Não tem jeito, a gente critica, resmunga, mas cinéfilo sempre vai assistir aos filmes candidatos ao Oscar. É bem verdade que eu gostaria muito de ter a mesma chance em assistir aos filmes dos 3 grandes festivais, mas tenho que me contentar com os poucos que chegam a ser lançados e mais uma boa parte que passa na Mostra SP. Mas é inegável que grande parte dos melhores filmes do ano nos EUA estão no Oscar, depois dessa fase são poucos os filmes que acabam me interessando, portanto não dá para fugir. Eu não dou a menor importância para os prêmios mais técnicos (do tipo efeitos especiais, direção de arte, figurino, canção), na minha opinião são como encher lingüiça. Qual a real diferença entre mixagem de som e efeitos sonoros? Não sei, ou melhor até sei, ou só achoq que sei, mas pouco me importa, porém também não desprezo quem se interessa pois há gente especializada nisso, técnicos super competentes e etc.
Primeiro vou justificar a razão de não ter visto alguns filmes que conseguiram indicações. A primeira razão é que ter indicações ao Oscar não é pré-requisito para que eu assista, é verdade que se for indicado a Melhor Filme as chances de que seja conferido são enormes, mas fora isso tenho que me interessar de algum modo pelo filme. Sendo assim Memória de uma Gueixa não foi nem cogitado, Johnny & June até cheguei a pensar umas duas vezes em ir, mas infelizmente não conheço as músicas de Johnny Cash, e de resto me pareceu um Ray melhorado, talvez assista, mas os elogios aos dois atores ainda não me comoveram. Orgulho e Preconceito parecia aqueles filme de época que estamos cansados de ver, alguns elogios me animaram um pouco nos últimos dias, mas não o bastante para ir. Desculpas expostas, vamos ao que interessa.
Falando agora dos meus favoritos que nem chance tem. Atendo-me apenas aos filmes que foram realmente indicados, se tivesse a possibilidade de votar no melhor, ficaria entre Match Point e O Jardineiro Fiel, a meu ver estão um degrau acima dos outros. Match Point é um filme que anda redondo o tempo todo, e duas grandes sacadas no final fazem dele um filme especial, inusitado. Já Jardineiro Fiel é um filme engajado, um pouco frio em alguns momentos, mas por outro lado uma mistura dinâmica de romance, drama, suspense, tudo acrescido de um ingrediente importantíssimo, um engajamento político e uma coragem em expor um problema urgentíssimo e quase oculto do mundo. O discurso final contra os laboratórios farmacêuticos é fantástico, didático, direto, e o filme não é só isso, ele mescla grandes momentos, com uma fotografia diferenciada, ângulos inusitados e uma mudança gigantesca nos rumos do personagem central, levado pelo amor.
Como os dois estão fora da briga principal falemos dos concorrentes. Crash foi fuzilado pela crítica por aqui, eu o considero um bom filme, com vários equívocos, mas um bom filme. Tratar da guerra social em diversas classes, sem vergonha de assumir que o racismo continua impregnado na sociedade atual foi um tema bastante pertinente, entre as várias histórias que se desenrolam há dois ou três grandes momentos como a seqüência em que o policial maliciosamente revista uma negra, mas como falei há histórias bem babacas, no balanço é um filme razoável.
O filme do ano é Brokeback Mountain, todo mundo usa o mesmo rótulo para comprovar que o filme é belíssimo, dizendo que se esquecendo que é uma relação homossexual, temos uma belíssima e moderna história de amor. Tudo bem, isso é verdade e conduzida com muita sutileza por Ang Lee, ainda mais numa época em que o presidente dos EUA é das mais antiquadas (para não falar outras coisas) pessoas do mundo. Mas não é só isso, o que mais me comoveu no filme foi a maneira como a solidão é tratada, uma visão fabulosa da dor e angústia que ela pode causar, vidas sem esperança.
Good Night and Good Lucky é uma deliciosa recriação de uma época romântica, mais do que isso a recriação de um embate histórico entre um jornalista de credibilidade e um senador capaz de arquitetar uma caça às bruxas contra o comunismo nos EUA. George Clooney nos faz sentir dentro dos bastidores daquele programa de TV, além de mostrar a capacidade de políticos matreiros em impulsionarem seus nomes na mídia. Um período negro da memória política dos EUA, um filme belíssimo acompanhado de um jazz delicioso e uma interpretação monstruosa de David Strathairn.
Muitos que acompanham esse blog podem não acreditar, mas meu preferido, por milímetros, é Munique. Steven Spielberg conseguiu a proeza de misturar o cinemão dos estúdios com uma história atual e capaz de travar discussões intermináveis, e ainda sobrar espaço para o lado mais artístico de uma interpretação. Começamos a história com seu lado mais político, no miolo é quase um filme de ação filmado sem heróis invencíveis ou seqüências rocambolescas, e nos minutos finais temos Eric Bana e seus conflitos pessoais, os medos e angústias, a dor da distancia da família, a desconfiança do mundo, os questionamentos sobre suas atitudes, sobre a real importância de sua nação e da religiosidade. Ouvir o choro da filha por telefone, já é candidata a cena do ano.
Para finalizar, diferente da maior parte da blogosfera eu não gostei de Marcas da Violência, e o texto já está muito grande, não vou voltar a esse assunto. Sobre os estrangeiros achei Paradise Now bom, mas só isso. Uma Mulher contra Hitler é regular, aquela história de sempre, mas dessa vez com uma mulher como protagonista. Dos outros ainda não tive chance, mas tenho muito interesse em assistir ao italiano La Bestia Nel Cuore. Outro detalhe importante é que ainda falta conferir Capote, de longe parece ser um bom filme, mas nada especial, só que com uma interpretação arrebatadora do talentosíssimo Philip Seymour Hoffman, e que deve ganhar o Oscar. Não vou apontar os prováveis ganhadores ou aqueles que eu acho que mereceriam, mas não escondo que se Jardineiro Fiel ganhar mais de um Oscar eu ficaria muito feliz, e que também me alegraria se Munique ou Good Night and Good Lucky surpreendessem em algumas categorias importantes.
