Cafundó (2005)
A ponta de timidez a cobrir o filme causa uma sombra muito maior do deveria, ofusca situações que poderiam ser mais grandiosas em sua realização. Como aquela mosca tão pequenina e que tanto nos incomoda com seus vôos rasantes em direção ao nosso rosto. A fotografia é bela, a claridade é flamejante trazendo aqueles anos tão distantes para mais perto da gente. A direção dividida pelos estreantes Paulo Betti e Clóvis Bueno é tão cuidadosa em alguns momentos, tão delicada, e ainda assim tímida em interiorizar-se, em dissecar melhor os personagens e emoções. A sombra da timidez cobrindo a inspiração.
A preocupação em contar tintin por tintin da vida de João de Camargo, estica ligeiramente a fase pré-religiosa da trama. O ex-escravo que se deslumbra facilmente com o mundo cheio de transformações na entrada do século XX, encontra dor e mágoa até ser escolhido por um anjo e por São Benedito, para ser um missionário de Deus na Terra. Recebe o dom da cura, sempre apto a ajudar o próximo, atos não almejando o bem próprio. Eis a vida de João de Camargo, também conhecido como Preto Velho, lenda da região de Sorocaba, interior paulista.
João de Camargo fundou a Igreja da Água Vermelha, unificou orixás e outros traços religiosos vindos da África, com santos e outros aspectos da Igreja Católica. Fiéis atravessavam quilômetros em busca de sua benção, essa mistura de culturas religiosas é característica marcante do povo brasileiro, uma sociedade acostumada com diferenças. Explorar melhor esses aspectos daria ao filme um ar muito mais religioso, porém faria muito bem o transformando em mais do que uma simples biografia desse líder popular-religioso.
E Lázaro Ramos? De onde saiu esse ser iluminado? Já nem posso chamá-lo de ator, tão impressionante sua capacidade de mutação entre personagens, sua fantástica aptidão para encarnar vidas, assumir formas. Lázaro é daqueles atores que deveríamos ir atrás de toda sua filmografia, que deveríamos correr ao teatro quando estivesse em cartaz, e gravar qualquer momento seu na TV. Chamar de show o que ele fez nesse e em outros tantos trabalhos no cinema é pouco, João de Camargo deve se orgulhar de tão magnífica personificação. Se os diretores exigissem mais dele, teríamos tido momentos antológicos.
João de Camargo (Lázaro Ramos) Rosário (Leona Cavalli) Cirino (Leandro Firmino da Hora)
Ranking - Década de 60
Só para não deixar passar em branco, segue o ranking que mandei para a Liga dos Blogues Cinematográficos.
1-O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro (Glauber)
2-Fellini 8 e 1/2 (Fellini)
3-Beijos Proibidos (Truffaut)
4-Terra em Transe (Glaube)
5-A Batalha de Argel (Pontecorvo)
6-Lawrence da Arábia (Lean)
7-Jules e Jim (Truffaut)
8-Dr. Fantástico (Kubrick)
9-Quem Tem Medo de Virgina Woolf? (Nichols)
10-2001 - Uma Odisséia no Espaço (Kubrick)
11-Kes (Ken Loach)
12-Z (Costa-Gavras)
13-A Noiva Estava de Preto (Truffaut)
14-Deus e o Diabo na Terra do Sol (Glauber)
15-Alphaville (Godard)
16-Um Só Pecado (Truffaut)
17- Antes da Revolução (Bertolucci)
18-A Primeira Noite de um Homem (Nichols)
19- Lolita (Kubrick)
20-A Bela da Tarde (Buñuel)
Enquanto isso a lista dos filmes que com obrigação máxima a assistir o quanto antes só vai crescendo (haja tempo para tudo isso).... sem contar os que já estou computando dos anos 60, estão na lista: Era uma Vez na América, Um Tiro na Noite, Paris, Texas, Asas do Desejo, O Homem Elefante, Possessão, Estranhos no Paraíso, Não Amarás, Drugstore Cowboy, Zelig, Cabra Marcado p/ Morrer, Jogada de Risco, Os Amantes do Círculo Polar, Manhattan, O Fantasma da Liberdade, Chinatown, Barry Lyndon, Um Estranho no Ninho, Verdades e Mentiras, Um dia de Cão.
