Aonde iremos chegar no quesito perfeição dos efeitos especiais? O aprimoramento parece não ter fim e realmente me impressionou nas cenas com o fauno (James McAvoy). O diretor Andrew Adamson assume a fábula infantil e segue a cartilha eficazmente, tanto na doçura dos heróis infantis (em especial a doce e pequenina Lúcia Pevensie (Georgie Henley)), quanto nos personagens que ajudam os quatro irmãos nessa aventura dentro de Nárnia. E também nos pontos negativos potencializados por clichês, uma governanta mal-humorada e uma vilã caricata (Tilda Swinton).Talvez seja o apelo da brancura da neve, mas aquele guarda-roupa como porta de entrada para Nárnia transforma-se num delicioso e instigante portal rumo ao desconhecido e sem dúvida capaz de remeter a tantas fantasias nas mentes cheias de imaginação do público infantil. Claro que se comparados aos épicos, as lutas parecem tolas, guarde as proporções a exatamente qual público o filme se direciona e verá que este primeiro capítulo da saga possui todos os ingredientes necessários para seu público (boas doses de aventura, humor, suspense, intrigas); fora todo o aspecto histórico da fuga das crianças devido a Segunda Guerra Mundial que mesmo com a ingenuidade de muitas passagens do filme, acaba muito bem caracterizada e honesta.
maio 2008 Archives
Aonde iremos chegar no quesito perfeição dos efeitos especiais? O aprimoramento parece não ter fim e realmente me impressionou nas cenas com o fauno (James McAvoy). O diretor Andrew Adamson assume a fábula infantil e segue a cartilha eficazmente, tanto na doçura dos heróis infantis (em especial a doce e pequenina Lúcia Pevensie (Georgie Henley)), quanto nos personagens que ajudam os quatro irmãos nessa aventura dentro de Nárnia. E também nos pontos negativos potencializados por clichês, uma governanta mal-humorada e uma vilã caricata (Tilda Swinton).Talvez seja o apelo da brancura da neve, mas aquele guarda-roupa como porta de entrada para Nárnia transforma-se num delicioso e instigante portal rumo ao desconhecido e sem dúvida capaz de remeter a tantas fantasias nas mentes cheias de imaginação do público infantil. Claro que se comparados aos épicos, as lutas parecem tolas, guarde as proporções a exatamente qual público o filme se direciona e verá que este primeiro capítulo da saga possui todos os ingredientes necessários para seu público (boas doses de aventura, humor, suspense, intrigas); fora todo o aspecto histórico da fuga das crianças devido a Segunda Guerra Mundial que mesmo com a ingenuidade de muitas passagens do filme, acaba muito bem caracterizada e honesta.
(Made of Honor, 2008 - EUA)
Olhar para sua premissa é um convite ao temor do que lhe aguarda, porque essa figura do homem lindo e sexy, rico, que não repete mulheres e não precisa de esforço para consegui-las já não é mais clichê de tão ultrapassado. E nesse perfil falso e bem-humorado é que p cineasta Paul Weiland insere a figura de Tom (Patrick Dempsey), só que há algo de especial nos atores, nos personagens, no clima em si, não sei ao certo, que possui o estranho mistério de nos cativar (talvez seja o jogo de basquete dos amigos, onde cada um ao seu jeito expõe seus problemas, e aquilo se transforma numa terapia, chegando mesmo a um grupo de atuo-ajuda para recuperar o grande amor da sua vida que vai se casar com outro, o tal dilema do filme). Por essas e por outras, que um filme recheado de absurdos, de acontecimentos tipicamente cinematográficos, de piadas gastas, ainda assim tem seu charme e principalmente possui subterfúgios para nos fazer rir, para nos fazer divertir, chegando até a torcer pelo desenlace positivo de um casal que insiste em dizer não quando todos sabem que deveriam dizer sim. E por mais tolas que sejam as soluções encontradas pelo roteiro para levar esses grandes amigos a perceberem o quanto seus destinos deveriam entrecruzar-se, há sim graça e um filme que acima de tudo não ousa ser maior do que sua proposta.
(The Elefant Man, 1980 - EUA)
A verídica história de John Merrick (John Hurt), um homem sofrendo de um inimaginável caso de deformidade atingindo praticamente 90% do seu corpo. Usado como atração de horror num circo pelas ruas de Londres, apanhando e tratado como monstro por seu "tutor". Pelas mãos do médico, Frederick Treves (Anthony Hopkins) passa a ser tratado como ser humano e demonstrar sinais de inteligência que até então estavam trancafiados em seu cérebro amargurado por uma vida emocionalmente enjaulada. De centro das atenções das massas, passa ao mesmo ofício para a alta sociedade londrina. Merrick teve sua auto-estima recuperada, porém sua dignidade continuara sendo usada por interesses, curiosidades, e por tantas malevolências humanas. David Lynch oferece um drama cansativo e monótono, focado nos próprios clichês que a história absurda e tão crível nos oferecem de bate-pronto. Toda a vida de John Merrick é de um absurdo sem tamanhos, exposto a todos os mais cruéis estados de tratamento, e o filme em preto e branco alivia o que nos oferece ojeriza, mas não consegue passar de uma história triste que nos faz ter pena.
