Big River (Big River, 2005 – EUA/JAP)
O cineasta japonês Atsushi Funahashi resolveu filmar um road movie no deserto do Arizona, sua admiração pelas paisagens oníricas da região é evidente. Então ele teve a idéia de fazer uma interação com representantes das três principais culturas dominantes no mundo. O imperialismo norte-americano, o exotismo oriental e a rigidez muçulmana. Até aí tudo bem, a premissa pode soar capenga, mas é possível até sonhar com algo bom desse encontro heterogêneo.
Um jovem japonês (Teppei), cruzando o mundo com uma mochila nas costas, se encontra com um paquistanês de meia-idade (Ali) perto da fronteira dos EUA. Um ajuda, o outro oferece uma carona, entre o sem jeito e o pouco a vontade, seguem viagem. Milhas à frente conhecem a jovem Sara, estonteante e inversamente proporcional desgostosa da vida sem graça que leva no deserto texano. Ali está em busca de sua esposa, Sara atrás de uma ilusão que a faça enxergar um horizonte, Teppei deseja descobrir, conhecer, seja o que for.
Juntos cruzam boa parte do país, vidas vagas, imagens vagas, a toda hora Funahashi corta para a paisagem árida e desértica, quer sinais poéticos. Não consegue ele estabelecer os parâmetros que deseja fornecer a sua premissa inicial, a incompreensão dos povos e seus costumes? A possibilidade de encontrar rumo onde menos se espera? A triste realidade de que no fundo, nunca mudamos completamente, seremos sempre as mesmas pessoas e as experiências da vida apenas tornam-se um bando de lembranças guardadas na memória?
Funahashi não propõe nada, a imagem segue aqueles corpos, introvertidos, receosos.
Temos contudo visões caricatas dos povos abordados, entre uma ou outra parada para sentir o vento e apreciar a bela paisagem, o que vemos é uma visão preconceituosa e cercada de pré-conceitos. Mal se falam, mal se compreendem, mas nasce um cumplicidade entre aqueles colegas que aprendem a aceitar as diferenças dos companheiros. E o público tenta entender o porquê de estar assistindo aquilo tudo. Por uma fotografia linda, porém óbvia? Pela beleza e sensualidade sem adjetivos de Chloe Snyder, ou por esse apelo poético que não tem nada a dizer? Faz tempo que deixei de acreditar na compreensão dos povos, e agora me aparece esse cara achando que encontrou a solução mantendo os diferentes grudados até que se respeitem? Quase nada interessante, quase nada.
Teppei (Jo Odagari) Sarah (Chloe Snyder) Ali (Kavi Raz)
O cineasta japonês Atsushi Funahashi resolveu filmar um road movie no deserto do Arizona, sua admiração pelas paisagens oníricas da região é evidente. Então ele teve a idéia de fazer uma interação com representantes das três principais culturas dominantes no mundo. O imperialismo norte-americano, o exotismo oriental e a rigidez muçulmana. Até aí tudo bem, a premissa pode soar capenga, mas é possível até sonhar com algo bom desse encontro heterogêneo.
Um jovem japonês (Teppei), cruzando o mundo com uma mochila nas costas, se encontra com um paquistanês de meia-idade (Ali) perto da fronteira dos EUA. Um ajuda, o outro oferece uma carona, entre o sem jeito e o pouco a vontade, seguem viagem. Milhas à frente conhecem a jovem Sara, estonteante e inversamente proporcional desgostosa da vida sem graça que leva no deserto texano. Ali está em busca de sua esposa, Sara atrás de uma ilusão que a faça enxergar um horizonte, Teppei deseja descobrir, conhecer, seja o que for.
Juntos cruzam boa parte do país, vidas vagas, imagens vagas, a toda hora Funahashi corta para a paisagem árida e desértica, quer sinais poéticos. Não consegue ele estabelecer os parâmetros que deseja fornecer a sua premissa inicial, a incompreensão dos povos e seus costumes? A possibilidade de encontrar rumo onde menos se espera? A triste realidade de que no fundo, nunca mudamos completamente, seremos sempre as mesmas pessoas e as experiências da vida apenas tornam-se um bando de lembranças guardadas na memória?
Funahashi não propõe nada, a imagem segue aqueles corpos, introvertidos, receosos.
Temos contudo visões caricatas dos povos abordados, entre uma ou outra parada para sentir o vento e apreciar a bela paisagem, o que vemos é uma visão preconceituosa e cercada de pré-conceitos. Mal se falam, mal se compreendem, mas nasce um cumplicidade entre aqueles colegas que aprendem a aceitar as diferenças dos companheiros. E o público tenta entender o porquê de estar assistindo aquilo tudo. Por uma fotografia linda, porém óbvia? Pela beleza e sensualidade sem adjetivos de Chloe Snyder, ou por esse apelo poético que não tem nada a dizer? Faz tempo que deixei de acreditar na compreensão dos povos, e agora me aparece esse cara achando que encontrou a solução mantendo os diferentes grudados até que se respeitem? Quase nada interessante, quase nada.
Teppei (Jo Odagari) Sarah (Chloe Snyder) Ali (Kavi Raz)