julho 2008 Archives

(The X Files: I Want to Believe, 2008 - EUA)

Sabe quando você faz um desenho e depois olha espantado porque os braços ficaram grandes demais, ou a cabeça acabou desproporcional ao corpo, resumindo: desengonçado. Essa é uma ótima definição para o filme dirigido por Chris Carter. Tantos anos se passaram após o termino do seriado e quem acompanhou a saga de paranormalidade, conspirações interplanetárias e abduções já tinham como definitivo o destino dos enigmáticos agentes Fox Mulder (David Duchovny) e Dana Scully (Gillian Anderson), mas Carter encontrou nova fonte de renda, a marca Arquivo X vende, tem seguidores e uma série de filmes pode ter sido iniciada, sem grande preocupação com os anos de credibilidade do seriado.
E dessa lógica vem a história de que Mulder e Scully não são mais do FBI, porém para salvar uma agente desaparecida, os dois são chamados a lidarem com um vidente padre pedófilo que oferece pistas ao caso. Carter não consegue recuperar a energia do antigo programa, seu filme desengonçado tem traços daquilo que acompanhamos com tanto carinho e interesse, mesmo a relação Scully-Mulder parece mais forçada a atingir um novo público que não os conheceu e por isso diálogos mais diretos e menos implícitos.
Somos teimosos, portanto não adianta dizer que não, vindo um novo filme da série estaremos conferindo, mas pelo piloto-automático, sem entusiasmo, porque os personagens são os mesmos, os atores ainda têm seu brilho, só que infelizmente o tempo de Arquivo X já passou e seu criador já não sabe mais o que fazer com seu filho pródigo.

Festivais: Veneza 65

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Saiu a lista dos filmes que estarão em Veneza, agora é ficar de olho no último grande festival do ano para fazer a lista para a próxima Mostra SP. Eu de cara já me interesso pelo novo de Darren Aronofsky, e tem também Kitano, a estréia de Arriaga e dois filmes com co-produção brasileira, mas na teoria a mostra paralela é mais instigante que a competitiva. Bressane e Zé do Caixão representam o Brasil.


Venezia 65 - In Competition

The Wrestler, Darren Aronofsky (EUA)

The Burning Plain, Guillermo Arriaga (EUA)

Akires to kame (Achilles and the Tortoise), Takeshi Kitano (JAP)

Gake no ue no Ponyo (Ponyo on Cliff by the Sea) (Hayao Miyazaki) (JAP)

Jerichow, Christian Petzold (ALE)

Inju, la Bête dans l'ombre, Barbet Schroeder (FRA)

Il papà di Giovanna, Pupi Avati (ITA)

BirdWatchers, Marco Bechis (ITA/BRA)

L'Autre, Patrick Mario Bernard e Pierre Trividic (FRA)

Hurt Locker, Kathryn Bigelow (EUA)

Il seme della discordia, Pappi Corsicato (ITA)

Rachel Getting Married, Jonathan Demme (EUA)

Teza, Haile Gerima (ETH/ALE/FRA)

Bumažnyj soldat (Paper Soldier), Aleksey German Jr. (RUS)

Süt, Semih Kaplanoglu (TUR/FRA/ALE)

Vegas: Based on a True Story, Amir Naderi (EUA)

The Sky Crawlers, Mamoru Oshii (JAP)

Un giorno perfetto, Ferzan Özpetek (ITA)

Nuit de chien, Werner Schroeter (FRA/ALE/POR)

Gabbla (Inland), Tariq Teguia (ALG/FRA)

Dangkou (Plastic City), YU Lik-wai (BRA/CHI/HK/JAP)

Out of Competition

Puccini e la fanciulla, Paolo Benvenuti (ITA)

Yuppi Du, Adriano Celentano (ITA)

Burn After Reading, Joel e Ethan Coen (EUA)

35 Rhums, Claire Denis (FRA/ESP)

Heshang aiqing (Cry me a river) (short film), JIA Zhangke (CHI/ESP/FRA)

Shirin, Abbas Kiarostami (IRA)

Vicino al Colosseo... c'è Monti (short film), Mario Monicelli (ITA) (documentary)

Do Visível ao Invisível (short film), Manoel de Oliveira (BRA/POR)

Les Plages d'Agnès, Agnés Varda (FRA) (documentary)

Vinyan, Fabrice Du Welz (FRA/RU/BEL)

Encarnação do demonio, José Mojica Marins (BRA)


Orizzonti

Goodbye Solo, Ramin Bahrani (EUA)

A Erva do Rato, Julio Bressane e Rosa Dias (BRA)

Parc, Arnaud des Pallières (FRA)

Melancholia, Lav Diaz (Filipinas)

Un lac, Philippe Grandrieux (FRA)

Dikoe Pole (Wild Field), Mikhail Kalatozishvili (RUS)

Il primo giorno d'inverno, Mirko Locatelli (ITA)

Voy a explotar, Gerardo Naranjo (MEX)

Pasion Jay, Francis Xavier (Filipinas)

Pa-ra-da, Marco Pontecorvo (ITA/FRA/ROM)

Zero Bridge, Tariq Tapa (IND/EUA)

Puisque nous sommes nés, Jean-Pierre Duret e Andréa Santana (FRA/BRA)(documentary)

Women, HUANG Wenhai (CHI/SUI) (documentary)

In Paraguay, Ross McElwee (EUA) (documentary)

Z32, Avi Mograbi (ISR/FRA) (documentary)

Below Sea Level, Gianfranco Rosi (ITA/EUA) (documentary)

Los Herederos, Eugenio Polgovsky (MEX) (documentary)

L'Exil et le royaume, Andreï Schtakleff e Jonathan Le Fourn (FRA) (documentary)

