junho 2008 Archives

Cinema: Agente 86

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(Get Smart, 2008 - EUA)

Os créditos iniciais com o futuro agente passando por aquelas portas que se abrem num corredor interminável, trouxeram um ar de nostalgia das remotas lembranças da antiga série na tv. Mas aqui o humor está mais atualizado, o diretor Peter Segal teve o cuidado de atualizar ao tipo de cinema que estamos acostumados atualmente, e a ingenuidade do Agente 86 recebe altas conotações sexuais (todas elas concentradas em Anne Hathaway) que nos fazem soltar leves sorrisos. Ainda assim, algumas gags tiram gargalhadas, e aquele absurdo de trama e principalmente de cenas de ação ridículas, estão sempre enlameadas desse humor que nunca nos faz esquecer que aquilo é um sátira. E até a crítica política chega com bom gosto. Com todos esses adjetivos, o saldo de um filme focado em Steve Carrel é positivo e Peter Segal deve sair com sensação de missão cumprida (os nerds são hilários).

Festivais: Veneza

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Com a notícia de ontem, diria que foi dada a largada para a próxima edição do Festival de Veneza. Foi divulgado que o presidente do juri será o cineasta Wim Wenders, a 65ª edição do evento ocorrerá entre 27 de Agosto e 6 de Setembro e há algumas notícias sobre um boicote do cinema italiano numa forma de protesto às novas medidas de financiamento adotadas pelo governo (logo agora que os italianos obtiveram bom destaque na competição oficial de Cannes). Agora é aguardar os selecionados.

A geografia paulistana é assim, você quer assistir A Banda, mas devido aos compromissos, transito e distâncias, o máximo que você consegue é encarar Agente 86 noum shopping. E foi a única ida ao cinema na semana.


Wall-E (Wall-E) - é a animação de um robozinho que pelos trailers já deu para perceber que roubou o olhar do Gato de Botas. No futuro o planeta ficou altamente tóxico e Wall-E é o último robô planejado para limpar lixo pelo planeta. Vai disputar com Kung Fu Panda, as atenções das férias, e como é Pixar, sempre pode render bons momentos. Grandes chances de me levar ao cinema.


Dot.com (Dot.com) - comédia portuguesa aparentemente muito interessante. Sempre fico interessado nessas histórias pequenas, singelas, e com um quê de divertido. Ao ler sobre o filme, me lembrei de Narradores de Javé (só um palpite). O favorito do fim de semana.


Lady Jane (Lady Jane) - uma trama policial, envolvendo vingança sob a direção de Robert Guédiguian, desperta bom interesse essa história de um bando de ladrões voltando a ativa para salvar o filho de um deles de um sequestro.


A Última Amante (Une vielle maîtresse) - filme de época francês trata da sexualidade feminina. Há alguns meses me interessaria mais, agora nem tanto. Fala-se em algo parecido com Ligações Perigosas, e numa cineasta que discute abertamente a sexualidade. É óbvio que teremos um triângulo amoroso, é óbvio que a reconstitução de época e figurinos sejam irretocáveis, é óbvio que alguns dos personagens não pecam por escrupúlos no âmbito sexual.


Onde andará Dulce Veiga? - Este suspense brasileiro sobre uma cantora que desapareceu misteriosamente não me comoveu durante a Mostra, e sempre torço o nariz para ler sobre ele, pode ser implicância, mas não me cheira bem.


Amar... Não Tem Preço (Hors de Prix) - Esse trailer também vi, e quem me conhece sabe da minha queda por filmes franceses, mas esse aqui não foi capaz de me comover. Só porque é falado em francês, não o livra do estigma de comédia tola e clichê por mais que vá lá tenha sua graça.

A Força da Amizade (Bonneville) - e o que falar dessa comédia geriátrica que deseja ser um road movie de auto-descoberta. Distância.


Jogos de Amor em Las Vegas (What Happens in Vegas) - já vi o trailer com Cameron Diaz e Ashton Kutcher várias vezes, aliás cansei de ver o trailer e aquelas piadas ridículas. Não quero assistir de jeito nenhum, passo longe dessa garantida tranqueira.


