(Roit et Reine, 2004 - FRA)
Rapidamente um ponto chama minha atenção, o roteiro que parece cada vez mais se desconstruir com o passar do tempo, é uma teia de flashbacks e alternância entre os dois personagens principais que quase fazem com que esqueçamos do outro, é um estilo narrativo diferente aliado a uma fotografia cheia de vida, amplamente iluminada. Duas histórias que se entrelaçam, uma bem carregada de humor e outra mais puxada para o drama. A trama armada por Arnaud Desplechin (Sentinela/Ester Khan) vai correndo bagunçada, mas nunca confusa, é realmente estranho e de maneira alguma isso é sinal negativo. Figuras bíblicas ou místicas aparecem desde o início, seja nos nomes dos personagens, ou no presente que Nora escolheu para seu pai, até mesmo o título do filme.
A rainha é a citada Nora, os reis são: seu filho, seu pai, e os homens com que ela se relacionou, pode haver outras correlações entre o título e o filme, mas essa assim é simples e direta. A outra figura chave é Ismael, seu ex-marido que não é o pai de seu filho, um violinista sofrendo algumas crises existenciais, a ponto de se preparar para cometer suicídio e acabar internado numa clínica psiquiátrica. A reaproximação entre os dois ocorre nesse momento, principalmente porque Nora está cuidando do pai que sofre com um câncer terminal.
Há reviravoltas, algumas bem interessantes, outras nem tão bem arranjadas (a carta, o encontro com o marido falecido), o filme também exagera um pouco na duração. Desplechin opta por filmar Emmanuelle Devos de uma maneira tão tenra e delicada que fica difícil concordar com o que algumas passagens vão demonstrar. Ela não se encontra nem na maneira fantasiosa como a câmera teima em filmá-la, nem como a maldade que o roteiro gostaria de pintá-la, fica no meio termo onde a maioria das pessoas vive. Alguém que comete erros e tenta levar sua vida com as ferramentas que a vida lhe disponibiliza. É uma personagem equilibrada, muito ligada a realidade humana, diferente de Ismael que é uma figura raramente possível na realidade, mas com uma atuação tão estupenda como a de Mathieu Almaric fica difícil não se encantar por ele, suas paranóias e seus desequilíbrios. Não vejo o filme com tão bons olhos como a crítica e alguns amigos viram, mas é um filme para lá de interessante.
Rapidamente um ponto chama minha atenção, o roteiro que parece cada vez mais se desconstruir com o passar do tempo, é uma teia de flashbacks e alternância entre os dois personagens principais que quase fazem com que esqueçamos do outro, é um estilo narrativo diferente aliado a uma fotografia cheia de vida, amplamente iluminada. Duas histórias que se entrelaçam, uma bem carregada de humor e outra mais puxada para o drama. A trama armada por Arnaud Desplechin (Sentinela/Ester Khan) vai correndo bagunçada, mas nunca confusa, é realmente estranho e de maneira alguma isso é sinal negativo. Figuras bíblicas ou místicas aparecem desde o início, seja nos nomes dos personagens, ou no presente que Nora escolheu para seu pai, até mesmo o título do filme.
A rainha é a citada Nora, os reis são: seu filho, seu pai, e os homens com que ela se relacionou, pode haver outras correlações entre o título e o filme, mas essa assim é simples e direta. A outra figura chave é Ismael, seu ex-marido que não é o pai de seu filho, um violinista sofrendo algumas crises existenciais, a ponto de se preparar para cometer suicídio e acabar internado numa clínica psiquiátrica. A reaproximação entre os dois ocorre nesse momento, principalmente porque Nora está cuidando do pai que sofre com um câncer terminal.
Há reviravoltas, algumas bem interessantes, outras nem tão bem arranjadas (a carta, o encontro com o marido falecido), o filme também exagera um pouco na duração. Desplechin opta por filmar Emmanuelle Devos de uma maneira tão tenra e delicada que fica difícil concordar com o que algumas passagens vão demonstrar. Ela não se encontra nem na maneira fantasiosa como a câmera teima em filmá-la, nem como a maldade que o roteiro gostaria de pintá-la, fica no meio termo onde a maioria das pessoas vive. Alguém que comete erros e tenta levar sua vida com as ferramentas que a vida lhe disponibiliza. É uma personagem equilibrada, muito ligada a realidade humana, diferente de Ismael que é uma figura raramente possível na realidade, mas com uma atuação tão estupenda como a de Mathieu Almaric fica difícil não se encantar por ele, suas paranóias e seus desequilíbrios. Não vejo o filme com tão bons olhos como a crítica e alguns amigos viram, mas é um filme para lá de interessante.