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Na vida, aprendemos centenas de lições eternizadas em livros, verdade, mas perpetuadas principalmente pela tradição oral: afinal, naqueles poucos anos de vida antes de aprendermos a ler, ouvimos histórias suficientes para formar nossos repertórios de medos, de ética, de bom comportamento. Da loira do banheiro à única forma realmente eficaz de cometer suicídio (manga com leite, ué! Não sabia?), as tradições orais estão aí para nos orientar sempre pelo bom caminho, seja em forma de lendas urbanas, trechos da Bíblia ou clássicos da literatura infanto-juvenil.

* * *

Estava viajando nisso hoje, enquanto fazia um arroz gostoso e soltinho, que obviamente não aprendi em nenhum livro de receitas, mas seguindo a tradição oral familiar. Algumas particularidades que tornam um arroz diferente do outro, arroz perfeito é tradição oral - e ai de quem pular uma etapa, botar mais água ou esquecer de lavar ou refogar! As consequências serão terríveis! Sempre lembro de algum amigo dizendo que não sabe fazer arroz decentemente. Este, decerto, não seguiu à risca as orientações da mãe!

...e não, não acho digno da minha parte perpetuar a narrativa do arroz perfeito aqui, num BLOG. Suas mães, tias e avós certamente sabem muito melhor do que eu como contar a melhor maneira de fazer um arroz perfeito - receita provavelmente acompanhada de alguma história deliciosa de como seu avô foi conquistado pelo estômago ou da primeira panela de sua vida. Perpetuem a tradição. Aprendam com alguém de confiança e ensinem a seus filhos quando eles saírem de casa - é uma lição tão inesquecível quanto, sei lá, aquela em que não adianta fugir do seu destino ou aquela outra que diz que não se deve roubar rabanetes alheios. Acredite.

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Afinal, toda narrativa dramática pressupõe necessariamente um final? Essa 'narrativa do eu', documentação online de processos permanentes de subjetivação, de devires, de épocas históricas, feita diariamente por centenas de pessoas em diferentes plataformas digitais, não poderia ser considerada uma narrativa dramática cross-media? Afinal, estamos sendo assistidos por espectadores que interagem com essas narrativas, e todas elas complementam a informação principal (que, obviamente, é a vida real/offline). Ou toda narrativa precisa necessariamente ter um final estabelecido, o que invalidaria o conceito de 'narrativa' pra esses tipos de registros?

Alguém? Bueller? Alguém?

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