Vale destacar também, na Cinemateca, duas pequenas Mostras:
Philippe Garrel - 01 a 05 de julho de 2008
Robert Bresson - 01 a 06 de julho de 2008

TV: Entrevista

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Alguns dias atrás, estava eu checando meus e-mails, quando me deparei com um endereço desconhecido, e aliás bem estranho. Remetente de uma emissora de tv? Coisa esquecida! E o dito não estava a me convidar para uma entrevista sobre cinema brasileiro e sobre minha paixão por cinema? E cá estou eu, preparando-me para na próxima terça-feira (01/07) estar na TV Aparecida para dar a tal entrevista (que deve durar uns 15 minutos). Eu morro de vergonha, se tenho que falar para mais que três pessoas gaguejo, como sílabas, pulo palavras, um horror, fora que de costume falo rápido demais (nem dormia direito quando tinha seminário na escola, ficava mal do estômago e tudo mais). Mas, agora não tem mais jeito, a Patroa insistiu, não me deu espaço para pestanejar e eu já confirmei presença. Vai ser uma peregrinação porque o programa é ao vivo e tenho que pegar mais de 2 horas de estrada, mas tá valendo, agora é esperar o que vou aprontar. Portanto, quem puder, assista, porque parece que será muito legal, no programa haverá atores, produtores de cinema, gente do meio.

Segue abaixo alguns infos sobre o programa e como sintonizá-lo.

O programa Tvendo e Aprendendo faz parte da grade de programaçao da Tv Aparecida, emissora ligada ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida. O Tvendo é um programa temático e a cada edição tratamos de um tema, no dia 1 de julho, às 21h, iremos falar sobre Cinema Brasileiro. A Tv Aparecida está no ar desde setembro de 2005. É possível sintonizá-la na região do Vale do Paraíba em canal aberto, em todo o Brasil por meio de antena parabólica e também no canal 28 da Sky. Será que é possível ver pela internet?

Lembrando que o programa é ao vivo, tem 2 horas de duração e vai ao ar 21h.

Finalmente o candidato democrata foi escolhido (aliás ele lidera as pesquisas de intenção de voto até o momento) e agora começa aquela que deve ser a campanha mais milionária e acompanhada do mundo, e principalmente a campanha mais vermelha, azul e branca. Se alguém está cansando de ler o nome Obama a cada vez que entra na internet, prepare-se porque está só começando e com ele vão vir os absurdos do racismo racial, religioso e etc. Aprendemos na escola que os democratas são os bonzinhos e os republicanos os maus. Sendo assim, toca torcer para Barack Obama e olhar para John McCain como o vilão da história. Eu sinceramente tenho andado indiferente às notícias, não tenho que votar em ninguém, não vou influenciar o voto de ninguém, e no fundo, no fundo, acho que não vai mudar muita coisa colocando este ou aquele nome. Obama tem descendência muçulmana, negra, pelo rótulos é o samba do crioulo doido para qualquer norte-americano conservador (será que existem os não-conservadores?), já McCain é ex-combatente da Guerra do Vietña, lutou pela pátria, e carrega a imagem de George W. Bush ligada à sua. Mas vocês acham mesmo que aquele norte-americano sulista está preocupado com a Guerra do Iraque e com os absurdos cometidos por essa anta que está no trono norte-americano? Óbvio que não, essa discussão sobre retirar tropas, sobre situação de imigrantes vai ocupar muito espaço na mídia, vai fazer muito barulho mundo a fora, mas os eleitores estão preocupados é com a economia, com o seu bolso e não o que brasileiros, sérvios ou indonésios estão pensando sobre a política bélica do seu país. E o país está em crise financeira, o dólar caiu pelo desfiladeiro e não consegue se apoiar em nada para tentar reerguer-se. Por isso que Bush foi reeleito, porque a economia andava bem, e a indústria militar a aquecia ferozmente, agora com problemas, o FED mexendo aqui e ali, o Obama deve sim ganhar essa eleição, na esperança de que os prumos financeiros do país que é o motor desse planeta volte aos seus rumos. E eu? Vou preferir continuar sem saber se a melhor opção seria Obama ou McCain.

