novembro 2006 Archives

Os Infiltrados

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Os Infiltrados (The Departed, 2006 – EUA)

Estamos lidando com ratos, atores mesquinhos atuando em palcos díspares a seus universos, seres humanos corruptos em todas as esferas. Vidas no limite, a inconstância da vitória, sua busca frenética. É Martin Scorsese refilmando um filme chinês, violento, eletrizante, fazendo cinema comercial de qualidade, longe de seus tempos mais autorais, oferecendo apenas brisas de seu requinte. Por outro lado temos novamente essa violência seca, tiros impiedosos, protagonistas que morrem contradizendo a própria lógica de Hollywood. De um jeito ou de outro, Scorsese deixa sua marca, nos oferece um último plano irônico, focado na trama, espelho de seus protagonistas.
Há dois ratos infiltrados, um cresceu na máfia e agora trabalha para ela de dentro da polícia. O outro é um policial disfarçado, infiltrando-se no perigoso mundo da máfia, conquistando espaço e respeito pelas ruas de Boston. O destino é engraçado, colocando esses dois ratos frente a frente, um tem que descobrir quem é o infiltrado em sua verdadeira corporação. Uma disputa entre rato e... rato, farejadores, traiçoeiros, espertos, humanos.
O melhor do filme é não nos oferecer aquela visão romântica da máfia, ou o melhor do filme é o espetáculo protagonizado por Leonardo di Caprio (reciclando-se a cada nova interpretação, capaz de trazer a rebeldia de alguns de seus personagens anteriores, e acrescentar elementos que transformaram Denzel Washigton num maestro de personagens policiais, e ainda nos cativar com a angústia da perda da identidade, de não ter ninguém a quem confiar, em ter renegado sua existência ao conhecimento de duas míseras pessoas). Ou ainda o melhor do filme são as cenas eletrizantes quando se intensifica a corrida contra o verdadeiro rato infiltrado.
Tudo bem que muito do que se vê já esteve em vários outros filmes (inclusive do próprio Scorsese), tudo bem também que a figura feminina é fraca e mal-explorada (principalmente os envolvimentos que a personagem se sujeita). Ainda assim há uma grande cena, quando Billy Costigan envolve completamente a psicóloga com seus argumentos astutos e seu desespero iminente. Os Infiltrados é um filme para se deliciar, há Jack Nicholson sempre em grande estilo, há um Mat Damon extraindo o melhor que poderia do almofadinha que se transformou Colin Sullivan e há tanta coisa boa para lembrar que a vontade é sair e ver de novo. Porque gosto dos filmes que não tem dó com personagem, ou rabo preso com a mente do público, a história é aquela gostando ou não. Scorsese acertou em cheio.
C.R.A.Z.Y. – Loucos de Amor (C.R.A.Z.Y., 2005 - CAN)

O cineasta Jean-Marc Vallée foi muito astuto, ao invés de recontar aquela história do garoto homossexual reprimido pela família (principalmente pelo pai bronco), ele construiu uma divertida comédia familiar de costumes. Impôs graça e humor, fez seu público se identificar facilmente com seu protagonista Zac, e então começou a apresentar as garras da discussão sobre o assumir-se (e descobrir-se gay), a religiosidade, o preconceito familiar e a dificuldade em aceitar que aquilo não é uma doença, somente uma opção (ou melhor, um instinto natural).
Não bastasse, temos uma deliciosa viagem por entre as décadas de sessenta e setenta. A reconstituição de época é impecável, tanto em objetos, quanto cores, cortes de cabelos, roupas, adereços. Há também o clima que se vivia, o desejo de libertação, a música. Como a música foi importante para a época, e como ela é importante ao filme, temos David Bowie (overdose de Space Oddity), temos Patsy Cline (cantando deliciosamente Crazy), temos Pink Floyd e Rolling Stones (Sympathy For The Devil na igreja é dos grandes momentos do filme).
Cinco filhos homens, cada um com características completamente diferentes (o roqueiro drogado, o esportista, o intelectual, o extremamente sensível e o caçula gordinho), a mãe doce e fraternal e um pai animado, vigoroso em suas crenças e sua moralidade. Família deliciosamente maluca, qualquer reuniãozinho é motivo de briga e confusão (significando risadas ao público). Zac é nossa peça-chave, desde pequeno sua sensibilidade despertava para uma leve tendência gay, mas o próprio lutava contra ela a fim de agradar ao pai, em não frustrar suas expectativas.
A viagem de Zac a Jerusalém é momento crucial, porém quebra totalmente o ritmo divertido e extravagante que Vallée imprimia. Há também nesse momento o auge da pieguice, que já vinha pontuando o filme. Por mais que a discussão religiosa causa-se humor imediato sem afrontar seus dogmas, ela sofria de uma fragilidade desnecessária, o personagem e o filme não precisavam daquilo para que Zac extrapolasse suas convicções e dúvidas. Aquele “dom” não é tão benéfico ao filme.
O garoto que faz Zac com seus cinco, seis anos, é de uma doçura ímpar (Émile Vallée, filho do diretor). Capaz de feições e olhares tão complexos e ainda assim tão didáticos, em suas simplicidade que mora o segredo para que o filme ganhe o ritmo que tanto apreciaremos. Por outro lado é num momento dramático que Vallée nos derrubará, um abraço, um acordo de paz, um momento mágico que está presente em todas as famílias, quando os ressentimentos se dissipam por um bem maior. Família, nosso alicerce, nosso porto-seguro.

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Esquentando os tambores e dando ainda mais ansiedade para o show da próxima sexta... A Alê já está com meu ingresso rsrsrs

MÚSICA DA SEMANA:

A FLOR
(Los Hermanos - composição: Rodrigo Amarante/Marcelo Camelo)

Ouvi dizer, do teu olhar ao ver a flor
Não sei por que achou ser de um outro rapaz,
Foi capaz de se entregar
Eu fiz de tudo pra ganhar você pra mim,
Mas mesmo assim

Minha flor serviu pra que você achasse alguém,
Um outro alguém que me tomou o seu amor
Eu fiz de tudo pra você perceber
Que era eu

Tua flor me deu alguém pra amar
E quanto a mim?
Você assim e eu, por final, sem meu lugar!
Eu tive tudo sem saber quem era eu...