Começaram as pesquisas, daqui a pouco chega o horário eleitoral e só então poderemos realmente ter certeza de quem está ou não no páreo pela disputa da prefeitura de São Paulo. Sinceramente estou muito incomodado com o início da disputa, porque os dois favoritos ao segundo turno declaradamente não estão interessados no cargo em si e estão mirando em copiar a eleição anterior quando o governador José Serra foi eleito prefeito para depois lançar-se candidato a governador. Claramente Serra sentia que sua imagem saiu desgastada da eleição presidencial e viu na disputa para prefeitura a possibilidade de mostrar um pouco do que poderia ter feito se eleito presidente, além de resolver o problema de seu partido que não tinha candidato forte para a disputa. Mas se Marta é também a solução para um PT que após todos os escandalosos de corrupção com os partidários paulistas não tem nome forte para a campanha, suas intenções são óbvias de vôos maiores. Já Geraldo Alckmin vai mostrando que sua ambição é maior que ele próprio, desesperado copia seu companheiro de partido passando por cima de tudo e todos, causando um racha dentro da coligação de longa data, obrigando muitos a rasgar acordos verbais. A verdade é que nem Marta, nem Alckmin estão interessados em serem prefeitos, e qualquer coisa que venham a declarar não será o bastante para nos fazer acreditar. Triste que a disputa pelo controle do maior PIB do país estará concentrada em gente que deseja encurtar seus caminhos aos seus objetivos. Mais justo seria a população se concentrar em outros candidatos, e entre eles se destaca o atual prefeito Gilberto Kassab que então vice de Serra, segue a linha de projetos e decisões duras (e muitas impopulares), trabalha em prol de seus interesses políticos para permanecer no cargo e ganhar não só visibilidade como também tornar o DEM um partido em São Paulo e não apenas uma sombra do PSDB. Há também Soninha que chega ao PPS com o único desejo de ser prefeita, calcou sua curta história política num discurso de ética e principalmente em sair da mesmice que nos governa. Ela traz idéias jovens, oxigena nossa política, e entre seus erros e acertos, está aí como uma possibilidade que pode ser desastrosa como também inovadora. E eis que aparece também ressurgindo das trevas Paulo Maluf, não vou perder uma linha com esse cidadão, porque não é necessário falar sobre ele, só a tristeza da eterna constatação de como ainda há eleitores que apóiam o famoso Rouba, mas Faz e que acreditam que a construção de pontes e avenidas é a única importância para uma administração municipal. Os demais candidatos são nanicos na disputa, entre eles Ivan Valente do Psol, provavelmente devem ser meros coadjuvantes dentro dessa disputa que promete novamente uma ampla guerra entre petistas e tucanos, se nada mudar sensivelmente, meu voto já está escolhido para o primeiro turno.

(Hard Eight, 1996 - EUA)

A câmera segue num plano-seqüência, vai fechando na porta de uma lanchonete onde focaliza John (John C. Reilly) sentando na porta, no chão, desolado. Era o caminhar de Sydney (Philip Baker Hall) que acompanhávamos, trocam uma breve conversa até sentarem-se numa mesa. Estão em Las Vegas, John perdeu o pouco dinheiro que tinha, sua idéia era conseguir a quantia necessária para o funeral da avó, Sydney promete ajudá-lo com um pequeno truque no cassino. Surge uma grande amizade, dois anos adiante John é praticamente um seguidor do amigo, porém Paul Thomas Anderson guarda o segredo que os uniu nessa amizade, e ele é revelado pelas relações dos dois com a garçonete/prostituta Clementine (Gwyneth Paltrow) e o leão-de-chácara Jimmy (Samuel L. Jackson). Anderson estreava na direção de forma surpreendente, com um roteiro enxuto, algumas tomadas lindas e todo um virtuosismo que estaria presente em seus próximos filmes. Uma história de paternalismo forçado por um passado obscuro acontecendo num ambiente onde tudo fede a dinheiro e interesses escusos.

Numa semana de poucas estréias, talvez até seja possível encarar os clássicos de Lamorisse, seria ótimo. Na Cinemateca uma interessante mostra intitulada A Comédia do Poder, com filmes em película como Cidadão Kane, O Grande Ditador e o filme de Chabrol que dá título à mostra. E eu não me animo muito, mas tá rolando Anima Mundi também.


Arquivo X - Eu quero acreditar (The X Files: I Want To Belive) - Não vou ler nada, não quero saber de nada, sempre acompanhei o seriado com a dupla Scully e Mulder e não vou perder essa estréia por nada, mesmo acreditando que se trata de um episódio um pouco esticado dirigido pelo criador da série, Chris Carter.

Ao Entardecer (Evening) - sabe quando você olha, olha, e só consegue enxergar mais um daqueles dramas açucarados da Sessão da Tarde? Ingredientes que devem garantir bom números de bilheteria nesse drama onde uma senhora, prestes a morrer, relembra histórias da sua vida para suas duas filhas.

Space Chimps - Mico nos espaço (Space Chimps) - um bando de chimpanzés enviados pela NASA para descobrir vida no espaço. Preciso dizer alguma coisa?

Era uma vez... - O novo filme de Breno Silveira promete ser uma Romeu e Julieta em morros cariocas. Sinceramente cansei dessa história da menina rica se apaixonar pelo pobre da favela, não que isso não possa acontecer, mas já vi essa história no cinema outras vezes, agora chega.

