Milton Ribeiro
descricao.gif



Visito

Adelaide Amorim
Afonso, o Chato
Afrodite sem Olimpo
Agreste
Ainda Podia Ser Pior
Alê Félix
Alfarrábio
Almanaque Mineiro
Ana Lúcia Araújo
Ana Maria Gonçalves
Ana Merege
Ane Aguirre
Animot
Ao Mirante, Nélson
Após o Último Fracasso
A Origem das Espécies
A Palavra Pintada
Assertivas e Devaneios
Atmosfera
Avant-dernières Pensées
A voz que nos trai
Balaio Vermelho
Balípodo
BBC 3
Bender
Biajoni
Blog de Papel
Bomba Inteligente
Bombordo
Branco Leone
Bródi Tom Negão
Bumbum Completo
CANSEI! Tô Cansadinho!
Carta da Itália
Charô
Cidades Crónicas
Cinema Elegante
Cinqüenta Quilos
Claire Scorzi
Classical Live Online Radio
Crônicas Mônica
Cynthia Feitosa
Denise Arcoverde
Dennis D.
Denny Yang
Desconcertos
desNorte
(O) Destro e o Canhoto
Dialógico
Diário da Lulu
Dira Vieira
Donizetti
Drops da Fal
E Deus Criou a Mulher
E no Entanto Continua-se
É por aqui...
Elio Amadeu
Ery Roberto
Et Alors...
Eu Faço Arte
Eu Pensando
Faça a sua parte
Fao
Fabricio Carpinejar
Fenômenos
Fernando Cals
Flavio Prada
Fogo nas Entranhas
Forsit
Francisco Coimbra - Recanto das Letras
Frankamente
Gávea
Gejfin
George Cassiel
Germina Lit. e Arte
Guga Alayon
Guiu Lamenha
Gutierrez / Su
Idelber Avelar
Imagens e Palavras
Imaginação ao Poder
Inagaki
(In)Confidência Mineira
Insônia
Jayme Serva
Julio Cesar Corrêa
Laura RJ
Lauro António
Leandro Oliveira - Livros e Literatura
Leila Eme
Liberal Libertário
Língua de Mariposa
Literatus
Lord Broken Pottery
Luis Carmelo
Luma
Luiz Gravatá
Madame Mean
Mafalda Crescida
Maira Parula
Maíra Ribeiro
Malvados
Marcelo Backes
Marcelo Coelho
Marconi Leal
Marcos Caiado
Marcos VP
Marmota
Meia Pataca
Merten
Mnemosina
Modus Vivendi
Mônica Quarenta Três
Mudança de Ventos
Museu de Tudo
Nelson Natalino
Obsessions
O Eu Profundo
O Hermenauta
Oriente Crónico
Outra Babel
P.Q.P. BACH
Papel de Pão
Pecus Bilis
Pedra Brasileira
Pedro Xavier
Pensar Emburrece
perplexoinside
Pirata da Rua
Portão 8
Pra Lá de Marrakech
Pras Cabeças
Pro Tensao
Rafael Galvão
Rafael Reinehr
Rascunho
Ratapulgo
Remark the Cat
Retrato do Artista Quando Tolo
Rô, a Adorável
Roberto Maxwell
Romasi
Sandra Pontes
Segundo Impacto
Serbon
Sergio Leo
Sérgio Rodrigues
Sheila Leirner
Sherazade
Silvia Chueire
S Chueire - Sempre Ontem
Simplicíssimo
Sizenando
Sovaco de Cobra
Stella psicanálise
Stuck in Sac
Sturm und Drang
Sub Rosa
Sub Rosa - Flabbergasted
Talvez Sim
Tania Barros
Taxitramas
Tchela
Tekka Strange-Fruit
Terapia Zero
Tiagón
Ticcia Antoinette
Tordesilhas
Torre de Marfim
Três Formas
Vanessa Lampert
Varal de Idéias
Verbeat Blogs
Verbütsfußballbloge
Vivace
Ya que tamo, vamo!
Zadig
Zeno



thinkingbloggerpf8.jpg
Premio_Blog_com_Tomates.png
blogcultura.png
7wonders.jpg
award-schmooze.png
premio%25252Bda%25252Bnan%2525C3%2525A1.gif
Escritoresdaliberdade.jpg

E-mail: miltonribeiro arroba terra ponto com ponto br


Acessos desde 2004


eXTReMe Tracker

Eu_acredito_em_blogs.jpg
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Último Post: porque só um completo idiota sai da Verbeat

É verdade. Estou mudando de endereço por problema nenhum aqui onde estou. Tanto que não deletarei posts, não fiz back-ups do que escrevi - gosto muito de alguns pedaços de mim e de outros que deixo bem guardados aqui - e nem publicarei letras garrafais mandando vocês imediatamente para outro endereço. O novo endereço já existe, mas será colocado discretamente ao final deste post, nada de grandes comunicações. Não estou voltando as costas para a Verbeat e duvido que alguém faça isso um dia. Como disse o Branco Leone: "Dá até a impressão de que tem que ser muito bacana pra ser da Verbeat". Não é impressão, Branco, é O CRITÉRIO.

Só que na tarde do dia 1º de maio do ano passado, o Rafael Reinehr me convidou para um café. Fui e ficamos delirando um pouco sobre o que sonhávamos fazer na Internet. Apesar de não parecer, sou sempre cheio de planos. Daquela conversa, nasceu O Pensador Selvagem, revista eletrônica para a qual não colaborei em quase nada para construir, dando somente alguns pitacos pelo MSN por participar do "Conselho". Sob ou ao lado da revista, teríamos alguns blogs associados.

O Rafael nunca pediu para que eu transferisse meu blog para o OPS. Eu é que elaborei lentamente a necessidade que tinha de ficar mais perto de um filho que não tem mais do que 1% de meu DNA, mas que, puxa vida, também é meu. Meses atrás, avisei o Tiago e o Gejfin que me mudaria e eles tiveram a atitude que esperava: deixaram educadamente que eu resolvesse minha vida. Tanta civilidade me deixou meio maluco. Afinal, por que sair? A Verbeat sempre abraçou minhas loucuras; foi por culpa da inquietação de Milton Ribeiro que vieram o Bombordo, o Blog da Copa, o Cidades Crónicas e sei lá mais o quê. Mais: todos os pedidos e reclamações quanto ao funcionamento de meu blog foram ouvidos e atendidos rapidamente. Conclusão: só um louco largaria isso aqui. Só que a paternidade de um projeto que está uns 50% implementado me empurrou para lá. Quero ficar perto.

A reação do Tiago diz tudo sobre o que é a Verbeat. Ele me escreveu só pedindo que continuasse trazendo minhas "idéias legais" para a Verbeat e que mantivéssemos a amizade.

Então, ainda com muita hesitação, decido mostrar meu novo endereço.

MILTON RIBEIRO 10h24 Comente (11) | Amigos, tudo


sábado, 26 de janeiro de 2008

Porque Hoje é Sábado - Vol. LXXXIV

Quanto tempo perdido com Navratilovas, Serenas, Mauresmos, Davenports e outras!

Ana_Ivanovic_001.jpg

Aos 30 minutos deste sábado, duas belas mulheres farão a final do Aberto da Austrália.

Maria_Sharapova_001.jpg

A novidade são os traços eslavos da sérvia Ana Ivanovic, de 20 anos e 1,85m.

