Os Infiltrados (The Departed, 2006 – EUA)
Estamos lidando com ratos, atores mesquinhos atuando em palcos díspares a seus universos, seres humanos corruptos em todas as esferas. Vidas no limite, a inconstância da vitória, sua busca frenética. É Martin Scorsese refilmando um filme chinês, violento, eletrizante, fazendo cinema comercial de qualidade, longe de seus tempos mais autorais, oferecendo apenas brisas de seu requinte. Por outro lado temos novamente essa violência seca, tiros impiedosos, protagonistas que morrem contradizendo a própria lógica de Hollywood. De um jeito ou de outro, Scorsese deixa sua marca, nos oferece um último plano irônico, focado na trama, espelho de seus protagonistas.
Há dois ratos infiltrados, um cresceu na máfia e agora trabalha para ela de dentro da polícia. O outro é um policial disfarçado, infiltrando-se no perigoso mundo da máfia, conquistando espaço e respeito pelas ruas de Boston. O destino é engraçado, colocando esses dois ratos frente a frente, um tem que descobrir quem é o infiltrado em sua verdadeira corporação. Uma disputa entre rato e... rato, farejadores, traiçoeiros, espertos, humanos.
O melhor do filme é não nos oferecer aquela visão romântica da máfia, ou o melhor do filme é o espetáculo protagonizado por Leonardo di Caprio (reciclando-se a cada nova interpretação, capaz de trazer a rebeldia de alguns de seus personagens anteriores, e acrescentar elementos que transformaram Denzel Washigton num maestro de personagens policiais, e ainda nos cativar com a angústia da perda da identidade, de não ter ninguém a quem confiar, em ter renegado sua existência ao conhecimento de duas míseras pessoas). Ou ainda o melhor do filme são as cenas eletrizantes quando se intensifica a corrida contra o verdadeiro rato infiltrado.
Tudo bem que muito do que se vê já esteve em vários outros filmes (inclusive do próprio Scorsese), tudo bem também que a figura feminina é fraca e mal-explorada (principalmente os envolvimentos que a personagem se sujeita). Ainda assim há uma grande cena, quando Billy Costigan envolve completamente a psicóloga com seus argumentos astutos e seu desespero iminente. Os Infiltrados é um filme para se deliciar, há Jack Nicholson sempre em grande estilo, há um Mat Damon extraindo o melhor que poderia do almofadinha que se transformou Colin Sullivan e há tanta coisa boa para lembrar que a vontade é sair e ver de novo. Porque gosto dos filmes que não tem dó com personagem, ou rabo preso com a mente do público, a história é aquela gostando ou não. Scorsese acertou em cheio.
Estamos lidando com ratos, atores mesquinhos atuando em palcos díspares a seus universos, seres humanos corruptos em todas as esferas. Vidas no limite, a inconstância da vitória, sua busca frenética. É Martin Scorsese refilmando um filme chinês, violento, eletrizante, fazendo cinema comercial de qualidade, longe de seus tempos mais autorais, oferecendo apenas brisas de seu requinte. Por outro lado temos novamente essa violência seca, tiros impiedosos, protagonistas que morrem contradizendo a própria lógica de Hollywood. De um jeito ou de outro, Scorsese deixa sua marca, nos oferece um último plano irônico, focado na trama, espelho de seus protagonistas.
Há dois ratos infiltrados, um cresceu na máfia e agora trabalha para ela de dentro da polícia. O outro é um policial disfarçado, infiltrando-se no perigoso mundo da máfia, conquistando espaço e respeito pelas ruas de Boston. O destino é engraçado, colocando esses dois ratos frente a frente, um tem que descobrir quem é o infiltrado em sua verdadeira corporação. Uma disputa entre rato e... rato, farejadores, traiçoeiros, espertos, humanos.
O melhor do filme é não nos oferecer aquela visão romântica da máfia, ou o melhor do filme é o espetáculo protagonizado por Leonardo di Caprio (reciclando-se a cada nova interpretação, capaz de trazer a rebeldia de alguns de seus personagens anteriores, e acrescentar elementos que transformaram Denzel Washigton num maestro de personagens policiais, e ainda nos cativar com a angústia da perda da identidade, de não ter ninguém a quem confiar, em ter renegado sua existência ao conhecimento de duas míseras pessoas). Ou ainda o melhor do filme são as cenas eletrizantes quando se intensifica a corrida contra o verdadeiro rato infiltrado.
Tudo bem que muito do que se vê já esteve em vários outros filmes (inclusive do próprio Scorsese), tudo bem também que a figura feminina é fraca e mal-explorada (principalmente os envolvimentos que a personagem se sujeita). Ainda assim há uma grande cena, quando Billy Costigan envolve completamente a psicóloga com seus argumentos astutos e seu desespero iminente. Os Infiltrados é um filme para se deliciar, há Jack Nicholson sempre em grande estilo, há um Mat Damon extraindo o melhor que poderia do almofadinha que se transformou Colin Sullivan e há tanta coisa boa para lembrar que a vontade é sair e ver de novo. Porque gosto dos filmes que não tem dó com personagem, ou rabo preso com a mente do público, a história é aquela gostando ou não. Scorsese acertou em cheio.








