E o Oscar vai para a kombi amarela, porque ela é simplesmente o máximo. Tudo bem que Arkin compôs um personagem inesquecível, que Greg Kinnear se firma cada vez mais como um talentoso ator, ou que Toni Collette e Steve Carell representem seus personagens de forma tão natural, que a prodígio Abigail Breslin encanta. E principalmente que Paulo Dano está espetacular (e quase ninguém se lembra de citar). Tudo isso forma o caldo, mas o charme todo está naquela kombi amarela com problemas de embreagem. Fale em Pequena Miss Sunshine e a primeira lembrança será da kombi.
Então é só aquele carro desajeitado o causador de tanto sucesso? De jeito nenhum, há dentro daquela geringonça ambulante uma caricatura familiar elaborado com requinte, sarcasmo e um toque de sabedoria, fruto de um roteiro consistente não preocupado apenas em criar situações cômicas. O cômico do filme surge naturalmente, como quando Richard é parado pela polícia e pede para a família fingir-se de normal. Normal como? Ele um alucinado por uma técnica de auto-ajuda furada que ele mesmo inventou. O filho adolescente em voto de silêncio, manda recados em blocos e não esconde odiar a todos. O avô viciado, o tio gay, culto e suicida e assim sucessivamente.
Num primeiro olhar, parecem um bando de perdedores, só que essa é uma análise rala, estritamente superficial, estamos falando de pessoas incomuns, sim desequilibradas, mas ainda assim repletas de um entusiasmo. Talvez seja esse o adjetivo do filme, entusiasmo, seja ele de Richard ao falar dos nove passos, seja de Olive com a participação no concurso, seja Dwayne (sim ele mesmo) em se tornar piloto de caças. E esse entusiasmo tão difundido entre uma família tão heterogênea é transmitido para além da película. Isso porque o filme é simplesmente hilário, inteligente, crítico sem ser óbvio.
A direção de Jonathan Dayton e Valerie Faris começa com o espírito de enquadramentos indies e tudo mais que anda em moda (e acaba perdendo a graça), porém com o passar do tempo, estamos tão entretidos com o entusiasmo daquela família, seus micro-problemas que dissolvem-se ou eclodem em velocidade exorbitante, que até mesmo a câmera aquietasse sem cair no óbvio. E Dwayne me surpreendeu, tanto mal-humor e doçura, uma ojeriza forçada e típica da adolescência, a cena do abraço talvez seja a mais marcante, aquele garoto soube condensar o terremoto de emoções que seu personagem sugeria.
Olive (Abigail Breslin) Richard (Greg Kinnear) Dwayne (Paul Dano) avô (Alan Arkin) Sheryl (Toni Collette) Frank (Steve Carell)