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Loto Azul Turismo_ Nanjing

Final de semana passada fomos a Nanjing (de trem, quase 3 horas) para um seminário de apresentação da nova área econômica da região, uma Pudong local. A única parte divertida é que mais uma vez erraram meu nome. Mas depois de ver este letreiro no estádio olímpico (não importa o que a Wikipedia diga), relevei.

Natatorium_Nanjing

Momento Cultura Geral_ Nanjing foi a capital da China por muitos séculos (Google > do século III ao VI, de 1368 a 1421 e de 1928 a 1937), de onde deriva seu nome: Nan=Sul, Jing=Capital. Beijing significa capital do norte. Peking e Nanking são os nomes cantoneses das cidades. (Éééé, é daí quem vem o nome da tinta preta inventada pelos chineses há mais de dois mil anos, o nanquim!!!)

Ticket_Nanjing

A cidade, que tem 4 milhões de habitantes, possui uma área verde invejável, ainda mais se comparada as demais cidades chinesas. Nosso cicerone lá foi o Jean, funcionário do governo chinês que morou de 2002 a 2004 no Rio, trabalhando no Consulado Chinês em Botafogo. Ele nos levou ao Parque Nacional da Montanha Zhongshan, e abaixo fala sobre o Mausoléu do Dr. Sun Yat-Sen, o fundador da República da China:

No teto e no chão do Mausoléu, a bandeira do Kuomintang. No interior do Mausoléu as fotos não são permitidas mas a gente faz o que pode.

mausoleunanjing.jpg

Atrás do Mausoléu há uma pequena mas bem completa exposição sobre sua construção, que durou de 1926 a 1929, e que terminou depois da morte de seu autor, o arquiteto chinês Lu Yanzhi.

ExposiçãoArquitetura_Nanjing

Os três primeiros colocados no concurso de projetos...

Mausoléus_Nanjing

... e as menções honorosas.

Mausoléus_Nanjing

. . . . . .

Porém, do ponto alto da viagem não foi possível tirar fotos.

Em 1937 Nanjing sofreu uma brutal invasão e ocupação japonesa. A China calcula mais de 300.000 mortos em um horror que durou seis semanas. As relações dos dois países ainda são estremecidas por conta deste fato (adicione aí as atrocidades cometidas pelo Japão contra milhares de mulheres de toda a Ásia durante a II Guerra), especialmente por que o Japão recusa-se a desculpar de maneira adequada (pelo ponto de vista chinês, e me explicaram que isso é uma questão de diferenças entre os idiomas), a aceitar este número de mortos, e mesmo a admitir que foram cometidos pilhagens, estupros e assassinatos nas proporções apresentadas pelos chineses.

Ano passado foram concluídas obras de expansão do Memorial do Massacre de Nanquim. Inicialmente não tinha nenhuma vontade de ir ("coisa mais deprê") mas achei que era um simple memorial, vamos lá, oras. Não é. É enooorme, coisa de 3 a 4 horas de visita se fossemos parando e lendo tudo!

É um dos museus e/ou exposições mais sensacionais a que já fui. Me surpreendi de não ter saído de lá deprimido. Chocado, sim, mas deprimido não. O museu em si não é deprê. Há algo sobre "perdoar sim, esquecer não" que rege a experiência de visitá-lo. O memorial usa e abusa de bela cenografia e efeitos sonoros que te transportam para Nanjing em 1937, atravé de fotos, vídeos, objetos, estátuas, qualidade Epcot Center de tão bom. Design de primeira. Todas as legendas estão em chinês, inglês e japonês. O segundo andar é dedicado a outros conflitos asiáticos que de alguma forma envolveram Japão e China, e que ajudam a contextualizar as complicadas relações nesta região, e a o material de pesquisa sobre todo o assunto.

Covardia falar assim, e não mostrar nenhuma imagem, mas se vocês estiverem na China, vale, e muito, a visita.

Comments (1)

sensa!

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