(La Cité Des Enfants Perdus, 1995 - FRA/ESP/ALE)
A dupla de diretores Jean-Pierre Jeunet e Marc Caro caracteriza-se principalmente por um universo estético muito peculiar que permite a seus filmes serem autorais, e principalmente únicos. A fotografia com aspecto plastificado, tons fortes e vivos, privilegiando o verde musgo e outros tons mórbidos, especialmente se harmoniza perfeitamente com os temas, personagens e principalmente temáticas adotadas. Aqui a história guarda um quê de crítica social novamente, mas ainda peca pela ingenuidade no roteiro, pele excesso de coincidências, por uma visão cinematográfica menos espalhafatosa dos cineastas.
Numa medonha torre vive um homem chamado Krank (Daniel Emilfork) que seqüestra crianças para tentar roubar-lhe os sonhos, tal homem é criação de um inventor (Dominique Pinon) que desapareceu deixando inúmeros clones de si quando percebeu que nada que criava conseguia sair exatamente como gostaria (uma princesa anã, o tal homem que não consegue dormir por só ter pesadelos e etc). Na cidade a população vive como ruminantes, e One (Ron Perlman) um caçador de baleias (com ajuda de uma garota esperta) parte em busca do seu irmãozinho que fora seqüestrado. Novamente é na visão futurista e pessimista do planeta que Jeunet e Caro consegue equalizar seu conto de fadas e nos oferecer massa crítica e diversão moderada.
(Iron Man, 2008 - EUA)
Como todo primeiro filme de superherói, este aqui se preza ao burocrático trabalho de explicar as origens do Homem de Ferro e o cineasta Jon Favreau passa da dose nos detalhes e nos oferece um filme que seria por demais arrastado e repetitivo não fosse um detalhe primordial: Robet Downey Jr. O ator remete um sarcamo e humor ao personagem que por mais simples que seja a cena, sempre merece uma atenção extra a um possível movimento, fala, qualquer detalhe que Robert Downey Jr possa imprimir. No final a porrada descamba e os fãs se deliciaram, eu fico com o humor e irreverência do protagonista, já que os demais personagens são bobos, caricatos e exagerados (exceção feita a Gwyneth Paltrow). Neste mar de idas e vindas, o saldo é positivo, Tony Stark vem aí, que no próximo vá direto ao que interessa.
(Cum Mi-am Petrecut Sfarsitul Lumi, 2006 - ROM/FRA)
O diretor Catalin Mitulescu trata sua história por vias meio tortas, como quem não quer ir direto ao assunto. Por isso a adolescente rebelde Eva Matei (Doroteea Petre) é expulsa da escola e vai para um reformatório onde conhece jovens que tentam fugir da Romênia (nos últimos dias de Comunismo) cruzando o rio Danúbio. A família força que ela reate o namoro com o filho de um policial já que ele teria condições financeiras mais favoráveis. Sob os olhos do irmão mais novo enxergamos as últimas mudanças que estão prestes a acontecer, a queda da ditadura, de uma maneira pueril e agridoce. Tudo meio confuso, tudo razoavelmente interessante, desde as condições de vida da classe média, até a presença permanente do governo na vida das pessoas e a comemoração do fim do governo Ceauscu. Uma fórmula gasta dentro de uma estrutura irregular fazem com que o grande atrativo do filme seja seu retrato político e social.
(Breath / Soom, 2007 - COR)
Uma mulher submetendo-se a uma vida trancafiada entre o noticiário da TV, o artesanato e os cuidados da filha pequena, descobre a infidelidade do marido. Numa forma de buscar vingança e também sentir-se viva, saindo desse aquário criado por ela própria busca no oposto uma sobrevida, aproximando-se de um condenado à morte que tentara a pouco novamente o suicídio. Nessa estranha relação Kim Ki-Duk afunda seu ultimamente desgastado cinema, num mar de simbologias rudimentares e falsidades moralistas. Seu estilo de cinema continua presente, protagonistas que utilizam o silêncio como forma de expressão, o retorno das estações do ano para expressar sentimentos e pequenos detalhes que almejam alcançar o status rotulável de “cinema de arte”. Nesse processo Ki-Duk transforma vilões em mocinhos, um homem agressivo e infiel brinca na neve com a filha em sua redenção após descoberta de sua relação extraconjugal, como se o mundo fosse assim fácil. O cineasta está muito mais preocupado em manter seu estilo, sonhando que suas metáforas continuam pertinentes e inteligentes, o que já foi lindo em seu cinema atinge aqui o constrangedor.
(Cassandra's Dream, 2007 - ING/EUA)
Dois irmãos frustrados, Ian (Ewan McGregor) trabalha no restaurante do pai e Terry (Colin Farrell) é mecânico de autos. A montagem de início é excessivamente acelerada, os fatos que compõem cada um dos personagens chegam de forma abrupta, arremessados. Ian demonstra não ter escrúpulos, enquanto Terry é viciado em jogos e enquanto se afunda em dívidas o irmão paga de playboy e descola uma namorada atriz. Tudo caminha bagunçado até surgir o tio ricaço Howard (Tom Wilkinson) que está metido numa enrascada e precisa de um favor dos sobrinhos para poder ajudá-los financeiramente. Woody Allen filme Londres com certo esmero, e um roteiro irregular, os diálogos variam entre o infantil e o tosco, e as interpretações dos protagonistas não convencem ninguém (Colin Farrel está sofrível). O Sonho de Cassandra é daquelas coisas que fazem a gente repensar porque ninguém nos EUA quer produzir os filmes de Allen, talvez porque ele filma tanto que acredita que qualquer idéia sua serve como uma boa idéia e definitivamente não é o caso. A mistura de drama, suspense, e assassinatos não se encaixa, talvez porque as necessidades dos protagonistas não são tão saudosas assim.