E eu que nunca amei a ninguém
Pude então, enfim amar

Fonte da Vida

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Fonte da Vida (The Fountain, 2006 – EUA)

Estava preparado para o pior filme do mundo, a bomba atômica do mundo cinematográfico. Não posso dizer que vi uma enxurrada de críticas negativas, a proporção precisa é a de um tsunami. Depois de assistir e considerar que o filme não chega a ser bom, tem inúmeros problemas e vive da irregularidade, o que mais me irrita é a predisposição para não se gostar de um filme apenas por quem o assina (o mesmo grau de irritação por se gostar de um pelo mesmo motivo). A grande maioria dos que o chamaram de o pior dos piores (falei maioria, há gente isenta que odiou e mostrou suas razões) já estava procurando desqualificaram antes de assistir, muitas pessoas não conseguem entrar na sala escura sem um conceito já estabelecido.
Na verdade não passa de uma história de amor, daí o choque para muitos que enxergam toda a discussão existencial como o motor dessa história. Não, o plano filosófico-existencial é apenas mais um dos caminhos escolhidos por Darren Aronofsky para convergir com o amor. O filme tem um quê narrativo de caos, o mesmo caos emocional vivido por Tommy Creo, um pesquisador lutando contra o tempo para achar uma cura capaz de livrar sua esposa de um câncer em fase terminal. Dividir-se entre os estudos que podem trazer alguma esperança, oferecer toda a atenção e carinho que Izzy necessita e ainda lidar com esta situação, joga Tommy numa panela de pressão de culpa e medo.
Por meio dos manuscritos de um livro que Izzy tenta terminar, somos jogados quinhentos anos atrás, precisamente na Espanha. Um Conquistador busca incessantemente a árvore da vida (localizada em algum lugar da América Central), capaz de oferecer vida eterna, e assim salvar a rainha Isabela e seu reinado contra os avanços do terrível Inquisidor. Enquanto essa história se configura em nossos olhos, Tommy sofre com o fim anunciado, num momento de desespero testa uma substância provinda de uma árvore americana, num último suspiro contra o desenvolvimento do câncer, o eterno clichê de conseguir uma cura a tempo.
A terceira história se passa naquele plano existencial, mum momento atemporal (talvez futurista). Há uma grande bolha, a árvore da vida e Tom com cabelos raspados. As lembranças da vida que teve com Izzy o atormentam a todo momento, enquanto ele busca respostas, mas sua busca é por algo mais importante que a vida eterna. Duas frases margeiam as três histórias tão super relacionadas, aos poucos os acontecimentos tentam provar essas teses, são elas: “A morte é o caminho para o sublime”. “A morte como instrumento para criação”.
Infelizmente o roteiro anda em círculos, guarda momentos muito delicados na relação Izzy-Tommy (principalmente a câmera focalizando o pescoço de Izzy deitada, a posição precisa de onde nascem seus cabelos; e toda a cena da banheira, com todos os seus significados sentimentais), e outros redundantes como algumas conversas de Tommy com o pessoal que trabalha com ele nas pesquisas. O tema morte é o único a dialogar em todos os filmes de Aronofsky, só que dessa vez a morte não se torna algo negativo, apenas uma transição, assim como a história patinando em círculos, a vida também seria circulante (e a morte seria apenas uma de suas etapas).
Qualquer lembrança de imagem traz o dourado que preponderantemente domina o filme, a fotografia linda faz um misto desse dourado com tons muito escuros, trazendo uma sensação de grandiosidade, de fora da normalidade. Sim, trata-se de uma história fora do normal, com repetição de cenas, com frases repetidas à exaustão (“termine, termine”), há no filme algo que remete a gigantismo, e por fechar a história de maneira tão didática (e a que se dizer bonita), fica parecendo um apequininamento de tudo, já que esperavam respostas complexo-existenciais. Quando se tratava apenas da história de amor de Izzy e Tommy.

Tommy-Tom Creo (Hugh Jackman) Izzy-Isabela (Rachel Weisz) Lilian (Ellen Burstyn)

Filhas do Vento

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Eu já falei que em emoção não tem graça? Estava tudo certo, assim que o horário do rodízio acabasse eu correria até a casa da Stela, pegava os convites vips para ver O Grande Truque e depois me encontrava com o Andy no cinema. O prazo correu como planejado, o meu eterno amigo tempo estava no ritmo certo, até chegarmos naquela bilheteria vazia e... dia especial só com filmes brasileiros, nada do filme do Nolan. Por isso que sempre nos divertimos tanto, sem uma aventura. Obviamente não ia rolar uma desistência e depois de consultar filmes e horários, foi Filhas do Vento que encaramos.
Continuando com uma das minhas eternas frases: dormir p/ que? Quarta-feira rolou um encontro no Doca´s (aquele do teatro, Papo, Pinga e Pestiscos), era a única brecha para encontrar a Stelinha, e recompar por algumas horas o trio da Mostra. Nos deliciamos com o making-off de tudo de anormal que acontece na SCB, uma história mais hilária que a outra, acontecimentos mil. Depois foi formado o Quarteto Fantástico com a chegada do Banana, e a conversa revigorada, risada sempre é a meta. Fácil foi acordar às seis, tendo deitado às três e tido programação nos dias anteriores (quer dizer, acordar foi fácil, um pouco mais dificil foi manter o ritmo durante o dia). A quinta estava reservada para meu retorno aos gramados, após três distante voltei ao futebol e ao convívio daquela turma engraçadíssima. Até que me sai bem, corri mais que muita gente (e até o final), guardei uns gols, participei de outros, estou novamente na ativa! Nos próximos dias conto mais peripécias, principalemnte sexta-feira em um momento de surto. Vamos ao que interessa: FILMES:


Filhas do Vento (2005)

Fiquei tentando encontrar uma forma de não mencionar, em momento algum, que o elenco do filme é majoritariamente composto de atores negros, porém há certo desenvolvimento de uma das personagens que tornaria impossível essa missão. Não queria ter que cair no clichê dessa “peculiaridade” porque acredito que isso é dar espaço à discussão do preconceito racial e etc, deveria ser uma prática comum e pronto, nossa população tem uma enorme parcela negra, deveria ter essa representatividade em todas as esferas.
Interior de Minas Gerais, bem perto da divisa com a Bahia. O jeito de falar é característico, o sotaque infalível, as gírias do período pontuando cada diálogo (alguns momentos até exagerando na dose), estamos totalmente à vontade com a época. É um drama familiar, um filme sobre segredos trancafiados, sobre remorso, ressentimento, desejo de reatar reações só que dar o primeiro passo é inaceitável, um filme sobre orgulho.
Foi assim que Zé das Bicicleta criou suas duas filhas (Cida e Ju) sozinho. Uma saiu namoradeira, a outra sonhadora. Foram os segredos e mal-entendidos que os separaram, Cida buscou seus sonhos de atriz no Rio de Janeiro, a irmã levou a vida pacata na pequena cidade. O filme brinca com o tempo, estamos no enterro do pai, quarenta e cinco anos de distância entre a cúpula familiar, o tempo pode ter diminuído os ressentidos, o orgulho jamais. Se Ju tornou-se uma mulher doce, caseira, amorosa; Cida ganhou fama em seus papéis de destaque duvidoso em novelas (aquela história de negra só ter espaço para ser cozinheira, empregada doméstico, mendiga...).
O roteiro caminhava melodramático, e ainda assim interessante, ressentimentos familiares rendem bons dramas e são tão comuns. Pena que a trama queria mais, não se contentou com o foco nas duas senhoras e resolveu enveredar pelas filhas mais velhas das duas. Nesse instante perde-se mais que o foco, torna-se um filme com desejo de investigar a alma feminina (o cineasta Joel Zito Araújo não é Almodóvar). Relacionamentos com homem casado, decepção, divórcio, dificuldade em fincar carreira artística, e uma infinidade de temas.
Não havia necessidade, a presença de Milton Gonçalves revelando, aos poucos, pequenos detalhes dos segredos daquela família, além de todo o embróglio da briga envolvendo Ju e Cida já era mais que bastante para prosseguir. Ainda mais quando tínhamos Léa Garcia em total estado de graça, desfilando uma simpatia tipicamente interiorana, uma melancolia tipicamente fraternal e um olhar expressivo e inesquecível. Dizem que todo o elenco está bem (Danielle Ornellas destaca-se por uma beleza diferente, uma sensualidade especial), mas Lea Garcia marca gigantismo perto de todas aquelas atrizes, principalmente de Ruth de Souza (que parece tão sem molejo, pouco à vontade, na verdade sempre tive essa impressão em suas participações televisivas). A cena crucial é clichê, mas é tão delicada, que por mais que esperemos tudo aquilo, impossível seria não se emocionar. Claro que poderia ser melhor em muitos aspectos, mas também poderiam não ter escalado Léa Garcia, e daí perderíamos grande parte da graça.

