Amarcord (Amarcord, 1973 – ITA)
Filme-nostalgia! Federico Fellini brinca de remontar suas lembranças (amarcord é um trocadilho fonético de “mi recordo”), e cria um filme com estrutura muito peculiar, quase um sonho. Um conjunto de recordações que magicamente apresentam-se de forma ordenada, mesmo que não necessariamente formem uma história com começo, meio, fim. Estamos numa pequena cidade costeira na Itália, década de trinta, o adolescente Titto é mais ou menos o fio-condutor dessa trama.
Com a câmera em contínuo, e embalante, movimento, e a trilha sonora precisa de Nino Rota (genial é pouco de tão bem que ela se enquadra a cada instante). Fellini expurga sua nostalgia e nos insere num sono profundo, só assim para mergulharmos nesse sonho com um teimoso sorriso no rosto mesmo quando o filme já terminou. É tempo do Facismo, os socialistas são perseguidos, política é apenas um dos temas presentes, Fellini não se esquiva, critica com seu tom levemente humorístico.
O fervor católico também está presente, as descobertas sexuais da adolescência não poderiam faltar. A escola, quem não se lembra da escola? Numa seqüência Fellini faz uma espécie de pot-pourri com diversos professores, cada um com suas manias (o apaixonado pelo idioma grego, a que bebe escondido durante as aulas, são tantos exemplos...), aquele bando de garotos aprontando mil durante as aulas. As paixões, pela professora de matemática, pela solteirona mais linda da cidade, pela gordona de peitos avantajados e voz sexy (a cena da tabacaria é simplesmente inesquecível), a sexualidade aflora, os hormônios estão a mil, e esses garotos são impossíveis!
E como não poderia faltar, a família. A cena do jantar em família é a minha preferida, os pais discutem, ele resmunga que trabalhou o dia todo e ainda terá que agüentar cara feia na mesa, ela não faz por menos e senta-se de costas para que assim ele não tenha que ver cara feia. Esse é um mísero exemplo dentro de toda complexidade que a cena possui, os tipos de conversa, discussões por coisas pequenas, é tudo tão real, tão próximo de uma família, que dá para sentir-se sentado naquela mesa, e a queda da cadeira então, hilariante!
Amarcord não envelhecerá nunca, porque política, religião, família e sexo sempre estarão presentes em nossas vidas, sempre serão tabus, sempre causaram discussões intermináveis, são temas eternamente recorrentes à vida. Brincar falando sério de cada um deles é vocação para poucos, Amarcord é um deleite.
Filme-nostalgia! Federico Fellini brinca de remontar suas lembranças (amarcord é um trocadilho fonético de “mi recordo”), e cria um filme com estrutura muito peculiar, quase um sonho. Um conjunto de recordações que magicamente apresentam-se de forma ordenada, mesmo que não necessariamente formem uma história com começo, meio, fim. Estamos numa pequena cidade costeira na Itália, década de trinta, o adolescente Titto é mais ou menos o fio-condutor dessa trama.
Com a câmera em contínuo, e embalante, movimento, e a trilha sonora precisa de Nino Rota (genial é pouco de tão bem que ela se enquadra a cada instante). Fellini expurga sua nostalgia e nos insere num sono profundo, só assim para mergulharmos nesse sonho com um teimoso sorriso no rosto mesmo quando o filme já terminou. É tempo do Facismo, os socialistas são perseguidos, política é apenas um dos temas presentes, Fellini não se esquiva, critica com seu tom levemente humorístico.
O fervor católico também está presente, as descobertas sexuais da adolescência não poderiam faltar. A escola, quem não se lembra da escola? Numa seqüência Fellini faz uma espécie de pot-pourri com diversos professores, cada um com suas manias (o apaixonado pelo idioma grego, a que bebe escondido durante as aulas, são tantos exemplos...), aquele bando de garotos aprontando mil durante as aulas. As paixões, pela professora de matemática, pela solteirona mais linda da cidade, pela gordona de peitos avantajados e voz sexy (a cena da tabacaria é simplesmente inesquecível), a sexualidade aflora, os hormônios estão a mil, e esses garotos são impossíveis!
E como não poderia faltar, a família. A cena do jantar em família é a minha preferida, os pais discutem, ele resmunga que trabalhou o dia todo e ainda terá que agüentar cara feia na mesa, ela não faz por menos e senta-se de costas para que assim ele não tenha que ver cara feia. Esse é um mísero exemplo dentro de toda complexidade que a cena possui, os tipos de conversa, discussões por coisas pequenas, é tudo tão real, tão próximo de uma família, que dá para sentir-se sentado naquela mesa, e a queda da cadeira então, hilariante!
Amarcord não envelhecerá nunca, porque política, religião, família e sexo sempre estarão presentes em nossas vidas, sempre serão tabus, sempre causaram discussões intermináveis, são temas eternamente recorrentes à vida. Brincar falando sério de cada um deles é vocação para poucos, Amarcord é um deleite.
