janeiro 2007 Archives

Depois Daquele Beijo

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Depois Daquele Beijo (Blow Up, 1966 – ING)
Fotos aparentemente insignificantes, quando ampliadas revelam um possível assassinato. A trama corre basicamente por esse ponto. Quer saber, deixe de lado toda essa história, porque ela demonstra-se insípida, evasiva, em alguns pontos até mesmo absurda. O filme não é sobre isso, não se trata de um suspense sobre quem ou por que alguém foi assassinado. Nem mesmo a possível paranóia tomando conta do fotógrafo Thomas é capaz de nos instigar.

Michelangelo Antonioni nos oferece um explosivo e estiloso retrato da década de sessenta, a relação juventude x arte. Olhadas separadamente, algumas seqüências podem parecer completamente deslocadas, mas essa década de libertação não foi assim deslocada? Festas ilimitadas, sexo livre, apresentações musicais inflamadas, pintura, fotografia. Todos esses mundos estão lá, e Thomas desfila por cada um deles. Toda seqüência da apresentação da banda The Yardbirds num primeiro momento não parece ter lógica alguma. Porém enxergue por outro prisma, é Antonioni tirando uma fotografia da década.

Já de início temos a sessão de fotos com a modelo naquele irresistível modelito preto, o fotógrafo delirando, contagiando a moça, a busca pelo melhor ângulo, no final da sessão os corpos estão um sob o outro, quase realizando o ato sexual. É um momento de tirar o fôlego. O prestigiado fotógrafo Thomas será nosso chefe de cerimônias nessa viagem pelos anos sessenta, roupas, cabelos, desejos, teremos amostras de tudo que marcou aqueles anos inesquecíveis.

Mas não podemos nos esquecer que há toda a história das ampliações, do assassinato, e ao misturar a efervescência da época, ao calor da trama, não temos o resultado inesquecível que se poderia chegar. O filme de Antonioni vale muito, guarda momentos inesquecíveis, porém esses momentos poderiam ter sido melhor arranjados para auxiliar na história inspirada no conto escrito por Julio Cortazar. Blow Up vai ficar na memória, por David Hemmings, e principalmente pelo microcosmos que Antonioni conseguiu resumir perfeitamente.
Thomas (David Hemmings) mulher misteriosa (Vanessa Redgrave)

20 30 40

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20 30 40 (20 30 40, 2004 – CHI)

"Esta música te entristece?" "Não tenho tempo para tristeza.". Quando uma mulher de quarenta anos, recém divorciada, responde assim com espontaneidade, é hora de muita gente repensar seus conceitos e tirar dali algum ensinamento, algum exemplo de maneiras de se encarar a vida. Estaremos presentes na vida de três mulheres, independentes (de certa forma), em fases distintas de amadurecimento, patinando por seu espaço, buscando encontrar a si mesmas. Sorrindo, sofrendo, refletindo, simplesmente vivendo.
A diretora Sylvia Chang (também uma das protagonistas) cola uma sensação de honestidade e ternura tão forte nas imagens e personagens, que fica difícil não se sentir completamente à vontade, permitindo que o filme flua sorrateiramente. Sim há problemas, uma das histórias engole as demais, aliás, a da mais jovem pede por uma melhor elaboração, enquanto a da fase dos trinta merecia maior espaço. Ainda assim nada que atrapalhe pois Chang traz contemporaneidade tanto nos temas, como na forma de filmar, de maneira com que encontremos diversas mulheres dentro daquelas três. Elas não são resumos de suas gerações, mas representam uma parcela bem significativa das dores e aflições das mulhere moderna.
Xiao Jie sonha ser cantora, o sonho profissional mostra ser pouco fácil, ainda mais com a juventude e seus conflitos, a descoberta sexual, as primeiras paixões e desilusões. A aeromoça Xiang relaciona-se com vários homens, quando seu desejo maior é de encontrar o amor verdadeiro (interessante como num primeiro momento ela parece ser tão decidida e desencanada, e ao aprofundarmos surge a descoberta da desilusão de sua alma, de seus verdadeiros anseios). Lily busca reiniciar sua vida após o divórcio, as dificuldades por sentir-se sozinha, as novas amizades e descobertas de todas as coisas que deixara de fazer (descoberta de que não há idade para divertir-se).
No fundo são mulheres comuns, querendo sucesso profissional, sua independência, querendo respeito, sem deixar de almejar por carinho, amor, compreensão, por um companheiro para todos os momentos. Não importa a idade, os anseios são praticamente os mesmos, a diferença talvez seja a experiência e o amadurecimento para buscá-los. Sylvia Chang não precisa tornar homens como vilões de seu filme, todos os tipos desfilam timidamente pela câmera tão peculiar e de enquadramentos tão convidativos (e pouco usuais). E quase no final do filme, uma cena no piano, do homem só se focaliza as mãos, enquanto a mulher transmite milhões de sentimentos por segundo, se o filme tivesse sido ruim o tempo todo, só de ter o contexto para tornar aquele instante único e representativo, já teria valido. Ternura é pouco para a força daquela imagem que não sai da retina e do coração.
Xiao Jie (Lee Sinje) Xiang (Rene Liu) Lily (Sylvia Chang)