O Caminho para Guantánamo

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O Caminho para Guantánamo (Road to Guantanamo, 2006 – ING)

Com meia dúzia de imagens retiradas da televisão e depoimentos de três jovens, os cineastas Michael Winterbottom e Mat Whitecross subtraíram material para um documentário. Claro que o material era escasso e pouco significativo, então rechearam a maior parte do filme com atores amadores agindo conforme os relatos dos entrevistados. E qual resultado dessa estrutura tão estranha contendo cenas filmadas com outras documentais?
Não venha me dizer que é novidade relatos sobre maus-tratos contra prisioneiros de guerra (principalmente pós-11 de Setembro). Caso fosse apenas isso, não haveria interesse algum, já que imagens desse tipo ocupam os noticiários de tv diariamente. A denuncia inicial é a quantidade de inocentes presos e torturados. Mas também o que achar de três jovens (na verdade quatro) saírem da Inglaterra com destino ao Paquistão e depois decidirem cruzar a fronteira com o Afeganistão com o intuito de ajudar? Assim, sem mais nem menos, sem rumo, sem ligação com qualquer entidade, sem falar a maioria das línguas locais. Vou chamar de ingenuidade, para não chamar de burrice mesmo.
Primeiro problema do filme é a dificuldade em relacionar os atores com os entrevistados, depois de um tempo é melhor não tentar fazer a relação. Depois soa como despropositada a idéia de tornar coitadinhos esses jovens que tiveram passagem na prisão, e resolveram ter atitude tão humanitária num local prestes a entrar em guerra. Não estou sendo irônico e dizendo que eles eram terroristas, mas como homens com vinte anos e que conhecem um pouco do submundo da marginalidade tem a brilhante idéia de cair de pára-quedas no meio de uma guerra. Santa ingenuidade.
Depois o filme se repete nos maus-tratos de Guantánamo (que aliás, deveria ser o tema principal desse documentário). As condições do local são obviamente sobre-humanas, para começar ficam enjaulados debaixo de sol e chuva, o tempo todo. Resumindo, não é um documentário ruim, mas foge de seu propósito e escolhe personagens em que a dificuldade em se tornar cúmplices ou ter pena deles é tarefa árdua. As torturas doem na gente? Sim. Mas Winterbotton e Whitecross podiam ter feito muito melhor, foram eles mesmo que dirigiram aquelas cenas, oras.


Show do Gongo

Esqueci de comentar minha presença nessa sessão de curtas (completamente louca). A Mikie tinha me chamado, a Stela acabou não podendo ir, então acabamos apenas os dois como patinhos feios naquele mundo gls. Foi super-divertido, Marisa Orth é um show, os curtas horrorosos, toscos, ridículos, e portanto hilários. Os dois que ganharam eram ruins, mas em comparação com os outros, se tornavam ótimos. O que vale ali é a criatividade, a irrevência e a diversão. A paródia intitulada O Viado Veste Prá Dá, acabou levando devido a participação de uma velhinha coadjuvante na 25 de Março, impossível não rir ds feições de reprovação. Do mesmo nível era Gongocard, numa paródia das propagandas da Credicard. O resto era simplesmente desprezível, e facilmente saí dali rouco de tanto gritar: Gooooooongaaaaaaaaaaaaaaaaa!
Ainda encontrei o Alberto pouco antes de chegar no Cinesesc para esse espetáculo surreal. Já falei da Marisa Orth, então vou repetir, ela é ótima, hilária, difícil imaginar outra pessoal tão espontânea para comandar aquela bagunça!!! Detalhe, sentamos no chão, e havia pelo menos uns cinquenta esparramados por ali também!!!


Niver da Alê Marucci

A agitação está començando cedo, toda segunda-feira tem rolado programação social, dormir que é bom, nada! Dessa vez fui dar os parabéns para a Alê, isso dar só uma passadinha já que estava sozinho, e depois de uma perdidinha básica pelo centro (eu nunca aprendo a andar por aquele lugar). Obviamente a passadinha durou mais de duas horas, eis que conheci pessoalmente o David (que aparece pelos blogs, mas não cria vergonha na cara de criar o dele). A Alê se dividindo entre os convidados, enquanto nós dois não fechávamos a matraca cinéfila, isso pontuado por muita música... Pena que não consegui conversar mais tempo com a aniversariante, teremos outras oportunidades...
O Guardião (El Custodio, 2006 – ARG/FRA/ALE/URU)

Planos quietos e silenciosos, o cigarro fumado lentamente, olhares lentos e vazios procurando qualquer movimento que distraia, que faça o tempo correr mais depressa. Porém de nada adianta, logo o ministro sai de mais uma reunião e dirige-se a outro lugar qualquer, e todo o estado de inércia se repete, o dia não passa, a vida não passa. Rubén é guarda-costas de um ministro do governo argentino, depois de tantos filmes excitantes envolvendo guarda-costas e paixões ardentes, ou perseguições eletrizantes, temos aqui a verdadeira faceta da profissão e sua monotonia diária.
A vida de Rubén é esperar por algo que ninguém quer que ocorra, precisa estar de prontidão, são horas e mais horas completamente perdidas, um tempo gasto com coisa nenhuma. O guarda-costa leva uma vida repleta de tempo morto. A sensação de sufocar-se é inesgotável, o desanimo pesa sobre os ombros. O guarda-costas é como uma parede que todos notam, mas ninguém dá importância. Cria-se uma intimidade voyeur com seu protegido (e sua família), há entre eles uma divisória de vidro, tudo se observa sem que se participe dos acontecimentos (brigas familiares, a filha masturbando um namorado ou desfilando pela quase semi-nua).
É um filme monótono, tal qual a vida de Rubén, há uma cena que destoa do filme e da personalidade do guarda-costas, a seqüência no restaurante chinês. Talvez esteja lá para dialogar diretamente com a cena final, talvez o roteirista imaginasse que sem tal situação o fim ficaria inexplicável. Besteira, todo o ritmo proposta já desenhava para aquele desfecho, que aliás, é compreensível e cinematográfico em demasia. Fácil terminar daquela forma, e achar que assim criou-se um filme reflexivo e metafórico. Que nada, situações humanas destemperadas não podem servir para se relacionar com nada, a monotonia deve ser combatida por aqueles que dela sofrem.
Rodrigo Moreno controla muito bem as ações, câmera estática com raros movimentos, tons cinzas e azuis predominando, uma direção que privilegia o silêncio e a angústia. Uma pequena notável interpretação de Julio Chávez. O filme guarda um pequeno tesouro, uma pequena humilhação quando o ministro solicita que o guarda-costas demonstre seu dom para desenhar. Faz você pensar em como trata seus subalternos, será que não os humilha e agride, sem que estejas percebendo? Sem querer agride do mesmo jeito.