Ana_Ivanovic_002.jpg

Ela enfrentará a conhecida russa Maria Sharapova, de 1,88m e os mesmos 20 anos.

Maria_Sharapova_002.jpg

Vence a morena de jogo mais delicado e cômica ao comemorar seus pontos?

Ana_Ivanovic_003.jpg

Ou a loira que dispara violentos torpedos para todos os lados?

Maria_Sharapova_003.jpg

Quem você prefere? A Ana com cara de Karênina?

Ana_Ivanovic_004.jpg

Ou a Maria cheia de graça e de medonhos gritos a cada raquetada?

Maria_Sharapova_004.jpg

É o tipo de resposta que não me causa a menor angústia. Será um jogo estético, cheio de sensações...

Ana_Ivanovic_005.jpg

... e satisfação para quem estiver na frente da TV (que para esportes ainda vale alguma coisa).

Maria_Sharapova_005.jpg

Só peço à Ana...

Ana_Ivanovic_006.jpg

e à Maria...

Maria_Sharapova_006.jpg

Que sigam ganhando todos os torneios porque, após esta final...

Maria_Sharapova_007.jpg

... outras diferentes nos aterrorizariam.

Ana_Ivanovic_008.jpg

(Pois quem não gostaria de ser o técnico da Sharapova...

Maria_Sharapova_008.jpg

... ou o koala da Ana...

Ana_Ivanovic_007.jpg

... para ficar junto delas?)

Sharapova_Ivanovic_Hantuchova.jpg

MILTON RIBEIRO 00h32 Comente (9) | O Homem que Amava as Mulheres


quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Kaká, o Ingênuo Garoto-Propaganda da Renascer

Kaká faz mais um gol no Boca Juniors e ergue a camiseta. Sob o uniforme do Milan aparece a repulsiva mensagem “I belong to Jesus”. Eu e minha mulher ficamos muito contrariados. O que fizemos contra Kaká para que ele nos agrida daquela forma? Se eu fosse um jogador de futebol que estivesse jogando a final do Mundial de Clubes e, ao marcar um gol, mostrasse ao mundo uma camiseta apoiando a descriminalização do aborto, a liberação das drogas ou com a singela frase “Eu sou ateu”, ele e seus pares se sentiriam atacados, não?

Dizer que a propaganda de Kaká equivale a que, por exemplo, a Nike faz, é um absurdo. A Nike deseja vender seus produtos, supostamente os melhores, mas influencia apenas discretamente meu modo de ser e pensar. Já a propaganda de Kaká é de índole comportamental e religiosa. Seria apenas comportamental se dissesse ao mundo “Eu gosto de sexo oral”, mas, sendo religiosa, ataca não apenas comportamentos, mas outras convicções e culturas. Se ele fosse árabe e defendesse alguma postura fundamentalista, seria talvez punido pela FIFA, não? Fico imaginando o jogador Al Rachid comemorar um gol mostrando ao mundo sua camiseta “Mulheres, usem a burka ou não saiam de casa!”. O que Kaká faz é o mesmo que o meu Al Rachid faria: é desrespeitar as diferenças, pois seu Jesus me agride como agride a quem tem outros deuses.

A prática religiosa implica necessariamente em cooptação, pois só com grande quantidade de fiéis se auferem grandes lucros. Há pessoas que dizem que o ateísmo também é uma religião, mas isto é apenas uma inócua posição filosófica. O ateísmo não tem donos nem templos, não forma sacerdotes, não gera lucros nem faz propaganda, não se apresenta na forma de símbolos como santinhos ou bonequinhos sangrando presos a uma cruz. Além disto, os ateus não costumam manifestar-se ostensivamente e não procuram cooptar fiéis, apenas são agredidos pelos vendedores de verdades absolutas. O ateu é como alguém que chega a um disputado jogo de futebol e defende que aquilo é uma bobagem. Mas a analogia não é perfeita porque normalmente os aficionados deixariam em paz quem não gosta do jogo, enquanto os religiosos vêm incomodar quem quer ficar em paz.

Se fosse apenas isso, Kaká... Mas não é. A frase de Kaká tem um subtexto mais surpreendente e inadequado do que parece. O ingênuo menino com cara de anjo deveria escrito “I belong to Estevam Hernandes”.

Estevam Hernandez sempre foi um homem de vendas. Até 1986 era gerente de marketing da Xerox e então resolveu vender algo que não necessitasse de toner, manutenção ou garantia; resolveu vender Cristo fundando com sua mulher, Sônia, a Igreja Apostólica Renascer em Cristo. Como bom profissional, fez sua igreja crescer. Começou como um grupo que se reunia para orar na casa do casal; hoje é um império. Kaká é amigo de Estevam e Sônia, paga R$ 2 milhões anuais à Renascer e, para que mais fãs entrem em contato com a instituição, expõe nela a taça que recebeu como Melhor Jogador do Mundo. Há boatos – negados por Kaká – que a taça teria sido doada à Renascer.

A virtude não parece ser a principal característica dos santos pombinhos. Estevam e Sônia colecionam 51 processos contra si só em São Paulo e Brasília. Curiosamente, tais processos são movidos por devotos. A operação é sempre igual: imóveis são alugados para novos templos, compromissos são firmados mas raramente cumpridos. O problema é que os avalistas dos aluguéis são devotos , o mais das vezes pessoas simples, loucas para entregar-se a alguma fé. São eles, não o casal ou a igreja, que correm o risco de perder seu patrimônio.

Para completar, o casal cumpre pena num país onde há Justiça atuante. Eles foram presos nos Estados Unidos condenados pelos crimes de contrabando de dinheiro e conspiração para mais contrabando de dinheiro. Até agosto passado, o casal ficou em liberdade condicional e vigiada, quando Estevam começou a cumprir período de reclusão até 29 de dezembro. Agora será a vez de Sônia, que deverá cumprir 140 dias. Gente de primeira linha... Gente muito boa, diz Kaká... São amigos íntimos do craque que declara ter casado virgem e que a sogra não suporta. Uma beleza! Ou seja, há mais fatos implícitos no gesto da Kaká: quando ele ergue a camiseta, faz a propaganda da Renascer, convidando os potenciais fiéis a irem a um balcão de negócios, local de transações – convencionais e escusas -, evasão de divisas e roubo, tudo camuflado de fé em Cristo...

A novidade é que a lenta, pesada e equivocada Justiça Brasileira agora quer ouvir Kaká. É natural; afinal, ele convive e dá dinheiro a pessoas que lavam dinheiro. As perguntas do juiz Marcelo Batlouni Mendroni fará a Kaká não o fazem um criminoso, mas sugerem um ingênuo. "Qual é seu grau de amizade e que relação tem com as pessoas acusadas? Os acusados costumam freqüentar sua casa na Itália e no Brasil? O senhor costuma freqüentar a casa deles, no Brasil e nos Estados Unidos? A partir de 31 de julho de 2006, quando teve início a acusação por crime de lavagem de dinheiro, quantas vezes os acusados freqüentaram sua casa? O senhor tem conhecimento do fato que eles tiveram prisão decretada? Durante o período de vigência do decreto de prisão, as duas pessoas citadas ficaram hospedadas em sua casa, na Itália ou no Brasil?".

Você pode me dizer que a Igreja Católica sempre fez o mesmo e lhe darei razão. O catolicismo amealhou patrimônio mais do que suficiente para pagar com folgas os processos por pedofilia de que é acusada, principalmente nos EUA. Mas acho sempre interessante analisar o que as religiões ocultam por trás da “salvação”.

