janeiro 2008 Archives

2 Musicais

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Vem Dançar Comigo (Strictly Ballroom, 1992 - AUS)

Em volto numa despretensão sem tamanho, Baz Luhrman usa e abusa do humor e do caricato num filme recheado de brega, cafona, piegas. Seja nas roupas e cabelos, seja nas atuações medíocres, seja nos cenários toscos, e principalmente nas caras e bocas dos atores. O ápice é a cena de dança ao lado do outdoor da Coca-Cola, com o casal entrecoberto por calcinhas e cuecas no varal, um emaranhado de clichês obviamente não poderiam faltar. Porém Luhrman imprime ritmo, já mostrava sinais do que faria depois em Moulin Rouge, e sua despretensão completa mais nos cativa do que incomoda, assim o filme passa leve, tranqüilo, e as gargalhadas surgem de suas próprias características cafonas e "amadoras".



Retratos da Vida (Les Uns et Les Autres, 1981 - FRA)

Sabe aqueles prédios grandiosos, colossais e antigos, que você facilmente distingue por estar cercado de tantos prédios luxuosos e modernos. E então você olha e fica pensando que ele deve ter sido um arraso na época em que foi construído. O filme de Claude Lelouch é como um desses prédios, seis histórias cortando décadas, ligadas pelas influências da Segunda Guerra Mundial em diversos países, e dentro de cada história há sim momentos bonitos (alguns especiais), tal qual deve ser a decoração daquele colosso de cimento, mas ele é tão grande que fica desengonçado, que perde seu brilho, e porque não dizer se perde em sua própria imensidão. Para piorar os números musicais são cansativos (por mais que Bolero de Ravel esteja lá de forma mais que carinhosa), demasiadamente artísticos com seus bailarinos. Os anos passam, os filhos crescem e as partes se aproximam, a busca da mãe pelo filho que o pai deixou numa estação de trem enquanto eram levados a um campo de concentração é algo que deveria ser desconcertante, mas ao invés de enfatizar esses e outros dramas, Lelouch estava mais preocupado, com a música, com as apresentações artísticas e tudo mais.

Coração Selvagem

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(Wild at Heart, 1990 – EUA)

E se Dorothy caminhasse pela estrada de tijolos dourados ao som de Elvis Presley? A jovialidade, imaturidade e futilidade de Lula, acrescente aí sensualidade e sexualidade ávidas, são características básicas que compõe essa adaptação do clássico Mágico de Oz pela mente excêntrica e singular de David Lynch. A mãe é contra o relacionamento amoroso da filha, no quebra-cabeças de flashback's que lentamente transcorrerão durante o caminhar deste road movie entenderemos as verdadeiras razões que suscitam este ódio pela personificada Bruxa Má do Leste. Sailor sempre esteve na vida marginal, e a seqüência inicial quando o mesmo de mãos limpas mata um homem contratado para assassiná-lo, termina por celebrar sua vida no crime. Quando de sua soltura tem início o road movie em si, e a perseguição do matador de aluguel contratado pela mãe de Lula para se livrar de vez do genro mal-vindo. As cenas em chamas, seja da casa incendiada, seja do fósforo que ascende os cigarros, ou a jaqueta de couro de cobra, o estiloso modo de falar e andar de Sailor, tudo flertando com o ultra cool, todo inserindo neste mundo maluco em que Lynch transporta Oz para uma viagem rumo a Califórnia repleta de personagens selvagens e promíscuos.

Finalizando Tarantino

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Sempre tive muita vontade em conhecer a filmografia de Tarantino, tinha comigo apenas vagas lembranças de Pulp Fiction. Mas quando do lançamento de Kill Bill, sinceramente torci o nariz, tive certeza de que não iria gostar e deixei o mergulho na filmografia dele para terceiro plano. Acabei vendo Pulp Fiction na época em que saiu o ranking da década de 90 na Liga dos Blogues (faz tempo) e desde então quis ver seus filmes, mas andava sempre enrolando. Pois em 2007 um me emprestou daqui, outro me emprestou dali, respirei fundo e encarei Kill Bill, assisti na Mostra o novo filme que estréia logo e corri no finalzinho do ano para ver os filmes dirigidos por esse cara de estilo próprio e cativante. Um homem de fanatismo e obsessões e que sabe muito bem transpor isso para seus filmes.