Rubén (Julio Chávez)


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MÚSICA DA SEMANA:


THE BLOWER'S DAUGHTER
(Damien Rice)

And so it is
Just like you said it would be
Life goes easy on me
Most of the time
And so it is
The shorter story
No love, no glory
No hero in her sky

I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes...

And so it is
Just like you said it should be
We'll both forget the breeze
Most of the time
And so it is
The colder water
The blower's daughter
The pupil in denial

I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes...

Did I say that I loathe you?
Did I say that I want to
Leave it all behind?

I can't take my mind off of you
I can't take my mind off of you
I can't take my mind off of you
I can't take my mind off of you
I can't take my mind off of you
I can't take my mind...
My mind...my mind...
'Til I find somebody new

A Última Noite

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A Última Noite (A Prairie Home Companion, 2006 – EUA)

O programa é real, a idéia hipotética. Há 31 anos o programa de rádio A Prairie Home Companion embala seus ouvintes com música country. É um programa de duas mídias, porque apresentado ao vivo no rádio, é transmitido no palco em um teatro com a presença de público. O apresentador Garrison Keillor escreveu um roteiro imaginando a última noite do programa, e sob a direção de Robert Altman, assumiu a atuação de si mesmo.
Notável é a costura da montagem, a sensação de filme em tempo real, com as ações acontecendo sob o palco, ou nos bastidores (camarins, cantos e corredores do teatro). Sem dúvida o clima é de saudosismo, de homenagem ao programa, tornando os personagens um conjunto de coadjuvantes de luxo. Aliás, quando se fala em Altman lembra-se automaticamente de diversas histórias que se entrecruzam, e aqui não é diferente, mesmo que de forma sutil.
Infelizmente vem do roteiro as características mais negativas, grandes atores ajudam só que não conseguem transformar qualquer um em grandes personagens. Há muitos clichês espalhados, e Lindsay Lohan é quem mais sofre, por outro lado há o já citado clima de saudosismo que Altman tanto carinhosamente resguarda em cada tomada. Ficamos com duas ou três seqüências deliciosas, imersas num rio de chateação. Há os jingles tão ingênuos e marcantes no rádio, a apresentação musical cheia de piadas de baixo calão de Dusty e Lefty, e há também a história sem pé nem cabeça que quase deixa louco o sonoplasta e que acaba tornando-se uma explosão de sentimentos reprimidos de Yolanda Johnson.
E aquela mulher de branco ora vista por todos, ora invisível. Um momento surreal? Ou uma artimanha para se criar um final com algum elemento inusitado, um golpe do destino? Coitada da Virginia Madsen que na pôde ir além de algumas expressões evasivas. A Última Noite nos oferece alguns risos, muito sono, e um desejo daquele programa acabar logo. Kevin Kline saído diretamente de um filme noir, com um personagem de atitudes meramente ridículas, o melhor é parar de lembrar se não esse parágrafo não termina e começo a considerar o filme pior do que ele é. Impressionante como tem gente que enxerga em qualquer filme uma crítica ao governo Bush.


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O Céu de Suely (2006)

A presença constante do céu e os traços de desolação (vou repetir essa palavra várias vezes) no rosto de Hermila, cenas que inspiram à frustração, à desolação, a necessidade de apego. Lembranças automáticas quando o pensamento recai sobre o novo filme de Karim Aïnouz. O céu é responsável pela amplitude dos sentimentos, sua imensidão equivale ao vazio que Hermila carrega no peito, a sua desesperança até arriscar um novo caminho, traçar um novo destino. O céu é sim um personagem, e Aïnouz sempre o resgata quando questiona essa dimensão dos fatos refletindo sobre os quebradiços sentimentos dessa menina. Sim, porque Hermila é uma menina, mas uma menina com muita história de vida para contar.
As histórias do êxodo nordestino rumo às metrópoles do sudeste já foram contadas e recontadas, dessa vez o filme nos oferece uma espécie de caminho inverso, o retorno à cidade natal. Hermila chega com um filho de colo, o marido continua em São Paulo por mais alguns dias. Quando não se tem mais para onde correr, a família é a última saída, porto seguro. Sonho destemperado acreditar que dessa vez será possível ganhar a vida naquele lugar que fugiu anos atrás, se quase nada mudou.
Demora até Hermila perceber que ficou sozinha no mundo, seu grande amor a enganou e não virá. Parece que o poço não tem fim, e mesmo o consolo encontrado nos braços de um namorado do passado é pouco para remediar sua angústia, sua desolação, trata-se de uma menina-mãe de apenas vinte anos. A idéia da prostituição recorre em sua mente (a forte formação familiar a retrai), um novo plano de recomeço ganha contornos. Assume então o codinome Suely, promove uma rifa com prêmio: uma noite no paraíso (com ela). Tantas mulheres envolvem-se com um homem poucas horas após conhecê-los, que mal haveria dormir com um, uma única vez, e lucrar com isso? (nem tudo é tão fácil quanto parece, e a cena desse ato sexual demonstra isso, o estado sem graça de Suely, o momento de profundo incômodo).
Para contar tudo isso Karin Aïnouz nunca caminha por planos óbvios, faz de sua direção um primor em todos os aspectos, desde expurgar o máximo de seus atores, passando por fazer o corte no momento certo (nem mais, nem menos), e transformar a fotografia granulada em um elemento de suma importância (principalmente retratando o céu), sem falar do início filmado em super-8 com as doces lembranças de uma Hermila apaixonada e feliz. É um filme sobre a falta de perspectivas, sobre pessoas sem salvação, mas é um filme sobre pessoas que tentam encontrar seu caminho, que ousam dentro de seus pequenos limites, seres humanos que mesmo fora de direção estão tentando realizar os sonhos impossíveis que os inquietam.
Como esquecer o jantar, servindo macarrão com frango, o choro preso, frustração e tristeza presentes em todos à mesa, nosso foco é Hermila, nossa dor é pela quebra da família. E a seqüência final, o personagem cheio de amor, que parecia incapaz de alterar por um momento seu jeito pacato de ser, vê sua última chance, corre atrás dela, e o plano final traz o farol aceso, o asfalto cinzento e aquele céu azul, momento máximo da imensidão de desolação que feriu todas aquelas almas.


