dezembro 2007 Archives

Jogo de Cena

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(2007)

Um anúncio no jornal recrutava mulheres acima dos dezoito anos, o intuito era de que elas contassem alguma história interessante. Num teatro às escuras as mulheres que responderam ao anúncio davam seus depoimento ao atento Eduardo Coutinho que no seu peculiar ritmo de conduzir os documentários fazia perguntas e/ou pequenos comentários. Depois o cineasta convidou atrizes para interpretar aos seus modos tais depoimentos, e numa brincadeira de montagem intercalou interpretações reais e fictícias, um verdadeiro jogo de cena. E nós, o público acompanhamos perdidos sem saber quem é quem naquela engenhoca (a não serem as três atrizes famosas Andrea Beltrão, Fernanda Torres e Marília Pêra). Dessa brincadeira tiramos várias conclusões, entre elas o quanto uma mesma história pode ganhar tons diferentes vindo de pessoas distintas, o quanto de emoção pode variar entre as pessoas, há tantos significados escondidos que revisões se fazem necessárias porque a riqueza das histórias humanas e emocionantes aliado a todo este delírio arquitetado por Coutinho resultam numa obra sem precedentes, de genialidade pueril e um coração inflamado. Só de ver tais atrizes demonstrando suas dificuldades, por exemplo Beltrão chorando e resmungando não entender como a "personagem real" conseguia dizer tudo aquilo sem chorar, ou Fernanda Torres extravasando sua insatisfação por não conseguir atuar da maneira como gostaria. Coutinho nos oferece um show de complexidade enrustida numa singela simplicidade.

Franceses Discretos

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Sob a Areia (Sous Le Sabale, 2000 - FRA)

François Ozon sabe como poucos seguir uma linha suave e delicada para narrar uma história. Muitos de seus files possuem um carinho único e devoção a cada plano, contando ainda com o esplender de Charlotte Rampling atuando fica ainda mais fácil seguir essa linha tão particular. Porém a história da mulher que ao acordar de um cochilo sob a areia, vi nascer o grande carma de sua vida com o sinistro desaparecimento do marido é um mar de minutos transpassados ao nada. E a mulher leva sua vida acreditando que o marido está vivo e voltará, sua obsessão lhe traz visões. E quando resquícios da verdade vem a tona, o cheiro de que nada de especial está acontecendo ameaça pairar, e essa leve radiografia da vida no início da terceira idade não parece compartilhar das minúcias que deveria. Ao final um ar de filme ineficaz.


O Coração dos Homens (Le Coeur des Hommes, 2003 - FRA)

Quatro amigos na casa dos cinquenta anos, mais de vinte anos de amizade. Marc Sposito retrata de forma sutil e vulcânica a alma masculina, e as diversas facetas de uma mesma moeda. Destes quatro personagens surge um retrato da sociedade contemporânea, divórcios, aposentadoria, amores, brigas, diversão, casamento dos filhos. E de maneira tão fácil o cineasta interpreta magistralmente tantos temas que a sensação de estarmos embarcado com esta turma de amigos em cada uma dessas situações torna-se imediato. O filme nos abraça de uma tal forma que já queremos dar palpite na vida dos outros e participar ativamente de cada momento. Uma história de amizade transparente, que não gostaria de poder dividir sua vida de forma tão límpida e clara sabendo que pode contar com amigos para todas as horas.

Um Amor Jovem

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(The Hottest State, 2007 – EUA)
O amor com todas as suas imperfeições, explosões de emoção e fúria, com toda sua paixão, os picos de alegria, e a dor, a frustração, os acessos ensandecidos de loucura, horas trancafiados num quarto de hotel descobrindo as formas dos corpos, dias e dias de discussões que jamais levarão a nada, puros ímpetos de radioativa emoção. Ele era tão intenso que ela foi incapaz de manter e sobreviver àquela relação. A forma como Mark Webber nos imerge no mundo apaixonado e metafórico desse aprendiz de ator é mais que alucinante, seu modo de encarar o amor é como um gráfico de ações da bolsa, um sobe e desce entre razão e emoção e toda essa congruência é tão comum àqueles que acreditame e se entregam completamente ao amor. Ethan Hawke filma de forma leve, cheio de posicionamentos descolados, um desejo de ser cool, um uso esperto da trilha sonora, e principalmente grande capacidade em saber lidar com o amor, sem pompa, sem exageros. E algumas frases de efeito que quem só realmente sofreu algumas mazelas de amor vai entender sabiamente, tais como: "Você não acha estranho que quando somos crianças todo mundo nos diz para seguirmos nossos sonhos e quando crescemos as pessoas ficam ofendidas se ameaçamos tentar?" e principalmente a fantástica: "Quem desiste do amor, não merece ser amada"

