outubro 2006 Archives

Mostra - diários # 11

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Era uma missão impossível, a sessão 19:20 no Reserva e antes disso ir até a Central da Mostra e trocar meus últimos 3 ingressos (já falei que os 40 não vão dar e que comprarei uns 2-3 a mais?). De carro nem pensar, poderia ser de metrô, mas a estação é meio longe do Reserva então teria que caminhar de qualquer jeito. O transito não ajudou, a corrida foi grande, felizmente não havia fila para as trocas (ufa) e encarei toda essa caminhada a pé mesmo, foi por pouco. O trio estava prestes a se formar, quando os encontro na fila de espera (não tinham conseguido ingresso, era só que me faltava rsrs). Andrews e Stela foram os últimos a entrar na sala, enquanto isso atrás de mim 3 amigos numa conversa preconceituosa sobre cinema brasileiro (eles são jovens, não sabem o que estão falando rsrs).
É muito legal ver aquele povo todo louco para assistir um filme, contagem milimetrica dos lugares, gente que senta no chão sem problema algum, é essa a magia do cinema, queremos ver o filme, não importam as condições.
Fim de filme, eu achava que ia para casa descansar, mas começamos um bate-papo tão gostoso com as peripécias da Stela pelos EUA que estava impossível fazer qualquer movimento para sair dali. E oba, hoje tem mais!

A Scanner Darkly - para quem viu Waking Life, pode não ser novidade, para mim que náo vi, o visual despojado é super interessante. O roteiro patina um pouco, chega a cansar, mas dá uma guinada surpreendente no final que acaba fechando muito bem essa animação. Interessante os movimentos de câmera, fugindo totalmente do convencional numa animação, e ver Keanu Reeves, Winona Ryder e demais em forma de desenho animado é muito divertido. A história trata de um novo tipo de droga (Substancia D) e uma história de conspiração entre amigos.

Mostra - diários # 10

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Sai do Shopping Frei Caneca apaixonado ontem, eram quase meia-noite e eu não tinha a menor vontade de saber quem ganhou as eleições presidenciais no meu país (como se alguém não soubesse o resultado!), estava mesmo era a fim de caminhar pelas ruas de uma cidade a qual eu acabara de conhecer cada distrito, cada momento, cada motivo que me faz ficar mais fascinado por aquele local. Logo eu que sou adepto da monogamia estava apaixonado pro várias, inúmeras mulheres das mais diversas idades, nacionalidades, religiões e tudo mais. Sai da sessão de Paris, Eu Te Amo completamente apaixonado por tantas histórias que não conseguia ter uma preferida (se bem que a protagonizada por Fanny Ardant e Bob Hoskins é mais que espetacular). Temia um filme irregular pela quantidade de autores, que nada, apenas duas histórias mais fracas (a do Waltinho razoável) e o resto, simplesmente maravilhosas. Uma singela declaração de amor a Paris, com histórias de amor contadas com romantismo e humor, tal qual deveria ser um relacionamento. E no final aplaudidíssimo, não poderia ser diferente. Sai tão animado comentando e recordando cada momento mágico com a Stela e com o Andrews que nem me despedi do Carrard (sorry my friend)! Ainda cruzei o Guilherme Lamenha pelo caminho, com ele já tinha conversado na sessão anterior.
Já que comecei tudo ao contrário dessa vez, falei de um filme (que além de tudo foi o último), vou continuar nesse ritmo. Antes dessa sessão briguei com uma socialite e com o banana do marido dela, até mudei de lugar (nessa acabei de distanciando do Carrard), acabei ficando na mesma fileira que o Babenco, e também vi a Bruna Lombardi (dessa vez sozinha, tadinha rsrs). Daniele Thomas falou algumas palavras e leu uma pequena mensagem do Walter Salles antes da sessão começar, também foi a primeira vez que vi o Cakoff nessa Mostra.
Vi o filme do tailandês com nome impronunciável ao lado do Pablo e do Carrard, também nos encontramos com o Bruno nessa sessão (e mais uma rápida atualização dos filmes vistos). Inclusive, críticos aos montes nessa sessão, o Paulo Santos Lima parecia uma metralhadora fazendo mil anotações. E o dia começou com o vencedor de Veenza, o Chico estava lá fora com o Tobey (infelizmente não o conheci dessa vez), depois sentou comigo, foi bom porque após tantos dias conseguimos colocar o papo em dia (ele continua num ritmo alucinante de filmes diários). Já o meu cai a partir de hoje com a volta ao trabalho, mas os diários continuam porque tenho filmes planejados para todos os dias. Babel e O Sol prometem, mas Paris, Eu Te Amo é tudo que eu queria ver, para ficar perfeito só faltou eu estar muito bem acompanhado na sessão hehehe.
Esqueci de comentar ontem que A Vida Real Está em Outro Lugar também foi muito aplaudido após a sessão e que reencontrei mais uma amiga das antigas, a Danila que eu não via desde a época do ginásio (faz teeeeempo)!

Still Life – a construção de uma barragem está inundando uma cidade, metáfora para o próprio país que vai perdendo sua identidade enquanto permite que o capitalismo avassalador tome conta de tudo. É um país cartão postal do desenvolvimento para exportação, e um país em ruínas para a população que não vê nem o cheiro de todo esse dinheiro que está invadindo a China. O cineasta não me comove, faz um tipo de cinema bastante autoral, mas que a mim pouco tem acrescentado.

Síndromes e um Século – parece um filme enigmático, talvez numa leitura rápida não seja possível encontrar seus mais preciosos mistérios. Numa primeira leitura o cineasta faz uma comparação entre o avanço da tecnologia e a melhoria das condições de infra-estrutura do atendimento médico, e o relacionamento médico-paciente (que não se altera ao longo dos tempos). Há uma presença muito forte da natureza em seu filme, seja ela representada pelo verde e pelo barulho dos insetos, seja ela nos diálogos demonstram a natureza humana.

De Paris, Eu Te Amo já falei acima, agora só quando eu preparar um texto específico sobre o filme.

Mostra - diários # 9

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O sabadão acabou se tornando um dia com filmes escolhidos ao escuro. Tinha um nacional com cara de bomba, um foi indicado por um, outro entrou porque o amigos tinha escolhido e o quarto foi indicação quente da crítica do Cineweb, Neusa Barbosa. Diretores desconhecidos para mim, sinopses idem, arriscando tudo. E o sábado realmente começou diferente, corri para a fila do Espaço Unibanco, Stela e Andrews estavam na fila do Cinesesc (eu tinha ingressos, mas eles não). Depois um corre para fila, outro vai para o filme, na correria encontrei com meu amigo Renato Doho (finalmente, pensei que tinha desistido!!!). Stela quis assistir o filme no café do Cinesesc (esses fumantes, rsrs), eu nunca tinha visto filmes de lá e gostei. Ao nosso lado a mesa com autor, atores e mais um monte de gente do filme O Cheiro do Ralo. Ali também aconteceu minha maior mancada na Mostra, a Fernanda Lima ficou uns dois minutos atrás de mim e eu não vi, olha que absurdo. Pior, a Stela ainda me olhou como quem quer dar um toque e eu nem me dei conta, falha imperdoável, Fernanda Lima, ahhhh!
Depois corremos para o Unibanco onde seriam os outros três filmes do dia, chegamos em cima da hora, um vai no banheiro, outro guarda lugar, daí eu resolvo achar um lugar melhor, uma confusão que deu no resultado de nos separarmos para sentar, mochilha com um, bolso com outro, tudo trocado, e o filme o segundo a decepcionar no dia. Quando acabou o filme vem até mim uma garota com cabelão vermelho e sorriso encantador, outra blogueira, prazer enorme te conhecer Ale Marucci (aliás, demorou tanto para nos encontramos, e acabamos conversando umas dez vez pelo dia rsrs). Na saída encontrei uma galera, fizemos uma mini-mesa-redonda no saguão, Marcelo V, Chico Fireman e Guilherme. O Renato ficara na sala para a próxima sessão.
Para o terceiro filme o trio ganhou novamente o reforço da Mikie, agora a Equipe-Mostra estava novamente formada. Sala lotada, lugar péssimo para sentar, e a terceira decepção entre os filmes, o sabadão não ia bem nesse quesito. Momento hilário foi a Stela batendo a cabeça na poltrona da frente, como? Não sei, mas isso foi o melhor momento do filme. Depois tínhamos um bom intervalo, vi de longe o Alberto enquanto íamos passear na 2001, no Mcdonald’s, e trocar ingressos para Babel (e nós quatro batendo papo com a Mabel). Voltamos a ser trio, filme suíço e ninguém tinha lido a sinopse, estávamos por conta da dica da Neusa. E ela acertou em cheio, filme delicioso, para mim o dia acabava, mas Stela e Andrews ainda tinham a sessão da meia-noite (que até aqui só reservou bomba aos dois), e como o suíço atrasou, eles perderam a hora, mas valeu a pena porque o filme foi surpreendente. Amanha tem eleição e mais maratona!

O Cheiro do Ralo – o sarcasmo do personagem esquizofrênico de Selton Mello (ótimo como de costume) nos oferece alguns lances muito interessantes, algumas situações engraçadas e algumas metáforas pertinentes. Mas o filme é escroto, tal qual o personagem, e se perde nesse lamaçal de coisas estranhas. “O poder é afrodisíaco”, é uma das frases fortes, que podem ficar além do filme. A garota dando ok, Lourenço não percebendo que mudou de garçonete, e a história de “... os convites estão na gráfica”, são momentos impagáveis, pena que é tudo muito irregular.