(Secundariamente, gostaria de saber o que os muitos patrocinadores do craque pensam disso.)

MILTON RIBEIRO 00h08 Comente (31) | Futebol


segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Um Fígado para Roberto Bolaño (I)

Alguns o vêem como o sucessor de Borges e Cortázar, outros como um autor intranscendente e chato, porém, indiferente a quaisquer avaliações, segue engrossando o culto a Roberto Bolaño na América de língua espanhola. Ícone chileno, mexicano, argentino e espanhol, ele tem multiplicado seus leitores de forma permanente e os que o lêem parecem ser tomados pelo vírus de tal forma que passam logo ao estado de fãs e seguidores. Para nós, brasileiros, é estranho que um autor de altíssima qualidade seja incensado pelo grande público; afinal, estamos sobre uma vaga de ignorância tão grande em nosso país que é desconfortável saber que os grafiteiros destes países costumam escrever nos muros das cidades: “¡Un hígado para Bolaño!”. Aqui, Paulo Coelho, Marcelino Freire e Bruna Surfistinha; logo ali, atravessando a fronteira, Roberto Bolaño.

Além da América espanhola, ele está sendo traduzido com sucesso para a Europa e Estados Unidos. Busca-se mais contos, romances e poemas do autor cujas cinzas foram jogadas por sua mulher e filhas no Mediterrâneo em 2003.

Bolaño era chileno, mas se reconhecia como “autor latino-americano”. É compreensível: teve vida breve, nasceu em 1953, viveu largas temporadas no México e na Espanha - o golpe de Pinochet, por exemplo, aconteceu quando morava com sua família no México - e sua morte ocorreu em Barcelona.

Enrique Villa-Matas diz que a morte de Bolaño fechou uma vida destinada a tornar-se uma lenda. Ele está certo e é por este fato que estou escrevendo a série de artigos que começo aqui. Minha motivação é a de comprovar que talento, coragem, idealismo e loucura, características tão raras na era do politicamente correto e do incontroverso, são absolutamente necessárias à arte.

Sua morte prematura aos 50 anos - enquanto esperava um fígado para transplante - foi o último ato para a formação de um mito para o qual Bolaño contribuiu de forma direta. Morreu em 14 de julho de 2003 no hospital Valle de Hebrón. Passou 10 dias em coma por complicações hepáticas enquanto esperava em vão. Deixou textos para publicação póstuma e outros inconclusos. Estava preocupado com o futuro de sua mulher e das filhas. Entre os papéis deixados havia os cinco grandes textos que deveriam – e formaram - o estupendo romance 2666, que gira em torno de um escritor desaparecido (Benno von Archimboldi) e onde há cenas que descrevem o horror dos feminicídios em Ciudad Juárez, onde as mulheres parecem ser caça.

Mas voltemos à biografia do autor.

Roberto Bolaño nasceu em Santiago do Chile em 1953. Com 13 anos, mudou-se com sua família para a Cidade do México. Ali, praticamente morava dentro da Biblioteca Pública. Permanecia tanto tempo lendo que, pasmem, não terminou a escola média nem entrou para a universidade - hoje existe a cátedra Roberto Bolaño na Universidade Diego Portales de Santiago... Em 1973, caiu Salvador Allende e Roberto retornou ao Chile de carona, com a intenção de unir-se à resistência contra a ditadura que se instalava. Foi preso. Salvou-se graças a um amigo, ex-colega de colégio, então já milico, que o reconheceu e conseguiu liberá-lo. Ano depois, diria que não falava sobre política pois “os que detém o poder, ainda que por pouco tempo, não sabem nada de literatura”, afirmativa negada pela própria obra de Bolaño, em especial pelo brilhantíssimo, premiado e inteiramente político Noturno do Chile.

Em seu regresso ao México, juntamente com o poeta Mario Santiago Papasquiaro – a inspiração para a criação do personagem de Ulises Lima, do romance Os Detetives Selvagens – fundou o movimento poético infra-realista que se opôs ferozmente aos principais pilares da literatura mexicana, representada especialmente por Octavio Paz. Bolaño (Belano?) e Papasquiaro se destacaram por sua poesia cotidiana e dissonante.

“Poderíamos dizer que o infra-realismo o moldou como escritor e romancista, mas também o México teve importância nesta transformação. Ela amava o México noturno, o México das ruas e dos cafés, a fala cotidiana e seu indiscutível humor desencantado. Não é casual que seus dois maiores romances – Os Detetives Selvagens e 2666, sejam centrados no México”, escreveu o escritor Juan Villoro.

Anos depois emigrou para a Espanha, onde já vivia sua mãe. Colheu uvas em alguns verões, trabalhou como vigilante noturno em Castelldefels, foi balconista de armazém, lavador de pratos, faxineiro de hotel, estivador, lixeiro e recepcionista até tornar-se escritor em tempo integral.

Como todo apaixonado por literatura, também foi um hábil ladrão de livros, quando não tinha dinheiro para pagar por eles. (Tal fato, que destaco em parágrafo especial, talvez sirva de atenuante para os articulistas de vida pregressa plena de roubos nunca descobertos...)

(continua)

Fontes consultadas: Livros de Bolaño e o Caderno de Cultura do Clarín de 22/09/2007.

MILTON RIBEIRO 00h41 Comente (12) | Literatura


sábado, 19 de janeiro de 2008

Porque Hoje é Sábado - Vol. LXXXIII

Kim_Basinger_100.jpg

Quantos de minha geração não viram e babaram para o cartaz acima?

Kim_Basinger_101.jpg

O filme nem era tão bom, mas as cenas de sexo eram muito interessantes.

Kim_Basinger_102.jpg

Não adianta, não lembro da história, só do apartamento e de Kim Basinger.

Kim_Basinger_103.jpg

Começou cedo a trabalhar como modelo, claro.

Kim_Basinger_104.jpg

Eram fotos para todo lado.

Kim_Basinger_105.jpg

Sua mãe já era bela e trabalhou de alguns dos balés aquáticos de Esther Williams.

Kim_Basinger_106.jpg

Tornou-se uma boa atriz. Teve excelente atuação no bom "Los Angeles - Cidade Proibida", com uma cara incrível de Veronica Lake.

Kim_Basinger_107.jpg

Depois, parece que quase enlouqueceu com uma separação.

Kim_Basinger_108.jpg

Que bobagem, Kimila!

Kim_Basinger_110.jpg

Sofrer desse jeito. Uma mulher tão... durável! (Acreditam que ela fará 55 anos em dezembro?)

MILTON RIBEIRO 00h32 Comente (11) | O Homem que Amava as Mulheres


quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Grêmio contratou o rapaz à esquerda

Roger_Debora_Secco_e_Mamae_Secco.jpg

Mas quem joga um bolão é a moça do meio.

Enquanto isso, Paulo Pelaipe, o sábio, perguntava: "Por que todo mundo que contratamos vira ex-jogador?". Quanta incompreensão da imprensa, né, Paulinho?

MILTON RIBEIRO 18h02 Comente (4) | Sociedade e Jet Set


quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Um Retrato para a História

3732333.jpgSim, você não precisa me ligar perguntando se o cara da foto sou eu. Sou sim. Foi tirada no último sábado, aqui em casa, no meio da minha bagunça. Foram muitas fotos e eu já estava ficando cansado daquele negócio. É muita idolatria e a gente acaba se entediando. Você não vê, mas eu o informo de que há duas filas de livros - uma atrás da outra - porque descobrimos um erro de cálculo na metragem dos livros. Um errinho, sabe? De 100%. Faremos a correção botando livros no teto, pelas vigas e paredes laterais. Sim, vocês verão. É coisa de arquiteto. Ficará lindo. O quê? Você está me achando estranho na foto? Ah, claro.

