junho 2007 Archives

Big River

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Big River (Big River, 2005 – EUA/JAP)


O cineasta japonês Atsushi Funahashi resolveu filmar um road movie no deserto do Arizona, sua admiração pelas paisagens oníricas da região é evidente. Então ele teve a idéia de fazer uma interação com representantes das três principais culturas dominantes no mundo. O imperialismo norte-americano, o exotismo oriental e a rigidez muçulmana. Até aí tudo bem, a premissa pode soar capenga, mas é possível até sonhar com algo bom desse encontro heterogêneo.

Um jovem japonês (Teppei), cruzando o mundo com uma mochila nas costas, se encontra com um paquistanês de meia-idade (Ali) perto da fronteira dos EUA. Um ajuda, o outro oferece uma carona, entre o sem jeito e o pouco a vontade, seguem viagem. Milhas à frente conhecem a jovem Sara, estonteante e inversamente proporcional desgostosa da vida sem graça que leva no deserto texano. Ali está em busca de sua esposa, Sara atrás de uma ilusão que a faça enxergar um horizonte, Teppei deseja descobrir, conhecer, seja o que for.

Juntos cruzam boa parte do país, vidas vagas, imagens vagas, a toda hora Funahashi corta para a paisagem árida e desértica, quer sinais poéticos. Não consegue ele estabelecer os parâmetros que deseja fornecer a sua premissa inicial, a incompreensão dos povos e seus costumes? A possibilidade de encontrar rumo onde menos se espera? A triste realidade de que no fundo, nunca mudamos completamente, seremos sempre as mesmas pessoas e as experiências da vida apenas tornam-se um bando de lembranças guardadas na memória?
Funahashi não propõe nada, a imagem segue aqueles corpos, introvertidos, receosos.

Temos contudo visões caricatas dos povos abordados, entre uma ou outra parada para sentir o vento e apreciar a bela paisagem, o que vemos é uma visão preconceituosa e cercada de pré-conceitos. Mal se falam, mal se compreendem, mas nasce um cumplicidade entre aqueles colegas que aprendem a aceitar as diferenças dos companheiros. E o público tenta entender o porquê de estar assistindo aquilo tudo. Por uma fotografia linda, porém óbvia? Pela beleza e sensualidade sem adjetivos de Chloe Snyder, ou por esse apelo poético que não tem nada a dizer? Faz tempo que deixei de acreditar na compreensão dos povos, e agora me aparece esse cara achando que encontrou a solução mantendo os diferentes grudados até que se respeitem? Quase nada interessante, quase nada.

Teppei (Jo Odagari) Sarah (Chloe Snyder) Ali (Kavi Raz)
Primeiro Amor (Pierwsza Milosc, 1974 - POL)

Gravidez na adolescência. Abortar ou assumir o filho? Casamento? Tantas dúvidas e incertezas, Kieslowski novamente com primazia disseca um tema cheio de dissabores, a precisão com que trata cada emoção, cada preocupação e cada incerteza nos momentos do casal (juntos ou em separado) são de veracidade e preciosidade latentes. A ligação aos prantos para a mãe, os conselhos contra o casamento e a possibilidade de sustentar uma família, o amor adolescente que acredita não haver barreiras intransponíveis e nem dificuldades tão complexas. Quanto mais jovem, mais acreditamos no ser possível, e realmente é, que as dificuldades existam, e Kieslowski está ali como observador apenas permitindo que tudo aquilo seja relatado com dose certa de emoção e um grande espaço para a esperança.


Curriculum Vitae (Zyciorys, 1975 - POL)

Audiência com a alta cúpula do partido para decidir a expulsão de um membro que tenta defender-se das acusações. Não há interferência do diretor e o que vemos é um sujeito complicando-se a cada nova explicação dos fatos. Difícil conter as risadas com tamanha capacidade de se envolver em trapalhadas. Por exemplo na carta de um pai dizendo que até conhecê-lo a menina era uma garota inocente (e ele um homem casado), ou no caso dos subalternos que levaram bebidas para a base do partido e que ele não conseguia controlar a bebedeira (isso com quinze dias de transferência, num histórico de dois anos sem qualquer confusão no local). O documentário é bastate escuro, focado nos rostos e nas tentativas frustradas do membro do partido em defender-se de fatos tão irrefutáveis, no mínimo divertido.