Império dos Sonhos

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Império dos Sonhos (INLAND EMPIRE, 2006 - EUA/FRA/POL)
Prepare-se para uma profunda e enigmática viagem ao subconsciente, uma turnê por medos e fragilidades, por desejos e inseguranças. E nessa excursão o ilógico, o inexplicável, o irracional, estarão presentes de uma forma substancialmente bruta e intensa. É David Lynch flertando com o horror, num filme de mistérios, críticas corrosivas e um embaralhar de situações muito mais significativas pelas sensações que despertam. Um diretor escolhendo o elenco de seu próximo filme, uma atriz ansiosa por conseguir o papel principal, uma série de estranhos acontecimentos no presente e passado (desde um roteiro polonês "amaldiçoado" ocasionando a morte dos protagonistas, até visitas estranhas com predileções). No filme dentro do filme os personagens confundem-se com suas vidas pessoais, assassinatos, escuridão, hematomas, ciúmes, infidelidade, paixão. O que é sonho, o que é realidade? Lynch flertando com seu próprio cinema, elementos e/ou personagens de seus outros trabalhos estão presentes em maior ou menor intensidade. Laura Dern possui um olhar apavorante, revigorado, funcionando como uma guia turístico dessa viagem submersa ao consciente, um abrir e fechar de portas que a cada momento torna-se mais surpreendente e menos claro. Não se trata de um quebra-cabeças como era Cidade dos Sonhos, aqui Lynch está buscando alguma lógica em nossas mentes paranóicas e assombradas.

A Volta do Regresso

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A Volta do Regresso

Por ser uma sessão mista com curtas em diversos formatos e sendo este o único em 16mm, era previsto algum tipo de problema na projeção, e infelizmente problemas no foco no primeiro minuto e principalmente de som (durante toda a exibição), atrapalharam a projeção. Mas sinceramente nada que tire o brilho e os méritos. Percebe-se que cada tomada é pensada como cinema, o travelling lateral mostrando os dois participantes durante de uma ligação telefônica, o plano que começa fechado e vai abrindo, abrindo, mostrando além da ação, toda a equipe técnica que participava da gravação. Seja o ritmo compassado (fiquei curioso para rever a seqüência inicial que parecia de uma singela nostalgia, mas os problemas citados não permitiram apreciar), muito de promissor no trabalho de Marcelo Valletta. E a história resgatando a época das chacretes, as pornochanchadas, são apenas aperitivos para o verdadeiro tema, o entusiasmo cego. É com esse entusiasmo exacerbado que o personagem central dirige o filme dentro do filme, e sonha em transformar em grande estrela um ator tão esquecido, mas tão esquecido que ganha seus trocados vestido de papai Noel num shopping qualquer, as asperezas de nossa realidade.
Janela Indiscreta (Rear Window, 1954 - EUA)

Caso me pedissem para resumir suspense num único filme, eu responderia Janela Indiscreta. Há algo mais sugestivo do que um voyeur da janela de seu quarto bisbilhotar cada passo da vizinhança até chegar ao ponto de suspeitar de um crime? O risco de ser descoberto, as evidências que não passam de meras suposições, as posições favoráveis e contrárias à sua opinião. Todo esse jogo criado por Alfred Hitchcock transforma-se num filme edificante, e os olhos petrificados aguardam ansiosamente à próxima cena, ao próximo passo, o próximo fato. A indiferença não cabe ao público, chega um momento em que nos sentimos jogados naquele apartamento, enxergando por aqueles binóculos e tentando adivinhar o que pode estar acontecendo. Hitchcock era mestre, e sua maestria máxima estava na capacidade de conduzir as emoções de seu público ao bel-prazer, isso não é tarefa fácil (para os outros). E quando chegam os momentos finais, pode estar acontecendo um incêndio do seu lado que ainda assim seu único desejo é que aquela história chegue ao fim. E Grace Kelly não é a mulher perfeita? Refinada, inteligente, corajosa, e capaz de aceitar e compreender para levar adiante um relacionamento, e ainda por cima estonteantemente linda.



A Marca da Maldade (Touch of Evil, 1958 - EUA)
Um filme intenso, principalmente no início a montagem acelera o ritmo de forma sufocante e quase não respiramos para não se perder nenhum detalhe. Depois a trama cai no velho dilema dos métodos policiais, os éticos e aqueles que plantam provas para incriminar suspeitos. Daí em diante a troca de acusações dá lugar a conchavos, seqüestros e abusos de poder. Orson Welles escancara a maldade humana, o interesse próprio, a busca por sua própria verdade. E o diretor não nos dará um minuto de sossego, idas e vindas na fronteira EUA-México, gângsteres, e cenas que não serão facilmente esquecidas (principalmente o olhar do próprio Welles que atua como o policial corrupto). Em sua essência o filme não envelhece, a tecnologia se desenvolve, a humanidade jamais.

