A última semana foi boa, 3 idas ao cinema e um deles uma grande surpresa que conto na semana que vem. E nessa aqui coisas interessantes e que não devem sobrecarregar a agenda.


Linha de Passe - necessário dizer alguma coisa? Sandra Corveloni ganhou melhor atriz no último Festival de Cannes.


Hellboy II - O Exército Dourado (Hellboy 2: The Golden Army) - já devem estar cansandos de saber que se trata de um tipo de filme a qual não me interesso e só por influência de terceiros me fazem conferir. Tem direção de Guillermo Del Toro e uma forte rede de fãs do filme anterior.


Canções de Amor (Les chansons d'amour) - desde já a melhor trilha sonora do ano, as canções são ótimas, o texto escrito na última Mostra SP segue abaixo:
O musical de Christophe Honoré talvez seja a perpetuação dos enlaces amorosos contemporâneos. Relações a três, envolvimentos heteros, homos, o mundo cada vez mais anda livre, anda bissexual. Por outro lado está longe de ter aquela carga positiva presente nos filmes desse gênero, trata-se de um musical com muitos momentos melancólicos, inserções musicais surgindo naturalmente sempre num mesmo tom pop e normalmente rebatidas em diálogos. Honoré não pretende que seus atores possuam vozes poderosas, são pessoas comuns cantando num tom que lhes permite soar agradável, pessoas de carne e osso que sofrem, quem amam, que deixam seus amantes, que explodem de paixão ou pela falta dela. A todo o momento o diretor tira o personagem central (Ismael) de cena para trazer novas vibrações, outros sentimentos. Pena que Louis Garrel comece a se repetir em seus personagens. Entre o amor e a tragédia, a dor e a comédia, Canções de Amor insere-se como parte de nosso próprio dia-a-dia num improvável musical melancólico.


Caçadores de Dragões (Chasseurs de dragons) - animação francesa sobre um dragão prestes a destruir o mundo e blábláblá


O Aborto dos Outros - documentário retratando o mundo dos abortos no Brasil, clandestinos "pero no mucho".

Filmes: O Grande Truque

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(The Prestige, 2006 - EUA/RU)

Brincar com o tempo é um dos passatempos preferidos do cineasta Christopher Nolan em seus filmes, freqüentemente os flashbacks são de importância vital e aqui não é diferente na história de dois mágicos obcecados. E como foco de sua obsessão, a fama e o poder, colocam-se em segundo plano, em detrimento de uma rixa estabelecida entre Robert Angier (Hugh Jackman) e Alfred Borden (Christian Bale). De aprendizes a oponentes que não medem esforços para prejudicar ao outro, roubar seus truques e ferir da maneira mais leviana possível. Nolan transforma a mágica numa obsessão compulsiva após um acontecimento mal-explicado leva à morte da esposa de um deles. Família, amor, dinheiro, nada é tão importante quanto a disputa mortal travada pelos promissores mágicos londrinos não perdoa seus entes queridos Cutter (Michael Caine), Sarah Borden (Rebecca Hall) e a pivô de muita discórdia Olivia Wenscombe (Scarlett Johansson).

Mesmo fazendo de maneira convencional, Nolan sabe impor ação e principalmente dar cadência à sua narrativa, sempre privilegiando roteiros engenhosos e bem arquitetados o cineasta perde-se na grandiloqüência do próprio roteiro que escorrega feio nos últimos vinte minutos com soluções mirabolantes e outras pouco interessantes. O desejo de sempre oferecer um final inventivo e inesperado nem sempre surte os efeitos desejados, e pode transformar grandes truques em mera formalidade estilística.

Cinema: Os Desafinados

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Os Desafinados (2008)

Olhar com bons olhos não significa esconder alguns problemas tão aparentes, e por mais que o filme de Walter Lima Jr. venha repleto de boas intenções e esteja muito mais para o os bons filmes, ainda assim há tanto o que se comentar, o que se discordar, e até mesmo incomodar. Declaradamente uma homenagem ao estilo musical tão fino e requintado, e encharcado dessa brasilidade que conquistou o mundo. Entre passado e presente, acompanhamos a saga e os desdobramentos das aventuras de um grupo de amigos que parte à Nova York com instrumentos debaixo do braço e um sonho musical. Com ele um amigo que escolheu outro instrumento, uma câmera, o sonho de ser cineasta.