Claquete (curta)
Se não fosse a assinatura o curta estaria engavetado num canto qualquer pela simples desimportância de existir. É uma brincadeira, bem ao estilo molecagem adolescente, formado unicamente de cortes diversos logo após a batida da claquete, marcando alguns erros de filmagem. Nada demais, nada de importante, uma divertida e tola molecagem.

O Albergue Espanhol

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O Albergue Espanhol (L'auberge Espagnole, 2003 – FRA/ESP)


Bem-humorado, animado, alto-astral. Qual apartamento dividido apenas por universitários não seria assim? Não são mais adolescentes, mas ainda não se tornaram adultos. Ficam naquela fase intermediária, rindo de qualquer besteira, enquanto flertam com o futuro profissional, os namoros que podem vir a se tornar casamentos, o início da estrada que representará sua vida. Cédric Klapisch jogou naquele apartamento todos os tipos (como era de se esperar), querendo brincar com a diversidade, desejando enumerar as diferenças, as escolhas (culturais, sexuais, e demais).

Por isso não é de estranhar que haja a garota homossexual, o mais bem-humorado, a nacionalista, o super-estudioso, e o desajeitado francês que será o foco central. Ele vem à Espanha estudar economia, e principalmente a língua e costumes do local, já que há um grande emprego o esperando quando retornasse à França. A experiência de viver num outro país obviamente é de muita riqueza ao jovem, não só pelas diferenças, mas principalmente pelo ganho de maturidade, por sair da casa da mãe e ter que se virar sozinho com suas coisas, com a arrumação do quarto e etc.
No meio de tudo isso surgem as confusões, o fortalecimento das amizades e as situações mais que divertidas que aquela turma de amigos apronta naquele pequeno albergue espanhol. O momento mais hilário é a corrida por Barcelona, de todos os amigos querendo avisar a britânica de que seu namorado estava chegando de surpresa. O desfecho é o momento mais hilário. De resto, são pequenas situações, sempre hilárias, e principalmente críveis, típicas da idade, do momento, dos anseios desses jovens prontos para descobertas, para novas aventuras, por sensações diversas. É um gostoso passatempo. Pena que Romain Duris seja tão ruinzinho.
(Non ou a Vã Glória de Mandar, 1990 - POR/ESP/FRA)

Manoel de Oliveira é um homem de visão diferenciada, isso é fato. Um bando de soldados prepara-se para mais uma batalha na última guerra colonial que Portugal enfrentou. Enquanto cruzam estradas de terra pela África, um oficial de alta patente narra algumas das maiores derrotas militares de seu país. Uma nação vivendo dos triunfos pelas enciclopédias, já que seus momentos mais triunfais estão séculos atrás, no período das Grandes Navegações.

Primeiro temos as discussões entre os pontos de vista dos soldados, tudo bem que eles têm visões políticas muito acima do normal, o mais importante é a discórdia apontando para os equívocos que os governos portugueses cometeram ao longo dos anos. Depois são inseridas as reconstituições de alguns desses momentos históricos, como a derrota do Rei Sebastião (cujo corpo jamais foi encontrado, nascendo a forte crença no Sebastianismo). Oliveira não está preocupado em reconstituir os momentos de batalha, é a construção mais teatral, repleta de colorido, exageradamente lenta (é verdade).

O filme é por demais lento (uma característica sua), mas aqui o tema roda em círculos e só vai ganhar alguma complexidade maior no momento do término, quando somos ligados ao dia da revolução (momento histórico em que o Salazarimos chegou ao fim em Portugal, na chamada Revolução dos Cravos, talvez o grande momento do país depois desses séculos de perdas). Por isso Oliveira tem essa visão diferenciada, ao escancarar as derrotas (na verdade agradecendo por elas terem ocorrido) no meio da última grande derrota, ele ressurge com o momento de glória do povo português, quando no meio da derrubada do governo, ninguém sabe porque, mas a população carregava botões de cravo pelas ruas.
Oliveira é mais que um pacifista, é um observador que não se fixa apenas nesse seu dom, vai mais além ao colocar o mundo sob sua visão, uma visão diferenciada que não pára um instante de criticar os erros, mais sabe dar voz aos acertos. Poderia ser melhor, mas não deixa de ser uma voz crítica e um belo documento histórico.