Primeiro vou justificar a razão de não ter visto alguns filmes que conseguiram indicações. A primeira razão é que ter indicações ao Oscar não é pré-requisito para que eu assista, é verdade que se for indicado a Melhor Filme as chances de que seja conferido são enormes, mas fora isso tenho que me interessar de algum modo pelo filme. Sendo assim Memória de uma Gueixa não foi nem cogitado, Johnny & June até cheguei a pensar umas duas vezes em ir, mas infelizmente não conheço as músicas de Johnny Cash, e de resto me pareceu um Ray melhorado, talvez assista, mas os elogios aos dois atores ainda não me comoveram. Orgulho e Preconceito parecia aqueles filme de época que estamos cansados de ver, alguns elogios me animaram um pouco nos últimos dias, mas não o bastante para ir. Desculpas expostas, vamos ao que interessa.
Falando agora dos meus favoritos que nem chance tem. Atendo-me apenas aos filmes que foram realmente indicados, se tivesse a possibilidade de votar no melhor, ficaria entre Match Point e O Jardineiro Fiel, a meu ver estão um degrau acima dos outros. Match Point é um filme que anda redondo o tempo todo, e duas grandes sacadas no final fazem dele um filme especial, inusitado. Já Jardineiro Fiel é um filme engajado, um pouco frio em alguns momentos, mas por outro lado uma mistura dinâmica de romance, drama, suspense, tudo acrescido de um ingrediente importantíssimo, um engajamento político e uma coragem em expor um problema urgentíssimo e quase oculto do mundo. O discurso final contra os laboratórios farmacêuticos é fantástico, didático, direto, e o filme não é só isso, ele mescla grandes momentos, com uma fotografia diferenciada, ângulos inusitados e uma mudança gigantesca nos rumos do personagem central, levado pelo amor.
Como os dois estão fora da briga principal falemos dos concorrentes. Crash foi fuzilado pela crítica por aqui, eu o considero um bom filme, com vários equívocos, mas um bom filme. Tratar da guerra social em diversas classes, sem vergonha de assumir que o racismo continua impregnado na sociedade atual foi um tema bastante pertinente, entre as várias histórias que se desenrolam há dois ou três grandes momentos como a seqüência em que o policial maliciosamente revista uma negra, mas como falei há histórias bem babacas, no balanço é um filme razoável.
O filme do ano é Brokeback Mountain, todo mundo usa o mesmo rótulo para comprovar que o filme é belíssimo, dizendo que se esquecendo que é uma relação homossexual, temos uma belíssima e moderna história de amor. Tudo bem, isso é verdade e conduzida com muita sutileza por Ang Lee, ainda mais numa época em que o presidente dos EUA é das mais antiquadas (para não falar outras coisas) pessoas do mundo. Mas não é só isso, o que mais me comoveu no filme foi a maneira como a solidão é tratada, uma visão fabulosa da dor e angústia que ela pode causar, vidas sem esperança.
Good Night and Good Lucky é uma deliciosa recriação de uma época romântica, mais do que isso a recriação de um embate histórico entre um jornalista de credibilidade e um senador capaz de arquitetar uma caça às bruxas contra o comunismo nos EUA. George Clooney nos faz sentir dentro dos bastidores daquele programa de TV, além de mostrar a capacidade de políticos matreiros em impulsionarem seus nomes na mídia. Um período negro da memória política dos EUA, um filme belíssimo acompanhado de um jazz delicioso e uma interpretação monstruosa de David Strathairn.
Muitos que acompanham esse blog podem não acreditar, mas meu preferido, por milímetros, é Munique. Steven Spielberg conseguiu a proeza de misturar o cinemão dos estúdios com uma história atual e capaz de travar discussões intermináveis, e ainda sobrar espaço para o lado mais artístico de uma interpretação. Começamos a história com seu lado mais político, no miolo é quase um filme de ação filmado sem heróis invencíveis ou seqüências rocambolescas, e nos minutos finais temos Eric Bana e seus conflitos pessoais, os medos e angústias, a dor da distancia da família, a desconfiança do mundo, os questionamentos sobre suas atitudes, sobre a real importância de sua nação e da religiosidade. Ouvir o choro da filha por telefone, já é candidata a cena do ano.
Para finalizar, diferente da maior parte da blogosfera eu não gostei de Marcas da Violência, e o texto já está muito grande, não vou voltar a esse assunto. Sobre os estrangeiros achei Paradise Now bom, mas só isso. Uma Mulher contra Hitler é regular, aquela história de sempre, mas dessa vez com uma mulher como protagonista. Dos outros ainda não tive chance, mas tenho muito interesse em assistir ao italiano La Bestia Nel Cuore. Outro detalhe importante é que ainda falta conferir Capote, de longe parece ser um bom filme, mas nada especial, só que com uma interpretação arrebatadora do talentosíssimo Philip Seymour Hoffman, e que deve ganhar o Oscar. Não vou apontar os prováveis ganhadores ou aqueles que eu acho que mereceriam, mas não escondo que se Jardineiro Fiel ganhar mais de um Oscar eu ficaria muito feliz, e que também me alegraria se Munique ou Good Night and Good Lucky surpreendessem em algumas categorias importantes.