Decálogo 10 (Dekalog Dziesiec, 1988 – POL)


É dos roteiros mais emblemáticos da série, primeiro porque demora a exibir sua verdadeira faceta (e vinha muito bem antes disso), segundo por conter um humor intensamente presente mesmo com toda a atmosfera trágica que o cerca. Ousaria dizer que vai muito além do mandamento que se pretendia discutir, por testar os limites mais perigosos do ser-humano. A necessidade compulsiva por riqueza e poder.
Uma valiosíssima coleção de selos é herdada pelos filhos de um filatelista, os dois nunca se interessaram pela paixão do pai e não faziam idéia da grandiosidade da mesma. A idéia inicial era vendê-la, mas pouco-a-pouco o fascínio toma conta dos dois (principalmente após terem noção mais precisa da fortuna trancada naquele apartamento). Trabalho e família são jogados a segundo-plano, a obsessão passa a ser por medidas de segurança e em aprender mais sobre as séries de selos valiosas.
Os andamentos do roteiro suscitam os mais diversos valores morais, Krzysztof Kieslowski não estava dessa vez tão preocupado com a forma, pudera, ele possuía uma história repleta de meandros e pequenos diálogos memoráveis. Além da idéia central há um desenvolvimento bastante sólido em temas como: relação familiar, confiança, ganância, e certo limite ao absurdo de algumas decisões que alguém pode tomar. Jerzy Stuhr e Zbigniew Zamachowski surgem com brilhantismo em atuações impecáveis, primando pela dualidade moral.
Os contornos surpreendentes que toda história sugere, se por um lado deixam o público atônito com os perfis dos personagens, por outro terminam com uma dose de humor negro dilacerante e por si só impar. Kieslowski não dá espaços a julgamentos, seus personagens não podem ser julgados por nós (que podemos cometer erros equivalentes). Bárbaro do começo ao fim.

Decálogo 9 (Dekalog Dziewiec, 1988 – POL)

Toda a estrutura emocional de Roman é colocada à prova, primeiramente a constatação médica de sua iminente impotência sexual. Assunto dos mais delicados, pois fere a masculinidade, a virilidade, sintomático é o abatimento pessoal. Depois a dificuldade em dar a notícia à esposa, o sentimento de incapacidade, a discussão entre necessidade biológica e sexual. A esposa reage bem à notícia, é solidária e amorosa.
A surpresa do marido pode ter dois significados: o verdadeiro amor dela, ou a existência de uma terceira pessoa nessa relação. Não demora muito para que ele monte o quebra-cabeça e descubra o pior. Seus alicerces foram abalados, a pessoa que deveria ser seu porto seguro num momento tão difícil o apunhalou pelas costas. Um novo drama para alguém que não está controlado emocionalmente.
Pela fresta de uma porta de armário Roman espia sua esposa conversando com o amante, é um tipo de cena usado diversas vezes no cinema. Krzysztof Kieslowski consegue oferecer a nítida noção de estarmos presentes naquele momento voyeur, o campo de visão é pequeno, nas extremidades da imagem predomina a escuridão, o diretor transforma o trivial num momento especial. O aparelho telefônico também se torna figura central nessa história, sua presença é essencial e o cineasta o valoriza em diversas tomadas, mesmo quando não utilizado em sua função principal.
Toda a densidade intimista perfaz a desconstrução psicológica do personagem, a cada novo golpe o marido sente-se ainda mais soterrado, desgostoso de continuar, incapaz de procurar caminhos, de buscar soluções. Não é questão de questionar seus possíveis erros na relação, mas de saber até que ponto foi enganado, até que ponto ainda pode haver confiança nesse matrimônio. Kieslowski testando os limites de seu protagonista, sua capacidade de autocontrole em situações limite, os perigos da solidão.
Hanka (Ewa Blaszczyk) Roman (Piotr Machalica) Mariusz (Jan Jankowski)