Filmes: O Suspeito

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(Rendition, 2007 - EUA)

Sempre a mesma conversa, um diretor estrangeiro consegue algum destaque no Oscar e já é contratado por Hollywood para mais um daqueles filmes de roteiro apostilado. Dessa vez foi o sul-africano Gavin Hood, e o tema do momento é terrorismo, então a história tem que ligar alguma coisa com Oriente Médio, EUA e a terra-natal do diretor. O filme até trata de um tema interessante que é prisão temporária (apenas desaparecem com a pessoa do mapa, sem informar a família ou quem que seja sobre a prisão e investigação) aos suspeitos de terrorismo. Dessa vez um engenheiro química casado com uma americana é levado ao Egito para o tal interrogatório, simultaneamente narra-se a história da filha do policial egípcio que cuida do interrogatório que está envolvida com um homem-bomba. E para fechar o cerco, um burocrata da CIA (Jake Gyllenhaal) que cuida do caso no Cairo. O filme é um emaranhado de flashbacks e histórias de pessoas envolvidas e desgostosas com a situação de terror atual, talvez o mais interessante seja a garra da grávida (Reese Witherspoon) que busca informações de seu marido na Casa Branca, sem vergonha de encarar os que dão ordens de suas cadeiras confortáveis (Meryl Streep). De resto, não passa de diversão de segunda mão, com música irritante e personagens clichês em momentos nada inspirados.

(My Gueisha, 1962 - EUA)

O filme de Jack Cardiff é diversão para Sessão da Tarde, singelo em seu ritmo e na presença cativante e também irritante de Shirley MacLaine, a história de vestir-se de gueixa para enganar o marido e provar que tem talento poderia parecer inovadora na época, hoje soa boboca. A quantidade de confusões que a nova identidade acarretará são clichês mais do que esperados e tudo correrá nesse ritmo de banho-maria até o final que chega a ser uma doce declaração de amor fazendo com que tudo continue um mar de rosas. Típico filme de Hollywood, diversão para as massas que não buscam nada além de entretenimento num conto de fadas.

Estreiando um post que pretendo fazer toda sexta-feira, comentando minhas expectativas sobre as estréias da semana. Nessa aqui há filme que já vi na Mostra SP, e quando tiver filme que já vi coloco texto também. Há tempos que mando um e-mail para amigos com as estréias, então só vou alongar um pouco isso no blog, copiando descaradamente meu amigo Ailton Monteiro.


A Questão Humana (La Question Humaine) - sem dúvida uma das grandes estréias do ano, filme visto na Mostra SP. Conhecendo apenas dois filmes excelentes de Nicolas Klotz, já desejo um mergulho imediato em sua filmografia. Obrigatório.

Nicolas Klotz oferece um dos filmes mais esquemáticos e intrigantes dos últimos tempos, nada está claro nessa trama que faz ensejo de se tornar uma conspiração empresarial para adiante demonstrar-se um estudo da questão humana, dos princípios de humanidade; criando uma analogia fascinante entre administração corporativa e o massacre nazista. Se toda a estrutura não-clara das questões transforma-se num deleite a cada nova seqüência, a mise-en-scene de Klotz e sua habilidade em nos oferecer cenas curtidas, com cortes precisos, nos permitindo o tempo ideal, faz com que o resultado final torne-se um diamante polido, estritamente bem cuidado, e bem capaz de nos deixar atônitos ao final de suas prospecções (e a trilha sonora então, genuinamente escolhida para enriquecer cada espaço entre silêncio e som).


A Banda (Bikur Ha-Tizmoret) - está comédia tem grandes chances de me levar ao cinema, a história parece ser sobre uma banda egípcia que em viagem para tocar em Israel acaba no destino errado sociabilizando-se com a população local.


Cinturão Vermelho (Redbelt) - David Mamet escalou a dupla de atores brasileiros que fincou seus pés de Hollywood, Alice Braga e Rodrigo Santoro. A história de um mestre de jiu-jitsu e seus valores éticos ante fama (ou sei lá a ligação de Hollywood nessa trama), sinceramente não me anima.


Personal Che (Personal Che) - um documentário sobre Che e seu mito, interesse zero.


