(Milyang / Secret Sunshine, 2007 - COR)
Shin-ae (Jeon Do-yeon) aguarda com o filho pequeno, à beira da estrada, socorro mecânico ao seu carro. Desde este primeiro momento a luminosidade inunda a imagem, o sol brilha incessante e majestoso, a claridade domina plano-a-plano e conduz a história. Os dois buscam nova vida, Milyang é a cidade natal do ex-marido, seu nome tem como significado algo como "secreta luz do sol". O que Lee Chang-dong propõe é um mergulho ao sofrimento, seu filme não segue padrões tradicionais, a chegada à cidade é marcada pela descoberta, pelas novas amizades, por enquadrar-se numa nova rede social. E também pela cobiça alheia, pela inveja, até a chegada da tragédia.
E nesse ponto passamos para um novo filme, que começa marcado por dor, busca salvação na fé e religião, até encontrar um equilíbrio entre o que foi possível recolher dos cacos dessa vida em frangalhos. Shin-ae acredita que possa perdoar aquele que lhe fez um mal tão terrível, mas surpreende-se com o caminho espiritual que o mesmo tomou. Segundo as próprias palavras do criminoso, Deus me perdoou, e aquilo não cai bem aos ouvidos de Shin-ae que se pergunta como Deus pôde perdoá-lo antes dela? E o sol continua iluminando essa mulher perdida, quiçá indicasse alguma direção, se é que é possível retomar as rédeas da vida numa situação dessas. E Lee Chang-dong cria uma estrutura interessante, perdendo um pouco dessa distância que a câmera nos coloca, trazendo para junto o desequilíbrio emocional dos personagens.