3731281.jpgAquela é a foto da capa da Zero Hora. Lá dentro, na ZH Digital, há um artigo sobre blogs em que dividimos a cena eu, com meu ar maduro e professoral ensinando alguma bogagem, o Tiago, com sua juventude e uma inédita cara de mau, e o Afonso, que tem exatamente a minha idade mas que ostenta uma cabeleira muito mais branca, resultado de duas quedas para a segunda divisão. Além das quedas, vê seu time iniciar o ano daquele jeitinho que poderíamos chamar singelamente de "chama-tragédia", perdendo jogadores para todo mundo e com dificuldades para ganhar jogos-treino contra, por exemplo, o Flamengo... de São Valentim. Fico feliz.

Link aqui.



MILTON RIBEIRO 10h37 Comente (3) | Amigos, tudo


O Brasileiro de 2007

O Campeonato Brasileiro de 2007, apesar da ausência de nossos grandes jogadores - todos transferidos para o exterior - foi o melhor e o que teve maior número de espectadores em estádios desde 1986, ano da famigerada Copa União.

Também não foi um fracasso do ponto de vista técnico. Em dezembro, tínhamos ao menos quatro equipes que não fariam vergonha em nenhum país do planeta: o campeão São Paulo, o renascido Internacional - que não teve tempo de recuperar-se a ponto de lutar por uma vaga na Libertadores -, e os cariocas Fluminense e Flamengo. A dupla Fla-Flu enfim trouxe alento ao combalido futebol carioca, palco de caixas d`águas e euricos.

O Fluminense fez um ano surpreendentemente tranqüilo, foi um São Paulo carioca. Primeiro, conseguiu sua vaga na Libertadores 2008 vencendo a Copa do Brasil; depois, chegou a uma posição no Brasileiro que o garantiria novamente na maior competição sul-americana. Um espanto de estabilidade o time do ex-rebelde Renato Gaúcho. Já o Flamengo, dentro de seu habitual estilo de altos e baixos, andou pela zona de rebaixamento, acertou o time e subiu, subiu, subiu, mas subiu tanto que obteve a vaga na Libertadores por antecipação, confortavelmente. Ponto para Joel Santana e para os grandes Ibson e Fábio Luciano, que mudaram a cara do Fla. É claro, a torcida subiu junto com o time e empurrou a média de público para cima. Aliás, o mesmo ocorrera em 1986. Lembram daquele campeonato em que Fla foi o verdadeiro campeão e não foi reconhecido pela CBF?

A outra novidade foi a queda do Corinthians. Seu futebol merecia a queda, mas o que realmente deixa pasmo este desconfiado comentarista foi a atitude sobranceira e honesta dos árbitros, que não imitaram Márcio Resende de Freitas, Zveiter e o STJD de 2005. A honestidade do campeonato foi indiscutível, tendo silenciado até Juca Kfouri.

Porém o principal talvez não tenha sido nada disso, mas a consolidação do modelo de pontos corridos. Este o modelo de jogos de todos contra todos, lá e cá, é o mais competitivo, justo, compreensível e não creio que os homens das TVs tenham ficado tristes. Mesmo com o São Paulo ultra-favorito, houve interesse de cabo a rabo e – sejamos francos - nós nos divertimos demais com nosso futebol sem craques no ano recém terminado. Além disso, este tipo de disputa é de fácil entendimento para quem o vê no exterior. Basta sentar-se na frente da TV e o comentarista vai falar: é fulano contra sicrano na casa daquele, estamos na rodada tal do turno tal e as colocações de ambos até aqui são esta e esta. Acabou. O espectador estará informado. Prova disso é que teremos jogos às 11h da manhã em 2008. Sim, os árabes e a Ásia quer ver nossos campeonato e - que surpresa! - é o dinheiro quem manda.

MILTON RIBEIRO 10h28 Comente (1) | Futebol


segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

O Violista ( Quinta e Última Parte - Allegro Maestoso )

Romeu foi cedo para o concerto em que interpretaria a Sinfonia Concertante para Violino, Viola e Orquestra, K. 364, de Wolfgang Amadeus Mozart. Chegando ao teatro, arrumou-se, afinou atentamente o instrumento e, como não tinha nada a fazer, foi ver quem estava no teatro antes de praticar mais um pouco. Logo que entrou na área administrativa, viu o maestro Tardue conversando com as secretárias. Procurou evitá-lo, não precisaria de uma discussão naquele momento, mas ele lhe fez um gesto amistoso convidando Romeu a aproximar-se. O maestro tratava de alguma questão administrativa e não dirigiu-lhe a palavra até terminar seu assunto.

- Já paramentado, Romeu? Que horas são? – perguntou finalmente.

Romeu riu e respondeu que o Dia do Violista era uma instituição rara e que pretendia aproveitá-la ao máximo. Tardue levou-o cordialmente até sua sala e disse que sua evolução nos ensaios era surpreendente.

- Entendo perfeitamente o fato de alguém motivar-se agredindo quem lhe pareça um obstáculo.

Romeu não respondeu e Marc seguiu:

- Sim, eu acredito que você fantasiou uma hostilidade que nunca ocorreu entre nós. Eu, ao menos, não tive a menor intenção. Por que eu teria convidado justo você para substituir o húngaro?
- Que húngaro, maestro?
- Ora que húngaro?! Aquele que habitualmente interpreta a Sinfonia Concertante com Elena e que passou a faltar compromissos por motivo de saúde.

Romeu entendeu que Tardue desejava humilhá-lo citando um fato que antes evitara: o fato de que ele estava no papel de um mero substituto de última hora. Com a intuição correta, evitou desconcentrar-se respondeu

- puxa, maestro, não sabia. Que sorte a minha, não? Pois fazer minha estréia como solista em nossa orquestra com alguém do porte de Elena Sofonova é como entrar em campo ao lado de Zidane ou...
- Zidane e Pelé, certamente. E fui eu quem defendeu a introdução de um membro da orquestra ao lado de Elena. O Conselho não desejava, mas, por insistência minha, consegui. Será um belo concerto.

Romeu assentiu de forma entusiasmada e refletiu que aquele seria o momento exato para despedir-se do maestro, pois melhor seria não exercitar sua ironia a apenas duas horas do concerto. Tinha que manter-se mobilizado, concentrado. De voltar ao corredor, viu que havia luz num dos camarotes e bateu na porta. Como imaginava, após alguns segundos, a luz tornou-se ainda mais intensa com a presença de Elena à sua frente, sorridente e convidando-o a entrar. Falando num inglês tão estropiado quanto o de Romeu, ela lhe falou que trouxeram-na muito cedo do hotel para que ela se preparasse, mas que aquilo não era necessário a uma moça despojada e despreocupada como ela. Estava de calças jeans e camisa, ambas justas, que demonstravam ainda mais claramente sua beleza física.

Tranqüilo, Romeu perguntou-lhe quantas vezes ela tinha interpretado a Sinfonia Concertante antes e ela respondeu-lhe que apenas duas ou três vezes além da gravação que fora lançada pela ECM.