Edmond – lembra After Hours, não há como negar, mas só lembra. O filme é um completo equívoco, o personagem central tem um surto e resolve rebelar-se contra o sistema, para isso faz discursos verborrágicos e artificiais, perde o controle em diversas situações. Pelo menos ele consegue quebrar parte do seu espírito loser, mas depois vem o final e ele novamente se entrega ao sistema (seja onde estiver). Nem William H. Macy salva.

A Sensação de Ver – uma pequena cidade, alguns pequenos personagens dispersos, um professor de inglês deixando esposa e filho e vendendo enciclopédias. Há um virtuosismo, uma mistura de frases de grandes pensadores e um questionamento sobre os porquês do mundo. As histórias começam a desenhar os pontos em que todos esses personagens se encontram, todos carregados de dor, de tristeza, passados amargos. Caindo ao fundo do poço, para talvez encontrar ali a salvação. O tipo de filme arrogante, desejo de ser genial, seja nos destinos dos personagens, no blá blá que discorre, ou na alternância entre colorido e p/b.

A Vida Real Está em Outro Lugar – três viagens de trem, três encontros inusitados envolvendo um homem e uma mulher, novos destinos sendo traçados. Rodado em digital, diálogos simples, situações rotineiras, os personagens vão se deixando envolver, aos poucos demonstram suas facetas aos novos conhecidos, e a interação entre eles acontece em estágios totalmente diferentes. Os trens são ponto de partida para os três encontros, mas cada uma delas se desenvolve num habitat diferente, e viajamos com eles sem noção alguma do desfecho que cada um daqueles encontros irá ter. Vivem o momento, pois a vida real de cada um está em outro lugar.

Mostra - diários # 8

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Passam-se os dias, passam-se os filmes, e ainda estou aguardando aquele filme desconcertante, todos ano tem um que me acerta em cheio. Já peguei bons filmes, mas nenhum como Um Filme Falado, Oldboy ou Cachê, que me deixaram em estado de êxtase, completamente alucinado e emocionado com o que tinha acabado de ver. Ainda estou aguardando o meu grande filme da Mostra. E hoje chegou bem perto, desde o primeiro dia que montei minha programação, decidi por uma sessão tripla porque dois dos filmes eram dos mais esperados, algo me dizia que não estavam tão próximos por acaso.
A sexta-feira marca o início da segunda semana, realmente descolei um bom estacionamento barato e pertinho do Artplex, cheguei um pouco mais cedo e corrida para o Bombril porque depois seria a sessão tripla e mais um quarto filme encavalado, sem tempo para nada. Nas caminhadas encontrei novamente com o Alberto, mais cinco minutos de papo, rápido comentário dos últimos filmes vistos e reencontro marcado para sábado. Depois foi só me infornar na sala um do Artplex. Entre um filme e outro, eu via de longe um ou outro conhecido, até que na terceira sessão o trio (comigo, Andrews e Stela) voltava a se formar.
Como falei no começo, um filme chegou bem perto de me deixar fascinado, foi em Dias de Glória a primeira sessão que vi aplausos da platéia, e aplaudi junto porque o filme é ótimo, o melhor até aqui, disparado, que história e que final, de arrepiar. Novo Mundo também repetiu os aplausos (dessa vez não participei, não chegou a tanto). Depois corremos comer um pão de queijo (onde cumprimentei de longe o Bruno, e finalmente encontrei com a Bia [Flávia Helena hehe] e acabamos perdendo a hora da sessão do Hamaca Paraguaya, quando chegamos estava começando e ai provamos nosso grande amor ao cinema. Lugar para sentar não havia, foi no chão mesmo, com visão encoberta da legenda eletrônica e filme falado em (guarani?). Sendo que já era a quarta sessão do dia, passado das 22:00, e o filme uma paradeira só, haja amor. Acabada a sessão fui embora, tinha que buscar minha mãe lá onde Judas perdeu as meias, já meus amigos tinham outra sessão pela frente. Tudo bem amanha tem mais, muito mais.

Dias de Glória – novamente a Segunda Guerra Mundial, só que dessa vez pelo lado dos soldados muçulmanos das colônias francesas, lutando pela França na guerra. Além de enfrentarem os nazistas, uma luta contra o preconceito por não serem franceses, a total diferença feita no exército, um filme fantástico, nos premiando com uma cena de batalha emocionante num vilarejo, e um desfecho para deixar qualquer um estarrecido. E os soldados cantando A Marselhesa no navio, de dar frio na espinha. Filmaço imperdível!

Big River – Um japonês cruzando o mundo com uma mochila nas costas encontra um paquistanês perto da fronteira dos EUA. Um ajuda, o outro oferece uma carona, mais tarde conhecem uma jovem que os ajuda a cruzar parte do país. Um road movie, o paquistanês busca recuperar sua esposa, o japonês quer descobrir, conhecer. A moça tenta escapar de sua vida sem graça no meio do deserto texano, e o público tenta entender o porquê de estar assistindo aquilo tudo. Quase nada interessante, quase nada.

Mundo Novo – muitos italiano (outras nacionalidades também) migraram para os EUA, buscando o Novo Mundo, as oportunidades de emprego e de fazer fortuna. Saindo de seus pequenos vilarejos, enfrentavam longas viagens de navio, e ainda eram recebidos com inúmeros testes, exames e controles. Eis a história desse sonho, acompanhamos a maratona de uma família para buscar o Novo Mundo, e isso resulta num bom filme.

Hamaca Paraguaya – que este é o primeiro filme paraguaio em décadas todo mundo sabe, o que não sabem é que a diretora conseguiu tirar do simples uma proximidade brutal com a realidade. O filme é aquilo, dois velhos, uma rede, um pequeno sítio, e os resmungos dos dois. O cão que late, a chuva que não vem, mas há o filho que foi para a guerra, há a tristeza da solidão que os dois sentem, há o amor deles que pode não ser pontuado por carinho, porém é recheado de companheirismo. E ficamos ali acompanhando os dois levarem a vida a seu modo, esperando notícias do filho, esperando o tempo passar, esperando o clima mudar, esperando a hora de sair da rede e ir para a cama. Um teste de paciência para assistir, recompensador para quem perceber essas pequenas minúcias.

Mostra - diários # 7

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Quinta-feira elétrica, fora da sala escura. Uma hora de trânsito, debaixo do sol do meio-dia, dentro de um carro preto, e o cabeçudo aqui com pólo preta. E a temperatura não amenizaria o resto do dia. A sessão que mais entrou gente durante o filme, diria que mais da metade do pessoal sentou com o filme começado, gente com até vinte minutos de atraso. Finalmente estive no Reserva nessa Mostra, dos maiores só falta a Sala UOL (sua hora vai chegar). Depois de muita pesquisa para arrumar um estacionamento barato e próximo do Artplex, corri para a Central a fim de pegar mais ingressos.
Já na saída esbarrei com a crítica Neusa Barbosa, dessa vez fui cumprimentá-la, simpaticíssima nos cinco minutos que conversamos. Fui saindo e finalmente encontro meu amigo Edú Aguilar (já parecia q a Mostra ia acabar e nada de os encontrarmos), paramos para um café (água sem gás para mim, por favor rs), colocamos o papo em dia, o Edú me atualizou sobre seus novos projetos, ainda apareceu um ator (que trabalhou em Dois Córregos) amigo do Edu. Combinar sessão que é bom? Nada, ficamos só no talvez.
Nova disparada descendo a Augusta (já virei figurinha carimbada naquela calçada), alias engraçado acompanhar a progressão de uma reforma na calçada que estão fazendo num pedaço da Augusta, cada dia fica pronto mais um pedacinho, pelo jeito amanha termina, chega de pisar na areia e desviar de cimento fresco. A sessão do Bom Velhinho está repleta da crítica, não dá nem para citar nomes, só vou falar de três que ainda não citei (Inácio Araújo, Eduardo Valente e Cleber Eduardo), mas é só para exemplificar. Na saída novo encontro rápido com Chico Fireman e Guilherme, troca rápida de informações de sessões que teremos em conjunto. Emendei com o doc do Gitai, na fila encontrei o Alberto, batemos mais um bom papo dessa vez numa sessão (e confirmamos que nenhum dos dois encontrou o Jorge que conhecemos naquela primeira fila onde tudo começou). Depois do filme vi no café do cinema Tônica Carrero, a idade passa a todos, não para ela.
Se vocês pensam que acabou, estão enganados. Onde estão Andrews e Stela para formarmos o trio? Dessa vez nossas sessões eram distintas, mas tínhamos um buraco de mais de uma hora para o último filme do dia, então eu subi tudo de novo para irmos comer qualquer coisa no Viena. Os três sentados com programações pela mesa, guia da Folha, canetas inquietas riscando filmes e colocando outros. Até dois dias atrás não íamos mais nos encontrar nos próximos dias, eu fiz uma reformulação que acabou acertando duas sessões do trio juntos. Resultado da visita ao Viena, quebrei a promessa que fiz a mim mesmo de não alterar mais nada (sou melhor para prometer aos outros rsrs). Um opina daqui, o outro bate o pé dali, o terceiro solicita encarecidamente, tá bom, tá bom, a boa notícia é que vamos nos encontrar todos os dias até o final da Mostra. Eu tive que trocar três filmes, eles então, impossível calcular. Aguardem mais peripécias do trio, e eles venceram, Babel entrou na Mostra (sorry Summer Palace, não troco meus amigos por nada desse mundo). Depois nova corrida lá para baixo, onde encontrei o Flávio na fila, com esse já esbarrei algumas vezes, vejo ele e lembro de uns filmes poloneses que ele andou assistindo. Vimos o filme, ufa, 23:45, acabou, só se forem os filmes, porque no elevador encontrei o Castilho (calma, esse não tem nada a ver com cinema, um amigo que trabalha na concorrência e tinha acabo de jantar, isso me faz lembrar que minhas férias estão acabando).