Jackie Brown (Jackie Brown, 1998 – EUA)

Sempre se fala de Pam Grier, que este foi o personagem de sua vida, e pode ser que as linhas fiquem curtas para Michael Keaton e Robert Forster que estão precisos em suas atuações discretas, contidas e irrepreensíveis. Só que é no virtuosismo de Quentin Tarantino que todo este quebra-cabeças permanece equilibrado, os plano-sequencias acompanhando cada um dos envolvidos no momento crucial do filme oferecem momentos vibrantes, de um domínio total da mise-èn-scene. E este seria o ápice, porque o filme está recheado de Tarantino nos fazendo delirar com cenas simples, com cortes secos, com falas monossilábicas, com um time decisivo para cada seqüência. Seis pessoas, meio milhão de dólares, uma envolvente história de tráfico de armas, uma aeromoça trazendo dinheiro do México e um agente de fianças apaixonado. Jackie Brown é um filme de estilo, como sempre o cineasta é cuidadoso na trilha sonora, e nos diálogos caprichados que primam pela habilidade de se fazer do enxuto o virtuoso.



Cães de Aluguel (Reservoir Dogs, 1992 - EUA)

Numa manhã qualquer, um bando de homens engravatados (com cara de mafiosos) tomam tranquilamente um café da manha, discutem sobre a música da Madona, brigam por causa de uma gorjeta, tudo parece calmo. Quentin Tarantino acompanha aquela mesa-redonda matinal com uma câmera espreita, eram os primeiros passos de um cineasta que chegara para imprimir seu ritmo e causar frisson. De um assalto “frustrado” a uma joalheria, e uma diversidade de flashbacks, somos apresentados a cada um daqueles figurões do crime, traçando seus perfis e nos deliciando com um humor áspero permeado pelo vermelho sangue que anda espalhado pelos poucos cenários. Dentro de suas excentricidades, cada personagem é charmosamente estudado, e Tarantino ousa nos fazer apaixonar por cada um daqueles brutamontes cruéis e fascinantes, num filme simples, direto e assumidamente cool.



Filmografia


Pulp Fiction*****
Cães de Aluguel ****
À Prova de Morte ****
Jackie Brown ****
Kill Bill Vol 1 **1/2
Kill Bill Vol 2 **

Kill Bill

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Kill Bill - Volume 1 (Kill Bill: Vol 1, 2004 - EUA)

Uma miscelânea de influências, tudo filmado e planejado da forma mais pop possível, resulta num filme de referências, um prato cheio aos cinéfilos, só que não é o tipo de cinema que realmente me interesse. A saga da Noiva inflamada por vingança, que após anos em coma parte numa sanguinária jornada contra seus ex-amigos que executaram a chacina na igreja que culminou na morte de seu noivo e familiares, é repleta de seqüências de ação altamente plastificadas, lindas, coreografadas, e apenas criadas para fazer pose e se tornar cult.


Kill Bill - Volume 2 (Kill Bill: Vol 2, 2004 - EUA)

Prossegue o molho de western spaguetti, filmes de kung-fu e influências pop, mas a história segue mais cadenciada, lenta, e até mesmo irritante (momento máximo na seqüência em que Bill fala de Pai Mei à beira da fogueira). Tarantino mostra-se (como sempre), um excelente chefe ao misturar diversos sabores e culturas no mesmo prato, deixa tudo palatável aos que procuram esse entretenimento irrelevante.