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Pintar ou Fazer Amor

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(Peindre ou Faire L'Amour, 2005 - FRA)

Um desfile de pessoas refinadas, tomam vinho enquanto mantém conversas agradáveis à beira da lareira. Pintam, ouvem boa música, apreciam os pormenores do mundo, curtem caminhar por gramados e sentir o cheiro das flores, recebem os amigos em jantares amistosos. Pintar ou fazer amor? O questionamento não é bem o de escolher entre duas opções de atividade, está muito mais relacionado ao estilo de vida que o casal William e Madeleine pretende seguir.
Depois de anos fazendo previsão do tempo, William aposentou-se. Sua esposa pinta por hobby, e devido ao hobby descobre uma pequena jóia, uma linda casa à venda numa pequenina cidade próxima das montanhas. Simplesmente irresistível, tanto o lugar, como a casa e suas varandas, jardins e o clima de requinte bucólico que ela possui. Fazem amizade com Adam, que é prefeito e cego, e com sua esposa. Logo se tornam amigos inseparáveis, companhias prazerosas.
Arnaud e Jean-Marie Larrieu dão vida a um filme rohmeriano, na forma e no tema, talvez um pouco mais atualizado (e por que não, picante?). Os personagens são cativantes, o dia a dia aconchegante, e a tensão sexual prestes a surgir nesse quarteto é sintomática, leve, não chega a ser surpreendente (diferente do final, que se entrega, porém surpreende). Os diálogos inteligentes guardam os secretos desejos reprimidos, que afloram pouco a pouco.
Não é só o desfecho dessa relação toda que é interessante, as cenas são muito agradáveis, a música, as paisagens, o conjunto desses elementos é que resulta num filme envolvente. E para nós brasileiros, uma pequena curiosidade, um pequeno personagem brasileiro falando duas frases em português, e com certo humor. Fora que ver Daniel Auteuil é sempre uma satisfação, mesmo que ele esteja repetindo personagens que já atuou outrora.

William (Daniel Auteuil) Madeleine (Sabine Azéma) Adam (Sergi López) Eva (Amira Casar)


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Volver

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E voltamos à programação normal desse blog, aparentemente né! A idéia é trazer toda semana um post com um filme da Mostra, os filmes que forem estreiando ao longo dos meses devem aparecer no dia da estréia (agora certeza disso tudo, nem pensar)...


Volver (Volver, 2006 – ESP)

Há muitos retornos envolvidos com o título (desde o ocorrido no filme em si, passando pelo de filmar na região por onde começou sua vida artística). O mais indireto, porém mais significativo, talvez seja, a volta de Pedro Almodóvar a algumas características contidas em obras mais próximas do seu início. Diria que Volver é o filme que melhor oferece diálogo entre o princípio e a fase atual de sua carreira, provando que Almodóvar é o mesmo sujeito, apenas aprimorou-se como ser humano e como cineasta. É um sublime observador da alma feminina, e a expressa com delicadeza e humor capazes de nos hipnotizar a cada nova cor berrante em cena, a cada nova pequena reviravolta na trama, a cada doçura num olhar.
Estou babando por Penélope Cruz, não por sua beleza escultural e indiscutível (aliás, por isso também), estou babando por sua naturalidade. É meio complicado de explicar, só assistindo para entender, mas ela pareceu estar um degrau acima da beleza, como se estivesse tão a vontade, mas tão a vontade, que ser linda tornou-se um mero detalhe. Uma heroína e sua antítese, uma mulher comum com todas suas aflições, angústias, dificuldades, medos e ao mesmo tempo praticidade, fibra, charme. Poderia gastar todos os adjetivos e ainda assim não seria possível compreender do que estou falando, porque Penélope Cruz está linda, linda demais para palavras.
Aí surge Carmem Maura (outro retorno), nesse momento você se esquece que está dentro de um cinema, porque a somatória dessas duas peso-pesados do cinema nos remete a algo distante daquele espaço físico. Almodóvar praticamente encosta sua câmera nas atrizes, aquele mar de emoções fica enorme aos nossos olhos, quantas vezes mãe e filha não têm inúmeras contas para acertar? Carmem Maura é quase uma entidade dentro do filme, que dupla, que espetáculo.
Retornar é sempre complicado, porque abafamos com o passado sentimentos e acontecimentos. O retorno os traz a tona, assim como a morte oferece um retorno imediato das lembranças que temos da pessoa que se foi, como forma de despedida. Em Volver há o retorno dessa mãe (que morreu), a nova chance para um acerto de contas com resquícios que estavam hibernando. O voltar nos aproxima da verdade, e com ela a paz que faltava. E dentro disso tudo há a análise interior dessa alma feminina tantas vezes remoída de frustrações e dores que para os homens seria pesado demais carregar.
Lembre-se que como falei no começo é um Almodóvar dialogando com elementos do início de carreira, então há o suspense, há muito humor (mas um humor marca-registrada), há visões berrantes (principalmente relacionadas a cores e roupas). Delicado, de fino trato com as imagens e com os enquadramentos (alguns fantásticos vistos por cima dos personagens), Almodóvar está por todos os cantos, e a trama e suas reviravoltas apenas servem para explodir com a panela-de-pressão de emoções contidas nessas fabulosas mulheres. E Penélope Cruz canta Carlos Gardel, e aquilo tudo nos deixa em nocaute. Ah, mas até agora não contei muito sobre o filme, esqueça, vá assisti-lo, ainda estou babando pelos olhares e gestos de Penélope.

MÚSICA DA SEMANA:

BIZARRE LOVE TRIANGLE
(Composição: New Order)

Every time I think of you
I get a shot right through into a bolt of blue
It's no problem of mine but it's a problem I find
Living a life that I can't leave behind
There's no sense in telling me
The wisdom of a fool won't set you free
But that's the way that it goes
And it's what nobody knows
And every day my confusion grows

Every time I see you falling
I get down on my knees and pray
I'm waiting for that final moment
You'll say the words that I can't say


Every time I see you falling
I get down on my knees and pray
I'm waiting for that final moment
You'll say the words that I can't say



PS: e que venha o show amanhã!
O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias (2006)

Na doçura do olhar de Mauro, no rosto de amargor da mãe ao separar-se do filho, na faceta de preocupação do pai com a situação familiar, na juventude revolucionária de Caio Blat, na singela amizade de Hanna, na incomoda posição do solitário judeu que ganhou um presente (de grego) do céu. Há a presença constante de Cao Hamburger, cineasta capaz de refletir pela visão pueril de um menino de doze anos, todo o retrato de um país de sentimentos condensados, de desejos reprimidos, um povo que só encontra uma maneira de extravasar suas angústias, a Copa do Mundo.
Estamos em 1970, nas ruas a discussão é sobre a possibilidade de termos Pelé e Tostão no mesmo time, pelos cantos discute-se sobre a repressão imposta pela ditadura militar em sua fase mais áustera (o governo Médici), a luta armada e a bandeira da liberdade. No meio desse passado ingrato, o filme ainda encontra espaço para retratar o bairro do Bom Retiro e sua forte ocupação judaica, resgatar o convívio diário de uma vizinhança infincada no coração de São Paulo.
Os pais do pequeno Mauro “saem de férias” (pode-se ler fugir), o menino vai morar com o avô, mas acaba “adotado” pela comunidade judaica de um conjunto residencial. Mauro, como a maioria dos garotos, é um apaixonado por futebol, entre horas jogando botão na mesa da sala e revendo sua coleção de figurinhas dos craques da Copa, o garoto vive a espera do retorno dos pais, sem muito entender o motivo da demora. Cao Hamburger nos oferece uma narração singela, pontuada pelo humor, pela insegurança, é um filme com maduro olhar infantil, repleto de encantos e sabores.
A beleza da fotografia e dos enquadramentos (delicados momentos entre espelhos, ou pelo reflexo do vidro do carro), a trilha sonora genuinamente da época (Eu sou terrível..., 70 milhões em ação, pra frente Brasil...), o recorte sutil das estranhezas de culturas distantes, a convivência com o diferente. Um filme de riquezas incontestáveis, capaz de nos lançar saudosamente ao ano de 1970. Aos que viveram aquele ano, poderão reviver momentos, aos demais fica a sensação de estar curtindo os prós e contras de ter enfrentado aquela fase de poucas (porém intensas) alegrias, vivendo num abafa ideológico.
O humor nos cativa, o futebol nos emociona, o drama nos comove, e Cao Hamburger faz desse baú de emoções uma cartola mágica que sempre nos surpreende com mais um coelho. É dos filmes mais leves e poderosos, a sutileza pode ser uma arma muita mais influente do que se imagina, basta saber usá-la. Uma obra inesquecível, que nos dá vontade de cantar junto, de comemorar os gols da seleção, de abraçar e chorar com Mauro. E ainda há a definição de exílio, da maneira mais singela que se possa idealizar.