Arame Farpado – só de não ter aquelas inúmeras apresentações musicais que Bollywood adora, já foi um alívio. A história é interessante, tratando de mulheres que se tornam nômades (em todos os sentidos) para sobreviver da pobreza e miséria indiana. Mudam várias vezes e ao bel interesse de nome e religião. Há um humor singelo no filme, uma demonstração de coisas ainda tão atrasadas num país que possui grande parte das sumidades dos cientistas mundiais. Corre pelo melodrama, mas sem exagerar, típico filme bonitinho.

Belle Toujours – Sempre Bela – Tinha tudo para ser um fiasco, mas Manoel de Oliveira acerta ao recuperar a história de Sèverine. O filme disseca a obra de Buñuel, às vezes repetindo-se desnecessariamente, às vezes carregado de um requinte magnífico. Os planos panorâmicos (ora diurnos, ora noturnos) de Paris acompanhados por uma trilha orquestrada, são sensacionais. O momento em que são apagadas as luzes no jantar, e a câmera focaliza os dois à mesa, a claridade vindo pela janela que reflete a Cidade Luz, inesquecível. Oliveira tem um timing que nas mãos de qualquer outro diretor soaria como falso, exagerado; uma bela homenagem que em momento algum tira o brilho do filme anterior.

Notícias de Casa/Notícias do Lar – que grata surpresa este documentário de Gitai. Na verdade é o terceiro doc do mesmo tema, o 1º filmado há 25 anos, o 2º 9 anos a seguir, e este nos dias atuais. Uma casa, a região a sua volta, a analogia entre a casa e a Palestina. Gitai busca depoimentos dos antigos proprietários que foram expulsos de casa pelo governo israelense, também encontra vizinhos, o pessoal que a construiu, parentes de todos estes. E termina com um depoimentos capaz de resumir todo o filme, seu espírito e sua discussão.

Flutuando – os norte-americanos compraram uma fábrica na Rússia e a fecham. Resultado? Desemprego. É uma comédia de humor negro, acompanhamos um jovem buscando um novo emprego, ele não se adapta facilmente aos que lhe são oferecidos, também é cada roubada. O humor permeia, a crítica social está presente todo momento, mas o filme vai além e consegue retratar o cotidiano de um jovem (como este), a relação com garotas e com a família, a independência. E acima de tudo, o buraco mal-tapado que se tornou a Rússia.

Mostra - diários # 6

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Cheguei em casa 1h e sem pique para dormir, não que os filmes de hoje tenham sido excepcionais e tenham me deixado entusiasmado. Para ser muito sincero, talvez tenha sido um plano, o último plano do filme de Tsai Ming-Liang, falo do filme depois. Sem dúvida esse dia ganhou um apelido, o dia-solidão, também com títulos Fica Comigo e Eu Não Quero Dormir Sozinho, para completar a trilha sonora perfeita tocou no rádio enquanto eu cruzava a ligação leste-oeste em tarde ensolarada, Hoje Eu Quero Sair Só (Lenine). Tinha música mais perfeita para a ocasião?
Mexe programação daqui, remexe dali, descoberta da estréia de um filme acolá e pronto remonta tudo outra vez. Fui direto trocar um ingresso e já pegar mais para os próximos dias, que simpatia é a Mabel que trabalha na Central da Mostra, dá gostoso ficar ali dizendo os números das sessões e batendo um papinho com ela. Na minha frente estava o Paulo Santos Lima completamente perdido com sua programação, até passei na frente dele, marcou uns dez filmes e trocou uns dois, rsrs.
Corridinha até o Cinesesc, no caminho encontrei o Alberto (aquele que conheci na fila para compra da credencial, cara boa gente, nos vemos mais, espero) sessão disputadíssima, só tinha lugar para sentar lá na frente. Vi o Chico Fireman e o Guilherme, impossível travar comunicação, avistei também parte da galera da Paisà/Cinética/Contracampo. Como só tinha 3 filmes no dia, os horários estavam espaçados, assim é pior, com as esperas fica mais cansativo. Enrolei na porta do Bombril, na fila dos ingressos vi o Luiz Zanin e grande parte da turma que esteve na minha sessão anterior (depois percebi que a grande parte iria ver o novo do Gitai, que também já programei).
Atrás de mim na sala uma senhora era a alegria dos que esperavam. Ela falva alto, seja ligando para a mãe a fim de avisá-la para não lhe telefonar pois estava no cinema, ora falando ao marido espantada, não tem trailer, vai direto! Depois uma longa espera, me dei ao direito de ir ao McDonald’s (não tinha sozinho lá esse ano), então sentei nas escadarias do Cinesesc a fim de esperar o novo Ming-Liang. Dali vi Hector Babenco, um dos irmãos Barreto (já esbarrei umas cinco vezes nele, mas não sei qual deles é), e mais um galera do meio que eu não faço a mínima idéia de quem sejam; enquanto isso o cineasta brasileiro do filme que passava no momento (Pablo) tirava fotos e recebia amigos e familiares. Ainda conheci uma estudante de História, falante, que as vezes não tem animo de sair de casa de tanta desigualdade nas ruas.
Já no saguão me encontrei com o Carrard, terminamos de colocar o papo em dia, já nas cadeiras foi com o Bruno que nos encontramos e obviamente fizemos as famigeradas trocas de informação sobre programação para ver quem vai se encontrar com quem (sempre a mesma história, sempre uma delícia). Ah cheguei na metade da Mostra p/ mim, 20 filmes, se bem que pelo andar da carruagem eu não vou parar nos 40 não.

Fica Comigo – começou dando sinais de ser o grande filme do festival, um enquadramento colado ao corpo dos personagens que aparecem gigantescos na tela, comida para tudo quanto é lado. As 3 histórias começam a se desenrolar, começamos a tentar entender o que se passa, e a sutileza torna-se ponto-chave. Há uma cena no cinema, um repousar de cabeça, um entreolhar, tudo de uma sutileza. Mas depois o filme ganha contornos de documentário, e por mais linda que seja aquela história de vida, ela é infantilizada na narrativa, e a partir daí o filme se perde num roteiro estranho, e com ele a sutileza se vai. Ainda recupera seu primo no encerramento de uma das histórias, mas sua irregularidade é irrecuperável.

Fora de Jogo – Se Jafar Panahi queria mostrar que em período de Copa do Mundo tudo se releva, tudo se pondera, então ele conseguiu. Se ele pretendia mostrar a vergonhosa proibição de mulheres em estádios no Irã, ele também conseguiu. Isso tudo não significa que tenha feito um filme bom, são diálogos tão tolos e infantis, personagens tão desprovidos de inteligência, que fica difícil cair nas garras de Panahi. Ele não fez um filme ruim, apenas um filme chato e sobre garotas tentando entrar no jogo que levaria o Irã à Copa da Alemanha.

Eu Não Quero Dormir Sozinho – há uma questão ambiental que Ming-Liang tem abordado em seus filmes, é pano de fundo, mas está lá. A água está presente, mas dessa vez é uma estranha fumaça que preenche o país, o casal nem consegue concluir o sexo. O roteiro nos cozinha em banho-maria por duas horas e poucas falas, num prédio moribundo há dois enfermos. Um deles (praticamente vegetativo) recebe tratamento quase robotizado de uma garota, no andar de baixo um mendigo é tratado com todo cuidado por um dos homens que o espancaram. Há uma associação direta das duas maneiras em se tratar o próximo, o zelo, o doar-se. Quando você não consegue mais imaginar aonde Ming-Liang vai nos levar, eis que chega o plano-final, um momento genial, mais genial mesmo. E o filme que parecia passar quase despercebido cresce, e como cresce, o cineasta fechou com chave de ouro nos cozinhou direitinho.

Mostra - diários # 5

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Dessa vez voltei aos tempos da faculdade, quando não tinha carro, não achava nada longe (se bem que ultimamente continuo não achando), e meu único horário era chegar a tempo de pegar o metro aberto! Descer minha rua até o metro sob sol foi gostoso, mas subir ela quando passando das 23:00 cantarolando o pouco que lembrava da música do Falamansa que tocou em Sonhos de Peixe, ou alguma dos Los Hermanos, enquanto eu pulava as calçadas na subida, foi um retorno ainda mais forte há uns anos que já ficaram para trás. Sou assim, alegre, o que se pode fazer!!!
Dessa vez encarei uma sessão tripla, e para falar a verdade senti falta de um quarto filme, já estou me acostumando. Cheguei mais de quarenta minutos adiantado, mas tinha alguém ainda mais adiantado do que eu. Marcelo Carrard, assim que o cumprimentei ele me soltou, você só pode estar aqui para ver o novo do Kim Ki-Duk, e realmente era verdade. De cara lembrei que a única vez que ele me ligou foi para assistir esse coreano. Todo mundo tem seus diretores mais queridos, podemos até não considerá-los os melhores, ou os preferidos, mas é impossível adiar um filme novo deles, no momento os meus são Sokurov, Ki-Duk, Iñarritu, Aronofsky, Paul Thomas Anderson, Haneke e Kitano. Amanha tudo pode mudar.
Mudança de filme e mudança de companhia, sai Carrard e entra o Andrews. O diretor Ainouz veio apresentar o filme e falou sobre a importância do céu, falando também sobre a vida de sua família matriarcal e como teria sido se elas não tivessem saído de sua cidade no Ceará. Ao lado do Andrews, um casal já bem adulto trocou selinhos estalados o filme todo, rsrs
Para fechar a trilogia do Artplex 2 veio Sonhos de Peixe, o super-trio estava novamente formado com a chegada da Stela. Ah, vale uma dica, por R$ 1,20 no café do Artplex temos um delicioso pão de queijo, o preço é convidativo. O Andrews me solta a informação de que há coisa de um ano manteve contato, leu o roteiro e quase participou da produção do filme, pena que não deu certo. Antes de começar veio o russo com aquele sotaque todo esquisito, sem muito o que falar pediu para não irmos embora sem que todos os créditos terminassem. Ao sair da sessão, dois atores nos esperavam na saída, muito simpáticos e sorridentes (e ótimos em cena). Minha maratona acabava, meus companheiros ainda tinham mais um. Para esperar a sessão sentamos na choperia do shopping e batemos um papinho (de longe vi Chico Fireman e Guilherme chegando) até que nos tornássemos um quarteto com a Mikie. Pena que eu não podia ver o filme com eles, não daria tempo para o metro, fora que ingressos esgotados. Pelo menos não fiquei triste, recebi a singela msg já passado da meia-noite: Não perdeu nada!!! Ufa! Rsrsrs