Show dos Mutantes

Sinceramente, sem palavras, desde que meu grande amigo Andy me disse uma frase passei a usá-la o tempo todo (Viver p/ contar). E é mais ou menos isso sobre o show também. Como show foi maravilhoso? Não, muita gente perdida pro ali que só presenciava porque era de graça no anviersário da cidade, então nem sabiam direito o que estava acontecendo, que músicas eram tocadas e etc, mas tudo bem, quem gosta curtiu e curtiu muito. Agora é esperar por outro show, num lugar menor, e com o verdadeiro público dos Mutantes, ai sim vai ser inesquecível. Mas como retorno deles, e com a quantidade de gente que estava por ali, foi sim um marco, um grande momento, viver p/ contar... Aliás, numa puta confusão acabei não me encontrando com Stela e Andy pelo show, fiquei com minha amiga Babi e alguns amigos delas completamente vidrados em Mutantes (incluindo o namorado dela), uma delícia ver o delírio deles a cada música, cantando as que ainda queriam que tocasse... e depois uma esfiha de queijo na Esfiharia Imigrantes, chave de ouro!!!
Pressentimento é um negócio tão esquisito, não acha? Qual o motivo para seu nascimento, há alguma explicação científica? Creio que surja assim sem muita explicação, e quando aparece já chega deixando mensagens na cabeça. Qualquer movimento em torno da sua realização e bate um negócio forte no peito, uma ansiedade. Não sou muito de tê-lo, sempre fui centrado na razão (ultimamente que tenho equilibrado mais razão/emoção, ou melhor desequilibrado frequentemente), mas dia desses tive um pressentimento de coisa boa.
Realmente pressentimento é uma coisa estranha, talvez criemos numa forma de nos ludibriar, mas tem aquela pequena porcentagem de vezes em que realmente acontece, por isso sempre acabamos acreditando que pode mesmo se realizar. Não sei o porquê (quer dizer até sei), mas tive um forte pressentimento algumas semanas atrás, fiz um movimento, e esperei a reação dos astros. O pressentimento virou uma sementinha que plantei, nem sei ao certo se vou querer regar, mas está lá plantado, agora os fatos, atos e astros é que vai me dizer se vai valer a pena regar para florescer.
Mas o pressentimento continua, e cada vez mais forte, tem uma série de micro coincidências que fazem acreditar ainda mais nesse presságio, mas sei que há uma carga muito grande de vontade de realização (e então embola tudo, pressentimento, desejo de realização, incerteza). Então o que se fazer numa situação dessas? Apressar as coisas não me parece a melhor das decisões, posso ter escolhido a semente certa, no terreno certo, mas cultivado no tempo errado. O ideal seria que as coisas acontecem ao seu tempo, sem atropelos, mas e a ansiedade, e a vontade de descobrir se esse pressentimento é um aviso ou apenas uma maneira equivocada de interpretar coincidências? Mas as coincidências se atropelam, azar o meu por ser tão paciente, só não sei de onde invento tanta paciência. Tem gente que vai querer um chocolate para matar a ansiedade, eu quero sempre!!!
Essa conversa fiada (pensamento para ser mais exato) acima surgiu durante os shows de ontem. My friends, como foram longos para uma terça-feira! Aquilo não acabava nunca. Bom, tudo começou alguns dias antes quando fui comprar ingressos para o dia 22 e havia acabado 30 minutos antes, de raiva comprei para o outro dia sem saber se teria companhia ou não (muito desaforo atravessar a cidade para comprar um ingresso e voltar de mãos abanando). Bom, resumindo, fui sozinho mesmo, sendo que mal conheço as músicas de Ben Harper e Donavon Frankenreiter, mas gosto do estilo musical dos dois. Donavon entrou religiosamente às 22:00, e mandou bem, dois ou três hits empolgaram a galera que se aglomerava no Via Funchal, foram 50 minutos de um show redondo, gostoso, uma embalante surf music, um ótimo aperitivo.
Uma semana antes ouvi na rádio propaganda do show dizendo que Ben Harper tinha sido escolhido o Cara Mais Cool do Mundo. Deu medo, vontade de vender o ingresso, desistir. Ficamos esperando uma eternidade até começar, e o que você faz sozinho envolto a vários grupos de adolescentes animados (alguns histéricos), e uma enormidade de casais? Bom, você pensa na vida, e o turbilhão de assuntos surge com feroz velocidade, conclusão nenhuma, mas que você pensa muito, pensa. Bom, o show começou e já foi metralhando com guitarras estridentes e vários solos, mas o show foi morno quase que o tempo todo, Ben Harper quer mostrar que tem estilo, mas não conseguiu incendiar o público. Então o famoso intervalo do bis! Quer dizer, era o que pensávamos, porque o intervalo demorou 30 minutos, só que a volta teve mais de 1 hora de show, foi um intervalo mesmo. Resultado 2h e 45 de Ben Harper, oscilando entre formas de morno, com algumas baladinhas cansativas e dois espetáculo inesquecíveis o cara da percussão e o solo do baixista (o que foi aquilo?). Valeu, e como valeu, mas poderia ter sido melhor, Harper poderia ter dado basicamente o que o público queria, mais músicas dançantes e animadas e menos desejos do cantor em mostrar sua versatilidade e talento. Ben Harper quer ser Marvin Gaye de guitarras, aquele sim era Cool.

