
1) Enquanto muita gente corre para ver Transformers 2, eu prefiro me concnetrar em A Erva do Rato e Jean Charles. Este último, com um pequeno valor sentimental, meu tio morou alguns anos em Londres e chegou a conhecê-lo (ou quase isso, vou checar melhor para ter mais inofmrações). A Mostra Panorama Francês terminou e agoras os filmes começam a ser lançados, o primeiro é o bonito Há Quanto Tempo que Te amo.
2) Repercutindo muito a morte do rei do pop Michael Jackson. Um cara que fez o que fez para depois optar pela bizarrice, há anos desprezo esse ser abominável, prefiro repercutir a morte da eterna pantera dos seriados, Farrah Fawcett.
3) E o Oscar resolveu agora que serão 10 os indicados a melhor filme. O que isso signica? Ao invés de aturar marketing de 5 filmes, teremos o dobro e com isso mais espaço para filmes medíocres e fracos. Os bons filmes estariam lá de qualquer jeito, triste essa jogada de marketing que nos EUA deve fortalecer muitas bilheterias
4) A Reserva Cultural está dando um banho de programação, muita gente sabe do meu não-interesse pelo cinema de horror, mas é louvável e porque não necessário elogiar a iniciativa do SP Terror, festival voltado para novidades e tendências do gênero. E olha só o destaque, o belíssimo Deixa Ela Entrar (texto abaixo).
Deixa Ela Entrar (Laat den Rätte Komma in / Let the Right One In, 2008 - SUE)
Aos dozes anos Oskar (Kåre Hedebrant) é um garoto solitário, filho de pais separados. A mãe o trata como um bibelô enquanto no colégio sofre agressões e judiações dos colegas, típica criança introvertida e envergonhada em suas relações. Entre suas predileções está o brincar no playground do prédio onde mora, encontra ali a maneira de divertir-se dentro de sua solidão, e naquele ambiente que lhe é seguro conhece a nova vizinha, Eli (Lina Leandersson). A amizade é rápida, na velocidade que só as crianças sabem contornar, e Eli e Oskar descobrem um tipo de afinidade que nunca havia sentindo antes. A relação mais que amistosa dos dois é narrada sutilmente pelo diretor Tomas Alfredson demonstrando inicialmente uma incrível capacidade de tornar homogêneas ternura e violência, nesse ambiente levemente hostil e gélido de neve caindo e individualidade aflorada em ambos.
Uma série de assassinatos sangrentos ocorre na região, parte da população está aterrorizada, no frio moribundos, alcoólatras, qualquer pessoa solitária caminhando pelas ruas acaba atacada brutalmente. O filme começa a entregar seus segredos, Eli é uma vampira, o que se apresentava como uma dócil e singela garota é capaz dessas "atrocidades" por sua subsistência. Nesse contexto surge seu protetor, seria ele seu pai ou um homem apaixonado por essa garota, renegado a acobertar seus passos e auxiliar na tarefa de encontrar sangue novo. Volto a revirenciar o trabalho de Alfredson em sempre resgatar com delicadeza a figura de Eli que com o passar da relação vai descobrindo na convivência com Oskar a maneira de se viver no mundo aos doze anos. Invariavelmente os dois se apaixonam, e cada cena relacionada a este sentimento é linda. Desde os olhares inocentes aos diálogos atrevidos, e o ápice na cena em que os dois deitam na cama, a discussão sobre namoro, a maneira como se comunicam pela parede. O amadurecer da adolescência, Oskar aprende a revidar às violências dos colegas enquato Eli vive um mundo de descobertas (detalhe que essa singeleza seja sempre precedida de sua necessidade por sangue). Na fase final a opção de Alfredson é pelo clichê, pelo mais que esperado, e o todo decepciona um pouco já que o que havia de melhor no filme fica deixado de lado. Faltou pouco para Alfredson acertar do início ao fim nesse inimaginável e enigmático romance.