E a fase nova-iorquina é um deleite, o entusiasmo dos jovens, o encontro com a espevitada Glória, a descoberta de um novo mundo, de novas possibilidades, os pequenos bares, o romance. Tudo isso é narrado em tom de flashback, e a fase atual é artificial, carregada de um saudosismo exagerado que é negativo ao resultado, uma completa falta de assunto e falas soletradas e não vividas (parece apenas cumprir formalidades). O filme tenta resgatar a relação entre as ditaduras violentas sul-americanas e as artes, artistas perseguidos, sumindo inexplicavelmente, exílios. Resumindo, o filme quer demais, e se ater ao humor leve daqueles jovens ultra-empolgados é o melhor que se tem a oferecer. E nesse quesito, Rodrigo Santoro e Ângelo Paes Leme, vão muito bem, já Selton Mello, bom é redundante, mas ele dá um novo show.

Cinema: U2 3D

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(U2 3D, 2007 - EUA)

Montagem com vários momentos dos shows realizados pela banda na última turnê na América do Sul, a direção ficou a cargo de Catherine Owens e Mark Pellington. O primeiro ponto é a inexplicável razão em se usar partes do show de São Paulo e Buenos Aires (a grande maioria) o que ocasiona uma salada de bandeiras e idiomas sem que isso possa trazer grande benefício ao show. O espetáculo em 3D que nos fazer sentir que pudéssemos tocar as mãos de Bono Vox, ou bater junto com o batera, são realmente um espetáculo deslumbrante que deixa de ser novidade após os primeiros trinta minutos. E ficamos com um show, excelente, energizante, e a frustrante sensação de ficar sentado na poltrona, em leve silêncio e um tedioso espetáculo que aos seus parece empolgante. Se a montagem é tosca, e o show musical e tecnológico é fantásticos, a sensação de estar em casa vendo um DVD com alguns amigos desanimados, é o que prevalece.

Filmes: O Bom Pastor

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(The Good Shepherd, 2006 - EUA)

Naquela primeira olhada, você enxerga no filme dirigido por Robert De Niro o ar sombrio, o clima de silêncio e mistério a cada fotograma, o surgimento da CIA, o nacionalismo. E entre um ou outro fato interessante, principalmente a amizade com um soviético que divide um posto parecido no governo adversário, Edward Wilson (Matt Damon) justifica toda esse nacionalismo, um homem íntegro em seus cromossomos, capaz de renegar sua existência "ao bem" da pátria. E De Niro comprova tudo isso num ritmo modorrento, numa sucessão de fatos confusa, um ar de querer ser um grande filme, quando apenas momentos pincelados servem para além da papagaiada americano. Inclusive no filme, um italiano questiona, e Wilson sai com a resposta que De Niro acredita legitimar quando na verdade apenas intensifica sua incessante busca pelo patriotismo.

E assim desperdiça personagens curiosos, como Margaret (Angelina Jolie) e outros coadjuvantes de luxo. E toda a abordagem da Guerra fria é o cume, por mais que hoje seja fácil escancarar a melindrosa base econômica soviética na indústria bélica, é interessante acompanhar as disputas, as trocas, as negociações entre as super-potências que dominavam o mundo. Sem dúvida trata-se de um filme refinado por natureza, chamuscado por um ar de segredo a cada sílaba, a cada respiração, e uma crueldade inerente a uma guerra que consumiu décadas, sem disparar um tiro sequer.

Depois de uma semana com apenas três estréias, surge essa enxurrada excessiva, entre elas estréias interessantes, inusitadas e prometendo alguns filmes pequenos que podem render ótimos momentos cinéfilos.


Os Desafinados - há muitos meses aguardo a chegada do filme de Walter Lima Jr, com Cláudia Abreu, Rodrigo Santoro, Selton Mello, não quero ler nada a respeito, é correr para o cinema.


U2 3D - Qual será a reação da platéia? Ficar sentadinhos assistindo, ou cantar as músicas? Pular que nem canguru? Tenho minhas dúvidas, mas a galera se mobilizou, já combinei com a patroa e no fim de semana vamos conferir o show do U2 no cinema.