4 Décalogos - Parte 2

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Decálogo 2 (Dekalog Dwa, 1988 – POL)

Não desejaria uma situação como essa nem ao pior inimigo. Uma violinista vive um dilema terrível, o marido internado à beira da morte no hospital, ela descobre estar grávida do amante. Caso a marido sobreviva, ela terá que abortar (e muito provavelmente não poderá engravidar novamente). O médico responsável é um vizinho ranzinza, com quem eles não mantêm boas relações.
O parágrafo acima estraga parte da graça desse filme, porque todas estas peças do quebra-cabeça são expostas lentamente. Isso não implica em estar contando mais do que deveria, é outro ponto que tento abordar, descobrir lentamente a situação do casal, a relação com o vizinho, o intenso desejo do casal em terem um filho, todo esse jogo tecido por Krzysztof Kieslowski compreende grande valor dessa história. Aliás, pecados nessa pequena história não faltam, aborto e infidelidade são apenas dois mais óbvios.
Desmistificar as figuras centrais, talvez seja isso que Kieslowski melhor desenvolve no decorrer, a angústia de Dorota fica mais que bem explicada quando sabemos toda a verdade. Já a figura ranzinza do médico passa a ganhar outros contornos quando mergulhamos melhor em sua visão, na sua maneira de encarar o mundo. Estamos tratando com vidas, com o destino de muitas vidas, a câmera capta discretamente cada uma das emoções (por mais que estes personagens pareçam tão frios e distantes).

Dorota (Krystyna Janda) o médico (Aleksander Bardini)
Alguns dias antes da Mostra, tive o prazer de assistir alguns dos décalogos do grande Kieslowski, e além do filme reencontrar um amigo que vinha de longe foi melhor ainda. Antes da primeira sessão eu e Chico colocamos o papo em dia, e nos dias seguintes ainda nos encontraríamos diversas vezes. Essa semana será dedicada a estes ótimas médias, pena que não pude ver os outros, porque não vontade não faltou. E essa semana tem Mutantes, tem Ben Harper, tem Donavon, vai ser longa....


Decálogo 1 (Dekalog Jeden, 1988 – POL)

Ciência versus religião, posições antagônicas, mais heterogêneas do que água e óleo. Um professor universitário ensina o filho a conviver com as admiráveis facilidades da informática. Pode-se fechar uma torneira, apagar a luz, prever o tempo. O garoto obviamente fica maravilhado com aquele mundo de possibilidades, os jovens sempre estão adeptos às novas tecnologias. Sua tia quer lhe oferecer valores religiosos, cria-se um choque (infelizmente essa situação não é bem resolvida no roteiro, o conflito é muito mais presente nos adultos, e apenas sugerido ao público).
Dessa vez Krzysztof Kieslowski joga sujo em seu roteiro, nos cerca de delicadeza e ternura para depois sermos lançados num estopim de tragédia irremediável. Sua discussão sobre o antagonismo de dois modos de explicar o mundo e a existência, fica renegada a um drama impossível de passar indiferente, a crença ferrenha na máquina traz conseqüências nem sempre remediáveis.
É um filme poderoso, de grande impacto nos minutos finais, mas a discussão central perde força, o conflito não está tão bem resolvido. Sabemos que as crianças lidam muito melhor com assuntos tabus do que os adultos, mas a sugerida divisão entre máquina x Deus é parcial, Kieslowski não conseguiu manter-se indiferente. Sua fraqueza é devida ao próprio impacto final, que está ligada indiretamente a discussão desse mandamento. Mas o final é de uma tristeza sem fim, não há dúvidas.



MÚSICA DA SEMANA:

RUA AUGUSTA
(Mutantes - composição: Hervé Cordovil)

Subi a Rua Augusta a 120 por hora
Botei a turma toda do passeio pra fora
Fiz curva em duas rodas sem usar a buzina
Parei a quatro dedos da vitrine
Hi, hi, Johnny
Hi, hi, Alfredo
Quem é da nossa gang não tem medo
Hi, hi, Johnny
Hi, hi, Alfredo
Quem é da nossa gang não tem medo
Meu carro não tem luz, não tem farol, não tem buzina
Tem três carburadores, todos os três envenenados
Só para na subida quando acaba a gasolina
Só passo se tiver sinal fechado (Que legal!)

Hi, hi, Johnny
Hi, hi, Alfredo
Quem é da nossa gang não tem medo

Babel

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Babel (Babel, 2006 – EUA)