Mauro (Michel Joelsas) Hanna (Daniela Piepszik) Schlomo (Germano Haint)



Teatro: O Avarento

Ontem o trio deu uma variada e foi conferir o 90º espetáculo teatral de Paulo Autran. A adaptação de Molière não é nada excepcional, mas a diversão é garantida, e ver Paulo Autran atuando é sempre espetacular. Tudo ido muito bem, mas ter que aplaudir a Hebe (nas palavras do Autran, um mito da área em que atua) que estava na platéia, foi um pouco demais rsrsrs.
Depois, é claro, que não dava para ir embora, então chegou o Banana para complementar comigo e Andrews a equipe de escolta da nossa querida Stela, a parada foi num bar na Pça Rooselvelt onde Elis Regina tocou pela primeira vez em São Paulo. Valeu pela peça, valeu por Paulo Autran, e valeu mais ainda pelas risadas no bar Papo, Pinga e Petiscos...

Balanço da 30ª Mostra

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Ainda não sabia como encerrar a "cobertura" da Mostra, queria fazer um balanço geral sobre os filmes, os encontros que tive, algum momentos divertidos e inesquecíveis, mas seria injusto esquecer de alguma coisa ou de alguém. Daí, num trânsito infernal ontem, durante as duas horas que demorei para chegar em casa, resolvi fazer uma espécie de premiação dos meus preferidos entre uma engatada na 1ª marcha e colocar em ponto morto. É meio injusto, principalmente porque deixei de lado grandes filmes devido a lançamentos confirmados no Brasil, mas como escolher os melhores em alguma coisa e não ser injusto?
Dessa Mostra ficam os filmes, ficam os encontros, ficam os sorrisos e as lembranças, fica um monte de coisa boa e a espera do próximo mês de outubro para nova maratona, nova correria, novas sensações. O balanço é positivo, vi muito mais filmes que gostei do que o contrário, se nesse ano não houve aquele filme que me desconcertou, pelo menos a quantidade dos muito bons foi maior que das outras vezes. Seguem meus preferidos:


Momento Inesquecível: cena final de Eu Não Quero Dormir Sozinho (de Tsai Ming-Liang)




Grata Surpresa: A Vida Real Está em Outro Lugar (de Frèdéric Choffat)



Atriz: Jördis Triebel - Emma's Bliss (de Sven Taddicken)




Ator: Issey Ogata - O Sol (de Alexandr Sokurov)




Menção Honrosa: Dias de Glória (de Rachid Bouchared)




Direção: O Céu de Suely (de Karim Ainouz)




Direção: Mary (de Abel Ferrara)




Grande Prêmio: Paris, Te Amo (filme coletivo)




Melhor Filme: O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias (de Cao Hamburger)

Vão me perguntar: o que esse filme tem a ver com a Mostra? Para muitos, nada, mas para o incansável trio (eu, Andrews e Stela) que se reuniu em incansáveis sessões e dividiu tantos acontecimentos, representava o fim do último final de semana. Faltavam dois detalhes para que pudéssemos nos despedir oficialmente do feriadão, e só conseguimos colocar em prática nessa terça-feira chuvosa. Eram dois pedidos encarecidos da Stela, o sorvete com waffle e o filme do João Falcão. Pronto, nos despedimos do feriadão. Agora para encerrar a Mostra por completo falta apenas ver o documentário Os Indesejados, de nossa amiga Sarah Moll (que já está em casa), combinaremos uma sessão domiciliar.

Fica Comigo Esta Noite (2006)

Fico aqui pensando por onde começar, porque é tudo tão detestável que fica difícil falar. Tudo bem, excetuamos duas ou três piadas, e o colírio que é ver a figura de Alinne Moraes, de resto, nada se salva. O roteiro é furado, ridículo, bagunçado, o roteiro é péssimo. Os diálogos, marcados com toda a grife dos Falcão, são tolos, ausentes de inspiração, as rimas e repetições de palavra dessa vez não funcionam (nem parecem do mesmo autor de A Máquina).
A dupla de atores principais e seus coadjuvantes não nos animam, o mínimo que se espera de uma comedia romântica é um casal que nos cative, que em algum momento nos emocione. Mas as cenas mais românticas são artificiais (as brigas piores ainda), falta muito mais que a química, falta um arranjo melhor em suas estruturas. E quando parecia impossível piorar, vem Zé Ramalho cantando uma das músicas mais esdrúxulas que já se teve notícia. E depois tem uma cópia de Fantasmas se Divertem do Tim Burton, nessa fase há uma série de encontros e desencontros, e gente que morre para um lado, anjo para outro, uma bagunça sem limites.
E no meio disso tudo João Falcão dirige sem inspiração, deixa tudo frouxo, meio preguiçoso, as cenas são desconexas, tudo ocorre abruptamente, como se o roteiro tivesse sido reajambrado rapidamente para encaixar com o argumento inicial, e principalmente dar mais força ao título. É uma comédia sem graça, é um romance sem emoção, nem a forma como se dá o casamento, ou mesmo o momento em que o casal se conhece, causa alguma sensação de que há algo a se aproveitar, realmente nada funciona.
Por isso mesmo que esse post é de araque, já que sua relação com a Mostra é “esquisita”.
Tem pessoas que demoram a pegar no breu, precisam de algumas horas para acordar, outras só vão funcionar na hora do almoço, há aqueles que estão ligadões à noite. Eu sou daqueles que já acorda elétrico, ligado no 220v e vão assim até na hora de dormir, sou tão agitado que rolo na cama, demora até a minha adrenalina diminuir. Mas nesse domingo acordei meio em câmera lenta, sinto como se estivesse ligado ininterruptamente nos últimos vinte dias. E isso é óóóótimo, ainda mais para alguém que acha dormir uma perda de tempo. Enquanto uns estavam pegando no sono, eu, Stela e Sarah começávamos a agitar o acampamento (quem disse que não fui viajar com os amigos no feriadão, é como se fosse rsr). Visitinha no HC para ver se estava tudo bem com a gravidez da Sarah e assim ela poderia viajar tranqüila para o Chile na segunda, depois uma passeada na Augusta para comer no BH lanches, e por fim uma paradinha numa loja de CD, irresistível sair de lá sem comprar nenhum, ou melhor, três.
Recomendações médicas, Sarah não sai da cama, cada vez que ela levantava, tomava uma bronca. A tarde foi com o povo esparramado no chão ou no sofá assistindo qualquer coisa na tv até a Stela encontrar House (eu só sabia da existência pelos mil elogios da Fer). Acabei sendo apresentado ao seriado e gostei muito, o cara é muito mal humorado, mas o programa é uma delícia. Depois de muito postergar, eu e Andrews acabamos resolvendo fechar o feriadão com uma coisa diferente, sessão da Mostra (hehe). Antes jantamos com a galera no súbito, a Stela tinha festa obrigatória, e então partimos para o filme alemão (cujo diretor é amigo da Sarah). Lá no café do Conjunto Nacional estava Neusa Barbosa, Luiz Vita, Luiz Zanin, e na sessão vi o Flávio (aquele dos filmes poloneses). E encerramos com chave de ouro o feriado (a Mostra? Talvez, vai saber se rola alguma repescagem essa semana ainda). E ainda tem o Fica Comigo Essa Noite, estou de prontidão porque quem sou eu para recusar um pedido da Stela? Só esperando o celular tocar!