Time – eu gosto do enfoque de Kim Ki-Duk nos relacionamentos amorosos, isso é fato. Dessa vez trata de um amor imensurável, doentio, uma mulher capaz de fazer transformações plásticas em seu rosto, na tentativa de que seu namorado não enjoasse dela. É muito mais do que isso, mas o texto maior só daqui algum tempo.

O Céu de Suely – direção primorosa, depois de estarmos cansados em ver aquela história dos nordestinos que tentam a vida na região sudeste, dessa vez é o retorno, e muito mais do que isso. A história da garota que faz uma rifa para uma noite no paraíso, com ela; trata com singeleza toda a falta de perspectiva, toda a inocência, o mundo de sonhos. A cena na mesa, comendo macarrão com frango é de arrepiar de tanta tristeza. Grande filme, excelente trabalho de Ainouz que nunca caminha por planos óbvios.

Sonhos de Peixe – quem poderia imaginar que precisaríamos de um russo para retratar tão bem a vida dos pescadores do litoral nordestino? Ele captou isso com tanta simplicidade, com tanta brasilidade, que qualquer um poderá duvidar se ele é russo mesmo. O personagem de Juscelino é rico, grandioso, ingênuo, fantástico, sua paixão por Ana é algo assim tocante. Uma pequena jóia.

Mostra - diários # 4

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É tão estranho olhar São Paulo a todo vapor em plena segunda-feira e eu na vida mansa, acordando tarde para passar o dia todo no cinema. Mas também, semana que vem volta ao normal, deixa que eu aproveite um pouquinho. Corri para o Espaço Unibanco, 1 da tarde, sessão cheia, eu sentado vi lá embaixo o Chico, nos falamos rapidamente depois, acabei conhecendo mais um blogueiro, Guilherme (nos vemos por aí, com certeza).
Depois da novelinha chinesa, corrida p/ o Artplex, finha um filme super esperado, Mary. Antes passei no Bombril para trocar mais ingressos, na fila estava a Marina Person e um petead meio... despenteado rsrs. Já na fila do Artplex mais um ótimo bate papo com Ana Paul e Marcelo V, claro que eles me convenceram a sentar lá na frente, e apareceu então fiquei perto daquela cinéfila, o único que eu sabia quem era foi o Paulo Santos Lima (que estava vendo pela segunda vez o filme do Ferrara Mostra). Vi também na sessão novamente Bernardo Vorobow e Carlos Adriano (que tb repetiam a dose de Mary na Mostra).
Fim de filme e comecei uma operação de guerra da qual já estava me arrependendo, mas eu queria muito assistir O Guardião, então tinha 30 minutos para subir a Augusta, pegar o metro e chegar no Sta Cruz. Ah, respirando nesse meio tempo, porque era bem a hora do rush!!! E não é que consegui, sessão dupla no Sta Cruz, nessa Mostra não volto mais lá, escapei dessas longas viagens!

A Estrada – começa encantador, sobre uma cobradora de onibus que trabalha numa linha cruzando pequenas vilas no interior chinês. O motorista é vangloriado por ter cumprimentado o grande Mao. O filme segue cinqüenta anos da vida desses personagens, uma novelinha doce, com imagens lindas, e um final que vai se arrastando. Muito bonitinho, mas nada de excepcional.

Mary – um filme de transformações, um filme de amor, um filme sobre a descoberta da fé, da verdadeira fé. O personagem de Forest Withaker passa por um dilema terrível e encontra forças onde não imaginava. Só para se ter uma idéia um diretor quer ganhar dinheiro com uma super-produção sobre a vida de Cristo, após o encerramento das filmagens a atriz que interpretava Maria Madalena abdica de tudo para viver pela fé em Jerusalém. E Withaker tem um programa que discute a verdadeira história de Cristo, levando teólogos e entendidos. Filme de impacto!

O Guardião – monótono, tal qual a vida de um segurança particular. Nisso o filme é mais que competente, mostrar essa vida sem graça, de pequenas humilhações, de passar o tempo esperando acontecer alguma coisa (que na verdade ninguém quer que aconteça). Porém há o final, que é compreensível, porém estava se desenhando para aquilo, o que resulta em mais momentos monótonos.

Red Road – as informações para que possamos entender as verdadeiras razões para que Jackie se perturbe tanto com Clyde e passe a segui-lo o tempo todo só chegam aos poucos. Ela trabalha vigiando as ruas de Glasgow no monitor, Clyde saiu da cadeia a pouco e mora num condomínio habitado principalmente por ex-detentos (Red Road). Obviamente o passado os liga de alguma forma, e a câmera de Andréa Arnold nos mantém apreensivos, ligados, bela direção num filme que já vimos porém não com esse tom de suspense.

Mostra - diários # 3

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Domingo é dia de descanso? Não para cinéfilo. O trio formado por mim, Stela e André chegou em cima da hora, resultado: pegamos um lugar péssimo e ficamos craques em contorcionismo para poder ver a legenda eletrônica. Terminamos o filme sentados no encosto de braço, era o único jeito. Na sessão estavam Bernardo Vorobow e Carlos Adriano. Para a segunda sessão corremos para lugares melhores, uma amiga deles se juntou a nós. Depois nos separamos, cada um corre para um lado, troca ingresso, pega blusa, e uma disparada até o Artplex (está ficando cada dia mais longe).
Terceiro filme, o primeiro em inglês (mas era canadense). O cansaço já começa a bater, mas vamos seguindo. O último foi sessão de crítico, estava repleto deles, na cadeira na minha frente Neusa Barbosa e Luiz Vita, na primeira fileira Cid Nader e Sérgio Alpendre da Paisà. A sessão terminou de forma inesquecível, a projeção estava bem ruim, quase na hora de terminar deu um claro na tela e acabou, era óbvio que tinha dado problema, mas aparentemente todos estavam desgostando do filme como eu. Depois de uns quatro minutos as pessoas começaram a sair, e o filme voltou. Voltou para aparecer um segundo de projeção e aparecer bem grande FIM! Só se via as pessoas rindo e dizendo: “Essa foi foda”.

A Promessa – os efeitos especiais são toscos, os personagens fracos e os acontecimentos mirabolantes. A tal promessa fica renegada a segundo plano, e na verdade não acrescenta muito coisa de fato. Claro que há cenas lindas, mais parecendo escola de samba do que um filme de artes marciais. Não gostei, e não estou sozinho nessa opinião.

Climates – Ceylan fez um filme levemente mais rápido que o anterior, com mais diálogos e novamente com enquadramentos de fazer inveja. Um senso de utilização do silêncio fabuloso. E um final belo, demonstrando a impossibilidade de se manter uma relação mesmo havendo amor.

Atirando Pedra – funcionaria muito bem no Supercine, é regular em todos os aspectos. Quer tratar de muitos assuntos (doença degenerativa, problemas familiares, a redescoberta do amor, influência sobre os mais jovens, consciência ambiental).

Sob o Signo do Escorpião – uma ilha foi devastada por um vulcão, os sobreviventes mudara-se para outra ilha e agora temem que um outro vulcão repita os estragos em seu vilarejo. Nascem discussões entre os que pretendem partir para o continente e os que pretendem ficar, a disputa sai do controle e toma proporções animalescas. Lembra muito alguns filmes do cinema nacional da época. Decepcionante, porque para fazer essa resenha simples contei o filme todo, não há nada a acrescentar.

Mostra - diário # 2

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E o sábado foi aberto com a primeira bomba do Festival, sorte que não durava nem oitenta minutos, ainda assim me socorri no relógio quatro vezes. Até que tinha um público razoável no Unibanco por ser a primeira sessão. Depois corri pela Augusta, metade do caminho sentindo muito frio, e a outra metade com um sol forte (vai entender o clima dessa cidade). Tinha combinado essa sessão com os amigos André e Stela, que me disseram das confusões da sessão de Infância Roubada (atraso na chegada dos rolos, exibição por alguns minutos do filme errado, e as óbvias reclamações do público). Gente sentada no chão par ver o dinamarques, o que ocasionou um tropeção engraçado por não ser possível que tinha alguém sentado ali. Depois do filme nos separamos, mas ainda conseguiram me convencer a colocar mais um na programação de hoje, vou encarar quatro novamente!
Por isso corri até o Bombril para trocar o ingresso, já que a terceira sessão também era no Artplex. Pisei na porta do shopping e o celular toca, o blogueiro Bruno Reame ia dar uma passadinha na praça de alimentação. Muito bom conhecer mais um amigo da blogsfera, que venham novos encontros. Ainda vi de relance Cid Nader da Cinequanon. Cansado depois de três filmes e lá vou eu correndo para subir a Augusta, pegar o carro e ir direto a minha querida Cinemateca, encontrar o pessoal simpático que faz o dia-a-dia daquele local e assistir o primeiro oriental (serão vários), e que seria o melhor do dia. Na fila conheci o Rafael, um chinês que chegou ao Brasil aos 13 anos, engraçado ter ele elogiado Fica Comigo trinta minutos após eu decidir mudar minha programação novamente em encaixá-lo. Balanço, 2 dias, 6 filmes, 6 países, 6 línguas, por enquanto vai bem.