- Ah, sim. E com quem foi a gravação?
- Com Kim Kashkashian. O convite partiu dela, claro. As you know, ela é filha de armênios e fomos parte do mesmo país até alguns anos. Acho que ainda é natural uma armênia procurar uma lituana para tocar, mesmo uma inexpressiva como eu – disse modestamente Elena.
- Vocês ainda têm muito contato entre si? Isto é, russos e lituanos e armênios e húngaros... São colaboradores habituais ou tudo ficou no passado?
- Não, há uma certa inimizade, até. Ou toco em meu país com grupos de lá ou estou no ocidente. Ultimamente, mais no ocidente, as you can see.
- Pensei que costumavas tocar esta obra com um húngaro... – tentou Romeu.
- Ainda não o conheço! – respondeu Elena com seu melhor sorriso. – Mas se der um bom marido, estou interessada!

Desta vez, Romeu e Elena Sofonova finalmente sorriam com a mesma intensidade. Depois, ela lhe perguntou sobre o Brasil, achando incrível que alguém abandonasse um país de natureza tão pródiga e que produzia tão bons músicos, como ela comprovara em muitos CDs e nos últimos dias. Romeu estava encantado com a simpatia da moça que agora lhe oferecia um doce excelente que estava por ali e que não deveria comer para manter a fama de que as russas, ou quase, eram sempre loiras, altas e magras.

Ele se despediu, dirigindo-se depois a seu armário. Um colega avisou que hoje ele tinha direito a um camarote ao lado da deusa, mas Romeu rejeitou, preferindo que o lugar de sempre entre os músicos. Ensaiou muitas vezes a belíssima entrada que faria em uníssono com Elena. Lembrou do filme Amadeus, em que aquele início fora utilizado; Romeu sabia que o público ficaria encantado desde os primeiros segundos daquela música perfeita.

Repetiu-a muitas vezes até ver Elena, já de vestido longo, juntar-se a ele, refazendo os primeiros compassos agora em dueto. Romeu notou que, pouco a pouco, os dois alteravam a dinâmica de tal forma que sua entrada, após a longa introdução orquestral, pareceria um bem humorado mergulho na massa sonora da orquestra. Não pensava absolutamente em mais nada.

O concerto foi um sucesso. Elena, Romeu e a Orquestra Nacional do Porto foram ovacionados, com os solistas e Tardue retornando duas vezes ao palco a fim de receber os aplausos. No segundo retorno, Tardue fez questão de entrar com o braço sobre os ombros de Romeu, demonstrando ao público seu apoio a um instrumentista da orquestra, a alguém que fazia seu dia a dia ali e que não era um solista internacional.

Foram os três jantar juntos, acompanhados de alguns amigos. Era a despedida de Elena, que viajaria no dia seguinte para Paris. Foi um jantar feliz e cansado; Romeu sentou-se ao lado da lituana que recebia todos os cumprimentos principais, sobrando para Romeu os secundários. Porém, ele não estava preocupado nem ressentido; sabia que fizera boa figura. À saída, quando se dirigiam para a porta do restaurante, Marc Tardue fez questão de pôr-lhe o braço novamente sobre os ombros, perguntando como tinham sido seus trinta minutos de glória. Aquilo ofendeu a Romeu, que sem responder desvencilhou-se do maestro para despedir-se do restante do grupo. Ele e Elena trocaram um longo abraço.

Chegando em casa, o violista tratou de arrumar a casa antes de dormir. Recolocou a cadeira de frente para a televisão, o cachecol do Boavista voltou a ornamentar a TV, o rádio temático retornou à mesa e só então foi preparar a cama para dormir, pensando que sua sala era melhor que o Bessa Século XXI, o estádio do desastrado Boavista daquele ano.

-=-=-=-=-=-

O primeiro movimento da Sinfonia Concertante está aqui, a entrada dos solistas ocorre lá pelos dois minutos, após a longa introdução:

E termina aqui:


Observação final: Marc Tardue foi o regente da Orquestra Nacional do Porto por oito anos até o final do ano passado. Não o conheço e nem sei nada a respeito dele. Os outros nomes foram inventados. Ah, Elena Sofonova foi, provavelmente, a atriz principal de Olhos Negros, filme de Nikita Mikhálkov.

MILTON RIBEIRO 00h05 Comente (2) | O Violista


sábado, 12 de janeiro de 2008

Porque Hoje é Sábado - Vol. LXXXII

As estrelas do passado tinham algo

Suzy Parker.jpg

que falta às atrizes de hoje.

Natalie Wood.jpg

Eram os filmes? Era a fotografia em preto e branco?

Loretta Young.jpg

Era o modo de se movimentar?

Greta Garbo.jpg

Era a pouca informação ou a presença da privacidade?

Gene Tierney.jpg

Era a sensualidade elegantemente toldada pelo pudor?

Grace Kelly.jpg

Ou seria apenas e simplesmente aquilo que aponta Jack Nicholson aos 70 anos?

Eva Marie Saint.jpg

"Sinto falta de classe".

Lauren Bacall.jpg

É natural que um homem de 70 anos passe a admirar a educação, a elegância, a categoria, a postura, o assunto.

Ingrid Bergman.jpg

Mas não sejas maldoso, Milton. Os anos passam injustamente para todos e tu concordas com Nicholson.

Elisabeth Taylor.jpg

Apesar de preferires à dele a melhor frase que pensas ter lido até hoje nos blogues:

Ava Gardner.jpg

"Não vogando já na doce ilusão de uma sociedade sem classes, concordei em viver numa sociedade sem classe".

Audrey Hepburn.jpg

Frase que engloba o que Nicholson disse, mas também outra esfera.

Ann-Margret.jpg

Maior ou menor.

Marilyn Monroe.jpg

Nome das atrizes: veja o título de cada foto.
Citação do extinto blog português Bombyx Mori.

MILTON RIBEIRO 00h28 Comente (17) | O Homem que Amava as Mulheres


segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

A Nova Rotina

668906-4976-ga.jpg

Campeão da Libertadores da América e do Mundial em 2006, da Recopa em 2007 e agora de um rápido torneio em Dubai. A final foi contra a squadra da Inter de Milão. Quem acompanha futebol sabe o que significa ganhar deles. Houve tempo que minha mulher - sim, uma gremista - brincava comigo que o Internacional não ganhava nada internacional. Agora ela nem fala mais em futebol...

Vocês viram o gol de bicicleta do Nilmar?

MILTON RIBEIRO 20h09 Comente (15) | Futebol


sábado, 5 de janeiro de 2008

Porque Hoje é Sábado - Vol. LXXXI

Aniversário do cara aí embaixo... Fazia 17 anos... Ontem à noite... Festa... Algum trabalho... E acabei suspendendo a edição de hoje por força consistentemente maior. De qualquer maneira, ei-lo desnudo para o público fiel de nossa coluna de sábado:

Bernardo_Pq_Hj_Sab.jpg

Parabéns, Bernardo!

MILTON RIBEIRO 01h13 Comente (7) | Amigos, tudo O Homem que Amava as Mulheres


quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

A entrevista-relâmpago que Luís Carmelo fez comigo

Em setembro de 2006, o Miniscente de Luís Carmelo estava publicando uma interessantíssima série de curtas entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida dos entrevistados. Respondi assim as questões propostas.

- O que lhe diz a palavra “blogosfera”?