Desejo e Reparação

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(Atonement, 2007 - ING)
Clássico, engessado, literário. É bem verdade que alguns longos plano-seqüências são características marcantes de Jow Wright (aquele na praia acompanhando todo o contingente do militar é maravilhoso), ainda assim o filme em sua grande maioria é exageradamente enrijecido (seja nas cenas, como no roteiro). Faltou desenvolver melhor, fica tudo meio perdido, exageradamente subentendido, o minucioso detalhamento do início da história (até quando acontece a cena crucial na biblioteca) dá espaço para uma história que se alonga ao tempo e deixa de tratar seus personagens e emoções com o devido cuidado (excesso de preocupação em narrar o máximo do livro, talvez?). Com isso conhecemos o amor dos personagens centrais, mas nunca sentimentos plenamente em suas figuras, entendemos a razão da garota e toda a mistura de ciúmes e imaturidade em seu ato, porém nunca nos aproximamos de condená-la ou absolvê-la. No fundo é a mesma história de sempre de um burguesa que se apaixona por alguém sem posses e sofrem o preconceito da sociedade, os meandros é que se diferenciam, e do comum sofrimento dos corações a história vai além levando às últimas conseqüências (prisão, guerra, tragédia).

A Culpa é do Fidel

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(La Faute à Fidel, 2006 - FRA/ITA)
Enxergo na sensibilidade (ou a falta dela) a grande questão tratada aqui por Julie Gavras. De uma vida burguesa e luxuosa, a pequena Anna abruptamente é arremessada numa vida mais humilde, os pais assumem o comunismo como estilo de vida, e a cabeça da garota entra em parafuso. Alguns familiares são totalmente contra e a pequena Anna sofre com a insensibilidade de todos que em momento algum se perguntaram sobre todas as mudanças e principalmente no estrago que os resmungos de cada um causariam naquela cabeça inocente e fervilhante. Mas na vida é assim e da teimosia da pequena é que surgem todos os caminhos para que o roteiro elucubre um pouco da situação política de Chile e Espanha na década de setenta, e entre Gregos, Romanos, Catolicismo, Comunismo, Franco, Allende, Fascismo, e reuniões de barbudos vermelhos (que não se parecem com Papai Noel) nasce uma garota apta para a descoberta, com senso crítico e opinião própria capazes de quebrar seus pré-conceitos e aprender a conviver com todas essas novidades, eleições, mortes e golpes. Se falta sensibilidade aos adultos numa adaptação planejada com explicações e maior compreensão, sobra pelos olhos das crianças uma compreensão própria desse mundo louco dos adultos, e no final tudo é culpa do barbudo vermelho da pequena ilha no Caribe.

Sombras de Goya

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(Goya’s Ghosts, 2006 - EUA/ESP)

Histórias de perseguições e terríveis atrocidades não são nenhuma novidade, reconstituir momentos históricos carregados por uma violência irracional infelizmente não nos deixa estupefatos tamanha a capacidade humana de cometer tais absurdos. Milos Forman traz sob os olhares do pintor espanhol Francisco Goya uma visão da época da Inquisição espanhola, a Igreja Católica julgando e condenando à fogueira, perseguindo detratores (ou simplesmente aqueles que não compartilham da mesma visão religiosa), regendo vidas a ferro e fogo. Assim conhecemos o Padre Lorenzo e sua visão de que os católicos estão pouco rígidos contra os não tementes à sua religião, nesse clima de perseguição uma das musas de Goya é presa e Lorenzo não resiste à tentação da carne. Enquanto a linda burguesa sofre torturas por décadas num calabouço, as mudanças políticas apontam as inúmeras trocas do poder espanhol. A influência da França é decisiva, talvez pela proximidade, e talvez aqui esteja o grande chamariz do filme de Forman, este contexto histórico, essas alternâncias mostrando que apenas mudam os torturadores, tudo isso é o legado que o filme nos deixa. Já que seu roteiro esquemático e sua narrativa engessada, não chegam a causar frisson, ainda assim a seqüência do jantar quando o pai de Ines usa seus métodos contra Lorenzo a fim de obter a soltura da filha são de aflição e serenidade louváveis.