(The Seeker: The Dark is Rising, 2007 - EUA)


Quando Hollywood descobre um tipo de filme, pronto lá vem uma enxurrada das mesmas histórias repetindo-se ao léu, dessa safra que Senhor dos Anéis, Harry Potter e principalmente Nárnia criaram é que surgiu este filme dirigido por David L. Cunningham. Will Stanton (Alexander Ludwig) é mais um desses adolescentes heróis, uma forma de conquistar o público juvenil criando neles uma sensação de proximidade, de possibilidade de ser ele também um caçador de signos. A luta é da Luz contra a Escuridão, só Will pode encontrar os seis signos que farão a Luz tornar-se mais poderosa que sua inimiga Escuridão. Entre viagens no tempo, tentações românticas, disputas familiares, e animais asquerosas, surge essa aventura que de ritmo agradável e roteiro tedioso termina daquele jeitão que você conhece muito bem. Quanta imaginação!

(La Fille Coupée en Deux, 2007 - FRA)


Sem dúvidas Claude Chabrol é um dos cineastas mais refinados da atualidade, e se um dos fatores que evidenciam essa característica é a meticulosa obsessão pela classe aristocrata, há outros atributos que o perfazem como tal, o humor negro, a câmera soberba, a elegância de personagens, roteiros e desfechos. Se não, como observar a cena final que sela, ou melhor, que legitima o título dessa intrigante história baseada em fatos reais ocorridos na primeira década do século passado.

O que fez Chabrol foi atualizar o tempero do triangulo amoroso, Gabrielle Aurore Deneige (Ludivine Sagnier) é a garota do tempo de uma emissora de tv que simultaneamente flerta com o consagrado escritor Charles Saint-Denis (François Berléand), casado e bem mais velho que a jovem, e com o playboy bon-vivant Paul (Benoît Magimel). Gabrielle apaixona-se por Charles, um deliberado colecionador de aventuras amorosas e jogos sexuais, enquanto o ricaço arrogante derrama-se em declarações de amor.

Infelizmente o filme não engrena, os clichês dos dois envolvimentos amorosos de Gabrielle são o único subterfúgio do cineasta, além é claro do refinamento diferenciado de seu cinema (conforme citado acima). A visão de Chabrol da aristocracia e a forma como ele a evidencia é o esmero onde nossos interesses devem confrontar-se, a câmera trafegando pelos ambientes, os diálogos precisos, tudo tão elegante e bem colocado que a falta de contundência não nos causa desconforto, e nem grande prazer.

Não sei exatamente o que estou querendo com esse post já que não tenho categoria nenhuma para falar bem ou mal do aclamado livro de José Saramago. Por isso vou tecer dois ou três comentários, esperando atentamente a estréia em Setembro da adaptação capitaneada por Fernando Meirelles aos cinemas. O que posso dizer é que quando comecei a ler, achei que fosse um livro pessimista, de uma visão negativa da alma humana, o que se provou ao contrário, Saramago tem essa mágica maneira de nos obrigar a uma leitura pausada, que quanto mais catastrófica, mais cheia de esperança parece se tornar. A população de uma metrópole vai cegando, o grande centro urbano tornar-se-á um selvagem centro de batalha pela sobrevivência, e os escrúpulos se vão à medida que as necessidades humanas precisam ser saciadas.

Dentro desse raciocínio, onde o escritor tira um elemento para provar todo o desmoronamento do sistema conforme o conhecemos, são possíveis diversas conclusões, ou reflexões, e para tanto a narrativa tão incisiva é relevante na parcimônia do texto. Expectativas são um problema, e as minhas eram altíssimas, talvez esperasse uma absoluta e decisiva visão da alma humana (e suas esferas negativas), mas Saramago não é o ingênuo que sou eu, e por isso ele cria o caos paulatinamente, para nos fazer refletir, e só então entender que seu livro é uma brincadeira, um aposto dentro daquilo que nossas mentes podem enxergar como um futuro aterrorizante e a mulher do médico é tão somente nós mesmos sofrendo do horror daquela situação, desde os momentos hediondos, até os mais límpidos e reluzentes de uma nem tão heróica sobrevivência.

(The Dark Knight, 2008 - EUA)

Christopher Nolan dirigiu um filme alucinante, o assalto a banco da primeira cena é apenas o prefácio de um filme longo que passa num tiro, são duas horas e meia que não se dá conta que se foram, tamanha agilidade na narrativa. E porquê não, capacidade de entreter. Um filme de ação para ninguém botar defeito. Passada a primeira frenética impressão, o fôlego retorna e o filme começa a se assentar, e então suas imperfeições passam a ser mais evidentes. Nolan esquematizou tudo em duas bases: roteiro e cenas de ação. No roteiro criou-se uma série de acontecimentos que oferecem ramificações não só para esse filme, como para suas continuações, explicações para as origens dos vilões, pequenas aparições de vilões anteriores, isso sem perder o foco no homem da vez: Coringa. Contudo, Gotham está infestada de mafiosos, e surge um promotor incorruptível que pretende colocar atrás das grades os bandidões, eis a figura de Harvey Kent. No meio disso, a continuação tão frágil do caso de amor de Bruce e Rachel, dessa vez um triângulo.

Se o roteiro dá cabo de toda essa série de coisas acontecendo, as seqüencias de ação são realmente eletrizantes, porém Nolan acelera tanto que há cenas em que se torna impossível distinguir o que está acontecendo, é pancadaria deliberada sob a noite sombria de Gotham. Aliada a canastrice cada vez mais exagerada de Christian Bale, temos um terreno completamente livre para Heath Ledger brilhar, e como brilha. Seu Coringa é um debochado, um genioso e astuto ladrão daqueles que nunca tem nada a perder, e suas idéias infalíveis parecem vindas dos HQ e dos desenhos infantis que marcaram minha infância. A lentidão no modo de falar, as expressões, Ledger barbarizou e a cena do interrogatório coloca todas as cenas de ação no bolso (isso sem falar nele vestido de enfermeira).

