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Cartas tipográficas para a redação

Depois de mais de um ano praticamente encarando apenas filmes piratas, Billy recebe um belo dum pacote... que vai ficando melhor a medida que vai sendo aberto!

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Sim!, o DVD original edição de luxo limitada e esgotada do documentário Helvetica - que é uma beleza de bem feito, e um marco para o design gráfico.

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Possui inclusive, pasmem, críticas a fonte, apesar do monte de gente que declara ser impossível melhorá-la. O contraponto foi assistir emendando a leitura, na Eye #63, do artigo do Martin Majoor (criador da Scala) detonando a fonte! Algo a se concordar: uma versão realmente itálica (em contraponto as oblíquas existentes) seria uma melhora. Martin Majoor, que escreve bem, chega mesmo a sugerir um caminho (disponível apenas na versão impressa).

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Falando em pacotes tipográficos, duas semanas atrás chegou o catálogo (acima) da exposição Design Brasileiro - Uma Mudança do Olhar que aconteceu em Brasília, no Palácio do Itamaraty, entre 4 de outubro e 4 de novembro de 2007. A exposição, organizada pela FAAP, apresentava projetos brasileiros de design (ou “de design brasileiro”?) inseridos no cenário internacional.

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Entre eles, o novo projeto gráfico das revistas Tatler, feito pelas fantásticas Mariana Ochs & Maryjane Fahey, para o qual prestamos uma consultoria tipográfica nas edições chinesas.

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A Tatler é a revista de alta sociedade na Ásia, editada em diversos países e comprada a pouco mais de um ano pelo grupo suíço Edipresse. Nosso trabalho consistiu em adaptar o sofisticado projeto original, em inglês, para as edições de Xangai e Pequim (que das nove edições são as únicas em chinês) testando e selecionando as fontes que melhor espelhassem os caracteres ocidentais escolhidos (com algumas fontes exclusivas do tipógrafo norte-americano Joshua Darden) e adequando-o às convenções tipográficas daqui.

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Foram cerca de três meses de trabalho, pesquisando fontes – e descobrindo, por exemplo, que são raros os alfabetos tecnicamente confiáveis (pela quantidade imensa de caracteres, muitos não chegam a ser desenhados); aprendendo a percepção para os diferentes estilos de escrita chinesa, que muito diferem da nossa hierarquia; e quebrando a cabeça para representar em chinês aspectos da tipografia ocidental.

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Como indicar os trechos em versalete, muito usados na frase inicial do primeiro parágrafo? Como prever a substituição de uma drop-cap extra-bold por um caractere que sempre tem altura x base iguais, possui significado próprio, e de dois a vinte traços (hastes, traves, serifas, enfim, strokes) em sua estrutura?

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E o processo de compra de fontes (PC/MAC) por telefone (de Hong Kong), inacreditavelmente complicado mesmo com uma tradutora especializada ao nosso lado e, mais importante, de contarmos com verba para isso?!?!

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Selecionadas as fontes, recebíamos o texto de uma edição em chinês e, tradutora a tiracolo, íamos adaptando as páginas que eram feitas por Mariana e Gabriela Turbiani no Rio e Maryjane em Nova York (três meses de reuniões de feedback via skype com três fusos distintos, média de 10 horas de diferença) e descobrindo que, na tradução, o texto em chinês pode ocupar apenas 30% do espaço do original em inglês (para português é o inverso, ele cresce cerca de 20%).

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O resultado valeu (e muito!!!) todo o esforço, pois o projeto – que ainda recebeu a mão do Ariel Cepeda, que chegou a ir a Hong Kong acompanhar o fechamento das primeiras edições – ficou lindo, elegante, e extremamente fiel ao original! E estar numa exposição ao lado de projetos dos irmãos Campana e gibis do Superman e X-Men (atualmente desenhados por brasileiros) coroa tudo!

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Quem também esteve no projeto inicial da Tatler (tipografando estudos do logo) foi nosso homem no Museo della Stampa de Genova, Claudio Rocha (abaixo, com Milena, Lucas e Gabriel, em Pisa), que da Itália manda notícias, fotos e desenhos... em rochas!

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Tá, mal aê o trocadilho... Além de pedras, catadas nas praias da Liguria, Claudio está experimentando suporte como lixas (abaixo, Cogito Ergo Sum e Signora) para desenhos com "gouache e tempera líquida (prata e ouro) e tambem um pouco de giz pastel sobre lixas de madeira e metal... a lixa é um suporte surpreendente, com texturas e brilhos muito peculiares... e ontem recebi um convite para expor em Palermo, em abril de 2008"!!!

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O Claudio é, entre um monte de coisas bacanas, idealizador da Oficina Tipográfica São Paulo que, coordenada pela Marina Chaccur, está oferecendo dois cursos este mês (a dica veio do Rico Lins): Composição Introdutória e Encadernação para designers.

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E, para finalizar, como X também é um tipo, e dos bons, João Ferraz manda este link com direito a vídeo!

Comments (3)

Notícias bacanérrimas!!!
muito legal o post!
aliás o télio navega hoje no globo, colocou outras imagens do speed racer!!! tambem bacanérrimas!!!
e... confesso... um pouquinho de inveja (positiva) do dvd da helvética! heheheheheh
abração procês!!!!

Parabéns pelo projeto. Que bonita a fonte que vocês usaram como substituta para as capitulares, aquele caractere na foto da matéria com a Paloma Picasso tem umas curvas deliciosamente sutis, em especial nos dois traços "internos".
E que legal os trabalhos novos do Cláudio, pelo jeito o ar italiano faz a pessoa ficar ainda mais inspirada do que já é!

Roy:

Nossa, esse DVD da Helvetica deve ser muito bom!
Tudo de bom aí!
Abraços

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