Com plico
A situação está complicada. Eleições europeias e candidatos modelos e estilistas prometem luxo no fazer e belos modos no portar-se. Os pobres políticos oportunistas desorientam-se. Ignorância na politica sempre foi um bem precioso, mas clamam medidas contra a concorrência desleal. Mando um beijo no coração de todos eles, porque a coisa está complicada.
O mundo adotou a receita da corrente pra frente e o cheiro do chumbo e dos coturnos a cada tanto volta. Mussolini morreu só ligeiramente, e também faz seus retornos.
A saída? Fazer shopping, gastar. Visito um dos templos, me dizem: é uma nova cadeia de lojas chiques. Ah! E quantas lojas são? Hmm, só uma, essa aqui! Ah! Que chic! E complicado!
Pobres bancos sanguessugas sem ajuda dos estados, quase acabou a guerra americana e o preço do petróleo cai e o da gasolina sobe e os rabanetes de minha horta estão menores. Quem me explica essa coisa cada vez mais complicada?
Médicos mercenários, a burocracia pró ativa, hotel que polui a praia, turismo predatório, telefone que tira fotos.
E os programas mudam só um pouquinho a cada ano, ao menos mudam, porque a tela é sempre aquela, a mesma. Meus amigos todos olham para a tela e eu já sei o que vão me dizer na segunda feira de manhã.
Musica que vira vento, crimes novos, amizades via satélite.
Mas tudo tem remédio nesse mundo. De marca ou genérico, com ou sem receita. Tem convênio? O importante é que somos uma nova rede de farmácias! E quantas são? Só uma, mas se faz chamar de rede. Pode parecer complicado, mas não é. Ainda que esteja sozinho, faça-se chamar de rede.