O tema está presente explicitamente no título, trata-se de um filme sobre a incomunicabilidade. Buscando abordar horizontes mais amplos, a globalização chega às telas de cinema, até então tínhamos co-produções multi-geográficas, agora a história o é. A fronteira México-EUA, Marrocos, Japão, um tiro, um feroz desencadeamento de situações dramáticas. É novamente Guillermo Arriaga no roteiro e Alejandro González Iñárritu na direção.
A meu ver, o grande problema é o próprio tiro, a preocupação em se formar uma poderosa ligação entre as três histórias (além do tema incomunicabilidade), seguindo os moldes de seus filmes anteriores, acarreta em quebra do ritmo nas histórias, em fracas interligações entre as mesmas, em exagero de coincidências. Se as histórias fossem individuais, teriam o mesmo impacto (já que de tensão Iñarritu sabe tudo e mais um pouco) e menos distorções. Poderiam assim desenvolver melhor o lado político e suas proporções, a sensibilidade da relação de alguns personagens, e os dramas das escolhas erradas em momentos de alta pressão.
Um casal norte-americano passa férias num país exótico tentando superar a crise conjugal. Uma doméstica mexicana decide levar os filhos de seu patrão para um casamento de um parente seu, por não ter encontrado quem ficasse com as crianças. Dois garotos marroquinos tentam evitar que chacais ataquem o magro rebanho que seu pai os incumbiu de levar para pastar. Uma adolescente japonesa surda-muda vive seus momentos de descoberta da sexualidade.
Em todos os casos a falta de diálogo é latente, a incomunicabilidade assola cada um dos envolvidos, cada uma das vidas, é o casal que não consegue mais dialogar devido a dramas recentes. A adolescente japonesa que mesmo interagindo com a cultura J-pop sofre pelas coisas mais simples, falta-lhe compreensão, diálogo, carinho. A babá mexicana que não consegue entender o drama vivido por seus patrões, ao mesmo tempo em que não consegue encontrar uma solução plausível para seu problema. Os jovens marroquinos que se divertem como duas crianças normais, assumindo responsabilidades de adultos, quando sofrem dos mesmos dilemas pueris de qualquer parte do mundo, só que aprendem tudo pela vida, já que o diálogo familiar é escasso, cheio de tabus.
Iñarritu nos oferece uma visão preconceituosa, de que os dramas dos terceiro-mundistas resumem-se a violência e o controle de seus instintos selvagens. Enquanto os ricos sofrem com seus problemas psicológicos e intimistas. Será que o dinheiro é o único instrumento regulador à problemática da humanidade ou será que temos visões deturpadas e generalistas sobre o que afligem cada um de nós em cada canto do planeta?
Mostrar que vivemos numa torre de babel, onde não nos comunicamos como deveríamos, ocasionando em problemas, em dificuldade para enfrentar situações, é o lado mais competente do filme. Volto a frisar que a insistência em manter diálogo entre as histórias é prejudicial, como se Iñarritu fosse vítima da própria incomunicabilidade que ele mesmo criticou. Brad Pitt ao telefone com o filho, o momento de despedida do ônibus do pequeno vilarejo, são pequenos instantes de tensão-limite, impossível não se emocionar. Há também algumas cenas com Rinko Kikuchi (e toda sua sensualidade adolescente) simplesmente inesquecíveis. Uma mudança na estrutura faria muito bem ao filme, muito irregular, mas Babel tem muita coisa boa, e não é um filme que você irá esquecer facilmente.




Muito cinema ultimamente, mas não no circuito comercial, ontem sessão lotadíssima par a Mostra de Godard (pretendo ver pelo menos seis nessa semana). Fiz sessão-dupla e na segunda encontrei Marcelo V e Ana Paul. Na semana passada foi a vez da Mostra de Neo-realismo, mais uma sessão-dupla dessa vez com Eduardo Aguilar e duas amigas dele... E ainda vou dar um jeito de ver o novo do Forster, mas tá difícil.

Em Seu Lugar

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Em Seu Lugar (In Her Shoes, 2005 – EUA)

Sabe aquele filme bonitinho, mas tão bobinho. Taí um ótimo exemplo. A história das duas irmãs que precisaram reformular suas vidas, para finalmente encontrar a paz interior e uma maneira de serem felizes, é como um ovo oco, a casquinha é bonitinha e frágil, e lá dentro não tem nada. Será que uma mulher tão bem resolvida profissionalmente só pode encontrar seus caminhos ao largar seu emprego para passear com cachorros pela rua?
Todo mundo sabe que família quebra o pau, magoa uns aos outros, humilha, mas nunca deixa de ser nosso alicerce, e quando precisamos de alguém, com a família sempre se pode contar. O filme fala de duas irmãs, uma advogada que não se sente bem consigo mesma, altamente complexada. E a outra é uma mulher fatal, fútil, ignorante, superficial. Mudanças drásticas nas vidas delas trarão novos destinos, novas maneiras de encarar o mundo, colocando tudo em seu lugar.
Esse drama familiar proposto no início, dilui-se em momentos de comédia tipicamente norte-americana, com música pop, personagens ácidos e divertidos, e inúmeros personagens de camarote assistindo a uma conversa determinante. Quer dizer, o pior das comédias românticas está espalhado por todos os cantos, todos ficam bem, o mundo está salvo e a vida corre feliz. Curtis Hanson não me acrescentou coisa alguma com seu filme (já foi muito melhor anteriormente), pelo menos a personagem de Shirley MacLaine é honesta, integra, e carnal, talvez a única ponta de verdade no filme todo.