Há ainda duas discussões que Nolan teima incessantemente, uma é a discussão do herói, a necessidade da população em ter figuras cristalinas para focar suas esperanças, e essa lenga-lenga cansa. Outro ponto são as bombas colocadas em dois navios que tenta coloca um alento na discussão da alma humana, o egoísmo, e tantos outros valores que num momento tão "delicado" como aquele são colocados a prova de maneira tão leviana, e com um resultado tão clichê.

A verdade é que O Cavaleiro das Trevas é uma epopéia épica do morcegão que chega a viajar para a China atrás de um bandido, enquanto faz seu tipo playboy para os holofotes. Entre tantos erros e acertos, resta um filme empolgante, um exímio exemplar de cinema de ação, que nos deixa atordoados pelo filme como um todo, e por um vilão que nasceu inesquecível.

Semana fazendo curso, portanto vou ter q apertar o fim de semana para assistir o que mais interessa, filmes atrasados e outros interessantes vão acabar ficando de fora definitivamente.

Batman - O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight) - estou evitando ler muita coisa sobre a nova aventura do homem-morcego, gosto de Batman Begins (gosto do que vi de Christopher Nolan até hoje) e se o novo filme já causaria interesse, há todo o burburinho sob a última atuação de Heath Ledger, vou conferir hoje mesmo.


Uma Garota Dividida em Dois (Le Fille coupée en deux) - também não vou deixar de conferir no fds o novo filme de Claude Chabrol, deve ser mais uma característica comédia de humor negro do cineasta, tratando de um triângulo amoroso entre uma apresentadora de tv, um jovem ricaço e um senhor de meia-idade.

Nome Próprio - o elogiado novo trabalho de Murilo Salles seria presença certa numa semana normal, agora estou quebrando-a-cabeça para conferir. Leandra Leal como uma aprendiz de escritora, uma espécie de biografia sobre uma jovem corajosa, apaixonada.

As Aventuras de Molière (Molière) - olho com profundo desinteresse, talvez por saber que é impossível assistir a tudo que gostaria, talvez porque nada me parece interessar, posso estar enganado e sendo preconceituoso com o Shakespeare francês.

A Ilha da Imaginação (Nim's Island) - filminho infantil com Jodie Foster vivendo como uma escritora reclusa numa ilha do Pacífico. Só em cópias dubladas. Sinceramente? Passo.

Maus Hábitos (Malos Hábitos) - drama mexicano sobre uma família com vários disturbios alimentares.

Sábado, ao meio-dia, no Espaço Unibanco, uma das maiores obras-primas do cinema, Um Filme Falado, de Manoel de Oliveira.

(La Graine et Le Mulet, 2007 - FRA)

Ainda estou digerindo todo o esplendor humilde desse painel rico e inegavelmente significativo que nos oferece o novo filme de Abdellatif Kechiche. Porque não é fácil encontrar num único filme a quantidade de temas, e principalmente a perspectiva leve e profunda de encará-los, cuja urgência atual estejam tão vigentes. Slimane Beiji (Habib Boufares) nos serve de vértice, dele Kechiche instigará a investigação da situação dos assalariados aposentados na França, a imigração, a comunidade árabe e sua representatividade. Isso sem falar na maneira de abordar uma família, não aquelas gélidas, mas um estilo que estamos habituados a encontrar por aqui também, onde todos se intrometem na vida dos outros, onde os problemas explodem, onde o paternalismo sente vergonha por depender dos outros.
Só que o cineasta não reverte tudo isso num drama acachapante, e sim num tom leve de comédia, um sonho de um senhor que perdeu o emprego e resolve abrir um restaurante (abrindo espaço para a discussão da burocracia, da inveja). Só que o prato principal será feito pela ex-esposa (cuscuz com peixe), causando ciúmes na sua atual mulher (assim como a família têm ciúmes do novo relacionamento do pai). Como foi possível perceber, trata-se de um filme de redes complexas, desfile de personagens e dramas, momentos que vão nos relembrar nossas próprias famílias, em outros vão nos incomodar como se sentíssemos na pele as dificuldades (exemplo da nora verborrágica desabafando ao sogro reclamações do marido, o roubo da mobilete) de cada um daqueles personagens que formam esse painel social de uma comunidade que cultiva seus costumes nessa heterogênea nação que se tornou a França.
Os minutos finais são desesperadores, aos poucos pequenos detalhes se mostram bem maiores, o roteiro nos guardava uma tensão inesperada, o sonho que se torna pesadelo, e entre a pasmaceira da indecisão, Rym (Hafsia Herzi) confirma o que já vinha acontecendo ao logo do filme e rouba com propriedade a cena. Abdellatif Kechiche construiu um filme que é a negação da esperança, de uma realidade tão crua que choca, uma proximidade das relações familiares, sociais, do cotidiano de uma comunidade, mas esse sentimento só vem depois, quando começamos a depurá-lo em nosso íntimo.