Irreversível

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Irreversível (Irréversible, 2002 - FRA)

É um filme essencialmente de forma, capaz de sobreviver unicamente por seu formato despojado, único, alucinante. O conteúdo é ralo, incongruente, aliás, até meio careta (por incrível que pareça). Um casal apaixonado, uma festa, uma briga, um estupro, um club gay, vingança. A narração é toda feita de trás para frente, ocupando-se do período de um único dia. Começamos pela vingança, para terminar nos pombinhos apaixonados.

Irreversível tenta ganhar seu público pelo apelo do choque, as cenas de violência são explícitas, o sexo presente, principalmente no mundo underground. Toda a trama almeja dar consistência à frase “o tempo destrói tudo”, quando se percebe que Gaspar Noe quer apenas mostrar-se um cineasta inventivo, capaz de criar um estilo único, sonha em reinventar a roda.

A composição é de poucos e longos planos-seqüência, câmera em total movimento (para todos os lados e ângulos), como uma metralhadora giratória. A imagem roda todo momento, criando um efeito de progressão, de alucinação, não se pode negar que Noe consegue proezas, pois os incansáveis movimentos casam hermeticamente com tudo que se vê. Música, drogas, um túnel vermelho, uma mulher estonteante, um namorado sedento por vingança, violento, e a câmera gira, seja no ritmo da música, seja na pulsação do coração, seja na quantidade de fúria, a câmera gira.

Os cortes são interessantes, por mais que saibamos o momento exato, a sensação é de continuidade, de um único corte, e a câmera vai para a rua, e volta para a ambulância, e chega na festa. E os tons amarelados e avermelhados na fotografia essencialmente negra, unificação perfeita entre movimento, cor e imagem. Noe não nos ofereceu um grande filme, mas ofereceu algo inusitado, diferente. Vale muito mais pela experiência e possibilidade de oxigenar o cinema do que pela história em si. Monica Bellucci e Vicent Cassel entregues, ele alucinado, contagiante, e ela tem o caminhar mais sexy e elegante que alguém possa imaginar.

Alex (Mônica Bellucci) Marcus (Vicent Cassel) Pierre (Albert Dupontel)

Cão Sem Dono

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(2007)

Por mais que seus filmes não tivessem conquistado muita gente (eu inclusive), sempre notei uma presença forte e marcante nos trabalhos de Beto Brant. Como uma voz que diz “aguarde que ele vai acertar”. Brant tem seu estilo, por mais que uma gritante diferença tenha sido ajambrado em seus últimos trabalhos, é possível identificá-lo, mudou e aprimorou-se, e ainda continua o mesmo.

Trata-se de um filme apropriadamente inundado por seu formato, a irregularidade é presente na proposta, e o filme necessita e busca essa irregularidade. Tudo porque o cão sem dono do título é o próprio protagonista (mesmo que ele tenha um cão, ou um amigo como prefere considerar). Ciro vive como um vira-lata, objetos em sua casa são raros, apenas o necessário. Remuneração apenas pinga em seus bolsos, as frases são econômicas, os movimentos fadigados, seu estilo de viver é tal qual de um vira-lata despreocupado com o amanha.

Nessa realidade entra Marcela, linda, sorridente, cheia de vida. Tenta a carreira de modelo e chega como um furacão na vida de Ciro. A narrativa transporta um clima misterioso, é difícil sacá-lo, pescar qual sua verdadeira proposta, prever desdobramentos. O fiapo de história chega por osmose, e só perto do fim percebemos que a proposta está na catarse, não da própria história, mas na vida de Ciro. Como se ressurgisse da lama um novo homem, o fim da tardia de uma adolescência que teimava em não desgrudar, porém não antes das dificuldades necessárias para se atingir essa nova fase de amadurecimento. Nesse processo, o mais interessante, é que não há processo de redenção, não era disso que Ciro precisava, e sim uma fase de aprendizado próprio causada pela reviravolta que sua vida foi tomada de assalto.