Agente 86 (Get Smart) - mais uma adaptação para o cinema de um seriado de tv das antigas. Com o sucesso dos seriados recebemos essa terrível enxurrada de cinema comercial de qualidade duvidosa. Quero distância.


Casamento em Dose Dupla (Smother) - mais uma daquelas comédias besteirol desencorajadoras e provalvemente sem-graça, com Diane Keaton e Liv Tyler


O Guerreiro Didi e a Ninja Lili - nem vou comentar, não merece uma linha a mais do que isso.


Romulus, meu pai (Romulus, My Father) - filme australiano que desconheço completamente. Típica situação que merece uma lida em algumas críticas e alguma movimentação de amigos para quem sabe encontrar descobrir algo interessante. Por enquanto uma grande interrogação.


Enquanto isso na Reserva Cultural uma pequena mostra de filmes franceses que chegarão no circuito nas próximas semanas, o principal destaque é O Escafandro e a Borboleta. E na Cinemateca uma mostra de cinema japonês, filmes de Takeshi Kitano, Hirokazu Kore-eda e outros.

Hoje já tenho um conhecimento maior, ainda faltam muitas descobertas é verdade, ou aprofundamentos em cinematografias, mas já tenho alguma bagagem de conhecimento. Refrescando a memória, lembro-me bem da primeira experiência com o cinema de Glauber Rocha, a expectativa, a insegurança de talvez não curtir a obra daquele que antes de Fernando Meirelles e Walter Salles era realmente o único cineasta brasileiro de expressão mundial (cultuado por gente como Martin Scorsese). Na época falava-se da restauração de seus filmes e posterior lançamento em dvd (que hoje vem acontecendo), e numa dessas pequenas mostras ministradas pela Cinemateca fui finalmente fazer minha premiére no tal do Glauber (uma idéia na cabeça e uma câmera na mão). O filme era O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro e aquela cópia velha, gasta, cheia de riscos coloridas verticais não foi capaz de me desanimar e principalmente de prejudicar aquele que considero o meu filme nacional preferido. Na sala vazia uma garota de onze anos assistia sozinha (sua tia havia colocado-a para assistir enquanto ela ficava no café, além dela poucas pessoas presentes assistindo uma obra sem precedentes, aos poucos fui conhecendo alguns dos outros filmes de Glauber, mas nenhum deles superou a visão que tive dessa história fantástica de um nordeste de faroeste, um povo de fé (na religião, nos cangaceiros, em sua ética), a literatura de cordel, o show de imagens e cores fortes. Como o filme foi restaurado e está em cartaz no Frei Caneca Unibanco Artplex (não sei até quando), aproveito então para destacar o link com o texto que escrevi há muito tempo atrás, numa forma de homenagear o filme e quem sabe fazer alguém se interessar em conhecê-lo na versão em dvd.

Filmes: Yol

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(Yol, 1982 - TUR)

Pesquisando rapidamente sobre o filme, algo me faz notar que ele tornou-se muito mais importante por seu contexto histórico do que por suas qualidades em si. Parte se deve ao diretor Yilmaz Güney que praticamente o dirigiu de dentro da prisão (direção dividida com Serif Gören), mas principalmente pelo momento político e a vitória em Cannes que o impulsionou a uma importância gigantesca.
Trata de cinco presos que ganham liberdade por uma semana e no reencontro com seus familiares ou na busca por resolver alguns problemas, temos um retrato da sociedade turca à época. Tanto do ponto de vista da repressão militar, quanto das discussões sobre honra, os direitos de maridos e esposas dentro daquela sociedade machista. Personagens que nos confundem, imagens abusando das sombras e um ritmo lento por demais acabam diminuindo toda a potência das histórias. Poderia ser um filme inesquecível, mas a economia nas emoções de algumas cenas faz com que imaginemos as situações porém não sintamos na tela o que elas estão exatamente representando.
Um filme sobre tragédias numa espécie de road movie por um país em frangalhos, no aspecto político, social, financeiro, militar e familiar. Uma população reprimida, com sentimentos e vidas reprimidas por uma tradição que os sufoca e ainda assim os faz seguir em frente renegando e aceitando-a a cada instante, uma estranha relação com o que se aceita e como se deve agir.