A diretoria da empresa onde trabalho construiu no andar de cima, além de mais escritório, um mini-auditório com 36 lugares, para palestras, treinamentos e etc. É uma mini sala de cinema, uma delícia de lugar para assistir filmes, com tela grande, equipamentos legais e o som ótimo. O pessoal da empresa (não é grande, uns trinta funcionários) ficava brincando que tínhamos que fazer um cinema ali para uso do pessoal. Um dia desses, estava em casa assistindo A Casa do Lago quando o dvd travou, no dia seguinte era meu rodízio e ficaria preso na empresa até as 20h, então resolvi levar o filme para tentar assisti-lo lá. Algumas pessoas acabaram ficando até onde seus compromissos permitiam, a idéia foi aprovada, e dali em diante cobranças para sessões planejadas surgiram. Combinamos de assistir Homem-Aranha 3, e além de uma galera animada, rolou pipoca e tudo mais. É díficil acertar horários livres para a maioria, inclusive o meu, então essas sessões são raras, um dos diretores adorou e incentivou que eu trouxesse filmes diferentes, que a maioria não costuma assistir em casa, e assim vim com A Liberdade é Azul que quem viu adorou. Ontem nova sessão, infelizmente algumas presenças garantidas desmarcaram, outros tiveram que viajar a trabalho, não importa o filme argentino estava escolhido, mas quando chego à locadora não tinham mais o DVD de Valentin do Alejandro Agresti. Fiquei um tempão até escolher Família Rodante do Pablo Trapero, fiquei preocupado se acertara no filme, e novamente quem viu gostou muito. Sinceramente é muito prazeroso, tanto pelo espaço ser mais que propício para ver um filme (lembra muito a sala 2 do CineBombril, só que menor), quanto pelos comentários após o filme e tudo mais (fora que quem pode ver um filme argentino no trabalho?). Mas a noite não acabara, infelizmente não iria encontrar com a Patroa ontem, então dali corri para a Reserva para conferir O Segredo do Grão, ir ao cine sozinho era algo que não fazia desde o ano passado, e claro que acompanhado seria melhor, mas eu gosto de estar ali, olhar os pôsteres, ficar enrolando até o filme começar. E, posso afirmar que não foi em vão, que filme belíssimo, que esplendor, nos próximos dias escrevo sobre os dois filmes, mas ontem foi uma noite cinéfila, dessas que eu gostaria de repetir, repetir, repetir, o próximo título do Cineclube da empresa já foi escolhido, Amores Brutos, agora falta só agendar a data.

(Le Scaphandre et le Papillon, 2007 - FRA)

História verídica do editor da revista Elle francesa, que ao sofrer um ataque cerebral se vê preso a uma cama de hospital, capaz apenas de movimentar o olho esquerdo. O cineasta Julian Schnabel tinha tudo para nos trazer um melodrama sobre superação, força-de-vontade, ou apenas causar dó e tirar lágrimas do público. Ao invés disso trocou a câmera de posição, colocando-a, na maior parte do tempo, como o olho esquerdo de Jean-Dominique Bauby (o sempre excelente Mathieu Amalric) de onde enxergamos seu mundo, entendemos sua visão, ouvimos seus pensamentos e má-vontade diante de suas impossibilidades. Entre suas memórias e o encontro com familiares e amigos, entendemos não só a figura de Jean-Do, como todo o processo de confecção do livro a qual o filme foi baseado. Dentro de um tema tão doloroso, Schnabel evita os limites, foge dos momentos capitais e dos clichês óbvios, resultando num retrato bonito e não-extravagante de um homem que viveu a vida a seu modo e sobreviveu mediante o possível dentro daquilo que o próprio denominou seu escafandro.

Este filme ficou semanas em pré-estréia, e nada de ser lançado. Agora nem em pré-estréia está mais, uma pena que o circuito (e conseqüentemente muita gente) perdeu essa pérola do cinema, o melhor exemplo de um pequeno grande filme.


(Emma's Bliss / Emmas Glück, 2006 - ALE)

A premissa desgastada não fará mal algum ao deslumbre de singeleza e delicadeza. Max (Jürgen Vogel), diagnosticado com câncer terminal, decide viver intensamente seus últimos dias de vida, rouba dinheiro e parte em busca do México, mas seu carro em alta velocidade cai numa fazenda. Na fazenda vive a eterna solitária Emma (Jördis Triebel), sempre cortejada pelo policial da pequena cidade alemã a jovem divide seus dias aos cuidados com a fazenda, dando todos os sinais e vivendo por viver, assim não há sorriso em seu rosto, a cozinha é de dar nojo, suas roupas são trapos maltrapilhos, praticamente uma selvagem. Do acidente vem o destino uni-los, uma relação conflituosa, amorosa, nasce o amor capaz de transformar personalidades, em mudar humores e reviver sentimentos que hibernavam há tempos.

Sven Taddicken demonstra um talento curioso em unificar com primazia o clima bucólico do lugar, a necessidade de carinho dos dois, a trilha sonora (Damien Rice), os enquadramentos simples que fogem do óbvio e principalmente as transformações geradas com o decorrer do relacionamento. O amor pode ser a ressurreição, mesmo que o fim esteja próximo, e a analogia que marca a cena que abre e encerra o filme forma um momento de beleza rara, incomum, inesquecível.

Contratempos familiares bagunçaram a programação, com isso a ansiedade para ver O Escafandro e a Borboleta perdura até hoje (mas não deve passar de hoje não), com isso os dois clássicos franceses estão saindo da minha programação de prioridades (que pena).

O Segredo do Grão (La graine et le mulet) - premiado no último Festival de Veneza, o novo filme de Abdellatif Kechiche (gostei do seu A Esquiva) trata de relações familiares, imigração, culinária, problemas sociais, e obviamente terá minha presença obrigatória nos próximos dias.

O Advogado do Terror (L'avocat de la terreur) - pra lá de interessante este documentário traçando o perfil e tratando da vida de um advogado que aceitou defender alguns dos clientes mais abomináveis da sociedade. Entre seus clientes o ditador Iugoslavo Slobodan Milosevic, o terrorista conhecido como Chacal, se desse tempo conferiria com certeza..

Caótica Ana (Caotica Ana) - filme do Julio Medem, gosto de Lucia e o Sexo e nos próximos dias devo conferir Os Amantes do Círculo Polar. Estava bem interessado no filme, mesmo sem saber muito, mas o trailer me decepcionou, ou melhor, me causou medo pelo que está por vir. Visões, reencarnação, uma homenagem à irmã do cineasta que faleceu recentemente. Estou profundamente desanimado.