Ufa, agora então que a lista só cresce rsrsrs
A ponta de timidez a cobrir o filme causa uma sombra muito maior do deveria, ofusca situações que poderiam ser mais grandiosas em sua realização. Como aquela mosca tão pequenina e que tanto nos incomoda com seus vôos rasantes em direção ao nosso rosto. A fotografia é bela, a claridade é flamejante trazendo aqueles anos tão distantes para mais perto da gente. A direção dividida pelos estreantes Paulo Betti e Clóvis Bueno é tão cuidadosa em alguns momentos, tão delicada, e ainda assim tímida em interiorizar-se, em dissecar melhor os personagens e emoções. A sombra da timidez cobrindo a inspiração.
A preocupação em contar tintin por tintin da vida de João de Camargo, estica ligeiramente a fase pré-religiosa da trama. O ex-escravo que se deslumbra facilmente com o mundo cheio de transformações na entrada do século XX, encontra dor e mágoa até ser escolhido por um anjo e por São Benedito, para ser um missionário de Deus na Terra. Recebe o dom da cura, sempre apto a ajudar o próximo, atos não almejando o bem próprio. Eis a vida de João de Camargo, também conhecido como Preto Velho, lenda da região de Sorocaba, interior paulista.
João de Camargo fundou a Igreja da Água Vermelha, unificou orixás e outros traços religiosos vindos da África, com santos e outros aspectos da Igreja Católica. Fiéis atravessavam quilômetros em busca de sua benção, essa mistura de culturas religiosas é característica marcante do povo brasileiro, uma sociedade acostumada com diferenças. Explorar melhor esses aspectos daria ao filme um ar muito mais religioso, porém faria muito bem o transformando em mais do que uma simples biografia desse líder popular-religioso.
E Lázaro Ramos? De onde saiu esse ser iluminado? Já nem posso chamá-lo de ator, tão impressionante sua capacidade de mutação entre personagens, sua fantástica aptidão para encarnar vidas, assumir formas. Lázaro é daqueles atores que deveríamos ir atrás de toda sua filmografia, que deveríamos correr ao teatro quando estivesse em cartaz, e gravar qualquer momento seu na TV. Chamar de show o que ele fez nesse e em outros tantos trabalhos no cinema é pouco, João de Camargo deve se orgulhar de tão magnífica personificação. Se os diretores exigissem mais dele, teríamos tido momentos antológicos.
João de Camargo (Lázaro Ramos) Rosário (Leona Cavalli) Cirino (Leandro Firmino da Hora)
Ranking - Década de 60
Só para não deixar passar em branco, segue o ranking que mandei para a Liga dos Blogues Cinematográficos.
1-O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro (Glauber)
2-Fellini 8 e 1/2 (Fellini)
3-Beijos Proibidos (Truffaut)
4-Terra em Transe (Glaube)
5-A Batalha de Argel (Pontecorvo)
6-Lawrence da Arábia (Lean)
7-Jules e Jim (Truffaut)
8-Dr. Fantástico (Kubrick)
9-Quem Tem Medo de Virgina Woolf? (Nichols)
10-2001 - Uma Odisséia no Espaço (Kubrick)
11-Kes (Ken Loach)
12-Z (Costa-Gavras)
13-A Noiva Estava de Preto (Truffaut)
14-Deus e o Diabo na Terra do Sol (Glauber)
15-Alphaville (Godard)
16-Um Só Pecado (Truffaut)
17- Antes da Revolução (Bertolucci)
18-A Primeira Noite de um Homem (Nichols)
19- Lolita (Kubrick)
20-A Bela da Tarde (Buñuel)
Enquanto isso a lista dos filmes que com obrigação máxima a assistir o quanto antes só vai crescendo (haja tempo para tudo isso).... sem contar os que já estou computando dos anos 60, estão na lista: Era uma Vez na América, Um Tiro na Noite, Paris, Texas, Asas do Desejo, O Homem Elefante, Possessão, Estranhos no Paraíso, Não Amarás, Drugstore Cowboy, Zelig, Cabra Marcado p/ Morrer, Jogada de Risco, Os Amantes do Círculo Polar, Manhattan, O Fantasma da Liberdade, Chinatown, Barry Lyndon, Um Estranho no Ninho, Verdades e Mentiras, Um dia de Cão.
Ufa, agora então que a lista só cresce rsrsrs