Toda semana é a mesma rotina, além de verificar as estréias da semana, sempre faço uma busca pelos filmes em cartaz no intuito de encontrar algo interessante ou que esteja escondido pelo circuito de cinema (ou por alguns cineclubes). Infelizmente nas últimas semanas essa tem sido uma tarefa árdua e decepcionante já que a entresafra marca a chegada dos Blockbuster e portanto poucas coisas interessantes, mas tudo bem, não vem ao caso. Voltando à peregrinação pela programação semanal, eis a grande surpresa quando me deparei com a grata de surpresa de encontrar na programação do novo cinema Cinemark Metro Boulevard Tatuapé a estréia do filme Um Homem Perdido (que também estreiou na Reserva Cultural). O Tatuapé vem se tornando um bairro de pessoas mais abastados, recentemente ganhou um hospital São Luis, e ao meu ver a estréia de um filme francês no novo e chique shopping é um sopro de esperança cultural pelas bandas da zona leste paulistana. Mas pensando bem, pode-se ir além, há duas semana que está em cartaz Angel de François Ozon no Cinemark Metrô Santa Cruz. Não estou conferindo a programação das outras salas, mas será que há uma ponta de esperança, e que será possível encontrar vida útil no cinema fora do eixo da Av. Paulista? Que ótima notícia a possibilidade de no futuro encontrar perto de sua casa um filme que não seja a mesmice de sempre, sem ter que enfrentar 30 minutos de trânsito (não que eu reclame da Paulista, adoro aquele lugar, mas várias vezes perdi sessões porque sabia que seria impossível chegar lá a tempo).

Nunca passara pela minha cabeça de ir ao ginásio ver um jogo de vôlei, mas quando foram anunciados os jogos a Patroa e a Sogra já ficaram na expectativa pela venda dos ingressos. No sábado, pela tv, vi um Brasil iniciando os trabalhos rumo às finais da Liga que serão no RJ e ao grande evento do ano (Olimpíadas), num sufoco sem muito suor ganhamos da Sérvia (que poupava os três remanecentes do seu grande time anterior). Para o jogo de domingo o Brasil começou com sua equipe reserva e a Sérvia novamente poupando seus jogadores, cuidando de uma fase de renovação de uma equipe que promete continuar entre as melhores. Assistindo do ginásio, entre os gritos histéricos das adolescentes e um público muito familiar e tranqüilo (repleto de casais com bebês no colo), o maior destaque é o show de animação que a torcida (e os animadores promovem). No meio da arquibancada é esticada uma rede e com duas imensas bolas de volei a torcida joga aquela bola por todos os lados, ou a enorme bandeira que desce entre os torcedores, as músicas animadas, os gritos e hinos, a torcida por ace a cada saque da seleção. O Zécare que preso no teto do ginásio sai voando pela quadra no intervalo assustando até mesmo os jogadores que mantinham aquecimento. Muito se fala do show nas partidas da NBA, esse é o nosso, guardadas as devidas proporções financeiras os jogos de vôlei da seleção masculina são nossa NBA (vendem até pipoca de microonda no pacote). Concluindo, assistir ao vivo é uma experiência que se repetirá tranquiliamente, e com certeza nos momentos mais decivisos de campeonatos o jogo deva ser ainda mais emocionante, porque mesmo no tie-break eles pareciam em ritmo de treino, inclusive os adversários do banco de reservas contavam piadinhas e riam entre eles. Entre os jogadores, Samuel parece apto a ganhar espaço na equipe, Anderson e Murilo que se cuidem.

Ranking: Anos 2000

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Novamente a Liga dos Blogues Cinematográficos se reune para escolher os preferidos entre os filmes lançados numa década específica, e dessa vez a seleção é para a década vigente (valendo filmes lançados até 2007). Eis a minha lista com os preferidos, ela ficou bem eclética por acaso, com filmes asiáticos, norte-americanos, europeus, brasileiros, ficção, animação, documentário, drama, comédia romântica... Críticas, discordâncias, ausências? Sempre existirão, mandem suas impressões, mas que esses filmes são excelentes, ah como são...