A Audiência Vai Começar – num primeiro instante parece ser um documentário sobre um caso importante na italiana, envolvendo juizes de pulso e os mafiosos. Triste engano, trata de futilidades, está muito mais preocupado em mostrar que o pessoal do tribunal chega para trabalhar e está tudo trancado porque alguém se atrasou, ou que anotam os telefones importantes numa parede do que numa agenda (órgão público né!). O melhor momento é uma conversa filosófica entre dois juízes sobre machismo, relação agiota judeu e etc, humor negro por estarmos rindo de falas tão preconceituosas. Fuja!

A Soap – reza a cartilha do Dogma, se divide em pequenos capítulos e esse é o ponto negativo do filme, narração em off desnecessária, antecipação de acontecimentos. No filme em si, vai tudo bem, sem romantismo é criada uma relação forte e heterogênea entre uma mulher totalmente independente sexualmente e recém-separada, e um travesti que espera ansiosamente a autorização para fazer a operação de mudança de sexo. Personagens sarcásticos envolvendo-se lentamente nos problemas do outro, decisões tomadas por impulso, comportamentos raivosos por não saber lidar com as situações.

Princesas – simpático e envolvente, Fernando Leon de Aranoa nos leva ao mundo da prostituição na Espanha, um retrato da própria situação econômica do país. Temos dois grupos de putas, as espanholas e as imigrantes (cobrando muito menos e ocupando o espaço das locais). O cineasta trata das aguras vividas por esses dois grupos, mas também retrata o lado emocional que pesa sobre todas elas, o sonho de largar essa vida, a dificuldade de ter algum relacionamento amoroso, a necessidade de manter segredo para os familiares. A atriz principal é encantadora, e a maneira como ela fala de seus desejos mais profundos (saudade do que nunca teve, ter alguém para buscá-la no trabalho e etc), é mais que cativante, é envolvente.

Sonhos com Shangai – Na década de 60, temendo uma invasão da URSS, os chineses resolveram criar um pólo industrial no interior do país (chamado terceiro fronte). Muitas famílias deixaram a capital para trabalhar nas fábricas. Há dois temas centrais, o primeiro é o arrependimento e o desejo de voltar a Shangai, o outro está presente em quase todos os filmes chineses, a educação extremamente rígida exercida sobre os filhos e os confrontos inevitáveis. É um filme muito triste, porque esses dois temas fundem-se em um único, sonhos desmoronando, a perda das ilusões.

Mostra - diários # 1

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Caso todos os dias sejam quentes como este primeiro, haja fôlego. Aproveitei que cheguei mais cedo e fui trocar ingressos para os próximos dias, na minha frente um cara com um chapéu estranho e cara de gringo. Ele tinha o catálogo da Mostra nas mãos e me mostrou um filme perguntando (em inglês) se eu conhecia. Amor Moderno, infelizmente nunca ouvi falar, ele meio sem jeito respondeu que era dele. Detalhe, a sessão do seu filme estava prestes a começar e ele no cinema errado!!! Enquanto pegava a programação e o pôster, me vi ao lado do crítico do Estadão Luiz Zanin (bem mais alto do que eu imaginava). Na fila encontrei com meu amigão André, iríamos ver duas sessões juntos nessa sexta. Da sessão anterior me sai o Chico Fireman morto de fome, depois desapareceu, ah Chico fique tranqüilo que hoje uma menina também derrubou aqueles cones todos, mas com menor estardalhaço! E ainda encontrei uma amiga do bairro onde moro que havia uns 6 anos que não encontrava.
Começou bem com o ótimo Flandres, é verdade que com alguns probleminhas de foco, e principalmente escândalos da platéia que ao invés de reclamar ficavam berrando num coro muito mal ensaiado. Na saída dou de cara com o oásis Bruna Lombardi (tudo bem, estava com o Ricceli também). Uma corridinha do Bombril até o Espaço Unibanco e vamos encarar o muito bom 12:08 A Leste de Bucareste, na fila estavam os críticos do cineweb Neusa Barbosa e Luiz Vita, vi de longe aquele cara que no sábado passado ficou insistindo para assistir Mary. Já sentado encontro Matheus Trunk que sentou conosco e demos risadas o tempo todo da projeção. Foi agitado, mas depois fui parar numa balada, mas isso é outra história porque daqui a pouco tem mais filmes!

Flandres – Filme de guerra cruel, sem máscaras, repleto de cenas que nos causam surpresa e espanto (a explosão com os cavalos, o rapaz carbonizado, morte de crianças, etc). Bruno Dumont não poupa ninguém, nos coloca dentro de uma guerra (pouco importa qual ou contra quem), e nesse exército não há mocinhos, portanto poucos escapam ilesos. Planos estáticos, bom uso do cinemascope e uma paisagem árida ao extremo.

12:08 A Leste de Bucareste – Momentos hilariantes, trata de uma suposta revolução (ou não), acontecida numa pequena cidade romena, poucos minutos antes da real queda do ditador comunista. Um professor bêbado e um velho ranzinza são os motivos para nos fazer rir a todo momento, são tantas cenas engraçadas que fica impossível destacar. Mas não deixa de ser um filme tosco, tal qual a gravação do programa de televisão. Simples e crítico.
Começa hoje a Mostra (e que comece logo para que me concentre nos filmes e pare de querer ficar trocando as programações), o trabalho está um inferno, mas vou largar tudo do jeito que estiver às 18:00, o que tiver sido feito muito que bem, o que ficar meus colegas que cuidem porque só vou ter uma semana de férias mesmo! Ontem começaram as negociações com amigos para ver uma sessão aqui, encontrar com outro ali, vai ser uma semana ótima!



Indiana Jones e a Última Cruzada (Indiana Jones and the Last Crusade, 1989 – EUA)

O princípio não é nada animador, mesmo com a adrenalina começando a mil. Um Indiana Jones adolescente enfrenta uma quadrilha de ladrões a fim de recuperar uma cruz de ouro espanhola, o mais importante desse prólogo é demonstrar a relação de Indiana com seu pai. Passamos a vinte e quatro anos adiante, seu pai desapareceu misteriosamente na procura da obsessão de toda sua vida, O Santo Graal (o cálice da Santa Ceia que traria eternidade a quem nele bebesse).
Novamente os nazistas são os grandes inimigos de nosso herói, e novamente as seqüências de aventura que os envolvem são terrivelmente sem graça, Indiana deixa de ser um aventureiro para se tornar um super-herói dos filmes de Hollywood. Por outro lado, há nesse filme um ingrediente novo, que oxigena a trilogia e dá um outro sabor a história. Sean Connery como pai de Indiana oferece um requinte todo especial, um humor enriquecedor e delicioso. Mesmo nos momentos de mais ação, seu personagem, levemente carrancudo e totalmente acadêmico, traz uma dose de humor irresistível.
No mais é a mesma história, Indiana atravessa o mundo, conquista uma bela mulher e é o único capaz de enfrentar todos os perigos e armadilhas para recuperar os objetos arqueológicos. Sem dúvida alguma, são nessas seqüências em que Indiana desvenda os mistérios para atravessar armadilhas e encontrar tumbas com mapas e etc, que se localiza o atrativo principal da série. É esse o diferencial que não há em outros filmes, a figura de Indiana misturada nesse mundo de animais asquerosos, areia e esqueletos nos remete a um lugar que o cinema não tinha explorado.
Steven Spielberg realizou aqui o melhor filme da série, mantendo por mais tempo nossos olhos grudados no filme. Há um momento antológico, que diferente dos anteriores não se encontra nos momentos de maior ação ou aventura. Hitler assinando o caderninho de Indiana, um sorriso e uma cena para a posteridade. Harrison Ford em seus grandes momentos do cinema, aquele chapéu e chicote nunca caíram também numa pessoa quanto nele.


Indiana Jones (Harrison Ford) Henry Jones (Sean Connery)

Trilogia Indiana Jones

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Ser cinéfilo é uma doença mesmo. Ontem fui trocar os ingressos para os dois primeiros dias da Mostra, daí olhei aquele trânsito infernal na Paulista, chovendo, não tive dúvidas. Corri para o Reserva para ver Pintar ou Fazer Amor, eu quase não vou ver filmes nos próximos dias mesmo rsrs, e ainda encontrei o Fernando Solera perambulando pelo hall do cinema, no melhor estilo fazendo hora!!!


