Obviamente já percebi que todos os textos mais pessoais deste blog acabam sempre caindo pela melancolia, e creio que seja injusto que momentos de alegria, de intensidade, de coração batendo descompassado também não tenham espaço aqui. As coisas no final do ano surgiram de forma inesperada, acaloradas, surpreendentes. Mas para todo incêndio há sempre um princípio, uma faísca, e vamos a ela.
Foi numa festa, não me recordo qual e o fato de lembrar qual, é realmente irrelevante. O que importa é que estava eu numa festa, com minha inseparável turma de amigos, dançando, cantando, gargalhando e todas as loucuras que sempre cometemos quando estamos juntos (verdadeiros acontecimentos), quando minha grande amiga me olha com aquela cara de charada respondida e diz que sabe quem é a mulher da minha vida, aquela que me seria “perfeita”. Ainda se diz impressionada como não tinha pensado nisso antes, que a tal garota é isso e aquilo e que combinaria perfeitamente comigo. Eu, obviamente fora pego de sopetão, porque uma pessoa que me conhece nessa vida é aquela amiga. Sabe e compartilha meus gostos, sabe do meu jeito, da minha forma de pensar, da minha forma de agir com as mulheres, quando estou levemente perturbado por algo ela percebe na hora, nem adianta esconder.
Eu avidamente pedi que ela me dissesse quem era, onde estava, que nos apresente então. Foi quando ela disse que havia um pequeno detalhe que atrapalhava tudo, ela mora no Japão. Minha cara de insatisfação era esperada, fazer o quê? Ainda assim ela me falou algumas coisas sobre ela, principalmente seu jeito de ser extremamente inquieto e animado. Pensei comigo mesmo que ok, enquanto minha amiga dizia que quando ela voltasse (sem previsão), a gente se conheceria e se apaixonaria e um veria que não poderia viver sem o outro. Tudo bem, sigamos em frente, e desde aquele dia, a cada nova garota que saí, que conheci, que pensei em me interessar, minha amiga sempre me deu a maior força, mas sempre dizendo que não adiantava porque eu poderia namorar quem quisesse que só estaria passando o tempo porque minha garota estava no Japão e pronto.
Certo dia minha amiga não passava por uma de suas melhores fases, e eu que há tempos planejava escrever-lhe um testimonial no Orkut finalmente parei para isso. E ela é de importância tão vital na minha vida que merece algo mais profundo do que uma simples mensagem dizendo que ela era legal, que tinha sido bom conhecê-la e essas papagaiadas prontas que a maioria usa. Tentei ser o mais honesto possível, e sei que ela se emocionou com minhas palavras. Quando fui inserir o texto no Orkut, adivinha de quem era o texto abaixo. Realmente não pude me conter e entrei no perfil da amiga morando do outro lado do mundo. Claro que essas visitas dão um panorama geral da pessoa, porém nada que possa te levar a acreditar que possa ela ser a pessoa da sua vida. Dias depois ela “retribuiu” a visita, pronto começava uma história. Mandei-lhe um scrap e começamos a conversar pelo Orkut mesmo. Tive maior precisão das coisas que minha amiga tinha dito, por exemplo sua paixão por futebol, do quanto gosta de viajar, da vida louca que ela leva no Japão e etc. Ela também foi descobrindo algumas coisas de mim e criamos um vínculo de amizade tão comum nesses tempos de internet (pensando bem foi na internet que conheci minha grande amiga também). Durante este tempo saí com algumas garotas, sofri um pouco, desisti delas por achar que não daria certo e minha amiga sempre vinha com a mesma frase: “sua garota está no Japão, ela só precisa voltar”.
Pois chegou o final de dezembro e resolvi zerar todos os relacionamentos para começar 2008 sem “pendências”, porque quando se está só há um bom tempo sempre uma ou outra garota com quem você se relacionou acaba batendo na sua porta, e exatamente quando estou terminando essa “faxina” (o termo parece pesado, mas não encontro outro) envio um e-mail para meus amigos perguntando se não sou chato demais e estou desperdiçando pessoas maravilhosas que valem a pena e com minhas alienações crio problemas onde não há. E no e-mail digo que sei que uns vão dizer que sou chato mesmo, outros dirão que tenho razão porque nenhuma delas fisgou meu coração, minha amiga irá dizer que minha garota está no Japão, mas mesmo assim eu ainda acho que fiz o certo.
