parcela da audiência feminina como 'um fofo'. De um lado, as batidas críticas ao Michael Moore: panfletário e ingênuo. De outro, respostas interessantes à provocações sobre a possível contribuição do filme para a mitologia pessoal do Lula. Salles lembrou que as pessoas vêem o que querem e não mudam de opinião por causa do filme. Para mim, o mérito do filme é justamente contrapor aquele momento de êxtase eleitoral centrado em torno da pessoa ao momento atual - não apresentado, mas inevitavelmente acareado por cada espectador.
João Moreira Salles, sobre não ter vínculos:
- Não sou filiado ao PT. E quem me conhece sabe que eu não tenho nenhuma relação com o movimento sindical...
Ainda sobre filmes, as próximas semanas prometem, com o lançamento do novo filme do Wes Anderson - sim, Seu Jorge cantando Bowie - e do Michael Winterbottom. Este último por sinal, tá dando rebuliço: é o filme mainstream mais sexualmente explícito do cinema britânico. Entrevistas com os atores, críticas favoráveis, críticas desfavoráveis, é pornô ou não é?, enfim, mais do mesmo. Mas como quem tá na neve é pra se enlamear, vou dar uma conferida.
Pra quem quiser ir direto ao assunto, as cenas estão aqui. E em mais uns 500 endereços web afora.
Ensaio sobre 'blankness'. Sério, é a bola da vez. Não preciso nem dizer o que acontece cada vez que eu sento pra escrever, né?
Ou você acha que eu realmente acordei às dez da matina de domingo pra postar isso aqui? Vida de proletário da academia é isso...
Posted by sergiom at fevereiro 27, 2005 6:52 AM
Comments
Sobre o filme:
"O mundo está perdido! A ira dos céus se abaterá sobre todos os pecadores!"
Posted by: Gilda at março 6, 2005 4:06 PM
Humm, agora lembrei de uma parada que eu postei eras atrás na Mood, sobre o Ghettopoly. As propriedades eram ótimos, algo na linha "Hernandez XXX Peep-Show". Acho que você chegou a usar isso, não, Tiago?
Posted by: Sergio at março 1, 2005 4:59 PM
Banco Imobiliário de Marrocos. O vencedor ganha um bilhete só de ida de volta pra casa.
Posted by: Renato K. at março 1, 2005 2:56 PM
Humilhação total. Vou fazer um banco Imobiliário Porto Alegre. Não... uou... claro: Banco Imobiliário Fórum Social Mundial! Quem tiver o monopólio dos movimentos sociais, pode invadir os terrenos de todo mundo. E imagina a briga na hora de negociar as siglas de partidos de esquerda. "Passeata no Ponto de Partida: Receba 200". Isso pode ser muuuito divertido.
Posted by: Gejfin at fevereiro 28, 2005 8:08 PM
NÃO! Banco Imobiliário Londres é humilhação demais!
Posted by: tiagón at fevereiro 28, 2005 3:16 PM
tinha que ser "meu queriiiiido diario", don't you know?!
Posted by: clarisse at fevereiro 28, 2005 1:47 PM