Flandres (Flandres, 2006 – FRA)
O título refere-se ao nome dado a uma pequena região compreendida em parte da divisa de França e Bélgica. Ali nasceu o cineasta Bruno Dumont. O diretor nos oferece poucos elementos, tal qual a juventude tem a seu dispor. O ambiente bucólico, a vida em câmera lenta, a presença das máquinas contrastando com a natureza (tratores, motos). Jovens isolados, sem grandes perspectivas, imaturos, indiferentes.
Andre é fazendeiro, quieto, tímido. Às vezes deita-se pelos campos com Barbe, fazem sexo. Ato bruto, instintivo, animal, se há sentimentos de um pelo outro, estão reclusos de maneira tão introspectiva que nem eles conseguiram enxergar. Ela deita-se com outros. Além do sexo, só resta a esses jovens alguns encontros com amigos, em bares ou qualquer outro lugar. Os planos são predominantemente estáticos, Dumont faz ótimo uso do cinemascope, nos oferecendo uma paisagem árida ao extremo (metáfora da alma desses personagens). Surge uma grande novidade, uma guerra (nenhuma referência à época ou local), os homens alistam-se, resta pouco às mulheres, Barbe enlouquece, tédio.
A fase na guerra é composta de seqüências cruéis e doloridas, repleto de cenas que nos causam surpresa e espanto (a explosão com os cavalos, o rapaz carbonizado, morte de crianças, etc). Não há máscaras, heroísmos, romantização, Bruno Dumont nos insere na violência de forma crua, pulsante. Um bando de garotos imaturos, perdidos, capazes de atos abomináveis, a poeira e o suor grudados em seus rostos, o medo estampado em suas faces, um flagrante cada um por si. Todos sabem que ninguém escapa ileso de uma guerra, Dumont nos oferece o retorno de alguns deles a Flandres, um pouco mais maduros, um pouco mais humanos, homens diferentes (isso não significa melhores).
Com seu ritmo compassado e paciente, Bruno Dumont retira camadas para nos oferecer o ser humano em seu estado bruto, o quanto somos animais quando expostos a situações-limite. No fundo Flandres não nos equipara a eles, seja na vida interiorana e próxima da natureza, seja na guerra, seja no retorno dos horrores dela, quando precisamos mostrar nosso íntimo, é o lado animal que fala mais alto.
O título refere-se ao nome dado a uma pequena região compreendida em parte da divisa de França e Bélgica. Ali nasceu o cineasta Bruno Dumont. O diretor nos oferece poucos elementos, tal qual a juventude tem a seu dispor. O ambiente bucólico, a vida em câmera lenta, a presença das máquinas contrastando com a natureza (tratores, motos). Jovens isolados, sem grandes perspectivas, imaturos, indiferentes.
Andre é fazendeiro, quieto, tímido. Às vezes deita-se pelos campos com Barbe, fazem sexo. Ato bruto, instintivo, animal, se há sentimentos de um pelo outro, estão reclusos de maneira tão introspectiva que nem eles conseguiram enxergar. Ela deita-se com outros. Além do sexo, só resta a esses jovens alguns encontros com amigos, em bares ou qualquer outro lugar. Os planos são predominantemente estáticos, Dumont faz ótimo uso do cinemascope, nos oferecendo uma paisagem árida ao extremo (metáfora da alma desses personagens). Surge uma grande novidade, uma guerra (nenhuma referência à época ou local), os homens alistam-se, resta pouco às mulheres, Barbe enlouquece, tédio.
A fase na guerra é composta de seqüências cruéis e doloridas, repleto de cenas que nos causam surpresa e espanto (a explosão com os cavalos, o rapaz carbonizado, morte de crianças, etc). Não há máscaras, heroísmos, romantização, Bruno Dumont nos insere na violência de forma crua, pulsante. Um bando de garotos imaturos, perdidos, capazes de atos abomináveis, a poeira e o suor grudados em seus rostos, o medo estampado em suas faces, um flagrante cada um por si. Todos sabem que ninguém escapa ileso de uma guerra, Dumont nos oferece o retorno de alguns deles a Flandres, um pouco mais maduros, um pouco mais humanos, homens diferentes (isso não significa melhores).
Com seu ritmo compassado e paciente, Bruno Dumont retira camadas para nos oferecer o ser humano em seu estado bruto, o quanto somos animais quando expostos a situações-limite. No fundo Flandres não nos equipara a eles, seja na vida interiorana e próxima da natureza, seja na guerra, seja no retorno dos horrores dela, quando precisamos mostrar nosso íntimo, é o lado animal que fala mais alto.
Barbe (Adelaïde Leroux) Andre Demester (Samuel Boidin) Blondel (Henri Cretel)