Meu Nome não é Johnny

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(2008)
E as coisas foram simplesmente acontecendo na vida de João Estrella, não que ele seja vítima da sociedade, um ingênuo, ou qualquer coisa que o valha. Família de pais exageradamente liberais, o garoto cresceu com excesso de liberdade, festas diárias em casa, e foi descobrindo as drogas e do consumo passou a também vender aos amigos e com sua popularidade a clientela crescendo. E o agora traficante preocupa-se com o imediatismo, a luz cortada, o telefone também, o carro caindo aos pedaços e ele gastando a grana na Europa. Mauro Lima deixa o filme correr no mesmo tom com que Strella seguiu sua vida, Selton Mello brilha como sempre, e quando chega a fase em que o esquema vai por água abaixo e começa o processo contra o criminoso é que o filme mantém essa capacidade de não sair do tom em sua sobriedade alucinante, mesmo que a personagem da juíza não funcione no tom que se pretendia.
(Things We Lost in the Fire, 2007 - EUA/ Reino Unido)

Sabe quando o filme está te agradando, mas você começa a reparar que é muito mais pela direção estilosa, segura, e uma condução precisa dos atores, do que pela história em si, pelo que está se desenrolando à sua frente. Talvez porque as relações humanas tais como estão expostas, caem muito mais em clichês cinematográficos do que em proximidade com a realidade. O mundo todo renegava Jerry, seu amigo de infância Brian era o único que estava ali sempre ao seu lado, no vício com heroína, nas dificuldades financeiras, e os dois dividiam suas vidas, suas emoções. Mas a morte prematura de Brian faz com que a esposa Audrey reate a amizade com Jerry (como quem quer manter o marido vivo de alguma forma), e eis a relação tênue que nos manterá concentrados em todo o virtuosismo de Susanne Bier e seus closes duradouros (focando olhos em cenas lindas), ou pequenos detalhes dos corpos. É obvio que os filhos do amigo irão adotá-lo como um segundo pai, é obvio que haverá atração entre Jerry e Audrey, óbvio que haverá culpa, brigas, que o vício não se desfaz assim facilmente e que no final descobriremos que tudo fica bem após a colagem dos cacos.
Obviamente já percebi que todos os textos mais pessoais deste blog acabam sempre caindo pela melancolia, e creio que seja injusto que momentos de alegria, de intensidade, de coração batendo descompassado também não tenham espaço aqui. As coisas no final do ano surgiram de forma inesperada, acaloradas, surpreendentes. Mas para todo incêndio há sempre um princípio, uma faísca, e vamos a ela.
Foi numa festa, não me recordo qual e o fato de lembrar qual, é realmente irrelevante. O que importa é que estava eu numa festa, com minha inseparável turma de amigos, dançando, cantando, gargalhando e todas as loucuras que sempre cometemos quando estamos juntos (verdadeiros acontecimentos), quando minha grande amiga me olha com aquela cara de charada respondida e diz que sabe quem é a mulher da minha vida, aquela que me seria “perfeita”. Ainda se diz impressionada como não tinha pensado nisso antes, que a tal garota é isso e aquilo e que combinaria perfeitamente comigo. Eu, obviamente fora pego de sopetão, porque uma pessoa que me conhece nessa vida é aquela amiga. Sabe e compartilha meus gostos, sabe do meu jeito, da minha forma de pensar, da minha forma de agir com as mulheres, quando estou levemente perturbado por algo ela percebe na hora, nem adianta esconder.
Eu avidamente pedi que ela me dissesse quem era, onde estava, que nos apresente então. Foi quando ela disse que havia um pequeno detalhe que atrapalhava tudo, ela mora no Japão. Minha cara de insatisfação era esperada, fazer o quê? Ainda assim ela me falou algumas coisas sobre ela, principalmente seu jeito de ser extremamente inquieto e animado. Pensei comigo mesmo que ok, enquanto minha amiga dizia que quando ela voltasse (sem previsão), a gente se conheceria e se apaixonaria e um veria que não poderia viver sem o outro. Tudo bem, sigamos em frente, e desde aquele dia, a cada nova garota que saí, que conheci, que pensei em me interessar, minha amiga sempre me deu a maior força, mas sempre dizendo que não adiantava porque eu poderia namorar quem quisesse que só estaria passando o tempo porque minha garota estava no Japão e pronto.