Emma's Bliss – um sujeito descobre estar em fase terminal de um câncer no pâncreas. Numa outra ponta, numa fazenda vive uma mulher solitária, sempre cortejada pelo policial da cidade (uma pequena cidade alemã). Algo faz com que os dois destinos se cruzem, nasce uma relação conflituosa, amorosa, nasce o amor e dali surge um filme singelo, cativante. Uma mistura perfeita entre o clima bucólico do lugar, a necessidade de carinho daqueles dois, a trilha sonora, os enquadramentos simples que fogem do óbvio. Uma beleza de filme.
Foi tudo muito corrido, acordar e correr no cartório, e ainda chegar a tempo da sessão de repescagem no Cinesesc, lá encontrei novamente o Chico e ele me apresentou um casal cuja senhora de cabelo vermelho eu tinha muita curiosidade em conhecer, porque a vejo desde a primeira Mostra que freqüentei, lembro dela saindo emocionada numa sessão de um filme do Manoel de Oliveira e se recusando a votar com uma frase do tipo “quem sou eu para dar nota para esse homem”.
Os planos com os amigos saíram quase conforme o planejado, claro que com atrasos na programação, mas saiu um passeio na Benedito Calixto, com direito a almoço no Consulado e sessão de cinema (filme que passou na Mostra, mas já tinha estreiado, muito legal ver o público aplaudindo). Nessa sessão estava o famigerado trio e acompanhado da diretora Sarah Moll (que deixou um dvd com o filme dela, veremos nos próximos dias), ela fala espanhol e entendeu quase todo o filme do Cão Hamburguer, e adorou, se emocionou, torceu, ficou triste. Saindo de lá voltamos ao apartamento do Andrews, entre sair para balada e ficar batendo papo escolhemos... assistir um dvd (isso é doença hehe), depois alguns ainda foram cair na gandaia, como a Sarah não estava bem eu e Stela ficamos de prontidão assistindo João Gordo. Quanto penso que acabou a Mostra, apareceu mais alguma coisa, domingão teve mais.

De Punhos Cerrados – Bellochio retrata a família burguesa, ou melhor, a fragmentação de uma família formada de pessoas fragilizadas, problemáticas. É um filme de impacto, administrado pela loucura de um personagem psicótico, egoísta, solitário. A cena final ao som de ópera é um momento fantástico.

O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias – maravilhoso. O filme consegue ser doce, sutil, delicado, e tratar de política, e retratar o Bom Retiro e suas culturas judaicas, e mostrar o mundo pelo olhar de uma criança, e retratar a tristeza, a saudade, a dificuldade em se relacionar, os problemas para se adaptar a uma nova cultura. E o filme é bem humorado, e reconstitui a época perfeitamente (não só na direção de arte, principalmente no clima). E tem a Copa do Mundo, e toda a atmosfera que estamos acostumados a viver, a empolgação dos jogos, e Cao Hamburguer administrou tudo isso e nos oferece um resultado fabuloso, imbatível como o melhor da Mostra.

Pecker – esse aqui não tem nada a ver com a Mostra, mas como esse blog virou uma bagunça total que é impossível saber o que vai sobreviver a partir de agora, vamos falar do filme. Comédia trash do John Waters, começa nos embalando com música leve e um aperitivo do humor que teremos pela frente. É puro passatempo, filme bobo, divertido, roteiro fraco, tenta criticar a fama, se envereda por caminhos tortos, mas tem sua graça.
Como havia avisado previamente, a Mostra acabou, só que mais ou menos. Que venha a repescagem! Achei que não ia dar tempo, tinha uns assuntos inadiáveis para resolver, mas cheguei em cima da hora para ver Cabíria. Pena que o piano não estava lá. Já fiquei na sala para sessão de Paris, Te Amo. Enquanto aguardava a chegada da Mikie (e de uma amiga dela), vi rapidamente meu amigo Renato Doho, que ao me ver já foi logo dizendo: Você não tinha visto esse filme já?. Sim, Renato, mas o filme é maravilhoso e sai dele ainda mais apaixonado pelas histórias e personagens. Falando nisso quando vamos conseguir conversar com calma, mas que você vá embora de novo?
Um velhinho teve um surto neurótico pouco antes do início da sessão, deu um berro furioso com uma mulher, questionando-a se ela iria sentar ou não. Haha, ganhou uma bela vaia e os comentários: Ele vai ver um filme que se chama Paris, te Amo com tanta raiva nesse coraçãozinho?. Bem feito, deixe o mal humor em casa e curta o clima fabuloso e romântico do filme. (Eu quero ver de novo, vai passar quando? Rsrs. Esse eu vou ter que ter em casa)! Para amanha tem mais, não vai ser bem uma repescagem, mas depois eu conto, já que depois do filme encontrei uma galera na casa do Andrews, inclusive a diretora Sarah Moll (que está muito bem), e já está tudo combinado, o trio estará no cinema amanhã.


Cabíria – começa com uma força impressionante, a pequena Cabíria é apenas um adendo dentro da história de três séculos antes de Cristo, um vai e vem de poder, reis e derrubadas. A fotografia vive em ziguezague de cores, ora com predominância fortemente verde, ora dourado, ora roxo, ora vermelho, um espetáculo. A última hora já torna-se cansativa, a força vai se diluindo entre idas e vindas, mesmo assim um grande filme.

Sobre Paris, Te Amo só volto a falar no texto completo.