Brant começa a se encontrar numa proposta de cinema, deixando a violência para alcançar aspectos mais intrínsecos da alma humana. Seus filmes tornaram-se menos comerciais e muito subjetivos, é uma câmera detalhista posicionada milimetricamente, cada plano raciocinado sobre sua existência e não mera conformidade ao roteiro. Cada corte é marcado pelo escurecimento da imagem, quase uma câmera lenta, oferecendo espaço para um respiro. Brant deixa a arrogância artística de seu último trabalho para junto com o co-diretor Renato Ciasca encontrar de vez uma tênue forma de prosseguir sua carreira, ou não? O que vale é que Cão Sem Dono consegue transmitir sua ousada proposta, de forma crua e envolvente, o caminho parece que está certo.

Ciro (Júlio Andrade) Marcela (Tainá Muller)

Lady Vingança

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(Sympathy for Lady Vengeance / Chinjeolhan Geumjasshi, 2005 - COR)


Parece que quase tudo que funcionou em Oldboy tornou-se fracasso aqui, tudo bem excetue os posicionamentos de câmera e seu manejo, também os cortes precisos e a agilidade narrativa. O problema é estrutural, e o desastre do roteiro a ancora no desfecho da trilogia de vingança de Park Chan-Wook. O dilema moral é fraco e óbvio, por mais justificável, e falta a engenhosidade capaz de nos manter sem respirar no filme anterior, restou uma inexistência de criatividade.

O cineasta continua misturando muito bem flashbacks e ação presente, dá cadência e ritmo ao filme, porém toda a fase no presídio é tola, obtusa, essencialmente torta. Por mais que justifique as relação que serão benéficas à Lady Vingança no futuro, o conjunto de ações não se encaixa com a personagem, fica tudo dúbio e estranho. Trata-se de um filme de peças que não se encaixam, por não combinarem entre si.

Treze anos presa, Lee Geum-Ja quer vingança, supostamente planejou-a quando encarcerada, mas o que se viu foi apenas cultivar o sentimento de ódio e seu desejo de vingança. Park Chan-Wook quer dizer que a mulher não é mais humana e sensitiva aos sentimentos alheios? O desfecho deixou-me com essa pergunta. Após todo o sangue esparramado pela tela, o cineasta quis nos convencer que ainda bate ali um coração? Sempre bateu, o desejo de vingança era latente, mas a personagem a todo momento deixava resquícios de fraqueza por mais que as imagens tentassem provar o contrário. É isso, Park Chan-Wook idealizou e criou as seqüências com um objetivo, só não conseguiu transmiti-lo essencialmente e então ficamos com uma sede de vingança que não nos é confirmada pela personagem que se esforça para ser levada a sério pelo público.

Lee Geum-Ja (Lee Yeong-Ae) Sr. Baek (Choi Min-Sik)

Fora do Jogo

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(Offside, 2006 – IRA)

O argumento é muito melhor que a realização, e não sou daqueles a ficar procurando desculpas para sublinhar um filme com um conceito justo e sabiamente crítico, se seu desenrolar não consegue sobrepor-se ao argumento idealizado. Resumindo, ficou melhor no papel e nas sinopses do que ao assistir. Ficou confuso?

Se Jafar Panahi queria mostrar que em período de Copa do Mundo tudo se releva, tudo se pondera, então ele conseguiu. Se pretendia mostrar a vergonhosa proibição da entrada de mulheres em estádios no Irã, ele também conseguiu. Só que a certeza é de que as pretensões eram muito maiores, o que Panahi queria através da demonstração (quase documental) da impossibilidade das mulheres festejarem o futebol dentro dos estádios era novamente apontar a situação da mulher nos paises Islâmicos. A total diferença imposta por homens às mulheres, renegadas ao papel de coadjuvantes, obstinadas à situação de manterem-se caladas e impossibilitadas de vontade própria.