Maggie (Cameron Diaz) Rose (Toni Collete) (Shirley MacLaine)

Cabiria (30ª Mostra)

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Cabíria (Cabiria, 1914 – ITA)

Três séculos antes de Cristo, o Mediterrâneo é palco para uma ferrenha guerra entre Roma e Cartagena. Numa erupção do vulcão Etna a pequena Cabíria perde-se de sua família burguesa, e levada por piratas, acaba vendida como escrava em Cartagena. O filme de Giovanni Pastrone começa com uma força impressionante, a pequena Cabíria é apenas um adendo dentro da história de vai e vem de poder, reis e derrubadas. Somos totalmente hipnotizados pelo espetáculo de um cinema tão rico numa época sem recursos, eis sua magia.
Um filme audacioso, primeiramente por ter sido percussor em várias técnicas cinematográficas (por exemplo, na utilização da luz, no manejo da câmera). A fotografia vive em ziguezague de cores, ora com predominância fortemente verde, ora dourado, ora roxo, ora vermelho, um espetáculo. E também audacioso por sua grandiosidade, filmado em diversos países, uma história épica narrada com voluntarismo e um exemplar dinamismo. É verdade que na última hora o impacto dilui-se. As idas e vindas chegam ao cansativo e Cabíria apenas representa esse perde e ganha de poder.
Mas até chegar nesse ponto temos o romano Fulvio e seu escravo Maciste protegendo-a de todas as formas, até serem expulsos do vilarejo onde encontraram Cabíria. Ainda assim, incansáveis, retornam dez anos depois, a fim de resgatá-la definitivamente. E os momentos de ápice no Templo de Moloch (onde os nativos desejam sacrificar Cabiria oferecendo-a ao deus). Patrone conseguiu proezas imensuráveis, um filme histórico (não só no tema), um marco para o cinema, mesmo que se repita em seus momentos finais, ainda assim não deixa de ser um exemplar cinematográfico.

Cabiria – criança (Carolina Catena) Cabiria (Lidia Quaranta) Fulvio Axilla (Umberto Mozzato) Maciste (Bartolomeo Pagano)



MÚSICA DA SEMANA:

DOIS RIOS
(Skank - composição: Samuel Rosa, Lô Borges, Nando Reis)
O céu está no chão
O céu não cai do alto
É o claro, é a escuridão

O céu que toca o chão
E o céu que vai no alto
Dois lados deram as mãos

Como eu fiz também
Só pra poder conhecer
O que a voz da vida vem dizer

Que os braços sentem
E os olhos vêem
Que os lábios sejam
Dois rios inteiros
Sem direção

O sol é o pé e a mão
O sol é a mãe e o pai
Dissolve a escuridão

O sol se põe se vai
E após se pôr
O sol renasce no Japão

Eu vi também
Só pra poder entender
Na voz a vida ouvi dizer

Que os braços sentem
E os olhos vêem
E os lábios beijam
Dois rios inteiros
Sem direção

E o meu lugar é esse
Ao lado seu, no corpo inteiro
Dou o meu lugar pois o seu lugar
É o meu amor primeiro
O dia e a noite as quatro estações

O céu está no chão
O céu não cai do alto
É o claro, é a escuridão

O céu que toca o chão
E o céu que vai no alto
Dois lados deram as mãos

Como eu fiz também
Só pra poder conhecer
O que a voz da vida vem dizer

Que os braços sentem
E os olhos vêem
E os lábios beijam
Dois rios inteiros
Sem direção

E o meu lugar é esse
Ao lado seu, no corpo inteiro
Dou o meu lugar pois o seu lugar
É o meu amor primeiro
O dia e a noite as quatro estações

Que os braços sentem
E os olhos vêem
Que os lábios sejam
Dois rios inteiros
Sem direção

Que os braços sentem
E os olhos vêem
E os lábios beijam
Dois rios inteiros
Sem direção

Depois da Vida

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Depois da Vida (Wandâfuru Raifu, 1998 - JAP)

