(Elsa y Fred, 2005 – ESP/ARG)
O mais lindo do filme é transmitir, e provar empiricamente, que nunca é tarde para viver. Seja no sentido de se divertir, seja no sentido de redescobrir o amor e o prazer de fazer as coisas juntos, seja apenas no sentido de se sentir vivo. Porque muitas pessoas chegam a certa idade e desistem de viver, recolhendo-se cada vez mais em poucas atividades, esperando apenas o tempo passar quando poderiam ainda usufruir muito, transformar a Terceira Idade na tão falada Melhor Idade.
Assim é Elsa, uma adolescente num corpo de senhora distinta. Uma mulher sem limites quando almeja sua felicidade. Bem-humorada, mentirosa, divertida, matreira, inquieta, uma senhora de fibra buscando seus objetivos, dando um olé na idade. Fred muda-se para um apartamento no mesmo andar, viúvo recentemente, hipocondríaco, viveu uma vida regrada, sem excessos.
Elsa encanta-se, insiste, surge um romance. E o público enamora-se também com aquele casal de velhinhos adoráveis, aprontando mil confusões como jantar num restaurante chique e sair sem pagar a conta (“tem coisas que não tem preço, e como não tem preço não precisamos pagar”). Marcos Carnevale tem seu maior mérito em dosar sabiamente comédia, romance e drama, sem tornar o filme exagerado em nenhum dos gêneros que flerta. É uma história simples, bonita, um exemplo para uma enormidade de pessoas que vivem fase parecida e não encontram forças para simplesmente viver os prazeres da vida.
Manuel Alexandre está barbaramente comedido, dono de um olhar cheio de carinho, e elogios na hora certa. China Zarrilla é um show, sua personagem pulsa na tela e com ela nos divertimos a cada instante, não só pelas situações, mas principalmente pela espetacular interpretação. Todos irão lembrar da cena mágica remetendo A Doce Vida de Fellini, realmente é um grande momento, porém ainda prefiro pequenos momentos que representam fortes sentimentos, e assim não poderia deixar de destacar um delicado abraço em frente à geladeira. Nunca é tarde para viver algo do gênero, nunca é tarde para o amor, Elsa e Fred nos ensinam isso.
MÚSICA DA SEMANA:
ATRÁS DA PORTA
(Elis Regina - Composição: Francis Hime/Chico Buarque)
Quando olhaste bem nos olhos meus
E o teu olhar era de adeus
Juro que não acreditei, eu te estranhei
Me debrucei sobre teu corpo e duvidei
E me arrastei e te arranhei
E me agarrei nos teus cabelos
Nos teus pelos, teu pijama
Nos teus pés ao pé da cama
Sem carinho, sem coberta
No tapete atrás da porta
Reclamei baixinho
Dei pra maldizer o nosso lar
Pra sujar teu nome, te humilhar
E me vingar a qualquer preço
Te adorando pelo avesso
Pra mostrar que ainda sou tua
O mais lindo do filme é transmitir, e provar empiricamente, que nunca é tarde para viver. Seja no sentido de se divertir, seja no sentido de redescobrir o amor e o prazer de fazer as coisas juntos, seja apenas no sentido de se sentir vivo. Porque muitas pessoas chegam a certa idade e desistem de viver, recolhendo-se cada vez mais em poucas atividades, esperando apenas o tempo passar quando poderiam ainda usufruir muito, transformar a Terceira Idade na tão falada Melhor Idade.
Assim é Elsa, uma adolescente num corpo de senhora distinta. Uma mulher sem limites quando almeja sua felicidade. Bem-humorada, mentirosa, divertida, matreira, inquieta, uma senhora de fibra buscando seus objetivos, dando um olé na idade. Fred muda-se para um apartamento no mesmo andar, viúvo recentemente, hipocondríaco, viveu uma vida regrada, sem excessos.
Elsa encanta-se, insiste, surge um romance. E o público enamora-se também com aquele casal de velhinhos adoráveis, aprontando mil confusões como jantar num restaurante chique e sair sem pagar a conta (“tem coisas que não tem preço, e como não tem preço não precisamos pagar”). Marcos Carnevale tem seu maior mérito em dosar sabiamente comédia, romance e drama, sem tornar o filme exagerado em nenhum dos gêneros que flerta. É uma história simples, bonita, um exemplo para uma enormidade de pessoas que vivem fase parecida e não encontram forças para simplesmente viver os prazeres da vida.
Manuel Alexandre está barbaramente comedido, dono de um olhar cheio de carinho, e elogios na hora certa. China Zarrilla é um show, sua personagem pulsa na tela e com ela nos divertimos a cada instante, não só pelas situações, mas principalmente pela espetacular interpretação. Todos irão lembrar da cena mágica remetendo A Doce Vida de Fellini, realmente é um grande momento, porém ainda prefiro pequenos momentos que representam fortes sentimentos, e assim não poderia deixar de destacar um delicado abraço em frente à geladeira. Nunca é tarde para viver algo do gênero, nunca é tarde para o amor, Elsa e Fred nos ensinam isso.
MÚSICA DA SEMANA:
ATRÁS DA PORTA
(Elis Regina - Composição: Francis Hime/Chico Buarque)
Quando olhaste bem nos olhos meus
E o teu olhar era de adeus
Juro que não acreditei, eu te estranhei
Me debrucei sobre teu corpo e duvidei
E me arrastei e te arranhei
E me agarrei nos teus cabelos
Nos teus pelos, teu pijama
Nos teus pés ao pé da cama
Sem carinho, sem coberta
No tapete atrás da porta
Reclamei baixinho
Dei pra maldizer o nosso lar
Pra sujar teu nome, te humilhar
E me vingar a qualquer preço
Te adorando pelo avesso
Pra mostrar que ainda sou tua