Caché (2005), Michael Haneke

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Um Filme Falado (2003), Manoel de Oliveira

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Antes do Por do Sol (2004), Richard Linklater

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Amor à Flor da Pele (200), Wong Kar-Wai

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Oldboy (2003), Park Chan-wook

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Réquiem para um Sonho (2000), Darren Aronofsky

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Dolls (2002), Takeshi Kitano

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Casa Vazia (2004), Kim Ki-Duk

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Dogville (2003), Lars Von Trier

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10º Cidade dos Sonhos (2001), David Lynch

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11º Cidade de Deus (2002), Fernando Meirelles
12º Amores Brutos (2000), Alejandro González Iñarritu
13º 21 Gramas (2003), Alejandro González Iñarritu
14º As Horas (2002), Stephen Daldry
15º Arca Russa (2002), Aleksandr Sokurov
16º O Melhor da Juventude (2003), Marco Tulio Giordana
17º Segunda Feira ao Sol (2002), Fernando León Aranoa
18º Embriagado de Amor (2002), Paul Thomas Anderson
19º Ônibus 174 (2002), José Padilha
20º Monstros S/A (2001), Peter Docter/David Silverman

(The Devil Wears Prada, 2006 - EUA)

Então era isso? Aquele mundo de futilidades sendo retratado com tanta pose e o máximo que se pode fazer a defender toda essa frivolidade insignificante é uma fala da Meryl Streep em que ela defende essa indústria porque ela gira milhões de dólares e emprega muita gente. O filme dirigido por David Frankel tem sim um ritmo bom, aquela batida que nos faz passar o tempo de forma agradável, seja pelas músicas pops, seja pelos personagens tão clichês que de tão familiarizados nos sentimos em terreno seguro, seja que porque há humor e por mais óbvio nos faz rir, seja porque a megera Miranda Priestly é durona e "insensível" (e depois vai obviamente mostrar seu lado humano sem perder a pose) e vamos sempre ficar torcendo para que tudo dê certo para a simpática e lutadora Andy Sachs (Anne Hathaway). Personagens fracos e mal-desenvolvidos são parte da tônica, se bem que eles pouco importam, o que vale é dizer que aquele é o emprego do sonho de milhares de garotas, e que no fundo bem no fundo, tudo que vale é moda, e aqueles que se dizem indiferentes à moda na verdade sentem certo tipo de inveja, ah me poupem!

Só pode ser praga, chegar pela manha no trabalho e o servidor estar com problemas. Resultado? Todo mundo sem nada para fazer falando do assunto da noite anterior. Então a gente sofre com o futebol sofrível, com o resultado triste, com os fogos madrugada à fora e ainda o computador não ajuda para a gozação ser intensificada pela manha, corinthiano sofre viu!
Mas falando do jogo, time que entra para perder de pouco não merece ser campeão, e não acredito que seja culpa do técnico ou de alguém em especial, uma equipe que entra com uma postura dessas, rifando a posse de bola e preocupando-se apenas em recuar seus 11 jogadores na altura da meia-lua, não é uma equipe que mereça um título desse porte. O Sport jogou mal, mostrou-se incapaz, e ainda assim marcou os dois gols necessários para o título, foi um jogo em que nenhum dos dois merecia ganhar, um pela covardia em jogar seu jogo e o outro pelas fraquezas de seu próprio futebol que ontem baseou-se na vontade, no chuveirinho, na raça, e na fase altamente positiva da equipe na Ilha do Retiro. Se o Sport merece o título é pelo retrospecto no próprio campeonato, derrubando os favoritos em seus domínios, mas longe, muito longe de mostrar um bom futebol que o fizesse ser merecedor de tal façanha. Futebol é assim e agora não adianta reclamar de expulsões, ou de penalti, o Corinthians jogou para perder de pouco, mas o pouco virou muito e deu no que deu. Parabéns para Nelsinho Baptista que teve coragem de mudar seu time com vinte minutos, e dentro das limitações técnicas, melhorar e muito o nada que estava sendo apresentando até aquele momento. Final pequena, não por sua importância, mas sim pela qualidade técnica dos times que a disputaram, ainda acho que a Copa do Brasil deveria mudar de calendário com a Mercosul, nada de tirar os times da Libertadores porque sem os melhores clubes do momento, temos um campeonatinho de times tão mixurucas.