Pelos Meus Olhos (Te Doy Mis Ojos) - O crítico do Estadão (Luiz Carlos Merten) elogiou com fervor, não que isso seja motivo para sair correndo à sala escura. Violência doméstica e a promessa de um filme duro.


O Mistério do Samba - correndo na contramão da estréia acima chega esse documentário, bastante apropriado diga-se de passagem, fazendo homenagem a esse ritmo musical tão impregnado de brasilidade. É Marisa Monte correndo atrás dos sambistas da velha Guarda, é para um público restrito e apaixonado e tem cara de ser uma delícia.


O Nevoeiro (The Mist) - mais uma adaptação de um suspense escrito por Stephen King, novamente um livro do escritor sob direção de Frank Darabont (verdade que os dois anteriores ficaram bem acima da média). E que venha a névoa mortal.


O Retorno - 50 anos depois, o diretor Rodolfo Nanni refaz o mesmo trajeto pelo nordeste analisando em seu documentário as mudanças da vida social de lavradores da região. Filme premiado, de temática pra lá de interessante.


Trovão tropical - mais uma comédia dirigida por Ben Stiler. Atores filmam guerra e acabam entrando numa real. A sensação é daqueles para assistir com a galera espalhada pelo chão da sala, regado à pipoca e refrigerante.

Ainda Orangotangos - primeiro filme brazuca filmado num único plano-seqüência, é da turma do meu "amigo-virtual" Milton do Prado, e por esse motivo já me causaria interesse. Portanto está na lista dos que gostaria de assistir.

O Reino Proibido (The Forbidden Kingdom) - Tá bom, vou fazer uma confissão, eu fujo dos filmes que tenham Jet Li no elenco.


Bezerra de Menezes - O Diário de um Espírito - quando criança, sempre ouvia falar de uma entidade no bairro que prestava ajuda aos carentes. Sempre me perguntei quem seria Bezerra de Menezes. Agora está aqui a chance de descobrir.


Shortbus - diretamente do mundo underground, jovens, festas, drogas, romances, como gosta de rotular uma amiga: pornô cult rs


Andarilho - Pra que tanta estréia boa? O documentário de Cão Guimarães chega carregado de elogios, sobre três andarilhos percorrendo destinos no nordeste de Minas Gerais.


La León - filmado em preto e branco, este drama argentino narra a vida de um pescador homossexual, praticamente trancado entre sua solidão e sua paixão pelos livros.


Castelar e Nelson Dantas no País dos Generais - mais quanto mais fuço, mais descubro coisas interessantes, olha que barato este documentário sobre parte da história do cinema mineiro durante a Ditadura Militar. Está difícil escolher.

(27 Dresses, 2008 - EUA)

Jane (Katherine Heigl) é uma dama de honra profissional, já foram 27 cerimônias em que ela se vestiu com um daqueles vestidos ridículos, ajudou a noiva bêbada a ir ao banheiro durante a festa, e ajudou nos preparativos para a festa. Ela se divide entre essa atividade obsessiva e seu trabalho onde se empenha para ser notada pelo chefe, George (Edward Burns). Eis que aparece sua irmã, eis que o chefe se apaixona por ela, e também aparece o jornalista Kevin (James Marsden) e suas inúmeras investidas para conquistar o coração da moça.

O problema não são os clichês utilizados à exaustão, o filme dirigido por Anne Fletcher é mesmo patético, tanto pelo argumento insosso, quanto por personagens tolos, e aquela incomoda e permanente sensação de atentado contra nossa inteligência. Nada, simplesmente nada funciona num conjunto de piadas pobres e romance pastelão, e as atuações? Bem, as atuações são um caso à parte, um triste caso à parte. Que filme patético.

Filmes: Os Incríveis

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(The Incredubles, 2004 - EUA)

Na época do lançamento me recordo de um trailer hilário quando um super-herói tentava desesperadamente afivelar o cinto da calça, só que a barriga enorme não permitia, e ele fazia contorcionismo. Era um aperitivo de dar água na boca, mas quando do lançamento ouvi que a cena não constava no filme, e no final acabei deixando o filme passar (não por esse motivo). Numa fase atual de peregrinação que estou por filmes que deixei passar quando das estréias no cinema (graças à promoção de preços da locadora), automaticamente veio à cabeça tal cena.