Certo dia minha amiga não passava por uma de suas melhores fases, e eu que há tempos planejava escrever-lhe um testimonial no Orkut finalmente parei para isso. E ela é de importância tão vital na minha vida que merece algo mais profundo do que uma simples mensagem dizendo que ela era legal, que tinha sido bom conhecê-la e essas papagaiadas prontas que a maioria usa. Tentei ser o mais honesto possível, e sei que ela se emocionou com minhas palavras. Quando fui inserir o texto no Orkut, adivinha de quem era o texto abaixo. Realmente não pude me conter e entrei no perfil da amiga morando do outro lado do mundo. Claro que essas visitas dão um panorama geral da pessoa, porém nada que possa te levar a acreditar que possa ela ser a pessoa da sua vida. Dias depois ela “retribuiu” a visita, pronto começava uma história. Mandei-lhe um scrap e começamos a conversar pelo Orkut mesmo. Tive maior precisão das coisas que minha amiga tinha dito, por exemplo sua paixão por futebol, do quanto gosta de viajar, da vida louca que ela leva no Japão e etc. Ela também foi descobrindo algumas coisas de mim e criamos um vínculo de amizade tão comum nesses tempos de internet (pensando bem foi na internet que conheci minha grande amiga também). Durante este tempo saí com algumas garotas, sofri um pouco, desisti delas por achar que não daria certo e minha amiga sempre vinha com a mesma frase: “sua garota está no Japão, ela só precisa voltar”.
Pois chegou o final de dezembro e resolvi zerar todos os relacionamentos para começar 2008 sem “pendências”, porque quando se está só há um bom tempo sempre uma ou outra garota com quem você se relacionou acaba batendo na sua porta, e exatamente quando estou terminando essa “faxina” (o termo parece pesado, mas não encontro outro) envio um e-mail para meus amigos perguntando se não sou chato demais e estou desperdiçando pessoas maravilhosas que valem a pena e com minhas alienações crio problemas onde não há. E no e-mail digo que sei que uns vão dizer que sou chato mesmo, outros dirão que tenho razão porque nenhuma delas fisgou meu coração, minha amiga irá dizer que minha garota está no Japão, mas mesmo assim eu ainda acho que fiz o certo.
Bem neste momento o mais inesperado dos inesperados acontece, chega a resposta de minha grande amiga dizendo que eu estava errado porque minha garota havia voltado de surpresa e para ficar. Sinceramente gelei, aquilo devia ser uma brincadeira entre amigos e de repente ela estava na mesma cidade, e se minha amiga tivesse razão e ela fosse a pessoa que iria deixar minha perna bamba, meu coração batendo descompassado e fazendo com que o tempo não passasse de tanta saudade até reencontrá-la todas as noites após o trabalho. Fui direto ao telefone, querendo saber tudo, e minha grande amiga me diz que elas se falaram e que ela tinha perguntado de mim e as duas já estavam combinando de nós três nos encontrarmos na próxima semana. Eu anestesiado com tudo e minha amiga super-hiper-ultra empolgada, torcendo para que seus pressentimentos estivessem certos. Naquele instante lembrei-me que há algumas noites estava eu no computador pronto para responder-lhe um scrap e olhando bem para sua foto pensei algo do tipo: “bem que podia mesmo ser você, bem que você podia voltar”. Será que foi a força do pensamento? Será que minha amiga tinha tanta razão e é ela? Será que o mundo das coincidências resolveu extrapolar dessa vez?