Indiana Jones e o Templo da Perdição (Indiana Jones and the Temple of Doom, 1984 – EUA)

Chega a ser um pouquinho decepcionante constatar que as lembranças do passado não são tudo aquilo que costumamos recordar com saudosismo. Isso não diminui o valor da trilogia, mas apaga um pouco de seu brilho. Dessa vez caímos de “pára-quedas” num restaurante em Sanghai, o desenrolar beira o patético (até aquelas ridículas gargalhadas forçadamente maquiavélicas estão presentes). O verdadeiro filme irá desbravar a Índia.
Vivemos uma irregularidade entre seqüências bem esquematizadas e de tirar o fôlego, e outras verdadeiramente cansativas de tão esdrúxulas. Aquele professor de arqueologia torna-se um lutador implacável contra inúmeros guerreiros treinados para combate. Mas é uma aventura, vamos nos contagiar com o clima. Harrison Ford está ainda mais carismático e a dupla de personagens que o acompanha dessa vez são muito mais interessantes, eles têm realmente o que acrescentar dentro da proposta de Steven Spielberg.
A doçura de Baixinho nos faz rir, já Willie Scott traz aquela feminilidade avessa ao mundo primitivo. Seus gritos, temores a insetos, por mais óbvios nos divertem todo momento. Aliás, a cena do banquete com iguarias exóticas é inesquecível, e não podemos esquecer também de todo a ação transcorrida naquele carrinho percorrendo os trilhos da mina, e na passagem secreta onde Willie socorre nossos heróis. São esses momentos que nos fazem recordar que Idiana ainda pode ser tudo aquilo que gostávamos quando bem mais jovens.
Portanto, o problema todo é de roteiro, maus arranjos durante as cenas. Um pouco mais de capricho e Spielberg ofereceria um filme para nos deixar boquiabertos, eletrizante. Faltou imaginação, já que Indiana tem o mais difícil, o carisma, a proximidade do público. A música é inesquecível, o chapéu e o chicote de Indiana mais ainda.

Indiana Jones (Harrison Ford) Willie Scott (Kate Capshaw) Baixinho (Ke Huy Quan)

Onde Está Wally?

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Ou melhor, onde está o editor desse blog??? rsrsrs



OBS: Foto "roubada" do blog do Carlão




Para os habitués do blog irem se acostumando com os posts diários durante a Mostra, vou aproveitar a contagem regressiva e falar sobre a trilogia do Indiana Jones!


Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida (Indiana Jones and the Lost Ark, 1981 - EUA)

Indiana Jones é lembrança automática da infância, é sinônimo de aventura, de diversão, de momentos despretensiosos com os olhos na TV. Agora ao começar a rever a trilogia percebo que o filme não perdeu seu encanto, mesmo que não empolgue como antes. Que gritem os detratores, mas Steven Spielberg se presta a um tipo de cinema e o faz muito bem, e ponto final.
A primeira metade do filme é empolgante, repleta de entusiasmo com todo aquele clima de mistério (do desconhecido) que o aventureiro Indiana Jones nos proporciona. A arqueologia, as escavações, e os mitos sobre cada objeto ancestral, um mundo de conhecimento a ser desenvolvido. Além, é claro, de momentos delirantes, como a inesquecível pedra gigante, as armadilhas que protegem as raridades arqueológicas e tudo mais.
Mas há também a segunda parte, quando os Nazistas estão mais ativos no filme e nesse instante inicia-se uma seqüência de cenas mirabolantes e acontecimentos que chegam mesmo a aborrecer. É um tal de entrar em avião, e entrar em caminhão, e etc que fica difícil lembrar que aquele homem é o mesmo professor que fazia maravilhas com o chicote. A personagem feminina também não ajuda. Mas só de ver aquelas cavernas, aquelas cobras e o que mais a cerca da magia de Indiana já nos traz um grande ar de saudosismo.

Agradecimento ao meu amigo Régis que me emprestou os DVDs da Trilogia.
No primeiro dia 1h e 15 para comprar as credenciais (pacote de 20 terminou em 3 horas, comprei o de 40 achando que estava fazendo loucura). Encontrei rapidamente o amigo Chico Fireman (novos encontros virão), e acabei fazendo amizade com dois freqüentadores na fila mesmo. Um deles é um senhor, daqueles ratos de Mostra. O outro morou muitos anos em Londres e agora trabalha na empresa que fechou acordo com Fernando Meirelles e a O2 para co-produção de seis longas no Brasil (acordo bastante noticiado). Mesmo depois das credenciais o papo prosseguiu, e no final ainda se uniu um jovem meio quieto, na verdade creio que ele estava louco para nos dizer para que não percamos Mary (fique tranqüilo, já estava na minha lista)
Passei o domingão debruçado na minha programação, de começo tentei não me preocupar com a quantidade de filmes, pensando que iriam sobrar ingressos. Acabei o esboço, contagem: 41 filmes; e estava insatisfeito com a ausência de alguns títulos, 20 não iam dar nem para o começo rsrs.
Depois é o processo de tentar encaixar os que faltaram, remanejamento aqui, desistência de outro ali (eu adoro ficar fazendo isso). Agora está praticamente fechada, fiquei com 40 filmes mesmo, aguardemos os imprevistos. Já tinha decidido deixar de fora Os Infiltrados e Volver, após uma batalha ferrenha entre coração e razão consegui deixar de fora também os obrigatórios para mim Fonte da Vida e Babel, além dos aguardadíssimos The Wind that Shakes the Barley, O Caminho para Guántanamo, El Labirinto del Fauno e O Crocodilo.
Fiquei bastante satisfeito, nenhum dos meus mais aguardados ficaram de fora (exceto os citados acima que serão lançados com certeza no Brasil) se bem que eu queria ter encaixado também o filme do Burman e Infância Roubada. Acho que consegui sair um pouco de alguns títulos óbvios para optar por outros menos populares (exemplo Climates e Hamaca Paraguaya). Para terminar deixo registrado que meu filme mais aguardado é O Sol (Sokurov) e espero muitíssimo de dois romenos 12:08 A Leste de Bucareste e Como eu Festejei o Fim do Mundo. Tentarei fazer pequenos posts diários no mesmo molde dos anos anteriores (peculiaridades, encontros com blogueiros e personalidades, trivialidades, e algum humor), só que com textos curtíssimos sobre os filmes (diferente de antes, haja tempo, serão 40 dessa vez, e na segunda semana estarei trabalhando rsrs). Que venha Flandres, o primeiro da maratona!!!

Eu Me Lembro

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(2005)

É um filme de extremos, muito bom quando se passa na fase infanto-juvenil do personagem, e desanimador na fase adulta. Baianíssimo em sua essência (se bem que não conheço a Bahia para ficar afirmando categoricamente), colocando fatos tão famosos no cinema nacional fora do eixo RJ-SP, trazendo assim uma nova visão das coisas; e tão pessoal, mais tão pessoal, que se torna desconexo, distante para aqueles que não viveram experiências idênticas, é um filme para Edgar Navarro assistir e se orgulhar por ter conseguido transpor nas telas sua vida.
Pelos olhos de Guiga descobrimos o mundo, o seu mundo. O mundo em que está inserido esse garoto que desde muito pequeno começa a ver o despertar de sua sexualidade, o caçula de uma família cheia de filhos. Tanto sexualidade, quanto religiosidade, são tratadas de forma doce, límpida, sem filtros, sem preocupações em desagradar essa ou aquela corrente, temos uma visão livre dos olhos de uma criança. A vidraça que “escondia” o céu, o espiar pela janela a tia gostosa tomando banho, um conjunto de acontecimentos verídicos em todos os cantos do país.
Depois de perseguirmos a infância de Guiga, todas suas descobertas e os acontecimentos envolvendo cada um dos membros da família; aproxima-se a fase mais adulta e novas transformações ocorrem, os confrontos com o pai, a descoberta das drogas (o movimento hyppie), o sexo e o amor. É nessa fase que Navarro perde a mão certeira que vinha conduzindo o filme. Muitos dizem se tratar do Amarcord brasileiro, profundo exagero, no filme de Fellini a imaginação fluía e o conjunto de lembranças/desejos tomava a tela de forma a retratar um sonho. Aqui Navarro tenta reportar as alucinações causadas pela droga, a efervescência com que ela contamina a mente de Guiga, uma mistura de recordações e desejos, e o que temos é um final arrastado e cansativo.
Interpretações simples e singelas colaboram muito para nos aproximar com aquela família, recordar de momentos da nossa própria infância, quem não passou por algumas daquelas experiências? Eu Me Lembro não soube envelhecer junto com o personagem, perde tempo demais numa pequena fase, que pode ter sido muito importante para Guiga, nós podíamos ter ganho com outros aspectos.


MÚSICA DA SEMANA:

BLACK
(Pearl Jam)

Hey...oooh...
Sheets of empty canvas,
Untouched sheets of clay...
Well they spread out before me
As her body once did.

Oh all five horizons
Revolved around her soul
As the earth to the sun

Now the air I tasted and breathed
Has taken a turn
Oh and all I taught her was everything
Oh I know she gave me all that she wore
And now my bitter hands
Shake beneath the clouds
Of what was everything?

All the pictures sat,
All been washed in black,
Tattooed everything

I take a walk outside
I'm surrounded by some kids at play
I can feel their laughter so why do I sit here?

Oh and twisted thoughts that spin ‘round my head
I'm spinning, oh, I'm spinning
How quick the sun can drop away

And now my bitter hands cradle broken glass
Of what was everything?
All the pictures sat, all been washed in black, tattooed
everything...

All the love gone bad
Turned my world to black
Tattooed all I see, all that I am, all I'll be...yeah...

I know someday you'll have a beautiful life,
I know you'll be star,
In somebody else's sky,
But why, why, why
Can't it be, oh can't it be mine?