Mostra - diários # 14

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Eu sou um dos adeptos do lema “sem emoção, não tem graça”, e esse último dia foi daqueles, de tudo aconteceu. O pique para assistir vários filmes num mesmo dia já não é mais o mesmo (mas isso só até começar um filme bom nas telas). Comecei cedo, estavam previstas mais quatro sessões, reencontrei o Chico, falamos da repescagem. O Andrews entrou atrasado, sentou em qualquer lugar. Depois da sessão, começou a confusão. A diretora alemã, radicada no Chile, Sarah Moll do média-metragem Os Indesejados chegava ontem para apresentar seu filme e ficaria na casa do Andrews, mas ela passou mal na viagem de ônibus do Rio de Janeiro para cá e foi levada para o Pronto-Socorro (agravante, ela está grávida de dois meses). Não pensamos duas vezes, desistimos da sessão de O Grito das Formigas e começou uma corrida em busca de informações e para qual Pronto-Socorro ela tinha sido levada. Quando conseguimos todas as informações, corremos para buscá-la, nesse exato momento uma chuva torrencial caindo na Augusta, e claro que o carro estava bem longe de onde estávamos, resultado? Totalmente ensopados. Aparentemente Sarah não teve nada demais, então voltamos para deixá-la na casa, e corremos para o próximo filme onde encontraríamos a Mikie. Enquanto isso a Stela saia do trabalho para encontrar a Sarah, ela teria que apresentar a sessão com seu filme. Acabou passando mal de novo, fez questão de apresentar seu filme e foi novamente ao hospital. Como eu não tinha nada a fazer, corri para minha querida Cinemateca a fim de fechar a Mostra. Lá encontrei Edu Aguilar e rimos a beça com as peripécias do garotinho de 4 anos do filme, a idéia era voltar à casa do Andrews pra encontrar com o pessoal, mas Sarah ainda estava no hospital com a Stela, então fui para casa na espera de notícias. Já pronto para dormir chega a mensagem, não foi nada demais, ela está bem. Ufa, o último dia da Mostra foi agitado, felizmente entre mortos e feridos salvaram-se todos!

A China Está Próxima – Uma família burguesa, um professor candidatando-se a vereador pelo Partido Socialista, a irmã insaciável sexualmente teme envolver-se completamente por achar que todos desejam seu dinheiro; o irmão mais novo é um dos fundadores de um grupo revolucionário anteesquerda. É Bellochio trazendo humor, e discutindo política, um belo filme.

Juventude em Marcha – tinha tudo para ser um grande filme, só que resulta num filme cheio de pose. Há coisas muito bonitas, como a carta lida inúmeras vezes (... beba um bom vinho, e pensa em mim...), a estrutura deixa lacunas demais, e o ritmo tão lento torna a longa duração em momento angustiantes. Um pedreiro de cabo-verde tenta reconstruir sua vida após ter sido deixado por sua última esposa, reaproxima-se de seus filhos e almeja um apartamento onde haja quartos para todos.

Little Red Flowers – todos dizem que o filme é bonitinho, e só. Discordo, o filme é hilário, aconchegante, e também uma gracinha. Trata do dia-a-dia de uma creche (ou algo do gênero), um jardim da infância com crianças de 4-5 anos. A disciplina é linha-dura e os cumprem objetivos (não fazer xixi na cama, vestir-se sozinho) ganhas uma florzinha vermelha. Zhang Yuan consegue retratar fielmente esse mundo infantil, a câmera posicionada na altura deles traz uma visão diferente do comum (muitas vezes só estamos vendo as pernas dos adultos). Entre os temas mais relevantes estão a total inocência (que nós adultos não temos), a dificuldade de se enquadras na disciplina exigida, a revolta, a magia de sonhos. Momento fabuloso quando a obsessão de dois alunos em achar que a professora é um monstro, acaba tomando conta da turma toda.

Mostra - diários # 13

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Ontem caiu um mundo de chuva em São Paulo, não parava de cair água a tarde toda. Eu tinha que ir na despedida de uma grande amiga aqui no trabalho, e ainda sessão na Sala Uol. Isso quer dizer, tudo na correria. Pelo menos cheguei a tempo, ainda pude ver o Inácio Araújo, enquanto o Andrews não chegava. O filme era o que eu mais queria ver, desde o Fest de Berlim do ano passado que eu esperava pelo ultimo Sukorov, e ele decepcionou? Não, o problema é o exagero de expectativa que eu estava, o filme é muito bom, mas eu estava esperando o filme. Depois da luta para não cochilar na sessão, porque era tarde e o filme muito parado, o quarteto da Equipe Mostra estava junto novamente. Mas foi um encontro rápido porque não fiquei para a sessão da meia-noite, Mikie e Stela acompanhem o Andrews porque eu vou para casa! E já estão falando em repescagem, fim de semana, eu achava que a Mostra acaba hoje, ledo engano!

O Sol – novamente Sokurov nos oferece um filme poderosíssimo, metafórico, contundente. A desconstrução de mais um ditador, de mais um mito. O Japão vive os momentos finais da Segunda Guerra Mundial, o Imperador é um mito para a população, um semi-Deus. Enquanto entrega o poder às mãos dos norte-americanos, o Imperador demonstra uma preocupação com a biologia, com a descoberta das novidades vindas do Ocidente, aliado a manutenção dos seus costumes, um mar de futilidades e serenidade num momento de perda, humilhação nacional. Sokurov com seu jeito vagaroso, bate forte, descolando aquela figura forte e nacionalista que criamos para todos os líderes vencidos, quem disse que todos agem assim?

Mostra - diários # 12

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Quando você sai do circuito central, fica até parecendo que não está vivendo a Mostra. O ritmo é outro, ainda mais quando se está num shopping. Cheguei uma hora mais cedo e pouco tenho para falar, shopping é aquilo, e olhar vitrine não é comigo. Aproveitei para finalmente conhecer o tal lanche do Burguer King enquanto nosso trio não se formava novamente. A expectativa era enorme, e a decepção com o resultado (que não é ruim) acabou me dominando (texto completo virá na época do lançamento do filme). No final da sessão novamente me deparei com Bruna Lombardi e o Ricceli, nem liguei o som no carro para tentar tirar melhores conclusões sobre o filme. Quando chego em casa, um torpedo no cel, Andrews e Stela ainda no shopping, esperando o guincho porque o carro não pegou (olha só o que um tiro no Marrocos pode desencadear rsrs).

Babel – é um filme sobre a incomunicabilidade, e nesse ponto é muitíssimo competente sabendo dialogar com o público, tratando o assunto sob diversas formas e aspectos. Porém, acho que o problema começa no tiro (exatamente na situação que desencadeia todos os acontecimentos). A preocupação em ter uma ligação forte entre as 3 histórias (além do tema incomunicabilidade), seguindo os moldes de seus filmes anteriores, acarreta em quebra do ritmo nas histórias, em fracas interligações, em exagero de coincidências. Se as histórias fossem individuais, teriam o mesmo impacto (já que de tensão Iñarritu sabe tudo e mais um pouco) e menos distorções. Poderiam assim desenvolver melhor o lado político e suas proporções, uma mudança na estrutura fariam muito bem ao filme, mas Babel tem muita coisa boa, e não é um filme que você irá esquecer facilmente.

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Michel Simões