Pequenas Histórias - uma espécie de junção de quatro curtas ligados pela narração de Marieta Severo, o novo filme de Helvécio Ratton aparenta ser promessa de uma deliciosa incursão no mundo imaginário infantil com história de sereia, papai-noel e muito mais.

Quem Disse que é Fácil (¿Quién dice que es fácil?) - comédia argentina envolvendo dois vizinho, um homem metódico e quadrado e uma fotografa que se atira (sexualmente) no novo vizinho. Típico filme que ainda me pergunto como tem gente que tem coragem de filmar algo tão banal, improvável e repetitivo.

Agente 117 - Uma aventura no Cairo (OSS 117: Le Caire nis d'espions) - uma espécie de 007 à francesa, comédia de trailer desanimador resgatando um personagem francês já muito antigo que não vingou mundialmente até então.

Viagem ao centro da Terra - O filme (Journey to The Center of the Earth 3D) - o primeiro filme em 3D produzido com atores reais. Não vou gastar um segundo com isso, nem em leitura.

Não sei exatamente quais as razões que motivaram o prefeito dessa cidade interiorana paulista em tentar transformar su município num pólo industrial de cinema no Brasil. Digo isso porque fiquei sabendo que sua filha está apresentando um curta, mesmo assim os planos e os investimentos são muito maiores do que um interesse político em tentar alavancar uma carreira de uma filha (que pode ter talento). O que importa é que além de um interessante festival acontecendo por lá essa semana, só com filmes brasileiros e alguns títulos bem interessantes (Os Desafinados, Nossa Vida não Cabe num Opala, Feliz Natal, Onde Andará Dulce Veiga?), há um grande investimento em infra-estrutura para que a cidade se transforme no centro da filmagens de cinema no país. Pelo que li, as instalações foram inauguradas com algumas cenas de Cegueira (Blindness), o novo filme de Fernando Meirelles, mas outros filmes de diretores importantes também passaram ou estão passando pela cidade. Só tenho a torcer para que esses investimentos possam oferecer condições favoráveis para que o cinema nacional cresça e se firme cada dia mais. Por enquanto aguardemos quem será o vencedor do prêmio Menina de Ouro ao melhor filme do festival.

Mais infos, visitem o site do festival

Filmes: Revisões

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Finalmente criei vergonha na cara, por motivos financeiros e particulares e também a fase de fracas estréias no cinema que nesse período é contaminada por blockbsuters. Assim tenho conseguido assistir aos dvd's que amigos me emprestaram, ou que ganhei/comprei ultimamente, fora os filmes que tenho feito download (mas estes ainda não comecei, acabando os da prateleira primeiro). E finalizando, tenho dado prioridade para alugar alguns fimes obrigatórios a todo cinéfilo e que ainda estava devendo. E nessa fase, tem surgido algumas revisões, já que muitos dos filmes adquiridos já sou fã. Nessa revisão, os quatro filmes abaixo permaneceram tal qual as impressões anteriores, como afirmando minha opinião sobre cada um deles.

Minha Adorável Lavanderia ((My Beautiful Laundrette, 1985 - ING)
De teimoso que sou, me dei mais uma chance ao filme e infelizmente continuo não gostando, principalmente das interpretações (excetuando Daniel Day-Lewis) terríveis. Por mais que as cenas homossexuais não sejam banalidades, o restante me parece mal-arrumado, forçoso, demasiadamente literal.


Os Bons Companheiros (Goodfellas, 1990 - EUA)
Continua sendo meu Scorsese preferido, de uma maestria nos travellings, cenas sangrentas e "românticas", aquela vibração da máfia, o paternalismo dos chefões. E a atualização dos crimes com a realidade da década de oitenta (entrada das drogas). Isso sem falar em Joe Pesci, fabuloso. Filme para assistir sempre, pelo humor refinado, pela reconstituição da época, pela urgência dos personagens, por tudo.

Os Infiltrados (The Departed, 2006 - EUA)
Estava na locadora buscando uns filmes do Kieslowski e acho que me deparei com o original chinês, uma coceira para pegar. Também pudera, Scorsese acertou em cheio nesse filme vigoroso, intricado, onde você ama e odeio cada um dos personagens e sofre com o que pode estar prestes a acontecer.

Conduta de Risco (Michael Clayton, 2007 - EUA)
Na revisão você perde a surpresa do final, nada que possa atrapalhar esse thriller sobre grandes corporações em graves crimes ambientais. O legal é ter um protagonista com um que de loser.

(Sunset Boulevard, 1950 - EUA)

Um morto boiando na piscina, uma história sobre poder, fama, dinheiro, uma Hollywood que esconde entre seu glamour pessoas em jogos de interesses sem escrúpulos. Billy Wilder nos conduz com maestria pelos grandes aposentos da mansão de Norma Desmond (Gloria Swanson), uma decadente estrela do cinema mudo que não conseguiu encontrar seu espaço no cinema falado. Ali ela conhece, por acaso, um roteirista em início de carreira, Joe Gillis (William Holden), que encontra num roteiro mal-escrito pela atriz, a chance de tirar sua barriga da miséria.
Dessa situação inusitada, Wilder aproveita para dissecar o poder e seus meandros, a eterna discussão por dinheiro ou felicidade. Mas, a engenhosidade do roteiro é tamanha, que nos minutos finais abre-se outra perspectiva, e percebemos que até ali, tudo não passava de um mero caminho para o grande desfecho que a acidez a trama guardava maquiavelicamente a seus personagens, não deixa de ser uma maneira triunfal de bater no velho chavão de que o bem sempre vence, e o único personagem que lutava por causas eticamente corretas, Max von Mayerling (Erich von Stroheim), é aquele a escapar do filme trágico.