Bem neste momento o mais inesperado dos inesperados acontece, chega a resposta de minha grande amiga dizendo que eu estava errado porque minha garota havia voltado de surpresa e para ficar. Sinceramente gelei, aquilo devia ser uma brincadeira entre amigos e de repente ela estava na mesma cidade, e se minha amiga tivesse razão e ela fosse a pessoa que iria deixar minha perna bamba, meu coração batendo descompassado e fazendo com que o tempo não passasse de tanta saudade até reencontrá-la todas as noites após o trabalho. Fui direto ao telefone, querendo saber tudo, e minha grande amiga me diz que elas se falaram e que ela tinha perguntado de mim e as duas já estavam combinando de nós três nos encontrarmos na próxima semana. Eu anestesiado com tudo e minha amiga super-hiper-ultra empolgada, torcendo para que seus pressentimentos estivessem certos. Naquele instante lembrei-me que há algumas noites estava eu no computador pronto para responder-lhe um scrap e olhando bem para sua foto pensei algo do tipo: “bem que podia mesmo ser você, bem que você podia voltar”. Será que foi a força do pensamento? Será que minha amiga tinha tanta razão e é ela? Será que o mundo das coincidências resolveu extrapolar dessa vez?
Perguntas que jamais saberei responder, mas o que viria a seguir mudaria completamente minha vida. Não tenho dúvidas que a palavra de ordem de 2007 foi amizade, e elas influenciaram tanto minha vida que o ano deixou de ser uma fase de transição para se tornar uma época de consolidação. E essa consolidação veio em todos os sentidos, no âmbito profissional, no morar sozinho, e no criar um estilo de vida que realmente tenha a minha cara e seja pontuado pelas coisas que gosto de fazer, pelas pessoas com quem gosto de estar, e vivendo tudo isso ao máximo (noites mal-dormidas, ou sem dormir em sequencia), não importa quando se está fazendo coisas que gostamos, quando estamos acumulando histórias para contar. E a fase de consolidação chegou ao fim na sessão de Into the Wild. E dela uma série de reflexões que definitivamente me fizeram ser a pessoa que sou, muito mais seguro, muito mais focado, muito mais feliz. Mas ainda faltava a peça fundamental dessa engrenagem.
E aqui está ela no Brasil, e combinamos de nos encontrar e quando vi aquela garota de saia jeans e blusa rosa com seu sorriso ainda ao longe, eu já sabia que aquela história passava para uma nova fase. E o tempo em que passamos juntos foi só para confirmar o que minha grande amiga dizia. E desde aquele dia eu não paro de pensar em seus lábios, em seu sorriso, e no quanto eu adoro estar sempre ao seu lado seja na fila do supermercado, ou rodeado pelos amigos, no carro num transito caótico, caminhando pelo shoppping, no meio da praça de alimentação, ou abraçados no sofá ao som de Under the Bridge, ou com ela cantando para mim From This Moment On com aquele olhar meio de lado que aliado ao cabelo caindo sob seu rosto formam uma visão que me deixa fascinado, embasbacado. E eu não sei o que vem a seguir, o voltar para ficar dela não é tão certo assim, uma proposta irrecusável a deixou com um pé no retorno a terra do sol nascente. Eu sei que isso tá parecendo aqueles romances açucarados do cinema, só que nem na sala escura a gente encontra um sentimento como este. Estou falando de vida real, de coincidências, estou falando de tocar a pele e sentir borboletas voando no seu estômago e aquela sensação de saudade no tempo todo em que estamos distantes, poderia narrar aqui cada um dos nossos encontros, dos nossos momentos, mas estes ficam só conosco. Sim, estamos namorando e de tão intenso não parece que estejamos diante de uma história curta. Pedidos apaixonados para ficar, para ir junto, declarações de amor em aeroporto, decisões impensadas ou extremamente racionais, tristezas por se apegar a todos os motivos que não sejam os sentimentos, podemos esperar de tudo, porque eu, sinceramente, neste momento, só consigo pensar no quanto sua chegada deu novo sentido para tudo.
"...e até quem me vê, lendo jornal, na fila do pão, sabe que eu te encontrei..."