Não haveria como seguir outro caminho, o saudosismo sistemático implacavelmente seria veículo para que a narrativa fluísse vagarosa e constante como o leito de um rio. Um singelo filme de memórias, mas não apenas isso, do tema vida após a morte surgem galhos, cada um se refere a toda a história de vida de um personagem. Das recordações traçamos os principais aspectos que formam o jeito de ser, o caráter, o estilo de vida, as oportunidades e decepções de cada um deles. É um jogo enigmático, decifrar a complexidade de um ser humano.
O que acontece após a morte? Para o cineasta Hirokazu Kore-eda seríamos enviados para uma espécie de albergue, aonde passaríamos uma semana enquanto os conselheiros do local nos solicitam que escolhemos apenas uma das recordações que mantemos na memória. Depois uma equipe reconstituirá o acontecimento (como num filme), até que sejamos enviados a um outro plano e de nossa memória tudo será apagado exceto a recordação escolhida. Como escolher somente um momento, uma única recordação, de uma vida toda? Onde estão nossas melhores recordações?
A infância é a resposta da maioria, porém momentos amorosos de muito carinho e emoção também têm presença constante. A felicidade poderia ser medida pela quantidade de pequenos momentos felizes que passamos, porque ser feliz 100% do tempo é tarefa impraticável. Câmera estática, longos planos, as entrevistas divergem de qualquer tipo de dinamismo. Serenidade é a palavra de ordem naquele lugar, afinal estão todos mortos porque deveria estar apressados ou estressados?
Dentro desse quadro Kore-eda esmiúça a alma de um dos conselheiros, para que saboreemos de uma espécie de filosofia proposta pelo cineasta. São micro lições de vida de onde surgem os mais variados temas, como amor, respeito, afeto, e uma infinidade de sentimentos. De todas as proposta de Kore-eda, aquela que se apresenta como desfecho para o personagem central é de uma beleza imensurável, é na simplicidade e honestidade que se torna ainda mais bela e cativante essa simples explanação de um dos significados do amor, de um dos significados da vida. Tolo é quem não percebe a importância de uma recordação como aquela, ou melhor, do ato de ser recordado.

Takashi Mochizuki (Arata) Shiori Satonaka (Erika Oda) Satoru Kawashima (Susumu Terajima)

Um tal de Buñuel...

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O Anjo Exterminador (El Ángel Exterminador, 1962 - ESP)

Falar em surrealismo quando se trata de Luis Buñuel é um enorme pleonasmo. Informação irritantemente desnecessária, um clichê crítico. Por outro lado é inevitável, automático, a palavra nasce contra nossa vontade e contamina o restante das frases. Digo isso porque o surrealismo em O Anjo Exterminador está amplamente impregnado, a naturalidade assombra tamanha sua normalidade.
E a burguesia massacrada, Buñuel devolve o ser humano ao nível animal, o fim das convenções, a disputa pela sobrevivência. A estranha força sobrenatural que mantém um conjunto de burgueses trancafiados por semanas numa das salas de uma mansão invoca as verdadeiras facetas de cada um, o egoísmo, o interesse próprio, as excentricidades, as fraquezas. O completo desespero, a etiqueta é substituída por um imenso instinto de sobrevivência. Não só genial, como engraçado e irônico é ver aqueles trajes luxuosos deitados pelo chão, burgueses sem banho e sem comida.
O cineasta espanhol expõe o caráter e os mais intrínsecos valores morais de seus personagens. São nas situações-limite que o ser humano apresenta sua faceta mais verídica. Além do fabuloso aspecto crítico dessa sociedade favorecida, impressionante é a agilidade da narrativa já que a maior parte do filme acontece dentro de uma mesma sala e o dinamismo dos fatos não permite que o ritmo caia um segundo sequer. E quando já se esperava que toda a genialidade e o surrealismo de Buñuel tivessem acabado, a cena final vem surpreender com um desfecho fantástico, irônico, sutil! O Anjo Exterminador é um daqueles filmes inesquecíveis.

Dias Selvagens

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Dias Selvagens (A Fei Jing Juen / Days of Being Wild, 1991 – HK)

O amor como um sentimento irrealizável, Wong Kar-wai leva essa afirmação às últimas conseqüências em seus filmes. A paixão explode, mas o amor jamais é vivido integralmente, sempre algo se perde no caminho, a separação, a desilusão, a dor, um sempre ama e o outro renega, desfaz. O cineasta faz desse seu pessimismo sentimental, uma série de histórias e momentos sublimes, o romantismo está impregnado em seus filmes, em seus personagens, mas o irrealizável teimosamente dar o ar da graça, impera. Kar-wai acredita no amor, mas considera-no como impraticável. São dele os pequenos momentos, de dissabores românticos, mais hipnóticos do cinema.
Ninguém ama e é correspondido, e quando isso ocorre, o acaso teima em não permitir que se perpetue. E estamos falando de diferentes tipos de personagens e diversos tipos de amor. O playboy York é o vértice, capaz de arrasar corações femininos com sua total despreocupação num tato mais carinhoso com elas, fruto talvez da educação recebida por sua mãe adotiva (prostituta). Sua obsessão é de descobrir a mãe biológica, seu amor está concentrado nessa relação inexistente. A dançarina Mimi apaixona-se perdidamente por York, porém antes dela veio Su Lizhen que ainda não superou a separação. Seguindo o organograma teremos homens apaixonados por essas mulheres de sentimentos rejeitados.
Delicioso descobrir ainda no ninho todas as pequenas obsessões de Kar-wai, a lentidão de algumas seqüências aparece tímida, imagens oblíquas e que nos impõe leves barreiras a nos afastar do sentimento capitado por elas, a música amplamente presente (boleros e músicas latinas), vestidos femininos luxuosos e uma série de outras pequenas características, um embrião de seu cinema. Ainda que Dias Selvagens não emocione completamente (principalmente em seu miolo), há todo o clima em Hong Kong da década de sessenta.
Novamente um objeto é motim para um conjunto de sentimentos, em Dias Selvagens é um relógio, ou simplesmente um minuto especial. Mais uma vez o cineasta incorpora algo pequeno que se torna genial, mas dessa vez os grandes momentos de seu filme estão focados em outro objeto, uma cabine telefônica. Duas ou três cenas belíssimas, apaixonantes, típicas de seus filmes. Normalmente consideramos lindos momentos em que o amor é revigorado, transmitido com vibração e fidedigno de sensações que conhecemos. Kar-wai talvez seja o único capaz de fazer uma seqüência mais linda e antológica que a outra, mas de separação, de irrealização, de dor. E o último plano com Tony Leung, indecifrável e kar-waiano.



