Titanic

| | Comments (0)

Titanic (Titanic, 1997 - EUA)

Em uma releitura depois de anos do estrondoso (e maluco) sucesso do filme nos cinemas, ainda me lembro de ingressos comprados com mais de uma semana de antecedência, Titanic se confirma como um ótimo exemplar de entretenimento para as massas. Sua miscelânea entre romance açucarado e clichê, com boas seqüências de aventura, ambientadas num palco histórico (o mais aclamado naufrágio), rende um filme impecável nos quesitos técnicos e três horas agradáveis frente a uma história decorada de trás para frente.
O segredo está nessa perfeita conexão entre romance e aventura, e no evidente fascínio que o navio causou ao diretor James Cameron (que até hoje está ligado a projetos documentais sobre o navio). Toda a fantasia envolvendo o romance de Jack e Rose, os mundos tão distantes, a burguesia retratada com toda sua petulância e dissabor, tudo isso são favas contadas. As três horas passam rápidas porque quando estamos mais que enjoados daquele açúcar amoroso aparece um iceberg dando novos ritmos à história.
Titanic não acrescenta nada, realmente não é grande filme, é apenas a utilização eficiente de um terrível acidente para que se construa uma obra de ficção, mas ainda assim é um filme que não envelhece e a cada reprise na TV sempre acabo atraído por suas qualidades. Titanic tem um objetivo mais que determinado, e o atinge com destemida capacidade, por isso tem sim seus méritos.


U2 - Rattle And Hum (U2 Rattle And Hum, 1998 - EUA)

O documentário de Phil Joanou não se assume muito, nem como road movie durante uma turnê da banda, nem como uma simples gravação de apresentações musicais, muito menos deseja refletir a vida pessoal de cada um dos integrantes do U2 ou ser fundamental com bombásticas declarações. É apenas uma boa diversão para fãs, e nisso é muito competente trazendo material diferenciado, misturando boa fotografia p/b e colorida.
Das poucas inserções com os músicos (em entrevistas), em quase todas, eles parecem não saber o que falar, um bando de garotos tímidos (nem parece o Bono atual e seu engajamento político grudento), loucos para que Joanou faça uma daquelas perguntas manjadas que os faça falar compulsivamente, mas o diretor pouco os auxilia nessa tarefa. O encontro com BB King é interessante, mas a gravação gospel de I Still Haven't Found What I'm Looking For é disparado o ponto alto do filme (dá vontade de ver repetidas vezes). Quando o mundo fica colorido e alguns dos hits são apresentados num show, Bono demonstra sua capacidade de eletrizar a platéia no palco e nesse momento temos aquilo que realmente se esperava, um show do U2.


TEATRO: O Fingidor

Só prova que preciso dar muito mais atenção ao teatro, ir duas vezes por ano (quando atinjo essa marca) é uma vergonha. O Fingidor é bárbaro, inteligente, poético e divertido. Reconstituição ficcional da última semana de vida do escritor Fernando Pessoa, e trata da necessidade de auto-afirmação, da incapacidade de enxergar o que está diante dos olhos, da cegueira intelectual. O ator Hélio Cícero interpreta o poeta de maneira dilacerante, virtuosa, possui um humor leve e capaz de se envolver de maneira homogênea com a carga dramática, alcançando toda a contextualização poética de sua obra. Os heterônimos do escritor vagam por sua mente, ao se fazer passar por um datilógrafo só para tentar ser reconhecido por um historiador que estuda sua obra, Pessoa busca auto-reconhecimento, discute com os seus eu's, reencontra o amor quando menos esperava. Um espetáculo sensacional escrito e dirigido por Samir Yazbek!

Leave a comment

 

Type the characters you see in the picture above.