Não existe um corinthiano nesse planeta que acreditava durante a disputa do Campeonato Paulista (principalmente após o jogo com o Noroeste) que ao entrar em Junho veria seu time entrando com grande vantagem no jogo final da Copa do Brasil, com um pé na Libertadores do próximo ano. E tendo ganho todos os jogos da fraca (perante sua atual equipe) Série B. O que mudou em poucos meses? O trabalho de Mano Menezes na formação da equipe começou a surtir efeito, algumas contratações mostraram-se acertadas, a torcida e seu onírico "não pára, não pára, não pára" novamente se tornou o décimo segundo jogador e mexeu com os brios da equipe? Não sei, talvez a conjunção disso tudo, aliados àquele jogo contra o Goiás que fez o time sair das trevas e chegar onde está, capaz de transformar em treino de luxo o primeiro jogo da final de uma equipe que derrubou os favoritos Internacional e Palmeiras. Os detratores podem dizer sobre segunda divisão, etc e tal, não importa, está todo mundo vendo que a onda corinthiana está pegando, que o time joga bem (prova disso foi o confronto de igual para igual com o Botafogo, que não é uma equipe de causar suspiros, mas trata-se de um time competitivo), e que as chances de título hoje são mais que reais (aquele golzinho sofrido no final foi a esperança do Sport, e deixou sim a final em aberto). Se o resultado do jogo de hoje for positivo, estaremos blindados de todas as gozações e críticas das demais torcidas por um tempo, porque a ferida do ano passado que marcou nosso coração parece que começa a cicatrizar, que o ano nebuloso que prometia ser este, nem vai ser tão ruim assim e que os estádios vão continuar lotados até dezembro, e como vão.

Sob várias esferas a história se repete comigo, estou sempre atrasado, quando criança fui o último a ganhar um videogame, nem cheguei a ter uma Força Laser, semprei assistia aos filmes do Stallone ou Van Dame depois de todo mundo, fui um dos últimos a ter celular, e etc. Mas, principalmente, quando se fala de música, estou sempre muito muito atrasado. Quando todo mundo já está enjoado de ouvir, então começo a engatinhar para só depois ouvir sem parar, parece uma situação cíclica e crônica, que na verdade não me incomoda, mas bem que eu poderia me ligar um pouquinho mais e ouvir ao mesmo tempo que a grande onda, facilitaria a minha cara de desconhecimento em muitas situações. Foi assim, por exemplo, recentemente com Cat Power e Feist, e quem sabe será com Amy Winehouse e Joss Stone (digo será porque preciso gostar primeiramente). Na semana passada baixei algumas coisas das duas, da Amy Winehouse eu já adorava Rehab e de resto um grande desconhecimento, da outra então nada.

Tenho uma outra mania, a de nunca gostar de uma música, um disco, quando ouço pela primeira vez, mas também depois da terceira é melhor desistir porque não gostei mesmo. Falando especificamente da Amy Winehouse, comecei com The Other Side of (ok, provalvemente eu tenha começado errado), e sinceramente não me animou no primeiro momento. Teimoso, baixei Back to Black que também não estava me conquistando (exceção é claro a Rehab), mas agora pouco ouvi Cupid e desliguei o carro com um sorriso no rosto e a sensação de que aquele vozeirão potente pode trazer-me alguns momentos bem agradáveis. Agora é questão de esperar.