MÚSICA DA SEMANA:

CONGÊNITO
(Luiz Melodia)

Se a gente falasse menos
Talvez compreendesse mais
Teatro, boate, cinema
Qualquer prazer não satisfaz
Palavra figura de espanto
Quanto na terra tento descansar
Mas o tudo que se tem
Nao representa nada
Tá na cara
Que o cara tem seu automóvel
E tudo que se tem
Não representa tudo
O puro conteúdo é consideração
Não goza de consideração
Sangue Sobre a Neve (The Savage Innocents, 1960 - EUA)

Em primeiro lugar há um didatismo quase documental, uma preocupação destacada em apontar aspectos sociais, e principalmente algumas diferenças latentes de comportamento entre homens brancos e esquimós. Uma narração em off prepara as platéias mais desavisadas para costumes, e condutas: a escolha da esposa, a preocupação exponencial em ser um anfitrião generoso (até mais que isso), a função definida de homens e mulheres, uma visão estratégica (por assim dizer) de grupo ao invés do raciocínio extremamente egocêntrico de nossa sociedade contemporânea.
Passada essa fase inicial em que adentramos no mundo reservado dos esquimós, partimos para Inuk e sua indecisão quanto a escolha de sua futura esposa, destes momentos surge a cena mais linda e doce (quando Asiak esquenta os pés de Inuk no iglu). Somos seres humanos onde quer que estejamos, sob quaisquer costumes, não importa onde nascemos ou a raça a que pertencemos, são os sentimentos (atos e emoções) que fazem a diferença na vida (as pequenas coisas reservam os momentos inesquecíveis).
Nicholas Ray deixa-nos deliciarmos pelas diferenças, a ingenuidade aparente (em alguns pontos, já que a sabedoria dos esquimós remete a sobrevivência, a subsistência familiar). Impressionante saber que a grande maioria do filme foi rodado em estúdio, há veracidade nas cenas (principalmente envolvendo animais), o frio cortante ultrapassa a tela, e chega a nos congelar. O filme vai crescendo lentamente, passada a metade estamos tomados pelos personagens, pelo mundo novo que se abrira, uma visão diferente da sobrevivência na Terra, são outras preocupações, outros prazeres.
Yoko Tani transmite um gracejo galanteador, irresistível, enquanto Anthony Quinn é simplesmente soberano (quem melhor poderia resumir a ingenuidade, virilidade, bondade e sabedoria popular,que o personagem solicitava). Ray nos oferece um grande filme, robusto, delicado, imparcial e ainda capaz de nos seduzir por completo, dá tristeza na chegada do fim, queria mais, aprender com aqueles esquimós amenidades que nos tirassem (por um instante sequer) da vida atribulada e tão mal-vivida que nos enganamos em saborear. Felizmente, ao menos um, homem branco percebeu essa relevante importância.

Inuk (Anthony Quinn) Asiak (Yoko Tani) policial (Peter O'Toole) Powtee (Marie Yang)


O que vem por aí:

Cinemateca está de férias, e promete retornar dia 17/01 com uma mostra sobre Godard.
Entre jan e fev chegará também uma pequena mostra sobre John Cassavetes (nunca vi nada, mas sou louco p/ conhecer).
E hoje estréia Dias Selvagens, Kar-Wai, sairei correndo do trabalho. Li em algum lugar que Mary do Ferrara será lançado (com o título Maria)

Preferidos do Ano

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Nos mesmos moldes do ano passado, certeza que alguns dos filmes pouca gente viu, e alguns ninguém esperava ver aqui! Toda lista é discutível, pessoal e inexplicável, no balanço geral mais um ótimo ano, com grandes filmes e alguns momentos inesquecíveis!



10º


























































Simplesmente um dos meus 5 filmes preferidos, para rever, e rever, e rever...

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Michel Simões