(Je Vous Salue Marie, 1985 - FRA)

Insisto, mas infelizmente não me atraio totalmente aos filmes de Jean-Luc Godard desde a década de 80 (exceção feita a Elogio ao Amor), porém é inegável que seus pontos de vista e seus temas são altamente interessantes. Aqui o cineasta traz à modernidade o nascimento de Cristo, para isso engravida a uma jovem virgem, jogadora de basquete, filha de um dono de posto de gasolina e um estúpido anjo Gabriel tenta fazer com que o namorado taxista entende e aceite a situação. É um filme sobre espiritualidade, e Godard com seu estilo oblíquo, indireto, "artístico", jamais deixa as coisas claras. Simultaneamente há outra história, de um professor de ciências que tem um caso com uma aluna e acredita que somos extraterrestres enviados do espaço para povoar o planeta. É óbvio que esta história é antônima a de Maria, e com tamanhas diferenças, Godard polemiza a religiosidade, abordando principalmente as tentações e incertezas da jovem virgem que carrega em seu ventre um filho divino, ao mesmo tempo em que vive suas fantasias, desejos e a libido que teima em tentar-lhe.

Assim como A Banda tinha ficado de lado na semana anterior, semana passada foi o português Dot.Com, pior ficar com aquela sensação de escolha errada quando optei por assistir Lady Jane (agora não adianta reclamar). A patroa quer ver Amar... Não Tem Preço e ainda estou com comichão para encarar Wall-E, portanto vai faltar espaço na agenda para tanto. E antes de encerrar, queria me desculpar pelo sacrilégio de ter esquecido de destacar as sessões no HSBC Belas Artes de A Noiva Estava de Preto, de François Truffaut, um filme delicoso e que era imperdível.


Do Outro Lado (Auf der Anderen Seite) - Fiquei um pouco decepcionado com o último filme de Fatih Akin, havia gostado de Contra a Parede, mas deve fazer sucesso no circuitinho. Segue texto escrito na última Mostra.


Duas histórias inter-cortadas por um exagero de coincidências (aquelas artimanhas de roteirista), o título se refere a uma constante ida e vinda dos personagens entre Alemanha e Turquia, relações familiares e toda uma abordagem política sobre situação sócio-econômica são temas também bastante presentes. Em meio a isso Fatih Akin progride num caminho lento, por vezes contemplativo, só que levemente artificial. Perdemos tempo demais em acontecimentos envolvendo tribunais, posicionamentos políticos e temas recorrentes a esses, enquanto a carga dramática mais rica que seria essa relação pais-filhos entre os três núcleos familiares apresentados ganha apenas as cenas em que o cineasta sonha serem definitivas e geniais.


O Escafandro e a Borboleta (Le Scaphandre et le Papillon) - aguardando ansiosamente a estréia do filme de Julian Schnabel que concorreu a 2 Oscars (se não me engano) e tem Mathieu Almeric encabeçando o elenco, nem preciso ficar lendo ou pesquisando sobre o filme, é presença garantida.


O Balão Vermelho (Le Ballon Rouge) e O Cavalo Branco (Crin blanc: le cheval sauvage) - uma preciosidade essa reestréia dos dois médias-metragens dirigidos por Albert Lamorisse, falta só encaixar na agenda porque vontade de conferir é o que não falta.


Kung Fu Panda (Kung Fu Panda) - vem com muito marketing e uma aposta pesada da Dreamworks para ser a grande animação do ano, mas em sua cola sua repercussão não muito animadora.


Hancock (Hancock) - um super-herói escroto, um trailer que também já enjoei. Não, não e não, ver o Will Smith com cara de bêbado e arrotando não faz o minha cabeça.

Festivais: Gramado

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A 36º edição do Festival de Gramado ocorrerá entre dos 10 e 16 de Agosto, aquele que já foi o festival mais importante de cinema e hoje se esforça para perder o estigma de desfile de globais e filmes fracos que não conseguem nem distribuição no cinema. Nos próximos dias serão divulgados os concorrentes latinos, por enquanto os nacionais numa seleção bem interessante encabeçada pelo sempre presente Domingos de Oliveira, a estréia na direção de Matheus Nachtergaele (que esteve em Cannes na Mostra Un Certain Regard), um paternalismo com o filho de Glauber Rocha e o muito falado filme de Murilo Salles, além do novo filme de Tabajara Ruas e Paulo Pons (que infelizmente desconhecia até então).

Filmes selecionados
Longas Nacionais:

1 - JUVENTUDE, de Domingos Oliveira
2 - NOME PRÓPRIO, de Murilo Salles
3 - VINGANÇA, de Paulo Pons
4 - A FESTA DA MENINA MORTA, de Matheus Nachtergaele
5 - NETTO E O DOMADOR DE CAVALOS, de Tabajara Ruas
6 - PACHAMAMA, de Eryk Rocha

Curtas Nacionais
1 - AREIA, de Caetano Gotardo | São Paulo/SP - 35mm
2 - BLACKOUT, de Daniel Rezende | São Paulo/SP - 35mm
3 - BOOKER PITMAN, de Rodrigo Grota | São Paulo/SP - 35mm
4 - DOSSIÊ RÊ BORDOSA, de Cesar Cabral | Santo André/SP - 35mm
5 - ESPALHADAS PELO AR, de Vera Egito | São Paulo/SP - 35mm
6 - HIATO, de Vladimir Seixas | Rio de Janeiro/RJ - HD
7 - HOMENS, de Lúcia Caus e Bertrand Lira | Vitória/ES - 35mm
8 - NOITE DE DOMINGO, de Rodrigo Hinrichsen | Rio de Janeiro/RJ - 35mm
9 - O PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS, de Camilo Cavalcante | Recife/PE -35mm
10 - OSÓRIO, de Heloísa Passos e Tina Hardy | São Paulo/SP - 35mm
11 - SUBSOLO, Jaime Lerner | Porto Alegre/RS - 35mm
12 - UM RIDÍCULO EM AMSTERDÃ, de Diego Gozze | São Paulo/SP - 35mm

Os homenageados da 36ª edição

Troféu Oscarito oferecido pela VIVO
Walmor Chagas

Troféu Eduardo Abelin
Júlio Bressane

Kikito de Cristal
Julio Garcia Espinosa (Cuba)

Homenagem Especial do Festival de Gramado
Renato Aragão


Mais informações no site do festival.