Portanto o argumento é sempre válido, e a idéia de provar que os executores dessas leis estapafúrdias não sabem nem explicar o porquê de proibições tão bestas, é louvável e explicitamente crítico, sem papas nas línguas. Isso tudo não significa que Panahi tenha feito um filme bom, já que os diálogos são amplamente tolos e infantis, alguns personagens completamente desprovidos de inteligência, um conjunto de cenas em que fica difícil cair nas garras de Panahi. A verdade é que não se trata de um filme ruim, apenas um filme chato, cansativo, sobre garotas tentando entrar no jogo que levaria o Irã à Copa da Alemanha. Mas estamos falando de futebol, e quando essa paixão mundial está em voga, tudo fica para segundo plano, guerras param, discussões terminam, e a van se perde entre as comemorações do povo.

Zodíaco

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(Zodiac, 2007 - EUA)

O filme é aberto num plano-sequencia, a câmera posicionada no banco do passageiro focaliza as casas da pacata cidade por onde o carro está cruzado. Em questão de segundos estamos imersos no ambiente, na época, David Fincher já angariou parte do público. Prepare-se para mais enquadramentos admiráveis e uma direção inspiradíssima, há uma tomada em especial fantástica, uma imagem área acompanhando o trajeto de um carro.

O assassino auto-intitulado Zodíaco começou sua série de crimes na final da década de sessenta, mandava cartas codificadas a grandes jornais, quebrava estruturas de serial-killers, fazia o dia para deixar a polícia jornalistas completamente loucos. Com mais de duas horas e meia de duração, o roteiro decide esmiuçar detalhes, principalmente as cartas, e o que temos é um filme esticado, pragmático no miolo, uma história patinando. Porém o cartunista Robert Graysmith inicia sua obsessão pelo assassino e com ele finalmente embarcamos no mundo das investigações. Fincher mostra novamente seus ares inspirados nos minutos finais, tornando-os eletrizantes.

Engraçado que mesmo com o meio sonso, Robert Downey Jr é a lembrança imediata que temos do filme, engraçado porque ele basicamente atua nessa parte melindrosa da história, a construção do jornalista é impar, de um cuidado e talento que demonstram novamente o quão diferenciado é esse ator. Zodíaco cruza décadas, causa a morte de mais de uma dezena de pessoas, e o que se destaca realmente é a forma como Fincher conduziu tudo isso, não por ele Zodíaco não ria tão longe.

Robert Graysmith (Jake Gyllenhaal) Inspector David Toschi (Mark Ruffalo) Inspector William Armstrong (Anthony Edwards) Paul Avery (Robert Downey Jr.) Arthur Leight Allen (John Carroll Lynch)

Hércules 56

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(2007)


Numa mesa, um bate-papo entre cinco dos idealizadores e/ou executores do seqüestro (captura, como preferem usar) do embaixador norte-americano na época da ditadura militar. Entre eles o atual ministro Franklin Martins. Eles relembram organizações, nomes, situações e detalhes sobre toda a operação. Discutem o passado, mas também o presente da política nacional. De outro lado seremos apresentados aos quinze prisioneiros libertados pelo tal ato rebelde. Os ainda vivos dão depoimentos sobre a época, sobre suas participações, sobre os tempos de prisão e o inesperado e mais interessante de todos: os relatos da tensa viagem a bordo do Hércules 56 rumo ao México.

Não é um documentário didático, está mais ligado à discussão e as recordações de toda tensão envolvendo o país e o seqüestro em si. Silvio Da-rin permite que tudo e todos fiquem à vontade, sem intervenções e assim o papo rola solto, tomando rumos determinados pelo andamento da prosa.É enriquecedor no aspecto curiosidade, além de apontar as inúmeras falhas e discordâncias das figuras mais influentes da época. Havia o que eram a favor da luta armada, os que lutavam politicamente, apaziguadores e rebelados.
rebelados.

A bagunça ideológica transformou à época os dissidentes num bando de grupos mal-organizados e despreparados, imbuídos num único sonho. Hércules 56 nos oferece uma nova visão dentro de fatos tão difundidos, é mais que válido, é realmente prazeroso de se ver e constatar os caminhos de cada um, desde apolítica e o sindicalismo, até a música.

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Michel Simões