Ming-Liang e Chan-wook

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Vive L'Amour (Vive L'Amour / Ai Qing Wan Sui, 1994 - TAI)

O primeiro plano focando aquela chave espetada na fechadura já avisaria que se trata de mais um filme de Tsai Ming-Liang. Vinte minutos iniciais sem uma fala sequer (a melhor fase do filme), o diretor caracteriza seus personagens com dinamismo, rapidamente está selado o elo entre aqueles três jovens solitários, apenas sobrevivendo a todas as dificuldades que a vida os impõe. Uma corretora de imóveis, um vendedor de urnas funerárias, um camelô, um apartamento vago. Mais tarde Ming-Liang faria melhor com temas muito semelhantes em Eu Não Quero Dormir Sozinho, aqui ele apenas deixa seu filme correr, e o choro da cena final é algo sem palavras.


Zona de Risco (Joint Security Area / Gongdong Gyeongbi Guyeok JSA, 2000 - COR)
Park Chan-wook criou um filme tenso, tratando temas como nacionalismo e amizade expõe um dos lados da Guerra da Coréia (e conseqüentemente entre capitalismo e comunismo). Mais do que esperarmos até os minutos finais a fim de entender o mistério do duplo-homicídio numa base militar em região de fronteira, está a supremacia do nacionalismo perante qualquer outro sentimento e/ou prazer. E o cineasta leva essa máxima às últimas conseqüências, sem esquecer-se de deixar suas marcas registradas pelo caminho.

Conduta de Risco

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(Michael Clayton, 2007 - EUA)

George Clooney é Michael Clayton, um sujeito calado, de olhar maduro e decisivo. Uma espécie de faxineiro de um grande escritório de advocacia, mas um tipo especial de faxineiro, daqueles que entram em ação para limpar as sujeiras de clientes e dos próprios funcionários da companhia. Um solucionador prático, de conduta duvidosa, e confiança total dos sócios. Após um longo flashback (iniciado na explosão de um carro) caímos de vez na vida de Michael Clayton, quebrado financeiramente após ter aberto um bar com um irmão, divorciado e solitário (pai levemente ausente). É nesse personagem que Tony Gilroy equilibra sua história de intriga corporativa, espionagem, interesses, a saúde de centenas de pessoas em risco pelos interesses econômicos de um grande grupo empresarial. Uma espécie de Erin Brokovich (pelo lado negro da força), entre as maluquices de um advogado (um eterno competente Tom Wilkinson, nem tão louco assim) e as últimas conseqüências da vilã Tilda Swinton, Michael Clayton mostra-se um homem comum, imerso num mundo das altas finanças, mas sofrendo também das mazelas do cotidiano. E se todo o suspense, perseguições e tudo mais não passam de mesmice bem feita (mas ainda assim mesmice), numa cena em que Michael Clayton diz ao filho que ele nunca ficará daquele jeito porque ele tem uma força que o pai nem sabe explicar, está talvez a mensagem mais profunda que o filme poderia oferecer.


Fernando Spuri avisa que está rolando a segunda edição da interessante Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul. Filmes de Solanas, Goifman e etc...Maiores informações: http://www.cinedireitoshumanos.org.br/

Roger Vadim

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E Deus Criou a Mulher (Et Dieu... Créa la Femme, 1956 - FRA)

O primeiro plano focaliza um carro esporte se aproximando, as casas mais ao fundo. No próximo plano um homem cruza um quintal florido, no seguinte um varal com roupas estendidas e um lençol branco, o próximo corte nos oferece uma visão hipnótica, somos pegos de assalto. Deitada atrás daquele lençol, exatamente como veio ao mundo, Brigitte Bardot e suas formas esculpidas milimetricamente, a pele mais dourada que se teve notícia, uma mulher estonteante, maravilhosa. Roger Vadim ainda iria abusar mais da gente buscando na sensualidade de Bardot todo o refinamento de seu filme, porém nada será comparável há aquela invasão fabulosa por detrás do lençol no varal. O filme nem é tudo isso, essa mulher vivendo entre a cobiça de três homens, amando um que mesmo sentindo-se atraído prefere renegar seus sentimentos, mantendo um ar de libertinagem e desapego e carregando dentro de si sentimentos que só lhe causam sofrimento. Por trás de sua personalidade evasiva e libidinosa há uma mulher que no fundo só quer amar. O que de melhor restará no filme de Vadim será todo sex appeal que Bardot sugere a cada segundo, a cada sorriso, a cada batida do coração, aquilo não é uma mulher, é um vulcão.