Perguntas que jamais saberei responder, mas o que viria a seguir mudaria completamente minha vida. Não tenho dúvidas que a palavra de ordem de 2007 foi amizade, e elas influenciaram tanto minha vida que o ano deixou de ser uma fase de transição para se tornar uma época de consolidação. E essa consolidação veio em todos os sentidos, no âmbito profissional, no morar sozinho, e no criar um estilo de vida que realmente tenha a minha cara e seja pontuado pelas coisas que gosto de fazer, pelas pessoas com quem gosto de estar, e vivendo tudo isso ao máximo (noites mal-dormidas, ou sem dormir em sequencia), não importa quando se está fazendo coisas que gostamos, quando estamos acumulando histórias para contar. E a fase de consolidação chegou ao fim na sessão de Into the Wild. E dela uma série de reflexões que definitivamente me fizeram ser a pessoa que sou, muito mais seguro, muito mais focado, muito mais feliz. Mas ainda faltava a peça fundamental dessa engrenagem.
E aqui está ela no Brasil, e combinamos de nos encontrar e quando vi aquela garota de saia jeans e blusa rosa com seu sorriso ainda ao longe, eu já sabia que aquela história passava para uma nova fase. E o tempo em que passamos juntos foi só para confirmar o que minha grande amiga dizia. E desde aquele dia eu não paro de pensar em seus lábios, em seu sorriso, e no quanto eu adoro estar sempre ao seu lado seja na fila do supermercado, ou rodeado pelos amigos, no carro num transito caótico, caminhando pelo shoppping, no meio da praça de alimentação, ou abraçados no sofá ao som de Under the Bridge, ou com ela cantando para mim From This Moment On com aquele olhar meio de lado que aliado ao cabelo caindo sob seu rosto formam uma visão que me deixa fascinado, embasbacado. E eu não sei o que vem a seguir, o voltar para ficar dela não é tão certo assim, uma proposta irrecusável a deixou com um pé no retorno a terra do sol nascente. Eu sei que isso tá parecendo aqueles romances açucarados do cinema, só que nem na sala escura a gente encontra um sentimento como este. Estou falando de vida real, de coincidências, estou falando de tocar a pele e sentir borboletas voando no seu estômago e aquela sensação de saudade no tempo todo em que estamos distantes, poderia narrar aqui cada um dos nossos encontros, dos nossos momentos, mas estes ficam só conosco. Sim, estamos namorando e de tão intenso não parece que estejamos diante de uma história curta. Pedidos apaixonados para ficar, para ir junto, declarações de amor em aeroporto, decisões impensadas ou extremamente racionais, tristezas por se apegar a todos os motivos que não sejam os sentimentos, podemos esperar de tudo, porque eu, sinceramente, neste momento, só consigo pensar no quanto sua chegada deu novo sentido para tudo.
"...e até quem me vê, lendo jornal, na fila do pão, sabe que eu te encontrei..."
(The Heartbreak Kid, 2006 – EUA)


Tem tudo o que os irmãos Farrely já usaram, os mesmos personagens, o mesmo humor físico, piadas repetidas. O mesmo para Ben Stiler que incorporou um papel que agradou ao público e agora não consegue (ou nem quer) livrar-se dele. Por essas que trata-se de mera diversão e como diversão realmente tem o poder de entreter, de divertir, boas doses de risadas são garantidas num filme insípido e coerente com sua proposta. O solteiro que sente-se pressionado pela sociedade para finalmente mergulhar de cabeça num casamento acaba antecipando uma relação e em poucas semanas chega ao matrimônio. Na lua-de-mel ele irá descobrir que ela não é nada do que ele pensava e entre mil confusões talvez ali esteja ele encontrando o grande amor da sua vida. Será? É ver para crer, se bem que no fundo nada disso é importante e vamos apenas nos divertir com as trapalhadas, tombos, e contusões dessa turma.

Meu Top 10 - 2007

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10º














































* Devo ter visto este filme umas 5 ou 6 vezes no ano passado.

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v e r b e a t  b l o g s

Michel Simões