(Prénom Carmen, 1983 – FRA)
Um célebre cineasta passando uma temporada num hospital psiquiátrico, um quarteto ensaiando uma das sinfonias de Beethoven, um grupo planejando um assalto a banco. Adicione a tudo isso uma livre inspiração do conto Carmen de Mérimée, idealizada por Jean-Luc Godard. Realmente era pretensão demais querer compreender mais do que os meus olhos assistiriam.
Temos basicamente dois diálogos mais fortes do filme com o público, um é a dificuldade de Godard em se relacionar com a indústria do cinema. Resolve ele então, tratar das dificuldades de se fazer um filme, principalmente no que se refere à captação de recursos. Por outro lado está a transposição de Carmen para o mundo contemporâneo, ela deixa de ser cigana para se tornar uma mulher ainda mais inconseqüente, imune às fragilidades, uma devoradora de homens.
Não gosto de vários pontos da condução da trama, por exemplo, a maneira como nasce a paixão entre Carmen e o guarda, ou melhor, quando nasce a obsessiva paixão dele por ela e o desejo repentino dela por ele. A montagem desfragmentada não é problema, são detalhes como o citado que incomodam, diria que é “artístico” demais e pouco factível. Mas Godard é brilhante em sua sabedoria, na maneira de instigar o público com frases e pensamentos de impacto, pode-se gostar ou não de seus filmes, mas a atenção redobrada é necessária para que não percamos alguns desses momentos mágicos e ácidos dessa cabeça em eterna ebulição.
Nesse filme há inúmeros casos, repetir todas as indagações e afirmações seria tolice, fico com o registro de apenas uma delas que praticamente abre o filme e já nos deixa maravilhado com a certeza de que está começando mais um filme de Godard. Não sei se as palavras eram exatamente essas: “Eu não tenho muito estudo, mas sei que o mundo nunca será dos inocentes”. Corpos nus estão presentes em boa parte do filme, mas Godard consegue algo extraordinário, excluir a sensualidade do que enxergamos. Os três segmentos do filme relacionam-se mas não chegam a se encaixar perfeitamente, mas como disse no começo, seria pretensão demais querer decifrar a mente desse tal Godard.
Um célebre cineasta passando uma temporada num hospital psiquiátrico, um quarteto ensaiando uma das sinfonias de Beethoven, um grupo planejando um assalto a banco. Adicione a tudo isso uma livre inspiração do conto Carmen de Mérimée, idealizada por Jean-Luc Godard. Realmente era pretensão demais querer compreender mais do que os meus olhos assistiriam.
Temos basicamente dois diálogos mais fortes do filme com o público, um é a dificuldade de Godard em se relacionar com a indústria do cinema. Resolve ele então, tratar das dificuldades de se fazer um filme, principalmente no que se refere à captação de recursos. Por outro lado está a transposição de Carmen para o mundo contemporâneo, ela deixa de ser cigana para se tornar uma mulher ainda mais inconseqüente, imune às fragilidades, uma devoradora de homens.
Não gosto de vários pontos da condução da trama, por exemplo, a maneira como nasce a paixão entre Carmen e o guarda, ou melhor, quando nasce a obsessiva paixão dele por ela e o desejo repentino dela por ele. A montagem desfragmentada não é problema, são detalhes como o citado que incomodam, diria que é “artístico” demais e pouco factível. Mas Godard é brilhante em sua sabedoria, na maneira de instigar o público com frases e pensamentos de impacto, pode-se gostar ou não de seus filmes, mas a atenção redobrada é necessária para que não percamos alguns desses momentos mágicos e ácidos dessa cabeça em eterna ebulição.
Nesse filme há inúmeros casos, repetir todas as indagações e afirmações seria tolice, fico com o registro de apenas uma delas que praticamente abre o filme e já nos deixa maravilhado com a certeza de que está começando mais um filme de Godard. Não sei se as palavras eram exatamente essas: “Eu não tenho muito estudo, mas sei que o mundo nunca será dos inocentes”. Corpos nus estão presentes em boa parte do filme, mas Godard consegue algo extraordinário, excluir a sensualidade do que enxergamos. Os três segmentos do filme relacionam-se mas não chegam a se encaixar perfeitamente, mas como disse no começo, seria pretensão demais querer decifrar a mente desse tal Godard.