A primeira reação é de alívio, finalmente a ex-senadora e ex-candidata a presidência da Colômbia foi libertada do sequestro que durava havia 6 anos. A franco-colombiana Ingrid Betancourt era mantida na selva amazônica e funcionava como o grande trunfo de poder para que as Farc's obtivessem maior atenção estrangeira e poder de barganha pela comoção da sociedade internacional (vários países, principalmente a França, tentaram interceder a favor da liberação dos reféns mantidos em cativeiro na selva). Desde o sequestro, o presidente Álvaro Uribe já foi eleito e reeleito, começou com discurso de dureza contra os revolucionários e sabiamente alivou a corda em muitos momentos. Agora as explicações de um show pirotécnico da SWAT (exército colombiano) para libertação de 15 reféns, tentam colocar Uribe e os militares como salvadores da pátria, mas depois da entrevista coletiva e da repercussão internacional é hora de raciocinar um pouco sobre o fato, os motivos e a situação política do país. Ou melhor, o que está por trás desse resgate que não foi tão espetacular assim (sem tiros, sem luta). Algum acordo entre governo e guerrilheiros? Falta de comando ocasionando em desestruturação do movimento guerrilheiro? Qual o futuro político da Colômbia? Podem ter certeza de que há razões políticas e com o desenrolar dessa história teremos clarividência das verdadeiras razões. Uma coisa é certa, Ingrid Betancourt será presidente da Colômbia, talvez não nas eleições de 2010 (será que fará uma pequena alteração na Constituição para concorrer ao terceiro mandato?), agora é hora de comemorar e tentar resgatar sua vida.

Como havia dito na semana passada, recebi o convite para uma entrevista na tv, o programa Tvendo e Aprendendo seria ao vivo ontem, ou melhor, aconteceu (e foi divertido, com boas matérias com Carla Camurati, Eduardo Coutinho e muito mais). Eu que não pude comparecer, e a razão é simples: peguei uma gripe de lascar, febre alta, tontura, dor no corpo e uma voz irreconhecível. Com todos esses sintomas, como poderia enfrentar 3 horas de estrada, dar a entrevista nesse estado patético e no fim da noite mais 3 horas de estrada? Muitos dizem que se trata da Lei de Murphy, eu só ficava preocupado no quanto estaria prejudicando o pessoal da produção do programa, já que odeio não honrar com minha palavra, mas felizmente tudo se resolveu bem e conseguiram encaixar alguém na região para preencher a lacuna. A vaidade de aparecer na tv, não me faria enfrentar tais condições e aparecer nesse estado na tv, não tenho vaidade para tanto, o chato é explicar para os amigos que ligaram a tv para ver o programa e não me encontraram. Paciência, imprevistos acontecem, mas tinha que ser logo ontem? rs

Estou para completar 1 mês aqui no Verbeat, e parece que as mídias estão me encontrando. Ontem recebi dois convites, um da Brazucah produções para comparecer na pré-estréia de Era uma Vez, novo filme de Breno Silveira e ainda participar de um bate-papo com o diretor e equipe. A estratégia de lançamento é uma campanha em que blogueiros divulgariam o filme, já que comentam após ter assistido (creio eu).

Já a MovieMobz me encontrou e convidou para o lançamento do site e dos serviços que pretendem colocar à disposição, desde uma rede de relacionamento no site, até a possibilidade de se escolher um filme (novo, clássico, raro, não importa) e conseguir uma sessão no cinema de acordo com sua escolha. É uma novidade nessa área de exibição e vamos aguardar pelas novidades que podem trazer algumas raridades ao público diferenciado (como eu), para lançar tudo isso bolaram uma sessão do filme de Godard, Sympathy for the Devil,, com jornalistas e convidados. Infelizmente não posso comparecer em nenhum dos dois eventos, sou apenas um sujeito normal que trabalha no horário comercial e leva uma vida quase igual a todo mundo, só tenho uma obsessão maior por assistir filmes. Que pena, se não fosse no horário do trabalho...

Cinema: Lady Jane

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(Lady Jane, 2008 - FRA)

Robert Guediguian preparou um falso filme policial, na verdade um estudo sobre vingança e principalmente as reações que a mesma desperta. As raras cenas de ação, são lentas, preguiçosas, possivelmente bastante realistas. Seu teor é irrelevante ao cineasta que está muito mais interessado em dar drama à mãe que vê seu filho sequestrado e mais tarde percebe estar sofrendo vingança. Muriel (Ariane Ascaride) reaproxima-se de dois amigos que juntos formavam uma quadrilha que se separara quando num dos assaltos a vítima fora assassinada por um deles. O que se vê no filme de Guediguian (além da frieza e crueldade de uma cena capital), é uma mulher profundamente triste, um homem (Jean-Pierre Darroussin) vendo despertar uma paixão do passado e um terceiro (Gérard Meylan) pacato no falar, no andar, porém não no agir. O título faz referência à música do Rolling Stones, mas nada no filme chega a nos causar qualquer emoção a não ser um leve bocejar.

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Michel Simões