Crônica de uma Fuga

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Adrian Caetano não fez um filme político em seu conteúdo, os acontecimentos da ditadura militar argentina são somente os instrumentos causadores dos fatos narrados. Golpe militar, tortura, grupos guerrilheiros revolucionários, desses elementos conhecemos bastante. A simples mudança geográfica dentro da América Latina não quer nos dizer muita coisa porque estamos amplamente familiarizados com essas mazelas, as feridas ainda estão sangrando dentro da memória de nossa nação.
Sim, há cenas de tortura e violência. Sim, os capangas dos militares querem delações, nomes, endereços, contatos. Sim, quanto menos se fala, mais espancamentos, afogamentos e demais técnicas de tortura. Porém o filme preocupa-se apenas com uma breve introdução, os hematomas espalhados pelos corpos apontam a continuação dessas práticas, com isso é possível focar nas intermináveis horas que os presos passam algemados num quarto escuro, alheios ao mundo, desesperados, com medo, famintos, completamente fora de si.
O jovem Cláudio era goleiro do Almagro, o filme é baseado em livro com seus relatos sobre os cento e vinte dias que passou na Mansão (utilizada como cativeiro para tortura dos contrários ao regime militar). A história de uma fuga, esse é o diferencial, outros milhares não tiveram essa sorte. Se o filme caminhava bem durante o seqüestro, ótima fotografia com tons cinza, câmera próxima dos atores ressaltando o desespero, ou em enquadramentos inusitados (inclinada na porta da mansão, deitada imitando o olhar dos presos deitados); a partir da idéia da fuga se ganha fôlego extra.
E nascem momentos eletrizantes, Adrian Caetano nos deixa inquietos na poltrona, coração querendo saltar pela boca. A seqüência na cozinha, corte para Cláudio segurando a chapa, corte para o amigo sentado na mesa, corte para os policiais assistindo ao jogo da Argentina na Copa, e essa seqüência se repete, e se repete, a tensão a mil, teste para cardíaco. A fuga então é de nos tirar o oxigênio, toda a seqüência parece interminável, a certeza de que serão pegos cresce a cada segundo, o som do batimento cardíaco toma conta do cinema, público petrificado. Um trabalho primoroso do diretor nesses dois grandes momentos do filme.
Não iremos aprender muito sobre o momento histórico, apenas algumas datas e saber que em 1985 ocorreu o primeiro julgamento contra os ditadores na história da América Latina. Os personagens desse filme foram algumas das testemunhas desse julgamento. Israel Adrian Caetano não precisou sentimentalizar ou explanar clichês para fazer seu filme extremamente político, tratou da micro-política, aquela que não poupou inocentes.

Dália Negra

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(The Dhalia Negra, 2006 - EUA)

O virtuosismo no manejo da câmera, os enquadramentos delirantes, os travellings de tirar o fôlego buscando novas visões da mesma cena. Não estou querendo elogiar os aspectos técnicos do filme, mas elencar o estilo, a forma de filmar de Brian de Palma. Trata-se de um mergulho cinéfilo, um delírio a cada tomada, a cada instante. Após cada corte que aponta o fim de uma seqüência, a câmera focaliza de longe um objeto ou lugar, depois se aproxima e num movimento mais brusco vai finalmente apontar o que de importante a cena terá; nesse repetitivo movimento temos a confirmação de uma postura, o exercício de um estilo, o deleite de quem gosta dos detalhes, de quem busca algo mais, de Palma nos oferece isso a todo instante.
O clímax é a seqüência na escadaria, nela de Palma entrega parte do mistério final (talvez propositadamente), pouco importa, toda sua construção é o que de mais representativo ela possui. A trilha, o clima criado, o corte feito na hora certa, a visão do andar de cima e de baixo, o desfecho. Aliás, o final é o ponto mais fraco, os fatos correm abruptos, quase se atropelando, terminam de forma didática, óbvia, excessivamente pragmática. Falta brilho àqueles quinze últimos minutos, de Palma nos cozinhou tão bem para depois nos obrigar a engolir o jantar.
Atores também não se destacam (mesmo que não façam feio, exceto Fiona Shaw que está praticamente insuportável). Parece que de Palma quer tudo só para ele, apenas Aaron Eckhart deslancha acima da média com uma atuação de força e expressão. Falta ao roteiro audácia (que sobrava em Femme Fetale), deixar a trama intricada e complexa não significa ser audaciosa, incomum. O cineasta deixa o filme maior do que ele deveria ser, o noir imerso nessa sociedade hollywoodiana da década de quarenta funciona perfeitamente, esse mundo de perversões, intrigas, interesses. A relação Dwight-Kay-Lee soa estranha, uma atração artificial, e depois essa estranheza vai atrapalhar em parte dos desfechos que estariam trancados a sete chaves. Dália Negra é quase tudo o que esperamos dele. Um ótimo filme! Ficam na mente boas lembranças.

Dwight Bleichert (Josh Hartnett) Kay Lake (Scarlett Johansson) Lee Blanchard (Aaron Eckhart) Madeleine Linscott (Hilary Swank) Elizabeth Short (Mia Kirshner)
(Onibaba, 1964 - JAP)

O país em caos, a guerra se espalha por todos os vilarejos japoneses, quando não são os confrontos, é a fome e a escassez a assolar a população. Sogra e nora habitam uma pequena cabana, matam samurais pelas redondezas de casa e trocam armas e vestimentas por algum tipo de alimentação para sobreviverem, enquanto aguardam o retorno da guerra do filho/marido.
O retorno de Hachi dá início a discórdia entre as duas, primeiro pela notícia da morte do filho/marido. Segundo, por ele despertar o desejo sexual, a libido, naquelas mulheres. Onibaba é um filme sobre maldição, sobre colher o que se plantou; mas não deixa de ser um filme sobre repressão sexual, o que o deixa muito mais contemporâneo e pronto a dialogar com diferentes platéias. A sogra desespera-se quando percebe que pode estar perdendo a nora para Hachi, está preocupada com sua própria sobrevivência, sim é egoísta, mas fala alto dentro de si seus desejos reprimidos, uma mulher que ainda almeja a realização de sua sexualidade. Por isso trama contra a relação dos dois.
As ousadias administradas por Kaneto Shindô são surpreendentes. O diretor dá início com um plano mostrando um buraco, mais tarde saberemos que nele são jogados os corpos dos samurais mortos pelas duas. O nu está por toda parte, como se vivessem numa ilha deserta, os personagens andam livres, inesquecível o plano em que Hachi e a jovem correm completamente nus pelo canavial. Inclusive, aquele canavial torna-se inesquecível também, o som e sensação de caminhar por ele é aterrorizante, assustador.
Shindô também usa todas as possibilidades do scope, colocando os personagens nas extremidades da tela, utilizando toda a profundidade da imagem. Enquadramentos fantásticos, belíssimas cenas de prazer (no filme o prazer está acima do sexo). Com apenas três personagens e um mísero cenário, Shindô desenvolve sua história e faz de Onibaba um filme que não envelhece, pois está concentrado nas relações humanas e essas são imutáveis.

Sogra (Nobuko Otowa) Nora (Jitsuko Yoshimura) Hachi (Kei Sato)



MÚSICA DA SEMANA:

TELEGRAMA
(Zeca Baleiro)


Eu tava triste tristinho
mais sem graça que a top model magrela
na passarela
eu tava só sozinho
mais solitário que um paulistano
que um canastrão na hora que cai o pano
(que um vilão de filme mexicano)
tava mais bobo que banda de rock
que um palhaço do circo vostok

mas ontem eu recebi um telegrama
era você de aracaju ou do alabama
dizendo nego sinta-se feliz
porque no mundo tem alguém que diz:
que muito te ama que tanto te ama
que muito muito te ama que tanto te ama

por isso hoje eu acordei
com uma vontade danada
de mandar flores ao delegado 2x
de bater na porta do vizinho
e desejar bom dia
de beijar o português da padaria

mama oh mama oh mama
quero ser seu
quero ser seu 2x
quero ser seu
quero ser seu papa

Eu tava triste tristinho
mais sem graça que a top model magrela
na passarela
eu tava só sozinho
mais solitário que um paulistano
que um vilão de filme mexicano
tava mais bobo que banda de rock
que um palhaço do circo vostok

mas ontem eu recebi um telegrama
era você de aracaju ou do alabama
dizendo nego sinta-se feliz
porque no mundo tem alguém que diz:
que muito te ama que tanto te ama
que muito te ama que tanto tanto te ama

por isso hoje eu acordei
com uma vontade danada
de mandar flores ao delegado 2x
de bater na porta do vizinho
e desejar bom dia
de beijar o português da padaria

mama oh mama oh mama
quero ser seu
quero ser seu 2x
quero ser seu
quero ser seu papa

Hiroshima, Meu Amor

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(Hiroshima Mon Amour, 1959 – FRA/JAP)

Falar sobre o filme de forma retilínea seria apagar parte de seu brilho, rebaixá-lo a uma obra quase comum, quando de comum ele tem praticamente nada. São quinze minutos (cronometrados), a imagem intercala-se entre o tronco de um casal nu abraçado e as mais diversas imagens sobre Hiroshima. Um poema belíssimo, um jogo de diálogos magistral. Assistimos ao horror da guerra enquanto ela afirma ter visto Hiroshima, ter visto seus museus, suas ruas, sua gente, ele nega. Esse conjunto de diálogos e imagens dá forma a um painel indescritível, único. Estão em algum lugar na década de cinqüenta, poucos anos após bomba atômica.
A bela atriz francesa está trabalhando num filme internacional sobre a paz, em seu último dia no país passa a noite com um arquiteto japonês. A separação parece inconcebível, principalmente a ele. A relação dos dois faz com que ela se recorde de um grande amor na juventude, um soldado alemão por quem se apaixonou na guerra. Um soldado alemão, agora um ex-soldado japonês, inimigos de sua pátria na Segunda Guerra.
As duas paixões se misturam, como se estivesse surgindo uma segunda chance para aquele amor discriminado do passado. Porém são casados, vidas estabilizadas, a separação é inevitável. Cada take transmite com nitidez a ruptura que os move, a sensação de últimos momentos, a proximidade da separação física. Alain Resnais nos oferece uma contagem regressiva em forma de poesia, verbal e experimental. Um trabalho de entrega retumbante dos atores Emmanuelle Riva e Eiji Okada.
A fotografia cinza com traços avermelhados, a música suave e impactante, são elementos ricos e que oferecem a Resnais um quadro onde ele pode desenvolver ainda melhor toda sua maestria no manejo das imagens. Um filme melancólico por excelência, tanto por seus sentimentos com por sua forma. Seu engajamento vem de sua estrutura, que faz o milagre de discutir (literalmente) o amor nesse turbilhão de movimentos anti-belicistas que acompanhamos. Rico, poético, belíssimo, o sofrimento pelo amor torrente em cada take, em cada movimento, uma paixão nunca vista.