Ao Cair da Noite (Les Bijoutiers Du Claire de Lune, 1958 – FRA)

Há filmes que envelhecem de uma forma que se tornam praticamente insuportáveis de tão ruins, neste aqui de Roger Vadim cada cena soa tão artificial que muitas vezes parecem feitas de qualquer jeito. O roteiro sonha em torná-lo um suspense eletrizante numa perseguição pela Espanha, uma mulher apaixonada e não correspondida, uma assassinato, uma jovem sobrinha apaixonada, fuga. E a sensualidade de Brigitte Bardot, que deveria apenas apimentar a trama, consegue ser a única coisa interessante durante todo o filme. Uma história de amores, inveja, integra aos sentimentos, e sobretudo vingança. Um filme para admirar as curvas e a cor de pele feminina mais linda do cinema, Bardot sempre.

Indie 2007

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Casa de Pássaros (The Bird House / Niao Wu, 2006 - MAL)

Um choque entre o tradicional e o moderno, com algumas pitadas da sapiência calada dos mais experientes. Era assim que Khoo Eng Yow gostaria que seu filme tivesse saído, mas a proposta morreu no papel. Dois irmãos querendo decidir o futuro da casa da família, o pai assiste calado às discussões entre o mais velho que planeja transformar o local numa loja de antiguidades, enquanto mais jovem faz planos para uma casa de pássaros. Detalhe que o pai ainda mora na casa, e não consultado apenas ouve e assiste a tudo, enquanto isso a entrada da casa foi alugada para um indiano e sua auto-escola às moscas. Um digital tosco, uma história mal desenvolvida, e um filme aborrecedor.



O Poder da Província Kangwon (The Power Of Kangwon Province / Kangwon-do ui him, 1998 - COR/FRA)
Nas montanhas de Kangwon, uma jovem viaja com duas amigas, busca deixar algo para trás, fugir do passado, esquecer um amor. Mais adiante o foco é sob um professor que também visita as montanhas. Este também tenta esquecer um amor, esquecer de um romance extra-conjugal, encontrar um caminho. Na terceira parte as histórias se cruzam, e Hong Sang-soo com seu cinema de enquadramentos irregulares, câmera meramente observadora e um olhar discreto sobre a ocidentalização do Oriente, busca mais que um desenlace para uma história de amor, busca sentido nos sentimentos.

+ Clássicos

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Quanto Mais Quente Melhor (Some Like It Hot, 1959 - EUA)

O que dizer dessa comédia? Até então não tinha visto um único filme do mito, Marilyn Monroe, até então porque a vontade é de sair correndo e vê-la em todos os personagens possíveis. Agora é fácil entender tanta adoração por aquela loira com o rosto mais insinuante do cinema. E o filme não é só ela e sua formosura, o humor leve e preciso percorre cada cena. Dois músicos presenciam um assassinato entre a máfia, e para fugir dos criminosos disfarçam-se tocando numa banda só de mulheres. As confusões aprontadas por Jack Lemmon e Tony Curtis fazem qualquer comediante fajuto da atualidade ter vergonha do que têm filmado ultimamente. Quanto Mais Quente Melhor é aquele filme para assistir todo dia um pouquinho, é filme para se ver quando se está feliz, ou quando se está triste, para quando se está bem-acompanhado, ou até mesmo para acabar com o marasmo de uma visita pouco empolgante.


Cantando na Chuva (Singin' in the Rain, 1952 - EUA)
Jamais poderia imaginar que o mais famoso musical do cinema retratava a fase de mudança e adaptação do cinema-mudo para o cinema falado. E se não me apaixonei como esperava, é inegável que o número musical de Singin' in the Rain enche o coração de emoção, e Gene Kelly hipnotiza, nos deslumbra, nos faz viajar. Há outra seqüência fantástica com Donald O'Connor e Kelly sapateando que causa delírios. E é realmente interessante todo o processo de adaptação dos estúdios e atores ao cinema falado, a queda de tabus, a reação do público, e desde aquela época o jogo de notícias e fofocas para distrair o público. Cantando na Chuva é um deleite de humor, romantismo e música, grande parte pela direção de Stanley Donen e Gene Kelly.

A Vida dos Outros

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(Das Leben der Anderen, 2006 - ALE)


“This is for me”. Se pensarmos em como começava o filme e em todas as mudanças do personagem que solta essa frase no instante final da projeção, poderemos entender a força que a mesma possui. As ações acontecem em 1984 (por que será este ano específico hein?) em plena Alemanha Oriental. Um membro da Stati fora designado para acompanhar todos os passos de um dramaturgo, escutas, câmeras, agente perseguindo à paisana; o dramaturgo e sua esposa movimentam mais que interesses políticos, há interesses pessoais de gente do alto escalão. Florian Henckel von Donnersmarck vai tirando lentamente o foco no thriller quase chegando ao dramalhão, pouco importa, estamos envolvidos o bastante com o jogo de interesses e ingenuidades, com personagens sendo desmitificados e principalmente com a mudança fundamental na postura de um homem que de torturador exímio passa a protetor camuflado.

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Michel Simões