de Casa Nova

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Desde março de 2001 lá se vão alguns bons anos entre textos e mais textos sobre cinema (seja em blog, seja em outros meios pela internet). O amigo Tiago Casagrande me convidou para fazer parte deste condomínio de blogs, e pensei porquê não? O antigo CineNetCom era um nome provisório que inventei há alguns anos só para colocar no ar um site do hpg que eu tinha construído, e por pura preguiça ele foi ficando, ficando, e perdurou por tantos anos. Eu sinceramente achava horrível, mas ele já estava marcado e pronto. Agora nessa nova fase, em nova casa, finalmente batizei meu blog com um nome propriamente dito. E Toca do Cinéfilo é uma expressão que usei por um bom tempo para definir o próprio apartamento onde moro, e o blog não deixa de ser minha casa, a casa dos meus pensamentos, das minhas impressões sobre cinema, dos meus gostos e do meu ser, portanto o nome me parece que vem bem a calhar. O que vem com a mudança? Não sei, não planejei nada ainda, veremos com o tempo, o que importa é que estou animado e mudança sempre trazem novos ares. E falando em mudança, 2008 vem intensificando-se como um novo ano de mudanças, o namoro que se iniciou aos quarenta e cinco do segundo tempo do ano anterior, está mais do que forte, virou noivado. E o apartamento que antes não passava de um dormitório com amplos espaços em branco, pouco-a-pouco vai ganhando cara de lar com os novos móveis e enfeites que semanalmente preenchem os espaços e nossas escolhas. É uma fase muito gostosa, escolher tapete, rack, com cor combina com o que, é verdade que o lado financeiro é complicado e nos impede de comprar tudo que gostaríamos, porém lentamente vamos escolhendo tudo ao nosso gosto, preparando o casório para o ano que vem.

Se já não bastasse essa que é uma baita mudança na vida e a decisão mais importante da vida até aqui, outras menores vem ocorrendo, como uma aproximação maior com a família, e também estou acompanhando alguns seriados enlatados norte-americanos (rs, coisa que não fazia até pouco tempo, por isso planejo um post específico sobre as séries que estou acompanhando e os motivos). Ainda falta muito para ficar perfeito, arrumar tempo para estudos e amigos é muito importante.Bem-vindos à Toca do Cinéfilo, que como sempre primará pela sinceridade nos textos, sejam eles extensos, ou curtos, cinéfilos ou não.

(Buffallo Bill and the Indians or Sitting Bull's History Lessons, 1976 - EUA)


Tento evitar, porém a cada vez que me recordo de Buffalo Bill (Paul Newman), é a figura de Beto Carrero que associo. Robert Altman almejava uma crítica irônica e ácida ao governo e porque não à parte da população norte-americana, para isso criou uma espécie de show onde o caçador de índios (Buffalo Bill) demonstra seus dotes para a platéia num espetáculo com cavalos, lutas e obviamente os vilões indígenas. Mas o negócio anda mal e numa jogada de marketing eles contratam o famigerado e legítimo índio Touro Sentado. Só que o índio tem seus planos (e isso envolve o presidente do país) e principalmente seus costumes que não se enquadram. Altman perde-se num filme parado e quase nada atraente, repleto de personagens desnecessários ou de pouca importância para o andamento (mesmo que tenham importância para ressaltar o verdadeiro espírito que o cineasta almejava alcançar, de um povo tolo, repleto de pessoas ingênuas e hipócritas que entretêm com um show falso, mentiroso, todo planejado para fazer da figura de Buffalo Bill um verdadeiro herói nacional, alguém já viu isso antes?).

(The Chronicles of Narnia: Prince Caspian, 2008 - EUA/RU)

Lutas épicas voltadas ao público infantil, cavaleiros e suas espadas, catapultas, animais falantes e outros seres incríveis lutando contra a administração tirana dos humanos que tomaram Nárnia algum tempo depois da saída dos irmãos Pevensie. O segundo filme, novamente dirigido por Andrew Adamson, é quase todo ação, por isso que a graciosa irmã caçula perde espaço no roteiro para Pedro, o irmão mais velho que dessa vez anda metido a valentão. No primeiro filme havia uma delicadeza em inserir o público ao mundo de Nárnia e as criaturas criadas pelo escritor C. S. Lewis, havia também uma doçura com personagens e com as descobertas dos irmãos. Neste aqui são lutas e mais lutas, e um roteiro repleto de arestas mal-ajambradas porque o intuito é ver as espadas duelando e pouco importa se por exemplo o desaparecimento de Aslam tem ou não alguma lógica. E como filme de ação, os efeitos especiais são magníficos, mas crianças duelando facilmente contra milhares de soldados é brincar demais com o bonito mundo de fantasia proposto.

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v e r b e a t  b l o g s

Michel Simões