A blogosfera não é apenas a soma de blogues, mas sobretudo seus links, comentários e leitores, blogueiros ou não. A blogosfera se diferencia por disponibilizar ferramentas de comunicação, através das quais o leitor pode participar ativamente da festa e não somente assisti-la. A palavra blogosfera também me diz de conteúdos que vão do sublime e inteligente ao vulgar e burro. Porém, depois de viver mais de três anos nela, posso dizer que aqui não há mais bobagens do que nas revistas semanais. Estas são imbatíveis no quesito "ruindade" e, aqui, ainda temos a vantagem de poder xingar e ser xingado...

- Seguiu algum acontecimento nacional ou internacional através de blogues?

Sim, poucos, mas importantes. Por exemplo, a melhor cobertura dos eventos relacionados ao furacão Katrina foi realizada pelo blog de Idelber Avelar (Professor de Literatura Latino-americana e Etnomusicologia da Universidade de Tulane, Nova Orleans, que possui o blog O Biscoito Fino e a Massa - http://idelberavelar.com/). Além de informações e fotos da cidade, ele montou uma rede de comunicação para que as pessoas pudessem dizer em que local estavam, etc. Foi uma diáspora súbita e o Idelber conseguiu fazer com que muita gente fosse encontrada e pudesse dizer "Olha, estou vivo, mas quero saber onde estão fulano e sicrano". Outro evento que acompanho através de blogues é a tentativa de censura de vários deles, realizada pelo truculento ex-presidente - e, pasme!, membro da Academia Brasileira de Letras do Brasil - José Sarney.

- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?

Ser visitado e talvez lido semanalmente por 1200 pessoas é certamente, um impacto na vida de qualquer um. Há que se ter atenção para com este fato. Passo duas horas por dia lendo blogues e talvez quatro horas por semana escrevendo o meu. Mas o maior impacto é o de ser reconhecido como blogueiro quando não estou na frente do computador ou saber que há pessoas desconhecidas que estão informadas sobre minha vida. Explico: meu blogue faz explicitamente Improvisações sobre Literatura, Música, Cinema e Qualquer Coisa, principalmente. Neste Qualquer Coisa, entram alguns posts confessionais. Outro fato impactante foi o de ter ido à Europa e ter ficado exclusivamente hospedado na casa de blogueiros que não conhecia pessoalmente. E isto na Espanha e na Itália. Sim, fui sempre muitíssimo bem tratado, fui aonde quis e, puxa, fiz uma enorme economia!

- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?

Sem dúvida. Meu blogue fica num condomínio de cujo manifesto chama-se Liberdade de Comunicação e que tem, como membros, pessoas de esquerda - a maioria -, de direita, religiosos, provocadores, ateus, alternativos, etc. De nosso manifesto, trago o seguinte trecho:

Hoje, eu e você somos livres para informar e sermos informados, num fluxo que trafega por meios livres. Mas não vivemos num mundo livre. Liberdade por si só não é suficiente, porque ela não pressupõe naturalmente outro conceito importante: democracia. A mídia tradicional (rádios, TVs, jornais, portais web) está longe de ser proporcional à quantidade de informação produzida, tanto quanto ao número de indivíduos que as recebem. As pontas são infinitamente maiores que os meios existentes. Há um estrangulamento. E quando isso acontece, alguma coisa fica de fora do fluxo. É isso que a mídia tradicional faz: filtrar. Selecionar informações para distribuí-las ao maior número de pessoas possíveis - donde o termo "meios de comunicação de massa". Poucas informações produzidas são veiculadas, poucos produtores tem poder para comunicar o que querem, e poucas opções temos de receber o que de fato queremos. E se não recebemos, a informação existe? De fato, sim; na prática, não. É o sujeito que grita na sala vazia. Sujeito que talvez tenha coisas relevantes a dizer. Todos nós temos coisas a dizer, sim. Por que não teríamos?No modelo vigente, a mídia escolhe por nós. Ela cerceia a própria liberdade que tanto precisa, em nome de uma efetividade - muitas vezes, manchada pela face comercial que a viabiliza (quando não é a própria razão de existir).Mas eu quero falar. Quero falar o que eu quiser. E falar para quem eu quiser. Para quem quiser me ouvir e que vai poder me achar. Quero ouvir. Ouvir o que eu quiser. E ouvir de quem eu quiser. De quem quiser me falar e que vou poder encontrar. Essa é a verdadeira liberdade e democracia da comunicação. Isso, os meios de massa jamais poderão oferecer, mas a Internet sim: com o blog. Uma ferramenta pessoal, acessível, de baixo custo, sem intermediários, apoiada em uma mídia instantânea e de alcance global. Não apenas o diário virtual, pense de novo: Blog é o suporte tecnológico de uma revolução na exposição de idéias, na distribuição de informação, na democratização da comunicação. Na internet, qualquer sujeito que quiser exercitar sua liberdade de expressão encontra um sujeito exercitando sua liberdade de informação. Isto é liberdade. Isto é democracia. Esse é o direito que deve ser assegurado.

MILTON RIBEIRO 00h09 Comente (9) | Entrevistas


segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Feliz 2008

Rubem_Braga_Dostoievski.jpgDesejo a todos um ano novo de muitas virtudes e alguns pecados suaves e bem aproveitados.

Rubem Braga

Ou, aproveitando-me do comentário do Ery,

FELIZ ANO TODO !!!



MILTON RIBEIRO 15h00 Comente (3) | Citações


domingo, 30 de dezembro de 2007

Os Melhores Filmes de 2007

Conforme o previsto, foi uma temporada fraquíssima em que os cinco melhores inéditos foram:

A Culpa é do Fidel (La Faute à Fidel, 2006 , França / Itália) de Julie Gavras;
A Vida dos Outros (Das Leben der Anderen, 2005, Alemanha) de Florian Henckel Von Donnersmark;
A Vida Secreta das Palavras (La Vida Secreta de las Palabras, 2005, Espanha) de Isabel Coixet;
Inferno (L`Enfer, 2005, França / Itália / Bélgica / Japão) de Danis Tanovic e
Hércules 56 (Hércules 56, 2006 , Brasil) de Sílvio Da-Rin.

E o melhor foi, obviamente:

ulrichmhelebenderandererm2.jpg

A Vida dos Outros, fácil, fácil.


A lista completa:

2007/51 - Mandando bala - Shoot`em Up - 2007 - EUA - Michael Davis - 3
2007/50 - O Amor nos Tempos do Cólera - Love in the Time of Cholera - 2007 - EUA - Mike Newell - 4
2007/49 - Um Lugar na Platéia - Fauteuils D`Orchestre - 2005 - França - Daniele Thompson - 3
2007/48 - O Tango de Rashevski - Le Tango des Rashevski - 2003 - Bélgica / Luxemburgo / França - Sam Garbarski - 1
2007/47 - Morte no Funeral - Death at a Funeral - 2007 - EUA - Frank Oz - 3
2007/46 - Viagem a Darjeeling - The Darjeeling Limited - 2007 - EUA - Wes Anderson - 1
2007/45 - Vá e Veja - Idi i smotri - 1985 - URSS - Ellen Klímov - 5
2007/44 - Marcas da Violência - A History of Violence - 2005 - EUA - David Cronenberg - 4
2007/43 - A Culpa é do Fidel - La Faute à Fidel - 2006 - França / Itália - Julie Gavras - 5
2007/42 - A Noiva Perfeita - Prete-moi ta Main - 2007 - França - Eric Lartigan - 3
2007/41 - Transilvânia - Transylvania - 2006 - França - Tony Gatlif - 1
2007/40 - Amantes Constantes - Les Amants réguilier - 2005 - França - Philippe Garrel - 2
2007/39 - Tropa de Elite - O mesmo - 2007 - Brasil - José Padilha - 4
2007/38 - Medos Privados em Lugares Públicos - Coeurs - 2006 - França - Alain Resnais - 3
2007/37 - Quando Papai Saiu em Viagem de Negócios - Otac Na Sluzbenom Putu) - 1985 - Iugoslávia - Emir Kusturica - 4
2007/36 - Blow-up - Depois Daquele Beijo - Blow-up - 1966 - Itália - Michelangelo Antonioni - 5
2007/35 - La vida de los otros - Das Leben der Anderen - 2005 - Alemanha - Florian Henckel Von Donnersmark - 5
2007/34 - Tocar el Cielo - Tocar el Cielo - 2007 - Argentina / Espanha - Marcos Carnevale - 3
2007/33 - Maria - Mary - 2005 - EUA - Abel Ferrara - 3
2007/32 - Saneamento Básico - O mesmo - 2007 - Brasil - Jorge Furtado - 2
2007/31 - Adeus, Meninos - Au Revoir, les Enfants - 1987 - Alemanha / França / Espanha - Louis Malle - 4
2007/30 - O Despertar de uma Paixão - The Painted Veil - 2006 - EUA / China - John Curran - 4
2007/29 - Goya - Goya em Burdeos - 1999 - Espanha - Carlos Saura - 2
2007/28 - O amor não tira férias - The Holiday - 2006 - EUA - Nancy Meyers - 2
2007/27 - Laura - Laura - 1944 - EUA - Otto Preminger - 3
2007/26 - Inferno - L`Enfer - 2005 - França / Itália / Bélgica / Japão - Danis Tanovic - 5
2007/25 - Hércules 56 - Hércules 56 - 2006 - Brasil - Sílvio Da-Rin - 5
2007/24 - Ventos da Liberdade - The Wind that Shakes the Barley - 2006 - Inglaterra - Ken Loach - 1
2007/23 - Vênus - Venus - 2006 - Inglaterra - Roger Michell - 3
2007/22 - Marcello - Uma Vida Doce - Marcello - Una Vita Dolce - 2006 - Itália - Mario Canale e Annarosa Morri - 2
2007/21 - As Férias de Mr. Bean - Mr. Bean`s Holiday - 2007 - Inglaterra - Steve Bendelack - 3
2007/20 - O Crocodilo - Il Caimano - 2006 - Itália / França - Nanni Moretti - 3
2007/19 - A Noite - La notte - 1961 - Itália - Michelangelo Antonioni - 5
2007/18 - Um Amor além do Muro - Der Rote Kakadu - 2006 - Alemanha - Dominik Graf - 4
2007/17 - O Perfume - Perfume: The Story of a Murderer - 2006 - Alemanha / Espanha / França - Tom Tykwer - 4
2007/16 - A Pequena Jerusalém - La Petite Jerusalem - 2005 - França - Karin Albou - 3
2007/15 - Repulsa ao Sexo - Repulsion - 1965 - Inglaterra - Roman Polanski - 3
2007/14 - A Grande Noite - Big Night - 1996 - EUA - Stanley Tucci e Campbell Scott - 2
2007/13 - Borat - O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América - Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan - 2006 - EUA - Larry Charles - 4
2007/12 - A Rainha - The Queen - 2006 - Inglaterra / França / Itália - Stephen Frears - 1
2007/11 - A Vida Secreta das Palavras - La Vida Secreta de las Palabras - 2005 - Espanha - Isabel Coixet - 5
2007/10 - À Leste de Bucareste - A Fost sau n-a Fost - 2006 - Romênia - Corneliu Porumboiu - 3
2007/9 - Pecados Íntimos - Little Children - 2006 - EUA - Todd Field - 4
2007/8 - 1972 - 1972 - 2006 - Brasil - José Emílio Rondeau - 2
2007/7 - Babel - Babel - 2006 - EUA - Alejandro González Iñárritu - 2
2007/6 - Fabricando Tom Zé - O mesmo - 2006 - Brasil - Decio Matos Jr. - 4
2007/5 - O Perfume - Perfume: The Story os a Murderer - 2006 - Alemanha / França / Espanha - Tom Tykwer - 4
2007/4 - Pequena Miss Sunshine - Little Miss Sunshine - 2006 - EUA - Jonathan Dayton e Valerie Faris - 4
2007/3 - Sorrisos de uma noite de verão - Sommarnatens Leende - 1955 - Suécia - Ingmar Bergman - 5
2007/2 - Curtas da Miranda July - xxxx - xxxx - EUA - Miranda July - 1
2007/1 - Os Infiltrados - The Departed - 2006 - EUA - Martin Scorsese - 3

MILTON RIBEIRO 15h46 Comente (4) | Cinema


sábado, 29 de dezembro de 2007

Porque Hoje é Sábado - Vol. LXXX

Estava pensando em alguma mulher para fazer o Pq Hj é Sab de fim de ano...

Aida_Yespica_1.jpg

...mas acabei idiotamente observando por longos minutos os calendários italianos.

Aida_Yespica_2.jpg

É uma instituição do país. Uma coisa incrível, aguardada, esperada.

Sara_Tommasi_1.jpg

As duas principais estrelas nuas deste ano voltam a ser Aida Yespica e Sara Tommasi.

Aida_Yespica_3.jpg

Não sei em que faixa elas trabalham, parecem estar mais para o pornô.

Aida_Yespica_4.jpg

Mas é óbvio que já são "atrizes" e 2008 verá um filme da Yespica que nem italiana é...

Sara_Tommasi_2.jpg

pois nasceu no país de Hugo Chávez, como Miss Amazonas, ora vejam.

Aida_Yespica_5.jpg

Sei que apresentam programas na TV italiana, que é outra característica...

Aida_Yespica_6.jpg

...muito particular e lastimável daquele país.

Sara_Tommasi_3.jpg

Então, como não estou inspirado mesmo, fico por aqui.

Aida_Yespica_7.jpg

Acho que volto antes do final do ano, porém se não voltar fica aqui meu desejo de um excelente 2008 para todos nós.

MILTON RIBEIRO 00h44 Comente (6) | O Homem que Amava as Mulheres


quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Tú me acostumbraste a todas esas cosas...

O Natal até que estava bom, apesar da máquina de lavar louça ter resolvido estragar justo no dia de maior demanda, fato que me deixou lavando as coisas do jantar até às 5h10 da madrugada. Mas - qual é o problema? -, ao meio dia iria buscar os guris para o almoço das sobras e estava numa boa, até porque alguns de nossos comensais me causaram aquela típica euforia sentida quando vislumbramos a possibilidade de boas e frutíferas amizades.

Após o almoço, no meio da tarde, eu estava repassando 14 CDs de Goran Bregovic para o pen drive de um amigo, tendo já agendada uma piscina com meu filho, enquanto minha filha assessorava meu afilhado num jogo de computador. Tudo tranqüilo e besta como sói acontecer num dia de Natal. Na piscina, convidei meu filho para ir ao cinema conosco ver O Amor nos Tempos do Cólera. Propus buscar sua namorada para agregar-se a nós. Sorrisos sob o sol já baixo.

Mas ela tinha que participar.