Tinha para mim que a animação dirigida por Brad Bird vinha com foco na comédia, ledo engano. Começa com um drama inusitado (até adulto demais para um filme com público alvo para todas as idades), a opinião pública processando os heróis pelos danos causados na luta contra os vilões (prédios, carros e outros bens destruídos). Os super-heróis são obrigados a trocar de identidade e viver na surdina, como se fizessem parte do programa de proteção à testemunha.

Na primeira metade Sr. Incrível sofre com a impossibilidade de usar seus poderes, vive de um emprego modorrento, sua família vive em crise. Felizmente chega a segunda parte, a ação toma conta e não só Sr. Incrível, como sua esposa Mulher-Elástica e os filhos partem para uma aventura no meio de uma ilha a fim de evitar os planos maquiavélicos de um vilão. Pelo que foi possível perceber na última oração, é a mesma história de sempre, agora nossa vida é refletida nos problemas dos super-heróis, até que os clichês do gênero prevaleçam e nesse caso transformem o filme em algo mais interessante.

(Le Goût des Autres, 2000 - FRA)


O filme fala de gosto, começo pelo bom gosto do próprio. A atriz Agnès Jaoui estreava na direção com um toque refinado, um bom gosto nos diálogos, na criação dos personagens, no tom. Um filme sutil em tantos aspectos, capaz de empunhar a bandeira de tantos personagens tomando por base de comparação os gostos díspares, as diferenças e, sobretudo as influências. Talvez a obviedade more na relação entre cunhadas, uma refazendo sua vida e a outra rica, metida a estilista, causando choque por impor suas preferências.

Entretanto é Castella (Jean-Pierre Bacri, ótimo, excelente) quem serve de vértice para tantos personagens, um rico homem que obrigado a comparecer na estréia teatral da sobrinha, apaixona-se por uma atriz (Anne Álvaro) e mergulha no mundo da arte. Porém, é mal-recebido, sofre preconceito por sua "ignorância artística", por seus modos pouco coerentes ao meio e enquanto, ao seu modo, joga as armas da sedução, a sua volta pintores, atores e envolvidos zombam, se aproveitam. Por fim há o motorista de Castella, Bruno Deschamps (Alain Chabat), e o segurança de seu chefe que largou a polícia por princípios, e entre uma amiga-amante (a própria diretora) que trabalha num bar e trafica haxixe. Se a relação dos dois parece totalmente adulta, entre pessoas preparadas e calejadas, cansadas de sofrer, acostumadas com diferenças até o ponto em que sua própria ética possa ser ferida. Enquanto isso Bruno parece parado num tempo de amadurecimento, uma existência tão pacata que beira ao sem-graça. E o desenrolar dessas histórias reafirma uma dura crítica a uma burguesia francesa (intelectual e/ou elitista), além de uma afirmação da tese proposta, os gostos, as diferenças e onde cada decisão pode nos levar.

E novamente adiaram a estréia de Desejo e Perigo do Ang Lee, sorte que matei minha ansiedade e assisti esta preciosidade, ufa. Semana boa, só se for para colocar em ordem os filmes que ficaram para trás. Mais uma semana que adiei Lemon Tree, espero que dessa não passe.


Um Crime Americano (An American Crime) - não precisa ser expert em nada para ter uma idéia de todos os terríveis acontecimentos que devem marcar a história do filme dirigido por Tommy O'Haver, com Ellen Page no elenco trata de uma história real que horrorizou o estado de Indiana, quando duas irmãs foram presas num porão por uma família e sofreram diversos maltratos.

O Procurado (Wanted) - estréia do cineasta russo Timur Bekmambetov (Guardiões da Noite) em Hollywood com história baseada em HQ. Sociedade secreta, herança, assassinato, habilidades hereditárias. Tem Angelina Jolie, James McAvoy e Morgan Freeman no elenco. Entretenimento para os fãs de filmes de ação.

Reflexos da Inocência (Flashbacks of a Fool) - Nos primeiros momentos do trailer achei que se tratava de um novo 007, nada disso, dessa vez Daniel Craig assume o papel de um ator arrogante e decadente em busca de um novo trabalho. E aquela velha história de um acontecimento mudando uma vida.