O Banheiro do Papa
Inocência, ingenuidade, sonhos (ou até delírios). O papa irá visitar uma pequena cidade no interior do Uruguai, parte da sobrevivência da região vem dos muambeiros que atravessam a fronteira com o Brasil para trazer mercadorias com preço mais em conta (muitos fazem o trajeto de dezenas de quilômetros de bicicleta). São vidas humildes, famílias pobres morando em minúsculas casas rústicas. A diversão masculina são os encontros no boteco e a visita da santidade movimenta os sonhos dessa gente pobre em fazer fortuna. Cada um tem uma idéia brilhante para ficar rico com as dezenas de fiéis que passarão um dia pela cidade. A dupla César Charlone e Enrique Fernandez filma a ferida exposta, com humor leve e um retrato concreto da dureza daquela gente, o filme atinge em cheio os sonhos ingênuos, a realidade estéril, e algumas das cenas finais são realmente de cortar o coração. Tudo tratado com delicadeza ingrata pela dupla de cineastas.
Você, os Vivos
Na visão de Roy Andersson o mundo é mórbido, cruel, monótono, desesperançoso e mordaz. Os tons variam sempre entre o cinza, o verde musgo, o azul marinho, mundo sem alegria, irônico, blasé. O filme é formado de pequenas esquetes, sempre com planos fixos e bem abertos, criando algumas vezes amplos enquadramentos e humor ácido, negro, jocoso. Algumas esquetes voltam mais tarde, mas em todas elas além de um agonizante desanimo e da famigerada crítica à questão humana, há muito da intolerância, do egoísmo e uma constante desalegria em estar vivo.
Planeta Terror
O filme de Robert Rodriguez é uma grande brincadeira, mistura de sátira aos filmes de zumbi de Romero e a Um Drink no Inferno (do próprio diretor), é um cineasta bebendo em seu próprio cinema, buscando afirmar uma identidade que ele nem mesmo possui. Por outro lado é um deleite sanguinário, humor escachado, deboche. Não iremos além de um competente filme de ação, sem nenhum desejo de parecer verossímil, e neste ponto está seu grande trunfo.
Truques
Enquanto cruzamos com uma realidade social polonesa, estamos a acompanhar as estripulias desse garoto sonhando em encontrar seu pai, acreditando que seus pequenos “truques” podem trazer a sorte que ele precisa para esse encontro. É quase uma fábula verossímil, talvez o mais próximo da visão infantil do mundo adulto que o cinema até então conseguiu. O roteiro não pretensioso, que em sua inventividade não deseja ir muito além do que propriamente é, consegue mais que divertir, chegamos ao ponto em que a torcida para que os tais truques funcionem já está enraizada dentro de nós.
Inocência, ingenuidade, sonhos (ou até delírios). O papa irá visitar uma pequena cidade no interior do Uruguai, parte da sobrevivência da região vem dos muambeiros que atravessam a fronteira com o Brasil para trazer mercadorias com preço mais em conta (muitos fazem o trajeto de dezenas de quilômetros de bicicleta). São vidas humildes, famílias pobres morando em minúsculas casas rústicas. A diversão masculina são os encontros no boteco e a visita da santidade movimenta os sonhos dessa gente pobre em fazer fortuna. Cada um tem uma idéia brilhante para ficar rico com as dezenas de fiéis que passarão um dia pela cidade. A dupla César Charlone e Enrique Fernandez filma a ferida exposta, com humor leve e um retrato concreto da dureza daquela gente, o filme atinge em cheio os sonhos ingênuos, a realidade estéril, e algumas das cenas finais são realmente de cortar o coração. Tudo tratado com delicadeza ingrata pela dupla de cineastas.
Você, os Vivos
Na visão de Roy Andersson o mundo é mórbido, cruel, monótono, desesperançoso e mordaz. Os tons variam sempre entre o cinza, o verde musgo, o azul marinho, mundo sem alegria, irônico, blasé. O filme é formado de pequenas esquetes, sempre com planos fixos e bem abertos, criando algumas vezes amplos enquadramentos e humor ácido, negro, jocoso. Algumas esquetes voltam mais tarde, mas em todas elas além de um agonizante desanimo e da famigerada crítica à questão humana, há muito da intolerância, do egoísmo e uma constante desalegria em estar vivo.
Planeta Terror
O filme de Robert Rodriguez é uma grande brincadeira, mistura de sátira aos filmes de zumbi de Romero e a Um Drink no Inferno (do próprio diretor), é um cineasta bebendo em seu próprio cinema, buscando afirmar uma identidade que ele nem mesmo possui. Por outro lado é um deleite sanguinário, humor escachado, deboche. Não iremos além de um competente filme de ação, sem nenhum desejo de parecer verossímil, e neste ponto está seu grande trunfo.
Truques
Enquanto cruzamos com uma realidade social polonesa, estamos a acompanhar as estripulias desse garoto sonhando em encontrar seu pai, acreditando que seus pequenos “truques” podem trazer a sorte que ele precisa para esse encontro. É quase uma fábula verossímil, talvez o mais próximo da visão infantil do mundo adulto que o cinema até então conseguiu. O roteiro não pretensioso, que em sua inventividade não deseja ir muito além do que propriamente é, consegue mais que divertir, chegamos ao ponto em que a torcida para que os tais truques funcionem já está enraizada dentro de nós.