Agradecimentos ao amigo Edú Aguilar que me emprestou o DVD.

Amantes Constantes

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(Les Amants Réguliers, 2005 - FRA)

Muita coisa em sua forma faz lembrar Elogio ao Amor de Jean-Luc Godard (talvez as aparições sonoras reforcem essa lembrança automática), porém outros aspectos fazendo recordar a Nouvelle Vague. É um flerte estranho, uma mistura inusitada. Trata-se de um filme muito longo e lento, porém de uma constância absurda. Diálogos que nem sempre se encaixam hermeticamente, longos planos estáticos e contemplativos, uma perfeita fotografia em preto e branco que ressalta enormemente o trabalho do ator Louis Garrel e oferece ao filme um ar mais profundo e abstrato. Um verdadeiro exercício artístico do diretor Philippe Garrel.
A marca constante é da jovialidade. Essa turma de jovens é muito bem instruída educacionalmente e ainda assim totalmente inconseqüente. Anarquistas, poetas, artistas, jovens engajados, pouco importa, sua efervescência domina a razão. Eles formam o exército a integrar os famosos eventos de maio de 68. Melhor exemplo de sua inconseqüência é a cena em que François corre da polícia após atearem fogo nos carros, e pede por socorro nas casas dos proprietários dos carros incendiados. Uma vida sem preocupações, limites impostos por eles mesmos, lutam por boas causas sem nenhum planejamento para o futuro (seja ele político ou pessoal). Nesse panorama atravessam um dos movimentos estudantis mais importantes da história.
A revolta é substituída pelo ópio, agora os jovens trancam-se em pequenas reuniões para curtir o novo “barato”, como se a revolta fosse um brinquedo ultrapassado. Destilam suas capacidades artísticas em meio ao consumo desenfreado da droga. Beiram os vinte anos e vivem apenas de seus sonhos e de seu momento atual. São jovens, continuam inconseqüentes, o anarquismo ficou de lado, a efervescência cultural já não causa tanta paixão. Uma sensação de dever comprido, agora deixem-nos aproveitar os sabores da vida, queremos viver de sexo, drogas, e artes.
François e Lillie se encontraram num confronto com policiais pelas ruas de Paris, mas a primeira conversa ocorreu dias depois, numa dessas reuniões (ou festas). O amor surge pouco-a-pouco, como uma semente que regada diariamente floresce no jardim. Passam mais tempo juntos, vivem um amor livre, uma relação moldada por suas personalidades, fora dos conceitos pré-estabelecidos. É uma fase de amadurecimento pessoal, aquele mundo de rebeldes sem causa já não lhes pertence integralmente. É nessa fase que Amantes Constantes cresce, quando o filme sintetiza os dois filmes que englobava desde então. É muito melhor e mais abrangente que Os Sonhadores de Bertolucci, nesse aqui a juventude burguesa não abdica de seus ideais, seu retrato é mais fiel porque a revolução não parece ter peso algum na vida daqueles jovens, tamanha incongruência. Os jovens sempre pensam que sabem de tudo, os detentores de todas as soluções do mundo, mas são tão inconseqüentes que nem aprenderam a sofrer por amor. E essa dor fere mais do que se possa planejar.

François Dervieux (Louis Garrel) Lilie (Clotilde Hesme)

Fellini 8 ½

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Quando fui escrever o textinho para a LBC (Liga dos Blogues Cinematográficos) na ocasião do ranking dos anos 60, me deu uma vontade louca de rever. Não resisti!


(Fellini Otto e Mezzo, 1963 – ITA)

A sensação de anestesia é progressiva, o prazer infinito a cada cena, a cada lance de genialidade, a cada nova invenção. Não se trata de um filme autobiográfico, mas de uma obra introspectiva, uma profunda viagem dentro de lembranças das mais pueris, recordações marcantes, momentos completamente inesquecíveis. Quem nunca teve aqueles pensamentos completamente insanos, uma aglutinação de possibilidades inverossímeis, permitindo que a imaginação viajasse criando inimagináveis situações?
Quarenta anos antes de Charlie Kaufman e Spike Jonze conceberem o inteligente e frenético Adaptação, o italiano Federico Fellini já fazia um filme sobre sua própria incapacidade de criar. Vivendo uma fase de bloqueio criativo, o mágico cineasta nos oferece um filme capaz de mergulhar no ponto mais denso do subconsciente. Fellini é surreal, metafórico, o senhor dos devaneios, como me referi há pouco: um cineasta mágico. E dessa magia nos lambuzamos em seus sonhos, saboreando sua essência.
Fellini está fantasiado como Guido Anselmi, vivido por Marcello Mastroianni, um diretor enfrentando problemas de saúde busca cura em uma região de terma, enquanto não consegue livrar-se de uma incomoda fase de bloqueio criativo (uma dúvida cruel sobre os rumos que seu próximo filme deve tomar). Guido está sendo bombardeado por todos os lados, pela equipe de produção, atores e agentes, e pelo próprio produtor que atônitos aguardam as ordens do diretor. Fellini busca em cenas surrealistas maneiras de se expressar (de expressar sua alma, é ela quem está na frente das câmeras). A seqüência inicial traz um homem preso num congestionamento terrível tentando desesperadamente sair do carro, e quando consegue sai voando seu pé é puxado (estava amarrado numa corda); uma metáfora brilhante à liberdade criativa ou a falta dela.
E o harém com todas as mulheres que marcaram sua vida? Aquilo só pode ter sido extraído de seus sonhos mais profundos, toda a seqüência é magistral, Fellini um mago da criatividade. O filme é permeado de situações improváveis, porém não impossíveis, e uma verdade enrustida numa ação não linear e muito sugestiva. A direção primorosa, a trilha sonora de Nino Rota novamente inesquecível, e a grande estrela do filme é o próprio Fellini.
Nosso mágico cineasta filmou a arte de fazer cinema, e nos ofereceu um retrato da vida com todas as inseguranças, dificuldades, medos, pressões e obsessões. Viajou em seus sentimentos no que se refere a relação com os pais, às descobertas sexuais, sua religiosidade, aos desejos mais profundos e encobertos que sua mente altiva, e por que não pervertida, pôde imaginar. Transformar um momento de crise pessoal numa obra única e atemporal não é para qualquer um e Fellini fez isso de maneira lírica.

Guido (Marcello Mastroianni) Claudia (Claudia Cardinale) Luisa Anselmi (Anouk Aimee)


MÚSICA DA SEMANA:


MR. JONES
(Counting Crows)

Sha la la la la la la

I was down at the New Amsterdam staring at this yellow-haired girl
Mr. Jones strikes up a conversation with a black-haired flamenco dancer
She dances while his father plays guitar
She's suddenly beautiful
We all want something beautiful
Man I wish I was beautiful
So come dance this silence down through the mornin'
Sha la la la la la la la yeah.. uh huh, yeah...
Cut up, Maria! Show me some of that Spanish dancin'
yeah, but, Pass me a bottle, Mr. Jones
Believe in me
Help me believe in anything
'Cause I wanna be someone who believes
Yeah...

Mr. Jones and me tell each other fairy tales
And we stare at the beautiful women
"She's looking at you. Ah, no, no, she's looking at me."
Smiling in the bright lights
Coming through in stereo
When everybody loves you, you can never be lonely

Well, I'm gonna paint my picture
Paint myself in blue and red and black and gray
All of the beautiful colors are very very meaningful
Yeah, well, you know gray is my favorite color
I felt so symbolic yesterday
If I knew Picasso
I would buy myself a gray guitar and play

Mr. Jones and me look into the future
Yeah, we stare at the beautiful women
"She's looking at you. I don't think so. She's looking at me."
Standing in the spotlight
I bought myself a gray guitar
When everybody loves me, I'll never be lonely
I'll never be lonely
Son, I'm never gonna be lonely

I wanna be a lion
E-Everybody wants to pass as cats
We all wanna be big big stars, yeah, but we've got different reasons for that
Believe in me 'cause I don't believe in anything
and I, I wanna be someone to believe, to believe, to believe,yeah

Mr. Jones and me stumbling through the barrio
Yeah we stare at the beautiful women
"She's perfect for you, Man, there's got to be somebody for me."
I wanna be Bob Dylan
Mr. Jones wishes he was someone just a little more funky
When everybody loves you, oh, son, that's just' bout as funky as you can be

Mr. Jones and me staring at the video
When I look at the television, I wanna see me staring right back at me
We all wanna be big stars, but we don't know why and we don't know how
But when everybody loves me, I'll be just' bout as happy as I could be
Mr. Jones and me, we're gonna be big stars.

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Michel Simões