Quinze minutos depois, eu tomava banho. Ao sair, vi minha irmã invadindo nosso apartamento, coisa que nunca havia feito, ao menos daquela maneira arregalada. Disse que vira meu filho caminhando pela rua com minha filha dez metros atrás. Ele, transtornado; ela, irritadíssima. Minha irmã travou o carro, deu ré e alcançou meu filho. Ele disse que tinha dado merda e que não poderia falar. Ao ouvi-lo, ela pensou que tínhamos brigado feio, talvez tivéssemos trocados alguns inéditos sopapos (Sopapos, nós?). Ele não quis carona, pegaria um táxi. Minha filha não falava. O que poderia ter acontecido para tanto estresse?

Quando minha irmã me abordou - eu de cuecas -, a primeira coisa que ouvi foi a pergunta: "que merda aconteceu"? Eu não sabia de nada. A Claudia disse que ela havia telefonado por causa de um mal entendido de horários. Que gritara e ofendera o Dado no telefone. Tudo normal. Tudo igual. Sempre.

Ocorre muito, mas há certa preferência por efemérides. Há dois anos, fora no Ano Novo, estávamos na praia e ela conseguiu desligar um celular que eu pago; há três meses, no aniversário da Bárbara; há um ano e meio, em pleno Dia das Mães, o qual deveria ser feliz e sem minha presença. Só que me ligaram chorando e pedindo para que eu fosse pegá-los, pois nem no naquele dia ela ficara em casa e tinha deixado-os sós para ir a um concerto. A sós, à noite. Todo mundo tem o direito de se divertir no seu dia, não?

...Y tú me me enseñaste que son maravillosas.

Fico pensando no livro maisquememória, de Marcelo Backes. Na página 303, ele define a mais bela palavra da língua portuguesa, a palavra serenidade, assim:

Serenidade é alegria, tranqüilidade, sabedoria e clareza, tudo isso num som que ecoa o azul do céu e a claridade do éter.

(Porém, cada vez que leio ou ouço a palavra serenidade, a primeira coisa que vem à cabeça deste ser futebolístico é a imagem de Ademir da Guia correndo com a bola, de cabeça erguida. É alegria, tranqüilidade, sabedoria e clareza. Nada a ver com Suélen. Ou Pâmela, nunca lembro.)

MILTON RIBEIRO 00h30 Comente (6) | A vida que passa


sábado, 22 de dezembro de 2007

Porque Hoje é Sábado - Vol. LXXIX - Especial Natal! Adoro!

Gente, eu gosto tanto do Natal!!! Ai, eu amo essa super oferta de bons sentimentos! Todo mundo feliz! Queria mostrar para vocês umas poesias natalinas, mas não pude decidir entre É Natal, de Marcos Caiado; O que Fizeram do Natal, de Carlos Drummond de Andrade, e Natal, de José Saramago. Como não posso ficar a noite inteira pensando, pois tenho que acordar cedinho para vandalizar nos shoppings, escolhi entremear de belas fotos - todas alusivas - o poema do Caiado, tão fofinho! Deixei lá no fim os outros para vocês lerem, tá?

01_Nude_Holiday_Card.jpg

é natal!

02_Aida_Yespica.jpg

entre as luzes do shopping
e as babas do papai noel...

11_Monica_Bellucci_101.jpg

é natal!

08_Angelina_Jolie.jpg

nos reclames da tv
e no presente que não chega a você.

14_Weihnachtsmann.jpg

é tempo de santa claus!

07_Emmy_Rossum.jpg

do camelódromo de campinas
à zona franca de manaus...

03_Antara_Mali.jpg

sorria!, é natal!

06_Emmanuelle_Beart_014.jpg

milhões de microlâmpadas acesas
e castanhas sobre-mesas mesmas...

05_Irène_Jacob_Dupla_Vida.jpg

corra: é natal!

04_Cristiana_Capotondi.jpg

...um menino jesus (judeu?) festeja a vida
enquanto outro cristo é vítima,

13_Superhero_Christmas.jpg

de mais uma bala perdida.

10_Luana_Piovani.jpg

- enfim, é natal!
e o que você fez?

09_Laetitia_Casta.jpg

poema de Marcos Caiado

12_Penelope_Cruz-lingerie.jpg

Se você não entendeu o sentido das fotos, é que é muito subliminar mesmo, sabem?

Antes dos outros dois poemas, a relação das moças: anônima, Aida Yespica, Monica Bellucci, Angelina Jolie, Papai Noel, Emmy Rossum, Antara Mali, Emmanuelle Béart, Irène Jacob, Cristiana Capotondi, Super Heróis natalinos, Luana Piovani, Laetitia Casta e Penélope Cruz.


Natal

Nem aqui, nem agora. Vã promessa
Doutro calor e nova descoberta
Se desfaz sob a hora que anoitece.
Brilham lumes no céu? Sempre brilharam.
Dessa velha ilusão desenganemos:
É dia de Natal. Nada acontece.

José Saramago

santa_claus.jpg

O Que Fizeram do Natal

Natal.
O sino longe toca fino,
Não tem neves, não tem gelos.
Natal.
Já nasceu o deus menino.
As beatas foram ver,
encontraram o coitadinho
(Natal)
mais o boi mais o burrinho
e lá em cima
a estrelinha alumiando.
Natal.
As beatas ajoelharam
e adoraram o deus nuzinho
mas as filhas das beatas
e os namorados das filhas,
mas as filhas das beatas
foram dançar black-bottom
nos clubes sem presépio.

Carlos Drummond de Andrade

MILTON RIBEIRO 00h01 Comente (6) | O Homem que Amava as Mulheres


sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Tédio e Preocupação

Minhas encomendas ainda não chegaram... Merda!

O_Lavrador_de_Cafe_Portinari_1939_MASP.jpg

Não dá para confiar em entregadores nesta época do ano.

Retrato_de_Suzanne_Bloch_Picasso_1904_MASP.jpg

MILTON RIBEIRO 16h55 Comente (4) | A vida que passa Arte


quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Dekassegui - The Final Cut

Eu acho impressionante que ele deu uma solução tão simples que eu não achei em 3 meses.

O "ele", da frase acima, sou eu. Foi um comentário muito simples e despretensioso que fiz há um ano no blog do meu amigo que nunca vi Roberto Maxwell a respeito de Dekassegui - um, mais um, de seus excelentes filmes. Eu gostei muito do que vi, mas achei que o final não estava à altura. O comentário deve ter causado ainda mais dor de cabeça ao cineasta. (Não fiz para incomodar, Roberto! Como é que eu iria adivinhar que tu estiveras três meses quebrando a cabeça sobre o final?) Resultado: ele alterou o filme ganhei um agradecimento especial a mim pela nova versão. Agora é Dekassegui - The Final Cut. Fiquei bem feliz, honrado e coçando a barba, meio assustado sobre as conseqüências daquilo que escrevemos em comentários.

Depois de ver o filme, escrevi ao Roberto dizendo que seria legal se tomássemos um chope qualquer hora dessas, apesar de que é complicado acontecer um chope entre um carioca que mora no Japão e um gaúcho bastante sedentário em termos de viagens. Ademais, ele parece ter ficado com algum receio de mim:

Pois é, rapaz, um chope ia bem. Agora, você vê, um comentário pela net provocou aquilo. Imagino o estrago que você me faria em 1 hora de conversa na mesa de um bar? Hehehehehehehe

Pô, Roberto, minha média é de 50 besteiras por uma coisa que preste. Foste premiado.